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Primeiro dia da semana. No grego, a expressão é a mesma que ocorre em Mateus 28:1 (ver com. ali). Não há dúvida de que corresponde, pelo menos de modo geral, ao domingo.
Contudo, os comentaristas se dividem quanto à noite em que ocorreu a reunião: depois do domingo ou antes dele.
Aqueles que favorecem o ponto de vista de que a reunião ocorreu no domingo à noite afirmam que Lucas, provavelmente um gentio, usou a contagem de tempo romana, segundo a qual o dia se iniciava à meia-noite. Por meio desse sistema de contagem do tempo, uma reunião na noite do primeiro dia da semana só poderia ser no domingo à noite. Eles também declaram que a sequência do versículo, “no primeiro dia da semana" e "no dia imediato", sugere que a partida de Paulo ocorreu no segundo dia da semana; se esse for o caso, então a reunião só pode ter acontecido no domingo à noite. Também se pode observar que João chama a noite de domingo de primeiro dia da semana" (Jo 20:19), muito embora, segundo o sistema judaico de contagem do tempo, já fosse o segundo dia da semana (ver vol. 2, p. 85). É possível que Lucas tenha usado a expressão com o mesmo sentido aqui.
Outros comentaristas, inclusive Ellicott, Conybeare e Howson, e A. T. Robertson preferem compreender que a reunião ocorreu na noite anterior ao domingo. Uma vez que a contagem de tempo judaica marca o início do dia no pôr do sol, a parte escura do primeiro dia da semana corresponderia à noite anterior ao domingo, ou seja, ao sábado à noite. Tal sistema de contagem continuou a ser usado pelos cristãos por séculos e é razoável pensar que Lucas, sendo gentio ou não, o tenha empregado em sua narrativa. Em consequência disso, a reunião de Paulo em Trôade teria começado após o pôr do sol no sábado à noite e se estendido pela madrugada. No dia seguinte, o domingo, o apóstolo teria caminhado até Assôs.
Alguns escritores encontram nesta passagem um indício da observância do domingo no início da era cristã. O fato de Lucas ter usado o sistema de contagem de tempo judaico ou romano tem pouca importância sobre essa questão pois ele diz de forma clara que a reunião aconteceu "no primeiro dia da semana". Caso estivesse usando o sistema judaico, a noite anterior ao domingo seria considerada o primeiro dia e; caso tenha empregado a marcação romana de tempo, a noite depois do domingo continuaria a corresponder ao primeiro dia. O fator significativo aqui, no que se refere à observância do domingo no início do cristianismo, é se esta reunião no primeiro dia constitui uma prática cristã regular ou se simplesmente acabou acontecendo no primeiro dia por causa da visita de Paulo.
A análise de toda a narrativa não apóia a visão de que Paulo fez essa reunião por se tratar do primeiro dia da semana. Ele estivera em Trôade por sete dias e com certeza já havia se, encontrado com os cristãos de lá mais de uma vez. Quando estava prestes a partir, o mais lógico seria realizar uma reunião de despedida e celebrar a Ceia do Senhor com eles. O comentário de Lucas de que isso ocorreu no primeiro dia da semana, em vez de consistir numa nota da observância do domingo, está em harmonia com toda a série de registros cronológicos com os quais o autor preenche a narrativa dessa viagem (ver At 20:3, 6, 7, 15, 16; 21:1, 4, 5, 7, 8, 10, 15). Portanto, a melhor maneira de entender essa passagem é que a reunião ocorreu não por ser domingo, mas porque Paulo "devia seguir viagem no dia-imediato" (At 20:7). Lucas inclui o relato da reunião por causa da experiência de Êutico e a observação de que se tratava do "primeiro dia da semana" é mera continuação do registro cronológico da jornada de Paulo.
Ao avaliar se essa passagem é uma evidência da guarda do domingo no início do cristianismo, Augustus Neander, destacado historiador da igreja observa: "A passagem não é totalmente convincente, pois a partida iminente do apóstolo pode ter unido a pequena igreja numa refeição fraterna e, nesta ocasião, o apóstolo fez seu último discurso, embora não tenha havido nenhuma celebração particular do domingo no caso" (The History of the Christian Religion and Church, trad. Henry John Rose, vol. 1, p. 337).
Fonte: CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 412, 413.
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Comentário devocional:
O plano de Paulo para sua terceira viagem missionária era ir até Roma (Atos 19:21). Ele tinha estado em Antioquia, Atenas, Corinto e Éfeso (as grandes cidades do mundo Mediterrâneo), mas Roma era a maior e mais importante de todas. Ele não foi a Roma imediatamente, mas realizou muita coisa nesse meio tempo. Em Éfeso, ele escreveu cartas aos Coríntios, com muitas lágrimas, expressando sua preocupação para com eles (1Co 2:4). Além disso, ele decidiu ficar em Éfeso um pouco mais de tempo, tendo em vista o surgimento de novas oportunidades para o evangelismo (1Co 16:9). Neste momento, ocorreu em Éfeso o motim liderado por Demetrius (Atos 19:21-41) e Paulo voltou para Macedônia (Atos 20:1). Em Filipos, ele se encontrou com Tito, que retornava de Corinto trazendo a boa notícia da reação positiva à carta [1Co] que Paulo lhes escrevera (2 Cor 7:6-10). Mais à frente, o apóstolo foi a Corinto, onde permaneceu por três meses (At 20:2, 3). Enquanto ainda estava lá, ele escreveu aos Romanos, antecipando sua jornada para lá.
