Filed under: correção, crescimento espiritual, Evangelho, salvação | Tags: circuncisão
Comentário devocional:
Gálatas é uma carta curta e fascinante, tendo em vista que parece ser a mais antiga epístola de Paulo, escrita, talvez, um pouco antes do Concílio de Jerusalém em 50 d.C. Ela nos proporciona uma janela interessante para observar os primeiros dias da igreja, quando os gentios começaram a responder ao evangelho em grande número. Uma igreja em crescimento parece algo bom para nós, entretanto nem todos estavam felizes com isso. Alguns na igreja estavam convencidos de que os crentes gentios convertidos deveriam tornar-se judeus antes de se tornarem cristãos. Isso significa que os homens gentios deveriam ser circuncidados (cf. Atos 15:1).
Apesar de Paulo não se opor pessoalmente a importância da obediência, ele percebeu que esse tipo de teologia, na verdade, minava o próprio fundamento do evangelho – a plena suficiência de Cristo para a salvação. Ao insistir na circuncisão, esses indivíduos dentro da igreja estavam estabelecendo um comportamento humano como pré-requisito para a salvação. E isso é legalismo. Gálatas é um apaixonado apelo de Paulo aos novos crentes gentios a permanecerem fiéis ao evangelho.
Como parte de sua saudação de abertura, Paulo nos lembra de que a salvação está enraizada no que Jesus já fez pela raça humana ao entregar a Sua vida como um sacrifício substitutivo pelos nossos pecados. Seu sacrifício traz consigo não só o perdão, mas também a liberdade do poder escravizador dos pecados (v. 4). Essa mensagem do evangelho não era algo que Paulo inventara, ele a tinha recebido diretamente de Cristo ressuscitado desde o momento em que lhe apareceu no caminho de Damasco, transformando-o de perseguidor a um seguidor do próprio Cristo (vs. 11-24).
E quanto a nós? Por meio de nossas palavras e ações estamos inadvertidamente substituindo a plena suficiência de Cristo para a salvação por alguma forma de comportamento humano?
Que o tempo dedicado ao estudo das cartas de Paulo fortaleça em nós a certeza de que o evangelho diz respeito ao que Cristo fez, e que a nossa obediência é apenas o resultado de estarmos firmados em Cristo.
Carl P. Cosaert
Universidade Walla Walla
Estados Unidos
Texto original: http://revivedbyhisword.org/en/bible/gal/1/
Traduzido por: JAQ/JDS/IB
Texto bíblico: Gálatas 1
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Filed under: Cartas de Paulo, Sem categoria | Tags: Apóstolo, Servo de Cristo
1 Apóstolo. Habitualmente, Paulo fala de si mesmo como apóstolo sem tentar justificar sua reivindicação ao título. Aqui, no entanto, a defesa prolongada de seu apostolado indica que as igrejas às quais ele se dirigia tinham dúvidas a esse respeito. Seu evangelho era de origem divina. Ele era genuinamente convertido e tinha sido recebido à comunhão das igrejas da Judeia. Sua posição sobre a circuncisão fora aprovada pelos líderes de Jerusalém. Seu chamado como apóstolo aos gentios fora reconhecido por eles. Sua autoridade como apóstolo era igual à dos doze. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 1034.
Não da parte de homens. Seus oponentes negavam sua pretensão de autoridade apostólica, alegando que ele não havia sido, nomeado nem comissionado pelos doze. Isso ele admite, mas, ao mesmo tempo, reivindica urna ordenação ainda mais importante. CBASD, vol. 6, p. 1035.
7 Perturbam. Do gr. tarassõ, “agitar”, “perturbar”, “confundir” a mente com relação a alguma coisa. Neste caso, sugerindo dúvidas e escrúpulos acerca da validade do evangelho proclamado por Paulo. CBASD, vol. 6, p. 1037.
8 Anátema. Do gr. anathema, “uma coisa amaldiçoada”, isto é, dedicada ao castigo merecido. Neste caso, a sofrer a ira de Deus. CBASD, vol. 6, p. 1037.
