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“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (v.2).
Diante de um contexto onde a grande massa religiosa vivia da prática de estereótipos, Paulo roga para que todos experimentem uma mudança de hábitos que constitua em um culto racional que equivale à entrega do “corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (v.1). Fazendo a junção entre corpo e mente, o apóstolo mostrou que ambos estão inevitavelmente ligados e que não há como separá-los. Um depende do uso do outro e tem total participação no quesito adoração.
A conformidade ou aceitação de costumes que permeiam cada geração recebeu uma espécie de “contraste” deveras sublime: “a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (v.2). Paulo nos exorta à constante vigilância da mente através de nossa vida prática. Afinal de contas, não conformar-se com este século envolve o abrir mão de práticas e costumes que não condizem com a vida que o Senhor planejou para o homem. Através das entradas da alma, Satanás tem lançado inúmeras distrações e tentações que amortecem os nossos sentidos para as coisas espirituais e nos aprisionam às concupiscências deste mundo.
Corremos o perigo de até mesmo considerarmos nossos próprios atos religiosos como grande coisa, roubando a glória que só pertence a Deus. “Não pense de si mesmo além do que convém” (v.3) é um conselho contra o orgulho e a soberba. Paulo colocou a variedade de dons num mesmo patamar. A expressão dons espirituais já diz tudo. São “diferentes dons segundo a graça que nos foi dada” (v.6), ou seja, não vêm de nós, mas de Deus. A prática destes dons, portanto, deve ser equivalente a uma adoração de corpo e mente, todo o ser aos cuidados do Espírito Santo a fim de que a vontade de Deus prevaleça em nossa vida. Cada adorador deve estar em plena harmonia com o outro, como “um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (v.5).
Nesse ínterim, portanto, algumas virtudes são extremamente relevantes e indispensáveis na prática da vida cristã. E, como sempre, o amor aparece como a primeira da lista. Mais do que uma virtude, o amor deve ser um princípio fundamental posto em prática através do altruísmo e das demais virtudes. Ele é a essência de todos os demais e define a verdadeira religião, a religião de Cristo. É através do amor prático que o caráter de Cristo é impresso em nossa vida. Consequentemente, o mal passa a ser detestável; fazer o bem, nosso ardente desejo; a cordialidade, uma consequência inevitável; servir ao Senhor, um prazer que nos satisfaz; na tribulação, nos tornamos pacientes; “na oração, perseverantes” (v.12); as necessidades do próximo se tornam mais importantes do que as nossas; a hospitalidade, nossa alegria; a perseguição, uma oportunidade de abençoar quem não merece.
Não há lugar para o orgulho no coração daqueles que amam a Deus e desejam fazer a Sua vontade. Fazer separação entre corpo e mente como se um não tivesse relação com o outro no culto que prestamos ao Senhor é como querer que uma lâmpada acenda sem estar ligada à energia, ou que a energia mostre seus resultados sem que haja um receptor. Amados, nossa mente é o centro de controle do nosso corpo e nosso corpo é o resultado do que está cheia a nossa mente. E uma mente que é governada pelo Espírito Santo redunda em um corpo que manifesta as atitudes do caráter de Cristo.
Já senti na pele, e creio que você também, a sensação de impotência diante de uma injustiça. Ou o desejo de devolver na mesma moeda. Mas também já experimentei o incomparável prazer de vencer “o mal com o bem” (v.21). E pela experiência de quem já experimentou ambos os lados, posso garantir que não há nada melhor do que fazer o possível para ter “paz com todos os homens” (v.18). Retribuir o mal com o bem é a nossa grande oportunidade de sentir na pele um pouco que seja do que sentiu o nosso Salvador. É o privilégio de viver o amor em sua forma mais sublime. Portanto, não é algo de que devemos nos orgulhar, mas confessar o quão dependentes somos da Fonte de todo amor.
Seja a nossa adoração a Deus o resultado da plena união entre mente e corpo, e seremos aceitos no trono da graça como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (v.1).
Feliz semana, um só corpo em Cristo!
Rosana Garcia Barros
#PrimeiroDeus #Romanos12 #RPSP
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“Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (v.5).
Através do relato bíblico percebemos que, em todo o tempo, Deus sempre teve um povo para chamar de Seu. Ainda que fosse composto de apenas oito pessoas como o foi no dilúvio, ou de quatro fiéis hebreus em Babilônia, Seus representantes assinalam na história a prova de que não é a quantidade que define a vitória, mas o Deus que honra os que O honram. Diante desta verdade inquestionável, Paulo se dirigiu aos judeus afirmando que “Deus não rejeitou o Seu povo” (v.2). E referindo-se a um profeta em especial, Elias, lhes trouxe à memória uma situação vivida por ele.
