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Texto bíblico: JÓ 9 – Primeiro leia a Bíblia
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COM. TEXTO ROSANA GARCIA BARROS
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Texto bíblico: JÓ 9
Neste capítulo Jó responde a Bildade e a Elifaz, cujos discursos misturavam a verdade com o erro.
Jó até concorda com o pouco de verdade existente nas pretensas palavras de conforto. “Na verdade, sei que assim é” (v.2), diz Jó. Então Jó pergunta: “Como pode o homem ser justo para com Deus? Se quiser contender com Ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder” (v.3).
De acordo com Jó, um juízo investigativo se faz necessário. Ele pede um mediador humano entre Deus e o homem (v. 32-33). Ele deseja que o Senhor lhe dê um alivio (v. 34). Mas não tem medo de Deus, porque ele sabe que não possui as respostas, que suas reflexões não são a resposta final para a realidade maior que ele desconhece (v. 35).
Querido Deus,
Jó teve dificuldades para entender porque estava sofrendo tanto. Ele sentia que estava no final da vida. Permanece como nosso protetor mesmo que não entendamos a origem do nosso sofrimento.
Koot van Wyk
Kyungpook National University
Sangju, Coreia do Sul
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/bible/job/9
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli/Pr Jobson Santos
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960 palavras
1-10 Jó começa a falar de novo, e já vislumbra um tênue raio de luz: o vazio de seus amigos ajudou-o a olhar para outra direção. Jó volta-se para Deus, e, esquecendo-se da fraqueza dos seus amigos, e levantando seus olhos para os céus, sente nascer-lhe uma centelha de esperança. Bíblia Shedd.
1-12 A pergunta sobre como uma pessoa poderia ser justa diante de Deus (9:2) é semelhante à questão levantada pela visão ou sonho de Elifaz (4:17), mas a preocupação é diferente: não “diante de Deus”, mas “com Deus”. Ou seja, Jó estava perguntando se é possível alguém se envolver com Deus em uma questão judicial e ganhar o caso (ser declarado justo; v. 3). A implicação é que, em tal controvérsia legal, Jó perderia o caso, embora fosse justo (9:15, 20). Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 104.
2,3 Jó não se sente impecável, mas deseja ter a oportunidade de comprovar em juízo que é inocente do tipo de pecado que merece os sofrimentos por ele suportados. No seu desespero, faz queixas terríveis contra Deus (cf. v. 16-20, 22-24,29-35; 10.1-7,13-17). Mesmo assim, não abandona a Deus; não O amaldiçoa (v. 10.2-8-12) da maneira que Satanás disse que faria (v. 1.11; 2.5). O cap 42 dá a entender que Jó perseverou, mas os caps. 9 e 10 demonstram sua impaciência (v 4.2; 6.11; 21.4). V Tg 5.11, que fala da perseverança de Jó e não (como tradicionalmente se diz) da sua paciência (Bíblia de Estudo NVI Vida).
2 como pode o mortal ser justo diante de Deus? A resposta a uma pergunta tão profunda como esta é que um homem pode ser justificado pela graça, por meio da fé. V Ef. 2. 8,9 (Bíblia Evangelismo em Ação NVI Vida).
3 Num debate, o homem não poderia nem sequer responder a uma das numerosas perguntas que Deus lhe poderia apresentar, e.g., cap 38 e 39. Bíblia Shedd.
discutir. Cf. v.14. O discurso de Jó está cheio da linguagem figurada forense: “argumentar”, “responder” (v. 3,15,23); “discutir com ele” (v. 14); “inocente […] implorar […] Juiz” (v. 15); “chamar”, “intimar” (v. 16,19); “declarar culpado” (v. 20); “juízes” (v. 24); “em juízo” (v. 32); “acusações […] contra mim” (10.2); “testemunhas” (10.17). Jó defende a própria inocência, mas raciocina que, como Deus é tão grandioso, não adiantará discutir com ele (v. 14). A inocência de Jó não lhe é de nenhum proveito (v. 15) (Bíblia de Estudo NVI Vida).