10 Servo de Cristo. Como servo de Cristo, Paulo devia fazer todo o possível para salvar as pessoas, não para agradá-las. Se ele tentasse “agradar as pessoas”, sem considerar sua obrigação como pregador do evangelho, ele não seria fiel à sua vocação como servo de Cristo. CBASD, vol. 6, p. 1037.
16 Não consultei. Outra evidência da origem divina de sua comissão era o fato de que ele não teve nenhum contato com os líderes em Jerusalém por três anos, após sua conversão, e que não recebeu nenhuma instrução deles a respeito de como pregar sobre Jesus. CBASD, vol. 6, p. 1039.
19 Tiago, o irmão do Senhor. Alguns identificam esse Tiago com o filho de Alfeu, explicando que “irmão” deve ser entendido no sentido geral de “primo”, ou algum outro parente próximo. Essa identificação se baseia na crença de que Paulo se referia a esse Tiago como a um apóstolo. A linguagem, no entanto, não exige essa conclusão, e a identificação é improvável. CBASD, vol. 6, p. 1040.
23 Aquele que […] nos perseguia. Paulo tinha sido sincero na perseguição à então odiada seita (At 26:9, 10). Não satisfeito com desarraigar o cristianismo de Jerusalém e das cidades da Judeia, continuou com o seu propósito nas regiões fora da Palestina. CBASD, vol. 6, p. 1041.
24 A meu respeito. Ou seja, eles encontravam em Paulo, em sua conversão e no seu ministério, um motivo para louvar a Deus. CBASD, vol. 6, p. 1041.
Comentário devocional:
Paulo termina esta carta (que é, pelo menos, a terceira de uma série de cartas) com a promessa de visitá-los uma terceira vez (v. 1). Ele lhes promete: “quando voltar, não os pouparei” (v 2). Tendo em vista que haviam exigido prova de que Cristo estava falando através de Paulo, agora deveriam estar preparados para Cristo demonstrar o Seu poder (v. 3).
Como um apóstolo, Paulo aconselha os crentes de Corinto que se examinem cuidadosamente para verificar se ainda estão na fé verdadeira e plena (vs. 5). Sua oração era que eles fizessem essa avaliação pessoal e se afastassem de qualquer maldade (v 7).
A igreja de Corinto nos lembra que uma igreja perfeita não existe e não existiu mesmo entre os primeiros crentes. Enquanto a igreja do Novo Testamento muitas vezes é mostrada como modelo, é ainda mais importante aprender com os erros daquela igreja. Conflitos e problemas traziam perturbação tanto naquela época como hoje. Ao contemplarmos as dificuldades devemos nos lembrar da promessa: “nada podemos contra a verdade, mas somente em favor da verdade” (v. 8). A verdade triunfa e triunfará porque é a expressão do caráter de Deus.
Como crentes, temos a responsabilidade de usar toda a influência que temos para construir a igreja. Paulo afirma que preferiria em muito usar sua autoridade apostólica para edificar e não para disciplinar os membros (v. 10).
Paulo se despede (vs. 11-13) com palavras que demonstram sua afeição pessoal. O modo como ele finaliza a carta é significativo: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês” (v 14). Esta declaração trinitária de claro contexto de igualdade entre as pessoas da divindade nos é um lembrete de como aqueles crentes, e todos os crentes cristãos deveriam agir em relação uns aos outros. Compartilhamos da mesma esperança e devemos preservar os laços de apreciação uns pelos outros até que todos nos reunamos com o nosso Senhor, Jesus Cristo, em sua segunda vinda.