De todos os profetas do Senhor, tenho um apreço especial por dois deles: Daniel e Elias. Daniel, por sua firme convicção e admirável fidelidade. Elias, por sua fé e coragem, e também por sua fraqueza. Opa! Sua fraqueza? Isso mesmo! Ao contrário do que você pode ter pensado, eu não me equivoquei. A vida de Elias, além de revelar o poder de Deus, também revela a fragilidade humana. E em dias em que nunca houve tantos transtornos emocionais, a experiência de Elias, enquanto atribulado numa caverna, nos mostra o quanto o nosso Deus deseja nos livrar destes males que têm atingido a maioria. Pois que “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos” (Tg 5:17).
Mesmo após toda a manifestação do poder de Deus no monte Carmelo, o profeta teve medo das ameaças da ímpia Jezabel e sentiu-se só em sua peregrinação. Foi quando o Senhor foi ao seu encontro com a confortante mensagem: “Reservei para Mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal” (v.4). Deus estendeu diante de Elias uma lista de sete mil pessoas com as quais valia à pena relacionar-se. Pessoas que tinham algo em comum: eram verdadeiros adoradores. Através desta experiência de Elias, Deus deixou em Sua Palavra o tratamento para a cura emocional e as características singulares que acompanham o Seu remanescente: o toque de quem realmente se importa, a alimentação adequada, a água, o repouso, o exercício físico, o jejum, o diálogo (psicoterapia), a confiança em Deus e os relacionamentos saudáveis (1Rs 19).
Israel foi eleita como uma nação separada para propósitos sagrados e como tal deveria ser uma escola modelo para as demais nações, que unânimes diriam: “Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente” (Dt 4:6). Mas a nação eleita falhou em cumprir o seu papel, de forma que a dureza de coração os consumiu e de geração em geração, a corrupção tomou o lugar da adoração. A incoerência dos israelitas mostrava a sua desarmonia com a mensagem que professavam crer, de forma que suas vidas tornaram-se o pior sermão que se pode pregar. Mas a igreja primitiva tornou-se uma prova de que tanto os ramos antigos quanto os que foram enxertados, se, mediante a fé, permanecerem firmes na raiz, Deus é poderoso para sustentá-los.
O fato é que, “também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (v.5). Um povo que possui características que incorporam uma mensagem contemporânea de princípios que sempre existiram, mas que não deve, de maneira alguma, se ensoberbecer de sua posição (v.20), e sim usá-la com temor para a glória de Deus e benefício de seus semelhantes. E mesmo para aqueles que, por algum motivo, se desviaram deste caminho, “Deus é poderoso para os enxertar de novo” (v.23). A maravilhosa verdade de que o Senhor usa “de misericórdia para com todos” (v.32) deve mover o Seu remanescente a espalhar as boas-novas de salvação como folhas de Outono. Nossa missão não é a de aparentar superioridade, e sim a de revelar ao mundo a glória de um Deus que Se importa com o nosso bem-estar e felicidade, aqui e no porvir.
Ainda que você sinta as suas forças se esvaindo. Ainda que, à semelhança de Elias, não veja mais razão de viver. Mesmo que tudo ao seu redor seja vento, terremoto e fogo, acredite que virá “um cicio tranquilo e suave” (1Rs 19:12) e dali a voz dAquele que te diz: “Você não está sozinho!” Persevere em permanecer firme à Raiz de Davi, à Videira verdadeira! “Porque dEle, e por meio dEle, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (v.36).
Feliz sábado, remanescente segundo a eleição da graça!
Motivo especial de oração: Por favor, amados, oremos pelo bebê Elias Isaac e sua família. Ele é filho de uma irmã querida e está precisando muito de nossas orações.
Rosana Garcia Barros
#PrimeiroDeus #Romanos11 #RPSP
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“Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus O ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (v.9).
Não havia prazer algum da parte de Paulo em repreender seus irmãos judeus. Seu intuito era simplesmente desvendar-lhes os olhos para verdades encobertas pelas tradições. A sua oração era para que aqueles que agiam como ele mesmo já havia agido, também encontrassem a salvação em Cristo Jesus. Sua própria experiência fazia com que o apóstolo olhasse para os zelosos judeus com olhos de compaixão, pois se identificava com eles. Enquanto observava todos os rituais, pompas e serviços religiosos sendo realizados, via no rosto dos oficiantes a expressão de seu próprio rosto outrora rijo de um zelo consumidor. Isto lhe comovia o coração a não somente falar, mas também suplicar “a Deus a favor deles” (v.1).
