Reavivados por Sua Palavra


EZEQUIEL 18 – COMENTÁRIOS SELECIONADOS by Jeferson Quimelli
9 de janeiro de 2021, 0:50
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2145 palavras

O povo de Judá acreditava que havia sido punido pelos pecados de seus ancestrais, não pelos seus próprios. … Ezequiel ensinou que a destruição de Jerusalém foi devido à decadência espiritual nas gerações anteriores. Mas essa crença na vida corporativa de Israel levou ao fatalismo e irresponsabilidade. Assim, Ezequiel deu a nova política de Deus para esta nova terra porque o povo havia interpretado mal a antiga. Deus julga cada pessoa individualmente. Embora muitas vezes soframos os efeitos do pecado cometido por aqueles que vieram antes de nós, Deus não nos pune pelos pecados de outra pessoa. Cada pessoa é responsável perante Deus por suas ações.
Além disso, algumas pessoas de Judá usavam o guarda-chuva corporativo das bênçãos de Deus como desculpa para desobedecer a Deus. Eles pensavam que por causa de seus ancestrais justos (18:5-9) eles viveriam. Deus disse-lhes que não; eles eram os maus filhos de pais justos e, como tais, morreriam (18:10-13). Se, entretanto, alguém voltasse para Deus, ele ou ela viveria (18:14-18). Life Application Study Bible Kingsway.

Um capítulo singular sobre a responsabilidade de cada pessoa pelas próprias ações. Questiona a visão de que o juízo resultava dos pecados da geração passada (citada em forma de provérbio no v. 2). No contexto, encontra-se a incompreensão das passagens bíblicas acerca da punição que se estende até a terceira ou quarta geração (ver Êx 20:5, 6; 34:7; Dt 5:9, 10. Três gerações são mencionadas neste capítulo: um homem justo (Ez 18:5), seu filho ladrão (v. 10) e o filho arrependido do ladrão (v. 14), a fim de demonstrar que cada um é responsável pela própria vida. Desse modo, prestará contas perante Deus e será julgado segundo as próprias obras. Estes princípios são explicados nos v. 21-24 (ver também 33:12-20). O comportamento revela nossas escolhas, atitudes, valores e, portanto, nosso caráter. Bíblia de Estudo Andrews.

1 A palavra do SENHOR. Inicia-se uma nova seção, que trata da responsabilidade individual. Ezequiel havia repetidamente enfatizado a certeza dos juízos vindouros, esperando levar o povo ao arrependimento. Mas este propósito salutar foi frustrado pela maneira como esses juízos foram interpretados. As pessoas se consideravam filhos inocentes que sofriam pela iniquidade dos pais, e que, consequentemente, o arrependimento era desnecessário e inútil. Não estavam inclinadas a reconhecer a culpa pessoal ou a responsabilidade individual. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 4, p. 699.

2 Proferis este provérbio. O fato de a frase ser chamada de “provérbio”indica que era popular. O tempo do verbo hebraico mostra que as palavras eram repetidas com frequência. Jeremias se referiu ao mesmo provérbio e o condenou (Jr 31:29, 30). As uvas verdes que os pais comeram representavam seus próprios pecados. O fato de os dentes dos filhos se embotarem representava o sofrimento que os judeus achavam que viera sobre eles em consequência do pecado dos pais. Superficialmente pode parecer que este provérbio esteja em harmonia com o que é declarado no segundo mandamento, de que as iniquidades dos pais são visitadas nos filhos (Êx 20:5; 34:7; Dt 5:9). Então, por que Ezequiel o condenou de maneira tão veemente? A declaração mencionada por Exequiel e a da lei tratam de dois aspectos diferentes do problema. Os contemporâneos de Ezequiel insistiam que estavam sofrendo por culpa de seus pais. A lei fala que os pais transmitem a depravação para os filhos. “É inevitável que os filhos sofram as consequências das más ações dos pais, mas não são castigados pela culpa deles, a não ser que participem de seus pecados”(PP, 306). O pecado depravou e degradou a natureza de Adão e Eva. … Portanto, nós, como seus descendentes, sofremos o resultado da transgressão de nossos antepassados, mas não através de uma imputação arbitrária da culpa deles. CBASD, vol. 4, p. 699.

4 Todas as almas são minhas. Elas são de Deus por direito de criação. Todos os seres humanos são igualmente Suas criaturas, e Seu trato para com eles é sem preconceito ou parcialidade. Ele ama e deseja salvar a todos, e o castigo só é aplicado quando necessário. CBASD, vol. 4, p. 700.