Michael Campbell
AIIAS
Filipinas
Texto original: http://revivedbyhisword.org/en/bible/2co/13/
Traduzido por JAQ/JDS
Texto bíblico: II Coríntios 13
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Filed under: contendas, correção, crescimento espiritual, restauração, união, unidade, verdade | Tags: autoridade de Paulo, Igreja primitiva, paz, santos, Trindade, verdade
1 Duas ou três testemunhas. Este capítulo constitui a última mensagem escrita de Paulo aos coríntios. Um estado crítico de declínio espiritual ainda prevalecia em parte da igreja (2Co 12:20, 21), pelo qual as epístolas anteriores (ver com. de 2Co 2:3), uma possível segunda visita de Paulo (ver com. de 2Co 12:14) e a obra de Tito (2Co 2:13; 7:6, 13, 14; 12:18) parecem ter realizado pouco ou nada para reverter. Paulo adverte os membros a respeito desse grupo voluntarioso (2Co 13:1-4). Resta apenas uma alternativa: lidar com eles firme e severamente no poder e autoridade de Cristo. Na expectativa de seu procedimento pretendido ao discipliná-los, Paulo cita uma reconhecida lei judaica (Nm 35:30; Dt 17:6; 19:15), a qual Cristo referendou (Mt 18:16). Numa visita anterior, Paulo tinha tratado esse grupo rebelde com leniência e evitou tomar medidas decisivas contra ele. O grupo interpretou essa atitude como fraqueza, até mesmo como covardia da parte de Paulo. O apóstolo se referiu àquela visita como uma experiência humilhante (2Co 2:1, 4; 12:21). A minoria insubordinada constantemente pedia prova de sua autoridade apostólica (ver com. de 2Co 2:1; 12:14). CABSD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 1022.
2 Já o disse anteriormente. Isto é, nas epístolas anteriores (ver com. de 2Co 2:3; cf. 1Co 4:13-19). Na visita anterior, ele fez o mesmo verbalmente (ver com. de 2 C o 12:14). Eles foram advertidos por um considerável período de tempo. CABSD, vol. 6, p. 1022.
E a todos os mais. Paulo dirige esta advertência à igreja como um todo, para que ninguém diretamente envolvido fosse simpático aos acusados. CABSD, vol. 6, p. 1022.
Não os pouparei. Eles tiveram chance de se arrepender. Caso se mantivessem obstinados, seriam sujeitos à mais rígida disciplina da igreja. CABSD, vol. 6, p. 1022.
3 buscais prova de que, em mim, Cristo fala. Paulo tinha sido poderoso em verdade, em doutrina, em livrar pessoas do pecado, em levar-lhes regeneração espiritual e em realizar milagres (2Co 12:12), para que houvesse entre os próprios coríntios cartas vivas para Cristo (2Co 3:3). A evidência de seu apostolado era irrefutável a todos os que a examinassem francamente (ver com. de 2Co 12:11, 12). Tiveram evidência abundante de que Cristo falara por meio de Paulo. No entanto, mercenários não são impressionados por esse tipo de evidência (1Co 2:14-16). Na verdade, os inimigos de Paulo acusam Cristo, não Paulo. CABSD, vol. 6, p. 1023.
4 Crucificado em fraqueza. Paulo encontra consolo no pensamento de que ninguém deveria parecer mais fraco e indefeso que Cristo enquanto pendia na cruz em vergonha e agonia. Contudo, Cristo vive e é exaltado (Fp 2:6-9). Todos os que seguem a Cristo podem esperar partilhar não apenas Sua humilhação, mas também Sua força, que é “aperfeiçoada” na fraqueza (2Co 12:9; cf. Rm 6:3-6). CABSD, vol. 6, p. 1023.
Vive pelo poder de Deus. Os rebeldes coríntios teriam que lidar com o Cristo vivo “pelo poder de Deus”, não apenas com um Paulo “fraco”, como pensavam. CABSD, vol. 6, p. 1023.
Nós … somos fracos. Paulo admite sua fraqueza, mas se gloria no poder de Cristo que opera nele e por meio dele (ver 2Co 11:30; 12:9, 10), a despeito de sua fraqueza. CABSD, vol. 6, p. 1023.
Pelo poder de Deus. Os coríntios testemunharam deste poder e o experimentaram. Não podiam negá-lo. CABSD, vol. 6, p. 1023.
5 Examinai-vos. Começando com o v. 5, Paulo desvia a atenção de si mesmo e desafia os coríntios a olhar para eles mesmos criticamente. Eles seriam cristãos genuínos? Cada seguidor de Cristo pode examinar a vida pessoal diariamente. Se fôssemos mais autocríticos, criticaríamos menos os outros. CABSD, vol. 6, p. 1023.