Após seu encontro com Jesus, os olhos de Paulo se abriram para as boas-novas do evangelho, sua graça e a certeza de que nem todo o zelo do mundo é capaz de salvar uma pessoa sequer se este não for resultado do amor devotado a Deus. Você pode doar tudo o que tem, pode dedicar sua vida à igreja, pode até dar a própria vida, mas se o que te motiva é o zelo, e não o amor, nada disso tem proveito algum (1Co 13:3). O zelo, certamente, tem o seu lugar na adoração a Deus e precisa ser praticado, mas na direção certa e como resultado da salvação e não como uma exposição de santidade. Paulo lhes mostrou “um caminho sobremodo excelente” (1Co 12:31), aquele cujo pavimento é o amor de Deus em sua mais sublime manifestação: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).
A essência de todo o evangelho está contida nesta expressão, em que o Senhor amou ao mundo “de tal maneira”. Ele nos ama com um amor tão estranho à nossa natureza egoísta, que os salvos passarão a eternidade estudando sobre este amor que não cabe no Universo. Paulo experimentava o amor de Deus todos os dias, por isso que cada dia de sua nova vida era dedicado a falar desse amor e vivê-lo. Porque o amor do Pai se manifesta na vida de Seus filhos para que seja transbordante na vida de outros. Se cada cristão dedicasse suas redes sociais apenas para compartilhar o amor de Cristo através da pregação de Sua Palavra, e se os relacionamentos fossem mais pessoais do que virtuais, rapidamente seria cumprida a profecia em nossos dias: “Por toda a terra se fez ouvir a Sua voz, e as Suas palavras, até aos confins do mundo” (v.18).
Paulo não condenou o zelo dos judeus, mas a sua motivação. Nem tampouco menosprezou a lei, mas apontou novamente a sua finalidade, o seu objetivo: Cristo (v.4). Ela aponta para o Único que pode nos salvar de nossos pecados, “o Senhor de todos, rico para com todos que O invocam” (v.12). Crer com o coração é o primeiro passo na Sua direção. A transformação é feita de dentro para fora, então, “com a boca se confessa a respeito da salvação” (v.10). O perfeito amor realiza a misteriosa obra de aperfeiçoamento na vida do pecador, de forma que um novo homem é apresentado à sociedade que logo identifica a mudança progressiva. Uma nova criatura renasce para calçar “os pés com a preparação do evangelho da paz” (Ef 6:15). E quão formosos são os seus pés (v.15)!
O mundo não está faminto de comida e nem com sede de água. Como está escrito: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra, não de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (Am 8:11). O grande problema da humanidade não é a injustiça social, mas a falta de entendimento da justiça celestial. “Desconhecendo a justiça de Deus” (v.3), multidões vão continuar buscando água em fontes que se esgotam e comendo de alimento que não nutre. “Como, porém, invocarão Aquele em quem não creram? E como crerão nAquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (v.14).
Onde estão vocês, pés mui formosos de Deus? Deus não nos enviou para revelar ao mundo “um povo rebelde e contradizente” (v.21), mas coerente e cheio de amor. Que, revestidos da justiça de Cristo, nossa vida reflita o Seu caráter. E ainda que não saia de nossa boca palavra alguma, todos nos identifiquem como “povo de propriedade exclusiva de Deus” (2Pe 2:9).
Bom dia, pés formosos dos que anunciam Jesus Cristo!
Rosana Garcia Barros
#PrimeiroDeus #Romanos10 #RPSP
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“Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar quem o fez: Por que me fizestes assim?” (v.20).
Paulo desabafou a sua “grande tristeza e incessante dor no coração” (v.2), em palavras sinceras movidas pelo Espírito Santo. Como alguém que sentia profundo amor pelos irmãos, apelou aos judeus pela força de sua origem, que, como israelitas, possuíam as primícias da eleição de Deus. Discorrendo desde Abraão, evocou a aliança como uma dádiva dada a quem Deus “aprouver ter misericórdia” (v.15). O apóstolo usou diversos textos do Antigo Testamento, que corroboram com seu pensamento. A rejeição de Israel não interferiu em nada com a justiça de Deus e com Seus propósitos. Rejeitar a Deus acarreta consequências pessoais que definem o destino eterno de quem O rejeitou, mas, em hipótese alguma, podem frustrar os desígnios que Ele estabeleceu desde a eternidade.