A alma que pecar. Embora Ezequiel estivesse falando primariamente dos juízos prestes a cair, suas palavras têm aplicação mais ampla.  Dizem respeito igualmente à segunda morte, irrevogável e definitiva (Ap 20:14; cf. Mt 10:28). No universo restaurado de Deus, todos os vestígios do pecado terão sido removidos. Não restará nenhuma lembrança da maldição, como almas queimando eternamente num inferno. O triunfo de Deus sobre o mal será completo. A ideia de que será concedida aos ímpios a vida eterna, ainda que em tormentos, é inteiramente contrária às Escrituras. Esta doutrina repousa na falsa premissa de que a alma é uma entidade separada e indestrutível. Tal ideia, porém, é derivada, não da Bíblia, mas dos falsos conceitos filosóficos que cedo penetraram no pensamento judaico e cristão. A palavra traduzida como “alma” (nefesh) não se refere a qualquer parte imortal do homem, nem mesmo ao princípio que dá vida ao ser humano. É equivalente a “ser humano”, “pessoa”, ou a “si mesmo”. Nefesh se refere ao ser humano como um indivíduo singular, diferente de todos os outros. Quando essa identidade peculiar é enfatizada, a Bíblia se refere à pessoa como uma “alma”(sobre nefesh, ver com.[CBASD] do Sl 16:10). Ezequiel está declarando: “A pessoa que pecar, esta morrerá.”. CBASD, vol. 4, p. 700.

6 Não comendo carne sacrificada nos altos. Deus condenou a participação em festividades pagãs (Ez 16:16; 22:9; cf. Dt 12:2). CBASD, vol. 4, p. 700.

Levantando os olhos. É provável que a expressão signifique o desejo de participar da idolatria (ver Gn 19:26; Mt 5:28-30). CBASD, vol. 4, p. 700.

Contaminando. Ver Êx 20:14; Lv 20:10. CBASD, vol. 4, p. 700.

Nem se chegando. Ver Lv 18:19; 20:18. CBASD, vol. 4, p. 700.

7 A coisa penhorada. Ver Êx 22:26; Dt 24:6, 13. CBASD, vol. 4, p. 700.

Dando o seu pão. Uma virtude frequentemente estimulada e exaltada (ver Jó 31:16-22; Is 58:5-7; Mt 25:34-46; Tg 1:27; 2:15, 16). CBASD, vol. 4, p. 700.

8 Usura. Juros, não só os exorbitantes, mas os de qualquer tipo. A lei mosaica proibia aos judeus cobrar juros de seus irmãos “empobrecidos”, mas permitia que os cobrassem do estrangeiro (ver com. [CBASD] de Êx 22:25; ver Dt 23:19, 20). CBASD, vol. 4, p. 700.

9 Certamente viverá. Ezequiel, sem dúvida, pretendia que estas palavras se aplicassem primariamente à prosperidade temporal, mas elas se aplicam igualmente à vida futura e imortal. A vida eterna é recebida quando a pessoa aceita a Cristo. Jesus disse: “Quem crê em Mim tem a vida eterna” (Jo 6:47; cf. 1Jo 5:11, 12). “Cristo tornou-Se uma mesma carne conosco, a fim de podermos nos tornar um espírito com Ele. É em virtude dessa união que havemos de ressurgir do sepulcro – não somente como manifestação do poder de Cristo, mas porque, mediante a fé, Sua vida se tornou nossa”(DTN, 388). CBASD, vol. 4, p. 700, 701.

10 Ladrão. Os v. 10 a 13 descrevem o caso de um filho que, em vez de seguir o bom exemplo de seu piedoso pai, adota conduta diretamente oposta, abandona a virtude e passa a cometer crimes. CBASD, vol. 4, p. 701.

14 Não cometer coisas semelhantes. Os v. 14 a 18 descrevem o caso de um filho que, chocado com os pecados do pai, é influenciado a evitar a maldade que aquele praticava. Neste caso, o pai comeu “uvas verdes”e os dentes do filho não se embotaram (ver v. 2). Demonstra-se diretamente, assim, que a parábola é falsa. Cada pessoa será julgada de acordo com seu caráter.

Não obstante, é verdade que o filho de um homem justo pode ter certas vantagens, e o filho de um pai ímpio tem certas desvantagens, no que diz respeito à formação do caráter. A responsabilidade da pessoa é diretamente proporcional aos privilégios (ver Lc 12:48). CBASD, vol. 4, p. 701.

21 Se o perverso se converter. Passa-se a considerar a mudança no caráter individual, primeiramente no caso de um homem perverso que se arrepende e faz justiça (v. 21-23, 27, 28) e, então, no caso de um justo que cai na perversidade (v. 24-26). CBASD, vol. 4, p. 701.

22 Não haverá lembrança. Ezequiel aqui se torna um pregador do evangelho. Seu tema é a justificação pela fé. Os pecados não são mais mencionados contra o pecador, porque, por meio do arrependimento e da confissão, foram completamente perdoados. Todos eles foram colocados sobre Jesus, que Se tornou o substituto e fiador do pecador. E o Senhor, por Sua vez, “lança a obediência de Seu Filho a crédito do pecador”, e “a justiça de Cristo é aceita em lugar do fracasso humano; e Deus recebe, perdoa e justifica a pessoa arrependida e crente, trata-a como se fosse justa, e ama-a tal qual ama Seu Filho” (ME1, 367). Estas são as maravilhosas previsões do plano da salvação. CBASD, vol. 4, p. 701, 702.

