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Texto bíblico: ESTER 1 – Primeiro leia a Bíblia
COMENTÁRIO BLOG ASSOCIAÇÃO GERAL
Curiosidades históricas sobre o livro de Ester/ O Purim
COM. TEXTO ROSANA GARCIA BARROS
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Texto bíblico: ESTER 1
Apenas três anos após sua coroação, o rei persa desfila a riqueza de seu império diante do mundo. O final de sua extravagante exposição de seis meses é uma festa de uma semana para os nobres de Susã. O vinho flui livremente, e o rei, alimentado por álcool e arrogância, ordena que sete servos busquem a rainha, para que ele possa mostrar sua beleza ao enorme grupo de homens bêbados.
A rainha Vasti está organizando um banquete para as mulheres de Susã. O convite do rei a assusta. Ela entende as implicações perigosas de desfilar diante de uma sala cheia de homens bêbados e desordenados. Em sua sabedoria e modéstia, ela se recusa a obedecer à decisão imprudente e egoísta de seu marido bêbado, esperando que ele entenda sua escolha quando estiver sóbrio.
Vasti não é uma esposa rebelde. Seu exemplo corajoso nos lembra que Deus quer que estabeleçamos limites claros e seguros em nossos relacionamentos, especialmente quando a outra pessoa não é capaz de tomar boas decisões para si e para os outros.
Você precisa estabelecer um limite corajoso em um relacionamento ou refletir sobre o efeito doloroso de suas decisões e desejos sobre aqueles que ama?
Karen Holford
Diretora dos Ministérios da Família
Divisão Transeuropeia dos Adventistas do Sétimo Dia
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/bible/est/1
Tradução: Jeferson Quimelli/Luis Uehara/Gisele Quimelli
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Algumas curiosidades históricas sobre o livro de Ester:
* O historiador grego Heródoto afirma que os persas bebiam enquanto deliberavam sobre assuntos de Estado, crendo que a embriaguez os deixava mais próximos do mundo espiritual (1.10-12).
* A prática persa do “enforcamento” era, na verdade, a empalação com o propósito de expor o cadáver publicamente (2.23).
* Entre os persas, a única coisa mais estimada que um grande número de filhos era a coragem na batalha (5.11).
* O protocolo persa ditava que ninguém, exceto o rei, podia ficar com uma mulher do harém real (7.7, 8).
* O Purim ainda é celebrado até hoje. O livro inteiro de Ester é lido na sinagoga nesse feriado, durante uma cerimônia bem movimentada. O povo aplaude alegremente ao ouvir o nome de Mardoqueu e assovia, vaiando, ao ouvir o nome de Hamã (9.29-32).
Fonte: Bíblia de Estudo Arqueológica NVI
A Festa do Purim
- Se você puder, agende assistir em 2027 a uma comemoração do Purim em uma sinagoga judaica ou em uma sinagoga adventista. É uma celebração muito alegre e interessante.