4 Porfiou. Lit “se endureceu”, cf faraó Êx 7.22. Bíblia Shedd.
9 Ursa […] Órion […] Plêiades. Essas constelações são mencionadas de novo em 38.31,32, e as duas últimas são mencionadas em Am 5.8. Os israelitas da antiguidade, a despeito dos limitados conhecimentos, sentiam reverente temor pelo fato de Deus ter criado as constelações (Bíblia de Estudo NVI Vida).
10 Os atos divinos estão tão acima do poder humano, que não haveria base para uma discussão em pé de igualdade entre o homem e Deus. Bíblia Shedd.
13-19 Os versículos 13-19 descrevem o senso de inadequação de Jó diante dos ataques divinos. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 104.
16-35 O patriarca duvidava que Deus sequer ouvisse sua voz (9:16) ou de que sua condição pudesse ser arbitrada porque não tinha mediador (9:33). Mas havia uma solução possível (v. 34-35): a retirada da Sua “vara”. A vara, agente da disciplina, poderia representar a própria disciplina. Se Deus cedesse em Sua agressão, Jó encontraria coragem para falar e apresentar seu caso diante Dele. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 105.
17-26 Jó, sofrendo sem saber porque, sente que deve ser Deus que o castiga sem causa, e, no caso Deus seria um Deus cruel que lhe não dá direito nem para respirar (v 18), que se apoia mais na força do que na justiça (v. 19), que destrói indiscriminadamente bons e maus (v 22), e que se ri das torturas do inocente (v 23). Bíblia Shedd.
20, 21 Mesmo que eu fosse inocente, minha boca me condenaria. Jó está dizendo: “a despeito da vida de bondade, Deus está disposto a me condenar.” À medida que seu sofrimento continua, Jó se torna mais impaciente. Apesar de Jó permanecer leal a Deus, ele fez declarações das quais mais tarde se arrependeria. Em tempos de longa doença ou dor prolongada, é natural que as pessoas duvidem, se desesperem ou se tornem impacientes. Durante estes momentos, estas pessoas precisam de alguém que as escutem, as ajudem a trabalhar seus sentimentos e frustrações. Você poderá, com a sua paciência, ajudá-los a superar a impaciência deles (Life Application Study Bible).
9.27 – 10.2 Quando sentimentos mais otimistas procuram vir à tona, como no v. 27, Jó os afoga de novo com sua convicção de que Deus está determinado a considerá-lo culpado. […] Não há árbitro entre Jó e Deus que possa desviar o castigo, v 33. Bíblia Shedd.
27, 28. Em sua dor, ele [Jó] falou com Deus livremente, como um amigo, compartilhando com Ele sua confusão. O patriarca até concluiu que nunca mais viveria sem dor e sofrimento (v. 27-28). Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 104, 105.
28 Jó tinha medo de seus sentimentos (v. 28). Ele temia ser otimista, com receio de que o sofrimento provasse que ele estava errado. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 105.
30, 31 O que Jó não entende é que nenhuma justiça humana tem valor perante Deus, e se Deus reduz a nada nossos esforços para purificarmo-nos, é para abrir o caminho da justificação e da salvação eterna, mediante Jesus Cristo. Bíblia Shedd.
30 Cáustico. Feito com a cinza de plantas que tinham álcali, e dissolvido na água; assim se fazia o sabão na antiguidade. Bíblia Shedd.
32 Ao dizer que Deus não era humano com ele (v. 32), Jó estava reconhecendo a grande distância que separava ele e todos os humanos de Deus. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 105.
33 Árbitro. Jó sentia a falta de um mediador entre Deus e os homens, vislumbrando no porvir e esperando no meio do seu próprio desespero a vinda futura de Jesus Cristo, o único Mediador entre Deus e os homens, 1 Tm 2.5. Bíblia Shedd.
35 Não estaria em mim. Lit “não estou firme dentro de mim”, interpretado como expressão da confusão de Jó. Bíblia Shedd.
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“Eis que Ele passa por mim, e não O vejo; segue perante mim, e não O percebo” (v.11).