23 Tenho eu prazer … ? Ver 1Tm 2:4; 2Pe 3:9. A acusação de que o Senhor não é justo e direito em Seu trato com as pessoas é respondida pela afirmação de que Deus não tem prazer na morte do ímpio, mas deseja que todos se convertam e vivam. Além disso, Ele proporcionou oportunidades a todos. É com o mais forte apelo que Ele pleiteia com todo pecador para se desligar do pecado a fim de que não seja destruído com ele no final. CBASD, vol. 4, p. 702.

24 Não se fará memória. No caso de o justo apostatar, o livro memorial que registra todos os bons atos não é levado em conta no juízo. Ele recebe a retribuição de acordo com sua longa lista de pecados. Não somente são computados os pecados dos quais ele não se arrependeu, mas também aqueles para os quais já havia recebido perdão. Quando se separa de Deus, a pessoa rejeita o amor e perdão divinos e, consequentemente, fica “separada de Deus e na mesma condição em que estava antes de ser perdoada”. Ela “desmentiu seu arrependimento, e os pecados sobre ela estão como se não se tivesse arrependido” (PJ, 251). Às vezes, é erroneamente afirmado que, quando um pecado é perdoado, é imediatamente apagado. Assim como, no cerimonial típico, o sangue “removia do penitente o pecado”, mas o deixava “no santuário até ao Dia da Expiação”, os pecados do arrependido “serão eliminados dos livros do Céu”no dia do juízo (PP, 357, 358; ver também GC, 483-485) [Ver também o com. [CBASD] sobre Ez 3:20]. CBASD, vol. 4, p. 702.

25 Direito. O povo ainda insistia que Deus não agia de leis uniformes, e que Seus caminhos eram marcados pelo capricho. Em resposta, o profeta reafirmou a equidade dos juízos divinos (v. 25-29). CBASD, vol. 4, p. 702.

30 Convertei-vos e desviai-vos. Os v. 30 a 32 constituem um apelo baseado nos princípios da justiça de Deus para com os homens. Quando é dado o conselho “criai em vós coração novo e espírito novo”(v. 31), o profeta não quer dizer que o ser humano pode se salvar por seu proprio poder, mas que há uma parte que ele desempenha na obra da salvação. Deus não pode fazer nada pela pessoa sem seu consentimento e cooperação (ver DTN, 466). O significado do arrependimento não é tão claramente expresso pela raiz heb. shuv, como pela palavra grega metanoia. … A palavra metanoia é composta de duas palavras. A primeira, meta, significa “depois”, e a segunda, nous, significa “mente”. O significado resultante é ter depois uma mente diferente.

O pecado tem sua sede na mente. A pessoa precisa decidir praticar o ato pecaminoso antes de a paixão dominar a razão. A raiz do pecado é, então, uma inclinação mental que faz com que o ser humano escolha o mau caminho. A solução para o problema é corrigir a disposição básica. É isso que o arrependimento tem o objetivo de realizar. É preciso que ocorra uma mudança no pensamento. Uma vez que Deus nunca coage a vontade, esse ato precisa ser voluntário, mas o Espírito Santo é concedido para auxiliar no processo. É completamente impossível que o indivíduo, por si mesmo, realize a transformação. mas, quando ele escolhe fazer a mudança e em sua grande necessidade clama a Deus, as faculdades da mente são imbuídas do poder divino, e a propensão da mente é corrigida.

O verdadeiro arrependimento, então, é uma função da mente. Inclui um exame completo da situação para descobrir que fatores levaram à queda, e também um estudo quanto a como erros semelhantes podem ser evitados no futuro. O arrependimento é o processo pelo qual o pecado é expulso da vida. Quando ocorre o arrependimento pelo pecado, este pode ser confessado e será perdoado. A confissão sem o arrependimento, porém, não tem sentido. Deus não pode perdoar pecados que ainda estão ativos no coração. Esta é a razão pela qual a ênfase na Bíblia é sobre o arrependimento e não sobre a confissão. O ensino de fundamental de Jesus era: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”(Mt 4:17; Mc 1:15). …

Uma compreensão adequada do verdadeiro significado do arrependimento em sua relação com a confissão é essencial à experiência espiritual bem sucedida. A razão pela qual muitos cristãos caem tão repetidamente no mesmo erro é que nunca permitiram verdadeiramente que o Espírito Santo mudasse seu pensamento básico com respeito àquele pecado; nunca consideraram seriamente seus pecados, para descobrir como, através da graça capacitadora de Deus, poderiam ter completa vitória sobre eles. CBASD, vol. 4, p. 702, 703.

Não vos servirá de tropeço. Os israelitas fizeram a acusação de que Deus era injusto e que causava a ruína deles. Deus declarou que a ruína foi causada pelo pecado, escolhido voluntariamente pelo pecador (T5, 120). CBASD, vol. 4, p. 703.


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