- Data de comemoração do Purim em 2027: do pôr-de-sol do dia 22 de março, segunda-feira, ao anoitecer do dia 23 de março, terça-feira. Fonte: https://pt.chabad.org/
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724 palavras
1 A história de Ester começa em 483 a.C., 103 anos após Nabucodonosor ter levado os judeus ao cativeiro (2Rs 25), 54 anos após Zorobabel liderar o primeiro grupo de exilados de volta a Jerusalém (Ed 1,2) e 25 anos antes de Esdras liderar o segundo grupo a Jerusalém (Ed 7). Ester vivia no reino da Pérsia, o reino dominante no Oriente Médio após a queda de Babilônia em 539 a.C. Os pais de Ester deviam estar entre aqueles exilados que preferiram não retornar a Jerusalém, apesar de Ciro, o rei persa, ter emitido um decreto permitindo que eles retornassem. Os exilados judeus tinham ampla liberdade na Pérsia e muitos lá ficaram porque haviam se estabelecido ou porque tinham medo da viagem de retorno a sua terra natal (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
Xerxes [Assuero], o Grande, foi o quinto rei da Pérsia (486-465 a.C.). Ele era orgulhoso e impulsivo, como podemos ver nos eventos no cap 1. Seu palácio de inverno era em Susã, onde ele ofereceu o banquete escrito em 1:3-7. Os reis persas geralmente davam grandes banquetes antes de irem à guerra. Em 481, Xerxes lançou um ataque contra a Grécia. Após uma grande vitória nas Termópilas, foi derrotado em Salamis [Salamina] em 480 e teve que retornar à Pérsia. Ester tornou-se rainha em 479 (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
4 A celebração durou 180 dias (cerca de 6 meses) porque seu real propósito era planejar a estratégia de batalha para invadir a Grécia e demonstrar que o rei tinha riqueza suficiente para levá-la a termo. Guerras de invasão não tinham apenas o propósito de sobrevivência; eram um meio de adquirir mais riqueza, território e poder (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
9 Antigos documentos gregos chamam a mulher de Xerxes de Amestris, provavelmente uma forma grega para Vasti. Vasti foi deposta em 484/483 a.C., mas ela é mencionada novamente em registros antigos como a rainha mãe durante o reinado de seu filho, Artaxerxes, que sucedeu Xerxes. Até o final do reinado de Xerxes, ou Ester morreu ou Vasti conseguiu, através de seu filho, recuperar a influência que havia perdido (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
10 Alguns conselheiros e oficiais do governo eram castrados para prevenir que tivessem filhos e, então, se rebelassem, tentando estabelecer sua própria dinastia. O oficial castrado era chamado de eunuco (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
10,11 Xerxes tomou uma decisão apressada, estando meio bêbado, baseado apenas em sentimentos. Seu domínio próprio e sabedoria prática estavam enfraquecidos por vinho em excesso. Más decisões são tomadas quando as pessoas não pensam claramente. Fundamente suas decisões em pensamento cuidadoso, não em emoções do momento. Decisões impulsivas levam a grandes complicações (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
12 A rainha Vasti se recusou a desfilar na festa de homens do rei, provavelmente porque era contra o costume persa que uma mulher aparecesse em uma reunião pública de homens. Este conflito entre costume persa e a ordem do rei colocou-a em uma situação difícil, e ela escolheu recusar seu meio bêbado esposo, esperando que ele readquirisse mais tarde o bom senso. Alguns sugerem que Vasti estivesse grávida de Artaxerxes, que nasceu em 483 a.C., e ela não queria ser vista em público naquele estado. Seja qual tenha sido a situação, sua ação foi uma quebra de protocolo que colocou Xerxes numa situação difícil. Uma vez que ele havia dado a ordem, não podia mais voltar atrás. Por estar se preparando para invadir a Grécia, Xerxes tinha convidado importantes oficiais de todas as partes para conhecer o seu poder, riqueza e autoridade. Se fosse percebido que ele não tinha autoridade sobre sua própria esposa, sua credibilidade militar – o grande critério de sucesso de um rei daquela época – estaria destruída. Além disso, o rei Xerxes estava acostumado a ter o que queria (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
16-21 Talvez o pensamento dos homens estivesse nublado pela bebida. Obviamente esta lei não faria que as mulheres do país respeitassem seus maridos. O respeito entre homens e mulheres nasce da consideração e apreço mútuos como criaturas de Deus e não por uma lei humana. Obediência forçada é um pobre substituto para o amor e respeito que esposas e maridos deveriam ter uns pelos outros (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
19 e não se revogue. Memucã não quer que uma decisão, feita pelo rei num momento de cólera, instigada pela festa, pela atitude da rainha e pelos conselhos dos sábios, venha, depois, a ser revogada, pois a rainha, uma vez restaurada, logo se vingaria (Bíblia Shedd).