A vós mesmos. Muitos dos coríntios estavam mais prontos a julgar os outros do que a si mesmos (ver 1Co 11:31, 32; cf. Gl 6:4). Antes de serem competentes em julgar os outros, as pessoas devem se provar. Deveríamos estar dispostos a aplicar a nós mesmos o teste que aplicamos aos outros (ver com. de Mt 7:1-5). A trave deve ser removida de nossos olhos. As pessoas geralmente se inclinam a ter uma visão muito favorável de si mesmas, de seu caráter e importância. Restringem a avaliação pessoal, a fim de que não descubram que não são tudo o que imaginam. Poucos conseguem suportar verem-se como realmente são. … Em vez de se encararem como realmente são, focalizam as faltas alheias. Agindo assim, perdem de vista as faltas pessoais e se convencem de que são b em melhores do que os outros. CABSD, vol. 6, p. 1023.
Na fé. Não no sentido doutrinário, mas prático. Paulo se refere a uma profunda convicção com respeito ao relacionamento pessoal com Deus; confiança e fervor santo nascem da fé em Cristo como Senhor e Salvador. CABSD, vol. 6, p. 1023, 1024.
Jesus Cristo está em vós? Isto é, vivendo os princípios da vida perfeita de Cristo na vida pessoal (ver com. de Rm 8:3,4; Gl 2:20). CABSD, vol. 6, p. 1024.
Reprovados. Do gr. adokimoi, literalmente, “reprovar em teste”. Reprovar no teste era evidência de que Cristo não estava neles e que não eram cristãos genuínos. CABSD, vol. 6, p. 1024.
6 Mas espero reconheçais que não somos reprovados. Paulo sinceramente espera passar no teste do apostolado aos olhos dos coríntios. CABSD, vol. 6, p. 1024.
Embora sejamos tidos como reprovados. Mesmo que eles não vissem em Paulo a evidência de apostolado genuíno, ele esperava que evidenciassem ser cristãos genuínos. Paulo estava disposto a ser considerado um fracassado, se isso os ajudasse a ser bem-sucedidos. CABSD, vol. 6, p. 1024.
8 Nada podemos contra a verdade. Isto é, a verdade como em Cristo Jesus, a verdade da salvação como apresentada na Palavra de Deus (Jo 1:14, 17; 8:32; Gl 2:5, 14). A verdade eterna permanece inalterada independentemente do que as pessoas façam. Os inimigos da verdade sempre falharam. Se os coríntios fossem dedicados à verdade não teriam nada a temer, pois ela os tornaria invencíveis. Quando as pessoas se colocam ao lado da verdade, Deus aceita a responsabilidade pela segurança delas e por seu triunfo eterno. CABSD, vol. 6, p. 1024.
9 Porque nos regozijamos quando nós estamos fracos e vós fortes. Paulo ficaria feliz em parecer fraco na aplicação de poder disciplinador, se eles fossem fortes nas graças do Espírito (ver com. do v. 6) e refletissem o caráter de Cristo. CABSD, vol. 6, p. 1024.
Aperfeiçoamento. Ou, “solidez”, “completude”. Paulo anseia ver seus conversos alcançarem a maturidade cristã, com os dons, talentos, faculdades, tendências e apetites devidamente ajustados. Ele deseja que a igreja seja reunida em amor, cada membro do corpo funcionando adequadamente sob o controle da habitação do Espírito (ICo 12:12-31). CABSD, vol. 6, p. 1024.
10 Que o Senhor me conferiu para edificação. O propósito da autoridade do evangelho é a edificação da igreja, o aperfeiçoamento dos santos (Jo 3:17; 20:21-23). Por mais necessário que seja o exercício desse poder em favor da disciplina, ele é inevitavelmente a segunda melhor opção. Não seria agradável a Paulo expulsar um membro da igreja, portanto, ele agiria com severidade apenas como último recurso. CABSD, vol. 6, p. 1025.