Não era fácil para Jó expressar em palavras todo o seu sofrimento. Diante de discursos que colocavam em dúvida a integridade de seu caráter, seu anseio era conhecer a causa do mal que o afligia. Através das coisas criadas, Jó exaltou o Criador e Seu poder em mantê-las ou transtorná-las. Suas palavras, porém, também expressam uma ideia equivocada acerca de Deus e de Seu relacionamento com o homem, como se a soberania do Senhor fosse um empecilho para “que desse ouvidos” (v.16) às orações dos aflitos e pecadores.
Ainda que não compreendesse, de fato, algumas coisas, e julgasse que em tal condição parecia que Deus não poderia ouvi-lo, a sinceridade de Jó foi reconhecida pelo Céu. Sua experiência com Deus precisava subir o degrau do verdadeiro conhecimento. E em sua confissão: “Eis que Ele passa por mim, e não O vejo” (v.11), dá a entender que ainda lhe faltava algo; que, mesmo diante da confiança pessoal: “Eu sou íntegro” (v.21), Jó precisava experimentar a comunhão que transcende os sentidos e as circunstâncias, o relacionamento com Deus que rompe as barreiras das dificuldades deste mundo escuro e ilumina o coração com a luz da esperança.
Em Sua oração sacerdotal, Jesus declarou: “E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a Quem enviaste” (Jo.17:3). Este conhecimento, e não o mero conhecimento teórico, é a chave que abre os portais da eternidade. Mesmo não tendo todo o entendimento acerca do bem e do mal, Jó estava no caminho certo para o verdadeiro conhecimento de Deus. A sua busca por respostas logo seria satisfeita pelo encontro que todos nós deveríamos desejar. Ainda que a resposta divina não atenda especificamente aos nossos anseios, certamente ela sempre será a perfeita manifestação do amor e da sabedoria de Deus, promovendo o real contentamento.
Próximo ao fim de seu sofrimento, o próprio Jó confessou: “Eu Te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos Te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42:5-6). Foi quando Jó experimentou o verdadeiro conhecimento de Deus que passou a enxergar a sua real condição. É quando o adorador olha para o Senhor que encontra a salvação, como está escrito: “Olhai para Mim e sede salvos” (Is.45:22). E quanto mais olhamos para Jesus e estudamos a Sua vida e o Seu perfeito caráter, mais enxergamos a nossa dessemelhança dEle e mais nos humilhamos em reconhecimento de nossa total dependência do Senhor.
O contato diário com as Escrituras e as orações segredadas a Deus são os meios de comunicação espiritual que abrem as janelas da alma para a atuação do Espírito Santo. Por mais que eu escreva ou que tente expressar em palavras o que o Espírito Santo tem me dado a entender, “nem a uma de mil coisas” (v.3) que eu diga pode substituir o que o Senhor deseja falar diretamente a você através do seu contato pessoal com a Bíblia. Não busque comentários de homens antes de examinar por si mesmo as Escrituras. Em oração, busque o conhecimento de Deus e, como Jó, você descobrirá que ver Jesus pode ser uma experiência real e diária até que Ele venha.
Senhor Jesus, almejamos esta experiência diária de comunhão Contigo. Desejamos olhar para o Senhor e viver! Dá-nos Teu Espírito Santo abrindo os nossos olhos para Te ver e os nossos ouvidos para Te ouvir, pois queremos ser Tuas testemunhas, compartilhando com outros o que vimos e ouvimos. Confiamos no Teu auxílio no grande conflito de nossa vida e Te agradecemos pela Tua companhia todos os dias até que o Senhor volte. Amém!
Vigiemos e oremos!
Feliz semana, conhecedores de Deus!
Rosana Garcia Barros
#JÓ9 #RPSP
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
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JÓ 9 – Sem a revelação direta, clara e compreensiva de Deus, nunca iríamos parar de tatear no escuro neste mundo de trevas, injustiças, sofrimento, doenças e mortes.