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“Bebiam sem constrangimento, como estava prescrito, pois o rei havia ordenado a todos os oficiais da sua casa que fizessem segundo a vontade de cada um” (v.8).
O rei Assuero, ou, conforme a história grega, Xerxes I, era o líder político mundial da época e gostava de contar vantagem de seu poder, riqueza e domínio. No período de incríveis “cento e oitenta dias”, mostrou a todos “as riquezas da glória do seu reino e o esplendor da sua excelente grandeza” (v.4), promovendo um grande banquete a todos os seus príncipes e seus servos (v.3). Logo após, ofereceu um banquete de sete dias a todo o povo (v.5), dando a liberdade de que, “sem constrangimento” (v.8), cada um agisse conforme a própria vontade.
Após dias de embriaguez e orgia sem limites, Assuero decidiu encerrar as festividades com a joia de sua vaidade. O desfile da rainha Vasti, que a Bíblia descreve como “em extremo formosa” (v.11), seria a perfeita conclusão da exposição da glória de seu reino. A recusa da rainha, contudo, causou-lhe o constrangimento que arruinou a sua alegre expectativa. Diante dos nobres e príncipes, sentiu-se desmoralizado e não permitiria que aquele ato ficasse sem punição. E o conselho de um de seus sábios logo foi ouvido e atendido: devido à sua recusa pública, Vasti foi deposta para sempre de sua posição de rainha.
A atitude de Vasti foi considerada um mau exemplo a ser eliminado. Os sábios consideraram a afronta da rainha como a ameaça de uma revolução feminina. A sua influência e posição lhe concedia uma exposição de figura pública, e muitas mulheres a viam como um modelo a ser seguido. Isso deixa claro que a preocupação de Memucã, portanto, fazia todo o sentido. Não estamos aqui considerando o motivo da desobediência de Vasti, pois ela teria até muitas razões para não aceitar aparecer diante de milhares de homens bêbados. Mas a necessidade de Assuero em exibir tudo o que tinha, aliada à recusa da rainha, por pouco não se tornou em um problema de ordem pública.
Quando o homem dá lugar à dissolução e às obras da carne, “sem constrangimento” (v.8), o resultado não pode ser outro senão um estado de loucura. Entorpecidos pelo pecado, muitos têm resumido suas vidas ao consumo de bens materiais e à sua exposição como troféus de sua imagem. Há uma necessidade quase que irresistível de publicar aos outros as coisas que perecem, e isso, à velocidade de um clique. Beleza, riquezas, luxúria e baixas diversões ganham exposição e destaque como amostras de uma prosperidade que, se pudessem ver o desfecho, se recolheriam em grande vergonha. E assim, o nosso mundo vai sendo moldado pelas aclamadas figuras públicas e seus exemplos que em nada edificam.
Qual tem sido a nossa escolha, hoje, diante dessa realidade? Se os cristãos estudassem mais a vida de Cristo e contemplassem menos as redes sociais, certamente não haveria tanta incoerência no cristianismo. Não estaremos seguros, a menos que nos recusemos a participar desse banquete atual de iniquidades e de uma sutileza que chega a ser delicada no sentido de expor “coisas boas”. Se almejamos morar onde Cristo mora, amados, somos chamados a viver como Ele viveu. Lembremos de que “o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo.2:17).
Estudando este livro na temporada passada, fui grandemente impressionada ao perceber que Ester carrega consigo um cenário profético muito bem delineado. A estratégia de um grande banquete para angariar a cumplicidade do “escol da Pérsia e Média” (v.3), e um banquete menor para conquistar a simpatia de todo o povo. Para a nobreza, glamour e poder. Para a plebe, a liberdade sem restrições. Interessante, não? Vivemos tempos difíceis, amados, mas também dias decisivos. Satanás já expôs seu banquete extravagante aos poderosos e influentes. Acredito que não restam dúvidas de que também já fez o convite a todos, “tanto para os maiores como para os menores” (v.5), oferecendo uma falsa liberdade cujo fim é a destruição. E será que nós entendemos o tempo em que estamos vivendo? “E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos” (Rm.13:11).