11 Consolai-vos. Os coríntios deveriam se encorajar e fortalecer mutuamente a fazer o bem. Nesse caso, não teriam tempo para se devorarem uns aos outros. CABSD, vol. 6, p. 1025.
Sede do mesmo parecer. A unidade cristã foi o objeto da última oração de Cristo por Seus discípulos (Jo 17:11, 21-23). A suprema necessidade da igreja de Corinto era a “unidade do Espírito no vínculo da paz” (ver E f 4:2-7). CABSD, vol. 6, p. 1025.
Vivei em paz. Ou, “vivei em harmonia”. A paz é um dos maiores legados que Cristo transmitiu a Sua igreja (Jo 14:27; 16:33; cf. Jo 20:21, 26; At 10:36). Sempre foi parte essencial do evangelho cristão e um teste de experiência cristã ( Rm 5:1; 10:15; 14:17, 19; 1Co 14:33; Ef 2:14). À altura de sua capacidade, o cristão deve viver em “paz com todos os homens” (Rm 12:18). Se a paz exterior não é possível devido a fatores além do controle do cristão, ele ainda pode desfrutar paz no coração. CABSD, vol. 6, p. 1025.
12 Com ósculo santo. Nos tempos da Antiguidade, e em várias partes do mundo hoje, esta é uma forma cordial de saudação. Era um beijo dado na bochecha, na testa, nas mãos ou mesmo nos pés, mas nunca nos lábios. Assim, homens saudavam homens e mulheres saudavam mulheres. O costume se originou nos tempos do AT (Gn 29:13). Expressava afeição (Gn 27:26, 27; 1Sm 20:41), reconciliação (Gn 45:15), despedida (Rt 1:9, 14; 1Rs 19:20) e homenagem (1Sm 10:1). … Entrou em uso geral pelos cristãos apostólicos como um símbolo de paz, boa vontade e reconciliação (Rm 16:16; 1Co 16:20; 1Ts 5:26). CABSD, vol. 6, p. 1025.
Os santos. Ver com. de At 9:13; Rm 1:7. Os cristãos são denominados assim no NT porque foram chamados a viver vida santa. Paulo faz referência especial aos cristãos da Macedônia, onde ele se encontrava no momento da escrita. CABSD, vol. 6, p. 1025.
13 A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós. Ver com. de Rm 3:24; 2Co 1:2. Este versículo é único porque, em todo o NT, ocorre apenas aqui em sua forma completa que seria conhecida como a bênção apostólica. Desde os tempos antigos, tornou-se parte da liturgia da igreja. A bênção também era pronunciada em batismos e no encerramento das reuniões cristãs. Junto com Mateus 28:19 este versículo fornece a síntese mais completa e explícita da doutrina da Trindade (ver Nota Adicional a João 1). A ordem dos nomes da Divindade apresentada neste versículo difere da ordem apresentada em Mateus. Geralmente, nas epístolas de Paulo, o nome do Pai precede o do Filho (Rm 1:7; 1Co 1:3; 2Co 1:2). Aqui, a ordem está invertida. A fórmula de despedida do AT, a bênção araônica, também era de natureza tripla (Nm 6:24-26). 0 teste da verdadeira experiência cristã é companheirismo e comunhão com Deus por meio do Espírito Santo. CABSD, vol. 6, p. 1025.
Com todos vós. Logo após enviar esta carta, Paulo fez outra visita a Corinto e passou três meses ali (At 20:1-3), tempo durante o qual escreveu as epístolas aos Romanos e aos Gálatas. Essa atitude sugere que os crentes coríntios aceitaram sua segunda epístola e agiram em harmonia com o conselho dado. Na epístola aos Romanos, Paulo indica que teve bondosa recepção em Corinto (Rm 16:23). Além disso, a coleta em Corinto para os pobres em Jerusalém foi bem-sucedida (Rm 15:26-28). Os registros da igreja apostólica não fornecem informação adicional a respeito da igreja de Corinto até o final do século, quando Clemente de Roma endereçou uma carta a eles. CABSD, vol. 6, p. 1025.