Note que Jó não se pautou nem na revelação espiritual de Elifaz (Jó 4:12-5:27), nem na tradição dos antigos como fez Bildade (Jó 8:8-19); contudo, ainda que sua percepção de Deus fosse muito mais elevada que a deles (Jó 9:1-35), sem que Deus concedesse informação, sua intuição permanecia muito limitada: ele não tinha qualquer noção dos acontecimentos dos bastidores no início de seu sofrimento, e nenhuma investigação científica obteria tal informação sem que Deus revelasse (Jó 1:1-2:13).
Desta forma, Jó 9 nos revela nitidamente, através do fiel e consagrado filósofo Jó, sobre a incapacidade humana de compreender completamente a justiça e o caráter de Deus.
• Deus é tão santo que o mais justo dos humanos se sentiria injusto diante dEle (Jó 9:2, 20).
• Deus é tão poderoso e sábio que nenhum sábio filósofo, argumentando profundamente, conseguiria questioná-lO no sentido de contestar Sua soberana vontade como se tivesse falha (Jó 9:3-4).
• Deus é capaz de realizar coisas tão incríveis, maravilhosas e extraordinárias, que os humanos são incapazes de compreendê-las plenamente (Jó 9:5-13).
• Deus é justo, ainda que a sociedade esteja tomada de injustiça, e Seus servos fieis sejam assolados com terríveis ataques injustos (Jó 9:14-19).
• Deus detém o conhecimento que é considerado mistério inclusive a indivíduos mais sábios e justos do mundo (Jó 9:20-35).
É claramente evidente que a limitação humana diante da teologia é uma realidade inescapável. Deus é, sem sombra de dúvidas, maior e mais sábio que qualquer humano consiga compreender; e Sua justiça é inquestionável, ainda que não a entendamos, mesmo que as circunstâncias pareçam gritar o contrário!
Diante das realidades contrastantes entre a finitude humana e a soberania divina, cabe a nós a humildade e a dependência total de Deus – assim como fez Jó em sua limitação e fraqueza. Nossa compreensão e perspectiva de tudo são completamente ilimitadas e incompletas; por isso, nossa maior sabedoria reside em depositar tudo o que temos e somos nas mãos do onisciente Deus Todo-poderoso.
Cientes disso,
• Cultivaremos a paciência.
• Confiaremos na justiça divina.
• Praticaremos a humildade.
• Buscaremos saber o que Deus revelou.
Em outras palavras, seremos verdadeiramente sábios! – Heber Toth Armí.
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Texto bíblico: JÓ 8 – Primeiro leia a Bíblia
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COM. TEXTO ROSANA GARCIA BARROS
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Texto bíblico: JÓ 8
Neste capítulo, encontramos a fala de Bildade, o suíta. Seu propósito não é ajudar a Jó, mas defender a sua própria visão de mundo. Bildade apresenta fragmentos de verdade numa moldura de erro. Ele estava familiarizado com o que tinha sido descoberto pelos “pais” e registrado por Moisés em Gênesis 1-11 (vv. 8-10). Assim, ele diz a Jó que não apenas estude história, mas também que se permita ser conduzido pelas verdades obtidas por observações (v. 8).
O pensamento de Bildade pode ser descrito do seguinte modo: se uma pessoa se esquece de Deus, Suas bênçãos para ele se secam; se uma pessoa se lembra de Deus e obedece a Ele, as bênçãos florescem. A observação mostra que é assim que as coisas acontecem. O conselho de Bildade aparentemente é muito bom, mas é o resultado de uma pessoa que julga só pelo que pode ver e que acha que sabe a verdade total, sem considerar a história da rebelião no Céu.
Querido Deus,
Moisés nos mostrou o perigo do apego aos padrões enganosos deste mundo e construir sobre bases frágeis, negando o Grande Conflito entre o Bem e o mal. Livra-nos de pessoas que se julgam sábias, mas não demonstram compaixão, como Bildade. Amém.