Enquanto a maioria deseja conhecer e contemplar seus ídolos modernos, que o nosso desejo seja conhecer a Jesus, o nosso Redentor, para, muito em breve, O contemplarmos face a face. Logo Ele voltará, meus irmãos! Portanto: “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a Sua vinda é certa; e Ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Os.6:3).
Pai Celestial, iniciamos mais um livro da Tua preciosa Palavra e clamamos pela iluminação do Espírito Santo! Queremos cavar fundo e encontrar os maravilhosos tesouros que, por Tua bondade, colocaste no livro de Ester. Creio que este livro tem uma contribuição profética muito especial para os nossos dias, assim como temos percebido que cada livro não só contém informações do passado, mas princípios que são eternos. Por favor, Senhor, imploramos por Teu auxílio para que estejamos acordados e apercebidos do que desejas falar e gravar em nosso coração! Que possamos subir mais um degrau em nosso relacionamento Contigo e fugir das ofertas deste mundo! Em nome de Cristo Jesus, Amém!
Vigiemos e oremos!
Bom dia, conhecedores de Deus e do tempo!
Rosana Garcia Barros
#ESTER1 #RPSP
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
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ESTER 1 – Numa cultura onde homens são déspotas, rainhas podem ser friamente depostas não apenas do cargo, mas despedida pelo marido.
O livro de Ester oferece insights de como lidar com cultura não apenas machista, mas cruel, opressiva e arrogante. Já no primeiro capítulo, é possível ver contraste entre a cultura e os princípios das Escrituras, o que pode gerar grande tensão na cosmovisão da sociedade.
Aqueles que são moldados por culturas machistas, podem facilmente concordar com o comportamento do soberano da Pérsia. Pode concluir com ele que a esposa não deve ser consultada, convidada e respeitada; que deve obedecer mesmo contra a vontade. Caso não ceda aos caprichos masculinos, deverá ser humilhada, descartada e despedida (Ester 1:1-22).
Os que se solidarizam com a rainha Vasti podem facilmente discordar veementemente da forma em que o rei a tratou. Reconhecem a coragem feminina para não aceitar ser humilhada diante de homens bêbados. Percebem ousadia para enfrentar a opressão imperando contra a figura da mulher. E notam a determinação feminina de não ceder aos caprichos masculinos mesmo correndo riscos de sofrer terríveis consequências (Ester 1:9-12).
O espaço é pequeno para tratar de questões tão complexas. Todavia, destaca-se a pergunta: Quem agiu corretamente, o rei Assuero/Xerxes ou, a rainha Vasti? Se a cultura de um lugar for base para responder tal questionamento, sem dúvida alguma se conclui que o rei agiu corretamente; porém, se a resposta for baseada na Escritura, sem dúvida, a atitude do rei é condenável e, a atitude da rainha, louvável.
O que afeta nossa cosmovisão? Reflita atentamente: “A alegria contrária à natureza que a intemperança dá à mente e ao humor, diminui as sensibilidades ao aperfeiçoamento moral, tornando impossível aos santos impulsos atuarem no coração, e manterem o governo das paixões, quando a opinião pública as sustêm. Festividades e divertimentos, danças e o livre uso do vinho, embotam os sentidos, e removem o temor de Deus”, adverte Ellen White.
Ambição, vaidade e diversão promíscua têm atraído as pessoas desde que o pecado corrompeu nossa natureza. Orgulho, grandeza e autoridade têm sido buscados implacavelmente por inúmeros indivíduos. Quem adquire certo poder, temendo o desprezo e humilhação, humilhará e desprezará quem quer que seja que não lhe obedecer (Ester 1:15-22).
Deixemos Deus moldar nossa cosmovisão! Reavivemo-nos! – Heber Toth Armí.