Comentário devocional:
Paulo passa para a terceira pessoa no capítulo 12: “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado ao terceiro céu” (v. 2, NVI). Parece óbvio que Paulo está falando de si mesmo, especialmente à luz do auto-engrandecimento de seus adversários, o que provavelmente explica sua relutância em falar diretamente de sua experiência visionária. A fim de permanecer humilde, diz ele, me foi dado um “espinho na carne” para que não “me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações” (v. 7). Em meio a sua súplica, foi-lhe dito: “Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (v 9, NVI). Cada pessoa possui algum tipo de fraqueza. No entanto, quando percebemos que somos fracos e nos apegamos a Deus nos tornamos fortes (v. 10).
Paulo indica sua vontade de retornar a Corinto uma terceira vez. Como antes, ele promete não ser um fardo para eles. “O que desejo não são os seus bens, mas vocês mesmos. “(v. 14, NVI). E esclarece: “Tudo o que fazemos, amados irmãos, é para fortalecê-los” (v. 19, NVI) Em seu retorno, Paulo espera não encontrar contenda, ciúme, acessos de ira ou maledicência entre os crentes (v. 20).
Com certeza Deus também espera não encontrar contendas ou maledicência entre o Seu povo hoje!
Michael Campbell
AIIAS
Filipinas
Texto original: http://revivedbyhisword.org/en/bible/2co/12/
Traduzido por JAQ/JDS
Texto bíblico: II Coríntios 11
Comentários em áudio
Filed under: Cartas de Paulo, Sem categoria | Tags: Espinho na Carne, Forte, Fraco, orgulho
1 Se é necessário que me glorie. Novamente Paulo expressa relutância em se envolver no que muitos considerariam uma ostentação. No entanto, as circunstâncias tornaram necessário que ele agisse dessa forma para vindicar seu apostolado e sua mensagem. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 1015.
2 Conheço um homem. É evidente que Paulo fala de si devido a: (1) esta referência às visões estar no meio de um relato de eventos ligados a seu ministério e vida pessoal; (2) no v. 7, ele designar essas visões e revelações como feitas diretamente a ele; e (3) usar a terceira pessoa para evitar a aparência de ostentação. João, por conta da modéstia e humildade cristãs, de modo semelhante evitou se identificar. CBASD, vol. 6, p. 1016.
Há catorze anos. Cerca de 20 anos antes, Paulo encontrara Cristo na estrada de Damasco (At 9:1-7). A data desta epístola é cerca de 57 d.C. Catorze anos antes seria a época aproximada em que Barnabé levou Paulo a Antioquia. CBASD, vol. 6, p. 1016.
Terceiro céu. Ou , “paraíso”. O primeiro “céu” da Escritura é a atmosfera, o segundo céu refere-se ao espaço onde as estrelas estão, e o terceiro céu, à morada de Deus e dos seres celestiais. Paulo foi “arrebatado” à presença de Deus. CBASD, vol. 6, p. 1016.
4 Não é lícito. Literalmente, “não é permitido” ou “não é possível”. Paulo tinha sido instruído a não revelar o que viu e ouviu, ou a linguagem humana era inadequada para descrevê-lo. CBASD, vol. 6, p. 1016.
7 Não me ensoberbecesse. Uma afirmação que Paulo repete, para enfatizar, no final do versículo. Deus considerou adequado proteger Paulo de si mesmo. CBASD, vol. 6, p. 1016.
Espinho. Do gr. skolops, “uma peça de madeira indicada”, “um piquete”. Os papiros também utilizam a palavra para se referir ao estilhaço ou lasca deixada sob a pele e impossível de ser removido. CBASD, vol. 6, p. 1017.
Na carne. A enfermidade era física, não era mental nem espiritual. Era algo evidente, e lhe causava considerável constrangimento bem como desconforto e inconveniência (Gl 4:13-15). CBASD, vol. 6, p. 1017.
Mensageiro de Satanás. Ou, “um anjo de Satanás”. A aflição vinha de Satanás, com permissão de Deus. Do mesmo modo ocorreu com Jó. É da natureza e obra de Satanás infligir sofrimento físico e doença. CBASD, vol. 6, p. 1017.