Koot van Wyk
Kyungpook National University
Sangju, Coreia do Sul
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/bible/job/8
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli/Pr Jobson Santos
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1309 palavras
Bildade agora entra no debate. Está horrorizado com a aparente blasfêmia de Jó. Bildade é tradicionalista por excelência, e exorta Jó a curvar-se perante à sabedoria da tradição [(1)]. Repreende Jó pelas suas palavras intempestuosas (2), defende a absoluta justiça de Deus (3), e lança a acusação aos filhos de Jó que cometeram pecado (4) (Bíblia Shedd).
Bildade ficou contrariado porque Jó ainda reclamava ser inocente enquanto questionava a justiça de Deus. […] O argumento de Bildade era: Deus não pode ser injusto e Deus não puniria um justo; portanto, Jó deve ser injusto. Bildade sentia que sua teoria não possuía exceção. Como Elifaz, Bildade supôs erradamente que as pessoas sofrem somente como resultado de seus pecados. Bildade foi ainda menos sensível e compassivo, dizendo que os filhos de Jó haviam morrido por causa da maldade deles (Life Application Bible Study).
Essa resposta apresenta Bildade como um homem brutal e sem sentimentos. […] Sua mensagem a Jó é direta. Ele e sua família receberam o que mereciam. Se ao menos agora ele [Jó] se arrependesse dos atos desavergonhados que trouxeram essa desgraça, ele poderia ser restaurado a uma prosperidade e felicidade ainda maiores das que tinha desfrutado antes (Bíblia de Genebra).
1-7 Bildade acreditava que o destino mostrava um Deus razoável (v. 1-7). Dos três amigos, ele era o mais fiel às tradições da sabedoria radical e mais leal a uma teologia ortodoxa (ou seja, recompensa pelo bem e retribuição pelo mal). […] Os discursos não foram caracterizados pela crueldade de Zofar ou pelo egocentrismo de Elifaz. Ele se apegou aos princípios da sabedoria. […] Ele levou o argumento para o nível da família e sugeriu que Deus matou os filhos de Jó por causa do pecado deles (8:4; cf. Dt 24:16). Ao contrário de Elifaz, Bildade estava fundamentado na razão e não na revelação, usando o princípio da retribuição para estabelecer que cada pessoa paga por seus próprios pecados, e isso inclui crianças (cf. Dt 24:16; Jr 31:29-30). Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 103.
1 suíta. Membro da tribo de Sua, descendente de Abraão e Quetura, aparentado aos midianitas (Gn 25.2; 1Cr 1.32), e habitante do deserto do norte da Arábia (Bíblia Shedd).
2 até quando? V. 18.2. Em contraposição com Elifaz, mais velho, Bildade é impaciente (Bíblia de Estudo NVI Vida).
qual vento impetuoso. Uma acusação fortíssima, diferente do tom de Elifaz, que tentara uma abordagem suave no princípio (4.2) (Bíblia de Genebra).
4 teus filhos. A mais severa das perdas de Jó foi a de seus filhos. Bildade dirigiu um impiedoso ataque a Jó ao inferir que seus filhos morreram porque eram pecadores (CBASD, vol. 3, p. 581).
6 se fores puro e reto. Bildade sugeriu que Deus restauraria Jó se ele fosse ou se tornasse “puro e reto” (Jó 8:6). Ele usou outras expressões condicionais (v. 4-5) para apelar ao amigo com a promessa de restauração. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 103.
Na mente de Bildade, Deus teria misericórdia apenas quando os seres humanos a merecessem. Mas a misericórdia, na verdade, jamais pode ser merecida. Se for merecida, então já seria justiça (Bíblia de Genebra).
A pressuposição é sempre a de que Jó é um injusto, necessitado de ensinos (Bíblia Shedd).
8 pergunta agora às gerações passadas. Elifaz tinha apelado para a revelação como sua autoridade, embora essa revelação fosse um tanto enigmática (4.12-17). Bildade, porém, apelou para as tradições humanas (Bíblia de Genebra).
Elifaz recorrera a uma revelação do mundo dos espíritos (v. 4.12-21), ao passo que Bildade recorre à sabedoria acumulada da tradição (Bíblia de Estudo NVI Vida).