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Texto bíblico: NEEMIAS 13 – Primeiro leia a Bíblia
COMENTÁRIO BLOG ASSOCIAÇÃO GERAL
O QUE ACONTECEU DEPOIS DE NEEMIAS? A ÉPOCA DO “SILÊNCIO PROFÉTICO”
COM. TEXTO ROSANA GARCIA BARROS
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Texto bíblico: NEEMIAS 13
Seria bom se este livro tivesse terminado no capítulo 12. O muro havia sido construído e dedicado. A liderança espiritual estava nas mãos capazes dos levitas. Os armazéns do templo estavam cheios. Músicos cantavam as músicas de Davi. Um final feliz! Tão feliz que Neemias parte, retornando à Pérsia.
Mas infelizmente este não é o fim. Neste capítulo, Neemias retorna a Jerusalém e fica triste. Por quê?
Primeiro, os israelitas permitiram que dependências do templo fossem usadas por um incrédulo. Tobias, um amonita, era um inimigo significativo de Jerusalém (ver cap. 4). O templo foi profanado por sua presença. A santidade de Deus foi desconsiderada.
Segundo, o sábado. O dia santo de Deus estava sendo desonrado. Havia se tornado um dia de negócio como os demais, não apenas para os israelitas, mas também para os incrédulos que passavam por seus portões.
Terceiro, a questão do casamento. Muitos israelitas haviam se casado com adoradores de ídolos ao ponto de seus próprios filhos não falarem mais a língua de Judá!
Liderança espiritual não é para fracos de coração. Neemias exigiu reformas severas a fim de trazer Israel de volta ao seu centro espiritual. Ele expulsou quem não devia estar no templo, impediu a entrada de mercadores na cidade nas horas do sábado e repreendeu os infratores.
Poderá haver pessoas entre nós que decidam um dia “redefinir” as verdades bíblicas. Nós também precisamos estar preparados para nos posicionarmos a favor de Deus naquele dia.
Que Deus nos ajude a sermos tão fiéis a Ele e sua Palavra como Neemias!
Merle Poirier
Gerente de Operações das Revistas Adventist Review e Adventist World
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/bible/neh/13
Tradução: Jeferson Quimelli/Luis Uehara/Gisele Quimelli
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Neemias foi, provavelmente, o último livro do Antigo Testamento a ser escrito. E daí surge a grande dúvida na mente da maioria dos leitores: “E todos os demais livros à frente, de Jó a Malaquias, quando foram escritos?”
O caso é que os livros da Bíblia não foram arranjados em ordem cronológica, e, sim, por temas. Assim temos primeiro:
1) Os livros de Moisés (o Pentateuco);
2) Os livros históricos;
3) Os livros sapienciais (Jó, Salmos, Provérbios, Lamentações);
4) Os Profetas Maiores (Isaías, Jeremias, Ezequiel – maiores pelo tamanho de seus escritos) e
5) Os Profetas Menores.Desta forma, muitos dos salmos foram compostos aproximadamente à época de Davi e muitas das advertências dos profetas foram emitidas durante a época do reino dividido de Israel e Judá (Norte e Sul).
E o que aconteceu, então, historicamente com Israel, depois que o último livro, Neemias, foi escrito?
“Com a influência de Esdras e Neemias, inspirados pelos profetas Ageu , Zacarias e Malaquias, a nova nação se transforma numa igreja mais do que num Estado: uma igreja que existia com a licença dos persas.
Quando Alexandre Magno, da Macedônia, morreu, depois de fundar seu império entre 331 e 323 a.C., parte deste foi dada ao General Seleuco, que fundara a dinastia dos [gregos] selêucidas, e outra parte, a do Egito, caiu nas mãos do general Ptolomeu, que também formou uma dinastia, a dos [gregos] ptolomeus.