Para me esbofetear. Literalmente, “golpear com o punho”. O propósito de Satanás era angustiar Paulo e impedir sua obra. O propósito de Cristo em permitir a aflição era proteger Paulo do orgulho. CBASD, vol. 6, p. 1017.
9 Basta. No grego, esta palavra está na forma enfática. A prece não libertou o apóstolo da aflição, mas lhe proporcionou graça para suportá-la. Paulo apelou para a libertação da enfermidade, pois cria que ela era um obstáculo a seu ministério. Cristo mais que supriu sua necessidade com uma provisão abundante de graça. Deus nunca prometeu alterar as circunstâncias ou livrar as pessoas dos problemas. Para Ele, enfermidades físicas e circunstâncias desfavoráveis são questões de preocupação secundária. A força interior para suportar é, de longe, mais manifestação da graça divina do que dominar as dificuldades internas da vida. Externamente, uma pessoa pode estar despedaçada, exausta, esgotada e quase enfraquecida; no entanto, internamente, tem o privilégio de desfrutar perfeita paz, em Cristo. CBASD, vol. 6, p. 1017.
10 Então, é que sou forte. O paradoxo cristão é que ocasiões de fraqueza podem ser transformadas em situações de força. A derrota sempre pode ser transformada em vitória. A verdadeira força de caráter surge da fraqueza, que, desconfiando do eu, é entregue à vontade de Deus. CBASD, vol. 6, p. 1017.
20 Orgulho. Ou, “arrogância”, “desdém. Este era um dos pecados proeminentes de alguns coríntios. CBASD, vol. 6, p. 1020.
21 Indo outra vez. Paulo teme uma repetição da vergonha e humilhação da visita anterior, muito embora a maioria dos membros estivesse arrependida do modo como procedia. CBASD, vol. 6, p. 1020.
Filed under: Cartas de Paulo | Tags: ministério, pastorado, Paulo, sustento
Filed under: Cartas de Paulo | Tags: Autoglorificação, Falsos Apóstolos, Loucura, ministério, pastorado, sustento
1 Minha loucura. Os críticos de Paulo fizeram parecer que o apóstolo era um insensato, então, como “insensato”, ele se gloria de suas “fraquezas” (2Co 11:30). Paulo também fala, apologeticamente de sua glória como “loucura”. Gloriar-se como os críticos de Paulo “faziam era, para ele, a mais grave loucura, uma glória que ele considerava incompatível com sua humildade, dignidade e responsabilidade apostólicas. Tal glória era oposta ao espírito de Cristo. Paulo se sentia ridículo em ser colocado numa posição na qual, para defender sua autoridade apostólica, parecia necessário fazer o que seria considerado autoglorificação. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 1002.
8 Salário. Paulo não afirma que tomou algo da igreja de Filipos de modo desonesto. As doações que havia recebido foram feitas voluntariamente e representavam um sacrifício real por parte dos doadores. Essas doações possibilitaram que ele devotasse mais de seu tempo a Corinto, para estabelecer a igreja ali. De certo modo, os coríntios foram beneficiados pelos macedônios; a pregação do evangelho nada custou aos coríntios, pois Paulo era sustentado por outras pessoas (2Co 11:9). CBASD, vol. 6, p. 1006.
13 Falsos apóstolos. Eram, nominalmente, judeus cristãos e alegavam ser apóstolos de Cristo. Eles se uniram à igreja cristã, no entanto eram impostores, meros pretendentes que haviam usurpado a autoridade, os direitos, ofícios e privilégios dos verdadeiros apóstolos de Cristo. Na ausência de credenciais genuínas, recorreram a disfarce e subterfúgio. CBASD, vol. 6, p. 1007.