10 não te ensinarão os pais? Bildade obviamente considerava Jó um aluno rebelde, mas esperava que ele desse ouvidos às vozes do passado (CBASD, vol. 3, p. 581).
11-19 Bildade empregou várias metáforas (v. 11-19), incluindo papiro, uma teia de aranha e uma planta. Assim como os juncos de papiro perecem sem umidade, os ímpios perecem sem Deus (v. 11-13). As coisas em que confiam não vão durar porque eles dependem de coisas tão frágeis quanto teias de aranha (v. 14). […] Essa metáfora é seguida por outra analogia de fragilidade e instabilidade: as plantas enraizadas em um bom solo são muito mais difíceis de arrancar do que aquelas que se agarram nas rochas (v. 18). As raízes de uma grande planta arrancada de um monte de pedras deixam um rastro muito mais leve do que as que estão enterradas no solo; as plantas que se agarram às rochas para se apoiar não deixarão sequer uma marca quando removidas. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 103, 104.
11 junco. O junco consome grandes quantidades de água (CBASD, vol. 3, p. 581).
12 secam. Essas plantas não tem capacidade de autossustentação. Dependem da umidade para se sustentar. Se faltar água, murcham e morrem(CBASD, vol. 3, p. 581).
13 todos quantos se esquecem de Deus. Este verso contém a aplicação da parábola. Quando o poder sustentador de Deus é retirado de uma pessoa, ela perece como o outrora luxuriante junco d’água. A figura ilustra o juízo que Bildade pensa estar caindo sobre o homem que outrora fora justo e, portanto, próspero, mas que depois se afastou de Deus. Jó não deixaria de compreender a aplicação (CBASD, vol. 3, p. 581).
ímpio. Como é óbvio, Bildade considerava Jó um caso típico de impiedade (Bíblia de Genebra).
15 agarrar-se a ela. A figura é a de uma aranha que está tentando se suster agarrando-se à sua casa. A “casa” de Jó lhe havia sido tirada. Sua esperança fora cortada. Assim, Bildade parece classificar Jó como um ímpio (CBASD, vol. 3, p. 582).
Bildade assumiu erradamente que Jó estava confiando em algo que não Deus para sua segurança, então ele destacou que tal apoio iria quebrar. […] Uma das necessidades básicas do homem é segurança e as pessoas farão quase qualquer coisa para se sentirem seguras. Eventualmente, contudo, nosso dinheiro, nossos bens, conhecimento e relacionamentos falharão ou irão embora. Somente Deus pode dar segurança duradoura. No que você tem confiado para sua segurança? Quão duradoura ela é? Se você tem um fundamento seguro em Deus, sentimentos de insegurança não abalarão você (Life Application Bible Study).
16 viçoso. Uma nova ilustração, a de uma luxuriante trepadeira cheia de seiva e vitalidade, que de repente é destruída e esquecida (CBASD, vol. 3, p. 582).
18 o arranca. É insinuado que Jó seria a planta arrancada (Bíblia Shedd).
19 brotarão outros. Ninguém lamenta a morte da planta nem sente falta dela. Outras plantas lhe tomam o lugar (CBASD, vol. 3, p. 582).
20-22 Nestes versículos Bildade faz sua recapitulação. O ponto principal do discurso acha-se no v. 20. Notamos, todavia, que Bildade não possuía a simpatia pela qual Jó ansiava. A conclusão de que a família de Jó morrera vítima de algum castigo divino, em razão de sua iniquidade, era como uma espada a transpassar um coração já exausto de dor e de angústia (Bíblia Shedd).
20 Deus não rejeita ao íntegro. Este versículo contém o coração da teologia de Bildade sobre o sofrimento. Não estava errada como sabedoria corrente. O Sl 1.6 ensina que o Senhor cuida do caminho dos justos, que o caminho dos ímpios perecerá. O erro de Bildade consistia em supor que Jó, por estar sofrendo, forçosamente era um ímpio (Bíblia de Genebra).