Paulo iria navegar de Corinto a Jerusalém. Mas em vez disso decidiu retornar por terra, através da Macedônia, depois que tomou conhecimento de uma conspiração para matá-lo (Atos 20:3). Depois de uma semana com Lucas em Filipos, ele se reuniu com os outros homens em Trôade, onde ele ressuscitou Êutico no meio de um sermão que durou toda a noite (Atos 20:7-12)! Na parte da manhã, os companheiros de Paulo embarcaram em um navio que ia para Assos, mas Paulo decidiu ir a pé. Ele queria privacidade para pensar e orar (Atos dos Apóstolos, p.392).
Novamente num navio, Paulo e sua equipe finalmente atracaram em Mileto, a 30 km de Éfeso. De lá, ele enviou uma mensagem para os anciãos para virem vê-lo. Quando chegaram, o apóstolo lhes disse: “Vocês sabem que não deixei de pregar-lhes nada que fosse proveitoso, mas ensinei-lhes tudo publicamente e de casa em casa” (v.20), proclamando “toda a vontade de Deus” (v.27 NVI). Ele lhes advertiu que “dentre vocês mesmos se levantarão homens que torcerão a verdade, a fim de atrair os discípulos. Por isso, vigiem! … ” (vv.30, 31 NVI). Então ele disse-lhes: “Cuidem de vocês mesmos … para pastorearem a igreja de Deus, que Ele comprou com o seu próprio sangue.”(v.28 NVI).
O grande apóstolo focava nas duas funções do ancião, de acordo com o Novo Testamento. A primeira, ensinar a Palavra (1Tt 1:5, 9), para o rebanho crescer espiritualmente e não se extraviar. A segunda, liderar (Atos 20:28), isto é, pastorear o rebanho com sabedoria e habilidade, fazendo referência ao ministério dos pastores de hoje de pastorear e supervisionar, que também se aplica aos anciãos.
Muitos que leem esse blog são líderes em sua igreja. Lembrem-se, vocês, de sua responsabilidade: ser um mestre da Palavra, e um pastor do rebanho. Estas são as duas principais responsabilidades de pastores e anciãos na igreja. Isto é o que Paulo fez, e, oh!, como ele amava o seu rebanho! (Atos 20:36-38).
Ron E. M. Clouzet
Diretor de Evangelismo do Instituto NAD
Professor do Ministério e Teologia do Seminário da Universidade Andrews
Texto original: http://revivedbyhisword.org/en/bible/act/20/
Traduzido por JAQ/GASQ
Texto bíblico: Atos 15
Comentário em áudio
1 Despediu-se. A expressão grega significa “dizer palavras de despedida”. Com certeza, Paulo permaneceu em Éfeso até a igreja se acalmar mais uma vez. Ele passou cerca de três anos ali (provavelmente, de 54 a 57 d.C). Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 6, p. 410.
1,2 Nesta altura (55 d.C.) paulo redigiu a segunda carta aos coríntios e evangelizou a área até ao Ilírico [hoje, Albânia] (cf Rm 15.19). Bíblia Shedd.
3 três meses. Provável referência à estadia em Corinto, capital da Acaia. Seriam os meses de inverno, nos quais os navios não navegavam regularmente. Bíblia de Estudo NVI Vida.
Neste período Paulo escreveu a carta aos Romanos. Bíblia Shedd.
Uma conspiração por parte dos judeus. Os judeus haviam tentado envolver Gálio em seus ataques a Paulo durante sua última visita a Corinto e, então, tentaram se vingar do apóstolo secretamente. Sem dúvida, a intenção era matá-lo. Quando Paulo ficou sabendo da conspiração, mudou os planos e partiu com seus companheiros para a Macedônia, a fim de frustrar os conspiradores. CBASD, vol. 6, p. 411.
4 Os companheiros de viagem de Paulo estão relacionados por nome. Podem ter sido representantes da igreja oficial, designados para viajar com Paulo a fim de entregar o dinheiro coletado para ajudar a igreja de Jerusalém. Bíblia de Genebra.
9 Adormecendo profundamente. Literalmente, “vencido pelo sono”. Sem dúvida, o ar ficou pesado por causa do calor e da fumaça das lâmpadas a óleo, e o jovem não conseguiu mais resistir ao sono. CBASD, vol. 6, p. 413.
11 Subindo. A calma do apóstolo, bem como suas palavras, devem ter impressionado a congregação agitada. Paulo voltou para o cenáculo e deu continuidade à reunião. CBASD, vol. 6, p. 414.