Durante um século, Judá pertenceu, nominalmente ao Egito, embora houvesse sido objeto de várias disputas com a Síria [gregos selêucidas]. Em 198 a.C., os selêucidas tomaram posse da terra, e a tentativa de impor a cultura grega, segundo o antigo plano de Alexandre Magno, desencadeou a perseguição religiosa.
Em 140 a.C., os judeus ganharam a independência, até a época do domínio romano em 63 a.C.” (Bíblia Shedd).
O Periodo Intertestamentário
No período, dito “de silêncio profético”, entre o Antigo e o Novo Testamentos (Esdras e Neemias aos Evangelhos) não foram nada silenciosos historicamente, aconteceram muitas coisas que formam o pano de fundo para o nascimento e o ministério de Jesus. Por mais 200 anos, aproximadamente, os judeus gozaram de liberdade religiosa sob o governo persa, até o domínio helenista (de influência grega), iniciado por Alexandre. Mas os tempos se tornaram bem mais agitados a partir de então, conforme o conhecimento profético que o Senhor já havia concedido a Daniel.
Vale destacar que os livros relacionados após Esdras e Neemias se referem a livros poéticos e proféticos escritos antes deles (a época do livro de Ester é referenciada em Esdras 4:6). Eles são colocados no final do AT por conta da organização temática deste (e não estritamente cronológica).
Texto: Jeferson A. Quimelli

Quadro 1: “Malaquias a Cristo”. Fonte: Bíblia de Estudo NVI Vida.
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1553 palavras
1-2 Converteu a maldição em bênção. O amor e a soberania de Deus muitas vezes se revelam no fato de fazer todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28). […] Da mesma maneira, a cruz que era o símbolo da morte vergonhosa dos piores criminosos, foi transformada em símbolo de salvação eterna (Bíblia Shedd).
3 elemento misto. Do heb. ‘ereb. Esta palavra é utilizada em Êxodo 12:38 para o “misto de gente” egípcia que se juntou aos israelitas (CBASD, vol. 3, p. 496).
5 uma câmara grande. Como o sumo sacerdote Eliasibe tomava conta de toda a área do templo, ele entregou uma das melhores salas do templo a Tobias, que evidentemente a utilizava como residência (v. 8). Durante o governo de Neemias, Tobias manteve correspondência com líderes em Jerusalém, mas não podia entrar na cidade. Quando o governador esteve ausente, ele não somente conseguiu entrar na cidade, como passou a residir no templo. Esta profanação era inédita, ainda mais que esta sala especial, ou “câmara” fora separada para as ofertas e doações do povo (CBASD, vol. 3, p. 497).
6 pedi licença. É somente a partir desta passagem que se sabem dos dois períodos de Neemias como governador (CBASD, vol. 3, p. 497).
rei da Babilônia. Os reis da Pérsia passaram a ostentar esse título depois da conquista do Império Babilônico (Ed 5.13). Bíblia de Genebra.
10 Os levitas retornaram a suas fazendas para obterem o seu sustento porque deixaram de receber o sustento do povo. Negligenciaram, assim, suas obrigações no templo e o bem estar do povo. Trabalhadores espirituais merecem seu pagamento e seu sustento deve ser suficiente para suas necessidades. Eles não deveriam ter que sofrer (ou abandonar seus postos) porque os crentes deixaram de avaliar e atender adequadamente as necessidades de seus ministros (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
Protestei contra eles. O pisar as uvas no lagar era o primeiro passo na produção de vinho e uma violação flagrante do quarto mandamento. O mesmo era verdade com relação aos que transportavam produtos agrícolas para a capital a fim de vendê-los. Alguns comentaristas acreditam que o transporte de grãos era uma necessidade para se estar cedo na cidade para o mercado do dia seguinte. Mas a lei não previa tal atividade. O v. 16 registra que produtos eram vendidos no sábado. A última parte do v. 15 parece indicar que Neemias os advertiu no dia, ou seja, no sábado, no qual eles transportavam os bens para Jerusalém e realmente os vendiam (CBASD, vol. 3, p. 497).