21 Ele te encherá a boca. Bildade não acha que o caso de Jó seja sem esperança. Como Elifaz, ele prediz que a calamidade de Jó será revertida e que sobrevirão juízos aos inimigos dele. Os amigos parecem ter certo grau de confiança na integridade básica de Jó, embora estejam convencidos de que ele cometeu algum grande pecado que trouxe a calamidade (CBASD, vol. 3, p. 582).
Uma comparação do primeiro discurso de Elifaz com o de Bildade revela que ambos têm uma introdução censuradora e um encerramento conciliatório. Ambos exortaram Jó a ir a Deus arrependido, em busca de ajuda e apresentaram a promessa de salvação. Elifaz reforçou seu argumento com uma suposta revelação divina, enquanto que Bildade procurou alcançar o mesmo resultado, apelando para os antigos mestres da sabedoria (CBASD, vol. 3, p. 582).
22 aborrecedores. Bildade, depois de falar aquilo que tinha em mente, procura demonstrar que ele não se inclui entre os inimigos de Jó (Bíblia Shedd).
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“O teu primeiro estado, na verdade, terá sido pequeno, mas o seu último crescerá sobremaneira” (v.7).
Acusado injustamente por Elifaz, Jó externou o seu sofrimento e expôs diante de Deus a sua queixa. Não bastasse todo o mal que o afligia, teve de suportar mais palavras de acusação. Além de reprovar a réplica de Jó, “Bildade, o suíta” (v.1) insinuou que a morte de seus filhos ocorreu porque eles pecaram contra Deus e colocou em dúvida a pureza e retidão de Jó e a dignidade de sua prole. O estado de Jó era visto como um castigo, já que a prosperidade e o sucesso eram intimamente relacionados a uma vida de integridade diante do Senhor. No versículo 7, contudo, mesmo sem saber, Bildade profetizou a sorte final de Jó: “O teu primeiro estado, na verdade, terá sido pequeno, mas o seu último crescerá sobremaneira”.
Podemos dizer que os amigos de Jó eram adeptos da teologia da prosperidade. Eles não podiam conceber a ideia de que o íntegro passasse por tanto sofrimento, não fosse pela culpa de algum pecado. Foi por contemplar a prosperidade dos ímpios que o salmista Asafe quase endureceu o seu coração. O contraste entre as dificuldades de Israel e a tranquilidade dos pagãos despertou-lhe uma inveja que o destruiria, não fosse a misericórdia de Deus em lhe revelar o resultado final: “até que entrei no santuário de Deus e atinei com o fim deles” (Sl.73:17).
Bildade foi insensato ao questionar a integridade de seu amigo enfermo. Na verdade, ele e seus amigos, e até o próprio Jó, desconheciam a batalha espiritual que envolve cada ser humano. Uma vida próspera e tranquila pode se tornar um laço pior do que uma vida atribulada. Aquele que sonda os corações sabe exatamente o que dar e o que tirar da vida daqueles que O temem e O buscam. Portanto, os “nossos dias sobre a terra” (v.9) não podem ser medidos pelo que possuímos, e sim pelo que somos, ou não, em Cristo.
A essência de Jó foi ignorada pelos olhos que só enxergam a aparência, mas foi nAquele que vê o coração, que ele depôs as suas feridas. Sabem, amados, nós julgamos e somos julgados com muita facilidade. Nossas orações são repletas de formalismos enquanto nosso coração implode pela necessidade de ser revelado. O pecado trouxe sobre este mundo a maldição da injustiça, mas nós precisamos aprender a viver cada dia pela fé, confiantes na justiça divina, e andar na presença do Senhor em sinceridade e santidade. Isso só pode acontecer mediante a atuação constante do Espírito Santo em nossa vida, como escreveu o apóstolo Paulo: “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo Sua misericórdia, Ele [Jesus] nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt.3:5).