12 Vivo. Não haveria motivo para usar esta palavra caso “levantado morto” não significasse morte real. Fica claro que o médico Lucas narra um milagre de restauração da vida. CBASD, vol. 6, p. 414.
13 Assôs. Situada na península, oposta a Trôade – numa distância de uns 32 km por terra. A distância pelo litoral, no entanto, era de uns 64 km. Assim, Paulo não levou mais tempo que o navio que navegou em redor da península. Bíblia de Estudo NVI Vida.
15 Mileto 48 km ao sul de Éfeso, sendo o porto destinatário do navio em que Paulo viajava. Para aportar em Éfeso, teria de embarcar em outro navio, e assim teria perdido tempo (cf. v. 16). Se tivesse chegado a Éfeso, teria o dever de visitar várias famílias, o que teria levado mais tempo. Bíblia de Estudo NVI Vida.
17 Mandou. Paulo não poderia deixar a região sem fazer contato com a igreja de Éfeso, na qual sofrera tanto e onde produzira tantos frutos para o Senhor. Por isso, convocou os líderes a fazer a jornada até Mileto para se encontrar com ele e conversar sobre os problemas da igreja. CBASD, vol. 6, p. 415.
18 Disse-lhes. A partir daqui se inicia o discurso mais terno dos lábios de Paulo do qual há registro. Não foi uma fala evangelística, mas, sim, de exortação, lembrando os ouvintes dos sacrifícios pessoais e da integridade de seu caráter, bem como desafiando-os a aceitar as responsabilidades de seu ofício e a desempenhá-lo com fidelidade. As advertências se aplicam a qualquer era e localidade da igreja, ecoando nas palavras de Efésios 5 e 6. CBASD, vol. 6, p. 415.
25 Não vereis mais o meu rosto. Paulo acreditava, por motivos não reveladas aqui, que aqueles presbíteros de Éfeso e, sem dúvida, as igrejas de Mileto e Éfeso nunca mais o veriam. Essa crença podia se dever aos perigos que ele sabia que o aguardaram. CBASD, vol. 6, p. 418.
A declaração de Paulo era mais baseada em seu próprio julgamento do que na revelação divina. Bíblia de Genebra.
Contrário à sua profunda crença, Paulo voltou a visitar a Igreja de Éfeso após sua primeira prisão [cf 1Tm 1.3]. Bíblia Shedd.
26 Vos protesto. Fica claro que mesmo na igreja de Éfeso houve detratores do apóstolo que minavam sua integridade. Bíblia Shedd.
27 anunciar todo o desígnio de Deus. O cristianismo não tem segredos ou doutrinas ocultas como o gnosticismo. Bíblia Shedd.
28 para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual Ele comprou com o Seu próprio sangue. A expressão é notável pelo modo como reconhece que o sangue de Cristo é o sangue de Deus. Bíblia de Genebra.
29 Depois da minha partida. Paulo atuara como guardião das igrejas que ele reunira. O perigo que elas enfrentavam aumentaria em sua ausência. De maneira semelhante, Israel foi fiel durante os dias de Josué e dos anciãos que viveram mais do que ele (Jz 2:7), mas logo depois veio a apostasia. CBASD, vol. 6, p. 420.
34 Estas mãos serviram. Esta expressão aponta para o costume de Paulo de trabalhar para se sustentar e é introduzida como parte de sua defesa da acusação de cobiça. Ele trabalhou em seu ofício de fazer tendas com Aquila e Priscila, em Corinto. Trabalhara anteriormente em Éfeso e em Tessalônica. Este versículo dá evidências de que ele fizera o mesmo em Éfeso. Paulo trabalhava não só para se sustentar, mas também para prover para alguns que estavam com ele e necessitavam de sua ajuda. Talvez Timóteo, com suas frequentes enfermidades” (lTm 5:23), fosse um deles. O apóstolo não considerava degradante trabalhar para custear suas despesas enquanto pregava o evangelho, numa época em que a igreja ainda não havia aprendido a prover para seus ministros. CBASD, vol. 6, p. 422.
35 Mais bem-aventurado é dar que receber. O único ditado direto de Jesus preservado fora dos evangelhos do NT. Paulo (24) e Jesus (28) viveram a realidade deste ditado. Bíblia Shedd.
36 Ajoelhando-se. Postura normal de oração (SI 95:6; Dn 6:10), apropriada por consistir num marco de humildade diante da majestade divina a quem a oração se dirige, adotada sobretudo em momentos solenes. Paulo é retratado se ajoelhando também ao se despedir dos irmãos de Tiro. CBASD, vol. 6, p. 423.
37 Abraçando afetuosamente a Paulo. Forma oriental de abraço por ocasião de um encontro ou de uma despedida. Os amigos de Paulo o amavam. CBASD, vol. 6, p. 423.
38 Acompanharam-no. Literalmente, “o enviaram”. As mesmas palavras são traduzidas por “acompanhados”. Os presbíteros de Éfeso permaneceram o maior tempo possível com Paulo, indo até o navio no qual ele embarcaria. CBASD, vol. 6, p. 423.