15 A religião nunca está no trono enquanto os sábados são descartados sob nossos pés. Bíblia de Estudo Mathew Henry.
16 Também sírios … traziam peixe e toda mercadoria. Os mascates e vendedores ambulantes, que eram homens de Tiro, uma famosa cidade comercial, vendiam todo tipo de mercadoria aos sábados. Bíblia de Estudo Mathew Henry.
17 Deus ordenou que Israel não trabalhasse no Sábado, mas descansasse em lembrança à criação e ao êxodo (Êx 20:8-11; Dt 5:12-15). O descanso do sábado, do por de sol de sexta ao por de sol do sábado, devia ser honrado e observado por todos os judeus, servos, estrangeiros visitantes e mesmo animais das fazendas. O ativo comércio de Jerusalém aos sábados violava diretamente a Lei de Deus. Portanto Neemias ordenou que as portas da cidade fossem fechadas e os negociantes fossem mandados embora em cada sexta-feira, quando as horas do sábado se aproximavam (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
18 não fizeram vossos pais assim […]? A profanação do sábado está entre os pecados denunciados com mais intensidade pelos profetas (Jr 17:21-27; Ez 20:13; 22:8, 26; 23:28). De acordo com Amós (8:5), o sábado era guardado mais na letra do que no espírito da lei. Neemias também lembra aos judeus que as grandes catástrofes ocasionadas por Nabucodonosor ocorreram como resultado da violação do quarto mandamento por seus antepassados, como predissera Jeremias (Jr 17:27), uma profecia à qual Neemias aparentemente se referiu (CBASD, vol. 3, p. 498).
19 Quando as sombras da tarde cobriram as portas de Jerusalém. Antes do pôr-de-sol, quando se iniciava o sábado. Os israelitas, assim como os babilônios, contavam os dias de um pôr-de-sol a outro (os egípcios contavam de uma amanhecer a outro). O momento exato em que o sábado começava era anunciado por um sacerdote ao tocar a trombeta. Segundo o Mishna Judaico: “Na véspera do sábado, costumavam dar mais seis toques: três para fazer o o povo cessar de trabalhar e três para marcar a separação entre o sagrado e o profano” (Bíblia de Estudo Vida NVI).
Neemias ordenou que as portas da cidade fossem fechadas algum tempo antes do início do sábado. Ao agir assim, ele pretendia proteger os “limites” das horas sagradas do santo sábado de Deus. É uma profanação do espírito do sábado realizar atividades seculares até o último momento permitido (CBASD, vol. 3, p. 499).
20 pernoitaram fora de Jerusalém. Chegando no sábado e encontrando as portas fechadas, os negociantes esperaram do lado de fora e ali, possivelmente, realizaram o comércio que teriam efetuado dentro da cidade. O fechamento das portas resultou simplesmente na transferência do local de negociação: da praça da cidade para o exterior, fora das portas. Por dois sábados, esta prática foi mantida. Então Neemias soube disso e a interrompeu, ameaçando prender os comerciantes que novamente fossem encontrados com seus produtos perto da cidade no sábado (v. 21) (CBASD, vol. 3, p. 499).
24 Não sabiam falar judaico. O fato das crianças de casamentos mistos não serem capazes de entender as leis sagradas na língua de Israel sugere que a educação religiosa deles era completamente inadequada. Bíblia de Estudo Andrews.
25 lhes arranquei os cabelos. O ato de Neemias contrasta com o de Esdras em Ed 9.3. Bíblia de Genebra.
26 não pecou nisso Salomão […]? O exemplo era mais apropriado do que qualquer outro para mover os judeus. A que o autor de I Reis 11:3 chamou eufemisticamente como “lhe perverteram o coração”, Neemias abertamente chamou de pecado (CBASD, vol. 3, p. 500).