Não houve nem haverá neste mundo injustiça maior do que aquela que pendurou o nosso Salvador numa cruz. A Sua vida de humilde serviço e amor abnegado era um contraste com a próspera condição dos líderes religiosos que se julgavam tão piedosos. E, acusado pelos pecados que nunca cometeu, foi condenado, crucificado e morto. Mas Jesus não Se importava com a prosperidade passageira. Olhando para o futuro glorioso, o nosso Redentor ansiava pela hora de alegrar-Se com “o fruto do penoso trabalho de Sua alma” (Is.53:11).
Assim como a tristeza de Jó se tornou triunfo, uma gloriosa vitória final nos foi garantida na cruz do Calvário. Que, independentemente de nossa condição aqui nesta Terra e do que julgam a nosso respeito, olhemos “firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, O qual, em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (Hb.12:2).
Senhor, Criador dos céus e da terra, nós Te louvamos porque Tu és justo e compassivo e, no tempo determinado, enviaste Teu Filho amado, que nos ensinou como devemos viver aqui até que Ele volte. Muitas vezes, Pai, além das dificuldades que enfrentamos, ainda temos que nos deparar com os julgamentos injustos de pessoas que não sabem o que se passa por trás das cortinas do grande conflito. Mas nós Te pedimos a sabedoria e o discernimento do Espírito Santo para que as nossas palavras e ações, e até mesmo o nosso silêncio, sejam conduzidos por Ele. E Te pedimos no nome do nosso supremo Modelo, Jesus Cristo, Amém!
Vigiemos e oremos!
Feliz sábado, salvos pela graça do Redentor!
Rosana Garcia Barros
#JÓ8 #RPSP
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JÓ 8 – Nossas concepções e percepções da vida sempre estão baseadas em alguma fonte de informação. Os dois amigos de Jó deixam evidente quais são suas fontes, onde se baseiam para levantar seus “rebuscados” argumentos.
Elifaz afirmou que um espírito falou com ele; nesta visão reside a base de sua argumentação contra Jó, seu conceito sobre a divindade e a natureza (Jó 4:12-17).
Diferente de Elifaz, Bildade fez uso de outra fonte para basear sua argumentação filosófica e teológica. Ele se apegou à tradição, alegando que a sabedoria e o conhecimento dos antigos superam a tudo o que Jó pudesse saber ou entender (Jó 8:8-10).
Apesar das diferentes fontes de informação, o aflito e sofredor Jó não encontrou alívio nas palavras de Elifaz nem de Bildade. Considerando o todo do livro em análise, percebe-se que as interpretações de Elifaz e Bildade são defeituosas, cheias de falhas e, por isso, estão longe de obter a verdadeira sabedoria divina. A revelação de Elifaz pode ser considerada apenas como uma experiência subjetiva; por outro lado, a tradição de Bildade pode levar à estagnação e à falta de profundidade, impedindo o progresso e o avanço da verdade.
O pentecostalismo moderno enfatiza a experiência pessoal com Deus, valoriza a revelação divina direta e pessoal, em contraposição à tradição religiosa e à autoridade de líderes religiosos e teólogos. A experiência de Elifaz deve servir de alerta aos que vivem uma espiritualidade subjetiva, que usam a autoridade da experiência e revelação para criticar, condenar e humilhar as pessoas.
Em contrapartida, o tradicionalismo religioso preza pela tradição e a autoridade dos mestres do passado, e valorizam dogmas e práticas estabelecidas há muito tempo. A interpretação desta fonte de orientação é administrada por líderes religiosos e instituições, em vez de uma experiência direta e pessoal com Deus. Os tradicionalistas devem considerar o legado negativo de Bildade, para evitar cair no mesmo erro.
É importante buscar experiências espirituais e conhecer a teologia dos antepassados; porém, tudo deve ser avaliado, examinado, passando pelo crivo da Palavra de Deus; senão, seu uso fará mais mal do que bem (Jó 8:1-7, 11-21). Para não ser trágico, o discernimento verdadeiro do que é correto deve vir do estudo sistemático da Palavra divina.
Diante destes alertas, reavivemo-nos na Palavra! – Heber Toth Armí.