17 Não o falo segundo o Senhor. Paulo nega que o que está prestes a dizer seja por ordem divina. Ele fala apenas em defesa própria. Caso ele não tivesse deixado claro esse ponto, ele poderia parecer ter justificado a jactância de seus inimigos. A razão de Paulo para se gloriar seria claramente compreendida. De um ponto de vista exterior, talvez a autodefesa de Paulo pode parecer tola, o que ele mesmo reconhece. No entanto, do ponto de vista de seus motivos, está plenamente justificado em agir assim. CBASD, vol. 6, p. 1008.
23 São ministros […]? Professando ser judeus conversos, alegavam ser porta-vozes de Cristo. Paulo negava essa afirmação. Como judeu, Paulo era igual a eles. No entanto, quanto ao relacionamento com Cristo (que é o teste fundamental em qualquer tempo), Paulo afirmava ser melhor do que os falsos apóstolos, o que se confirma pela própria autoavaliação deles. Como evidência, Paulo salienta as obras que de longe ultrapassam as deles, quanto a abnegação, a extensão e os resultados. Eles procuravam usurpar os frutos das obras de Paulo. CBASD, vol. 6, p. 1011.
32 Aretas. Registros históricos revelam que a Síria, incluindo Damasco, tinha sido uma província romana desde aproximadamente 64 a.C, antes de estar sujeita aos nabateus. Não se sabe como Aretas IV, um rei independente de Nabateia, que reinou de 9 a.C. a 39 d.C. (ver, vol. 5, mapa, p. 26, 51, 52), estaria no controle de Damasco na época à qual Paulo se refere. E possível que o imperador tenha designado a cidade a Aretas na época para assegurar amizade, ou por outras razões políticas desconhecidas. Aretas dificilmente a teria tomado à força dos romanos. CBASD, vol. 6, p. 1013.
Para me prender. Isto é, por influência dos judeus. CBASD, vol. 6, p. 1014.
Filed under: Cartas de Paulo, confiança em Deus, influência | Tags: autoridade, curtir, mídias sociais
Comentário devocional:
As palavras “eu, Paulo” compõem uma introdução pessoal e contundente a este capítulo. Muitos estudantes desta epístola veem aqui uma notável mudança de tom quando Paulo volta a defender vigorosamente seu ministério. Ele começa com um apelo pessoal (v. 1), porque alguns membros de Corinto tinham insinuado haver uma diferença entre a sua apresentação pessoal tímida e o tom severo de suas cartas (vs. 1, 10). No entanto, ele insiste que suas ações (v. 11) se harmonizam com sua autoridade.
“Embora vivamos como homens”, Paulo admoesta, “não lutamos segundo os padrões humanos” (v. 3 NVI). Em vez disso, o nosso poder vem de Deus (v. 4). Como cristãos, um dos nossos desafios é a tentação de recorrer à nossa própria força, em vez de nos voltarmos para Deus.
“Não quero que pareça que estou tentando amedrontá-los com as minhas cartas”, argumenta o pastor Paulo (v. 9). Sua vida se mostra em contraste gritante com relação aos seus adversários “que se recomendam a si mesmos” (v. 12 NVI). Em vez disso, diz Paulo, “não nos gloriaremos além do limite adequado”, porque fomos os primeiros a pregar em Corinto (vs. 13-14).
Em um artigo recente na revista Christianity Today, Andy Crouch observa que estamos a lidar com novos tipos de problemas com a mídia social. É cada vez mais comum nos preocuparmos em quantos “Curtir” ou comentários nossas postagens conseguem. Embora a sociedade ocidental se orgulhe de ser muito individualista, Crouch afirma que, de certa forma, estamos desenvolvendo um fenômeno da “cultura fama-vergonha”, que se torna “uma moeda poderosa de status” (The Return of Shame [O retorno da vergonha], março de 2015). Em muitos aspectos, o princípio que o pastor Paulo estabelece é muito útil a respeito de quanta “fama” temos buscado no mundo online. Não caiamos nesta armadilha. Em vez disso, usemos nossa atuação na mídia social para exaltar a Jesus Cristo e incentivar outras pessoas.
Michael Campbell
AIIAS
Filipinas
Texto original: http://revivedbyhisword.org/en/bible/2co/10/
Traduzido por JAQ/JDS
Texto bíblico: II Coríntios 10
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