Neemias usou o exemplo dos erros de Salomão para ensinar seu povo. Se mesmo um dos maiores reis de Israel caíra por causa da influência de descrentes, outros também cairiam. Neemias viu este princípio no exemplo de Salomão: seus dons e forças não serão de muito benefício se você falhar em lidar com suas fraquezas. Apesar de Salomão ser um grande rei, seus casamentos com mulheres estrangeiras trouxeram tragédia a todo o reino. Qualquer tendência ao pecado deve ser imediatamente detectada e resolvida; de outro modo, ela irá dominar você e fazê-lo cair. Uma das maiores razões para a leitura da Bíblia é aprender com os erros do povo de Deus (Life Application Study Bible Kingsway NIV).
28 filhos de Joiada. O fato de um membro da família do sumo sacerdote ter feito esse tipo de aliança com o principal inimigo de Neemias era absurdo e humilhante (CBASD, vol. 3, p. 500).
Seu casamento foi duplamente grave: primeiramente, porque um sumo sacerdote, em particular, não deveria se aparentar com um estrangeiro (Lv 21.14), em segundo lugar, porque Sambalá era um inimigo (2.19; 4.1; 6.1). Bíblia de Genebra.
afugentei de mim. Isto possivelmente signifique que Neemias forçou o transgressor a deixar a nação e se tornar um exilado. Podemos supor que ele recusou repudiar sua esposa estrangeira e preferiu se refugiar em Samaria com Sambalate (CBASD, vol. 3, p. 500).
28 genro. Foi esse que foi usado para constituir um novo sacerdócio samaritano, com um templo no monte Gerizim, formando uma seita rival do judaísmo (cf João 4.20) (Bíblia Shedd).
29 contaminou […] a aliança sacerdotal. […] a aliança que Deus firmou com a tribo de Levi e com Arão e seus descendentes (Êx. 28.1). […] A expulsão do genro de Sambalate de Jerusalém pode estar ligada com a edificação do templo dissidente dos samaritanos no monte Gerizim. Josefo relata (Antiguidades, xi.7.2) que Manassés, um irmão do sumo sacerdote Jadua, se casou com Nikaso, filha do sátrapa Sambalate, um cutita. Quando, por causa disso, as autoridades judaicas o excluíram do sacerdócio, ele estabeleceu o templo e a adoração no monte Gerizim, com o auxílio do seu sogro (CBASD, vol. 3, p. 500).
31 O livro não termina no ponto alto de 12.27-47, mas numa observação sobre o fracasso em atender aos compromissos de 10.30-39 e sobre a contínua necessidade de reforma. O povo de Deus não tinha chegado a um lugar de repouso. Bíblia de Genebra.
A história da vida de Neemias fornece muitos princípios de liderança efetiva que são válidos ainda hoje.
(1) Tenha um propósito claro e o avalie sempre à luz da vontade de Deus. Nada impediu Neemias de se manter no caminho.
(2) Seja reto e honesto. Todos sabiam claramente o que Neemias queria e ele falava a verdade mesmo quando seu objetivo era muito difícil de ser atingido.
(3) Viva acima da reprovação. As acusações contra Neemias eram vazias e falsas.
(4) Seja uma pessoa de oração constante, recebendo poder e sabedoria de seu contato com Deus.
Tudo que Neemias fazia glorificava a Deus. A liderança parece glamorosa, fascinante à vezes, mas ela é geralmente solitária, ingrata, e cheia de pressões para se comprometer valores e padrões. Neemias foi capaz de alcançar um tremendo sucesso contra dificuldades incríveis porque ele aprendera que não existe sucesso sem risco de fracasso, não existe recompensa sem trabalho duro, nem liderança verdadeira sem confiança em Deus. O tema deste livro é sobre a reconstrução da muralha de uma grande cidade, mas também sobre reavivamento espiritual, reconstruindo a dependência do povo em Deus. Quando tiramos nossos olhos de Deus, nossas vidas começam a desmoronar (Life Application Study Bible Kingsway NIV).