Quando analisamos a história de Esaú e Jacó, percebemos uma nítida diferença entre os irmãos, não apenas no aspecto exterior, mas na vocação de cada um. Esaú era o braço direito de seu pai Isaque. Era forte e decidido, tinha porte de líder e grande influência sobre seu povo. Jacó, no entanto, era o queridinho da mamãe Rebeca. Era pacato e apreciava os cuidados domésticos. Sendo mais introvertido, e um tanto inseguro, não era tão popular quanto seu irmão. Portanto, apesar da profecia referente à liderança de Jacó, aos olhos humanos, seria mais coerente confiá-la a Esaú. Mas o Deus que esquadrinha os corações nunca Se engana, e Jacó assumiu o lugar que Ele lhe designou como as primícias do Israel de Deus.
Esta comparação feita por Paulo nos revela questões imprescindíveis para compreendermos que as promessas do Senhor são infalíveis e, no seu devido tempo, acontecem, quer o homem queira, quer não. “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!” (v.14). E sim que Ele, sendo conhecedor do futuro, sabe exatamente a quem usar e como usar. Faraó foi o típico exemplo disto. Sua rebeldia não foi resultado do que Deus fez, mas as manifestações de Deus foram consequências de sua rebeldia. Em toda a história deste mundo, Deus tem suportado “com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da Sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão” (v.22-23). Porque a diferença entre o perverso e o justo só é notada quando colocados lado a lado.
À semelhança de Esaú e Jacó, só existem dois grupos aos olhos de Deus: os ímpios e os justos; os bodes e as ovelhas; o joio e o trigo; as virgens néscias e as virgens prudentes. O sábio Salomão dedicou praticamente metade do livro de Provérbios para estabelecer esta divisão. A verdade de que Deus chama a quem quer e salva a quem deseja pode parecer tirana e injusta. Contudo, quando olhamos para Cristo e Sua vida dedicada a servir e amar uma humanidade que merecia a morte, compreendemos que um alto preço foi pago e Deus não pode permitir que alguns o considerem de pouca importância. Se Ele permitisse que todos obtivessem a salvação, independentemente de sua condição espiritual, estaria afirmando que o sacrifício de Cristo foi em vão e que a Sua Palavra é mentirosa.
Portanto, ainda que o número daqueles que se dizem cristãos “seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo” (v.27). “Porque o Senhor cumprirá a Sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve” (v.28). Jacó possuía suas limitações e fraquezas. Usou de mentira para tentar conquistar o que Deus já havia prometido lhe dar. Mas foi neste vaso de desonra que o Senhor viu a possibilidade do reavivamento e reforma. Jacó foi quebrado e refeito em vaso de honra, porque se entregou nas mãos do Oleiro.
Este é o chamado de Deus para cada um de nós: “a história de Jacó é uma segurança de que Deus não repelirá aqueles que foram atraídos ao pecado, mas que voltaram a Ele com verdadeiro arrependimento. Foi pela entrega de si mesmo e por uma fé tranquilizadora que Jacó alcançou o que não conseguira ganhar com o conflito em sua própria força. Deus assim ensinou a Seu servo que o poder e a graça divina unicamente lhe poderiam dar a bênção que ele desejava com ardor. De modo semelhante será com aqueles que vivem nos últimos dias… Em toda a nossa desajudada indignidade, devemos confiar nos méritos do Salvador crucificado e ressuscitado. Ninguém jamais perecerá enquanto fizer isto” (EGW, Patriarcas e Profetas, p. 139).
Bom dia, vasos de misericórdia!
Rosana Garcia Barros
Áudio: https://youtu.be/0NmH4hRY8PI
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“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o Seu propósito” (v.28).
No tocante à nossa condição pecaminosa, temos ciência de que a nossa tendência é a de sempre pender para o lado errado da balança. Somos constantemente tentados a viver segundo os nossos próprios critérios e interesses e a nossa única salvaguarda está descrita no versículo um, que diz: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Mas como estar em Cristo e nEle permanecer? O Espírito Santo é a resposta. Enquanto “o pendor da carne dá para a morte”, “o do Espírito, para a vida e paz” (v.6). Enquanto “o pendor da carne é inimizade contra Deus” (v.7), “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (v.14).
A norma áurea que deve reger a nossa vida é “a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus” (v.2). É o governo da mente aos cuidados do Espírito Santo a fim de estarmos sempre sujeitos à lei de Deus. É Ele quem testifica através de nossa vida “que somos filhos de Deus” (v.16). Ou seja, não são as nossas obras que testificam, mas as obras do Espírito Santo em nós, pela graça de Deus na pessoa de Jesus Cristo, como Paulo mesmo afirmou ao se referir ao seu trabalho e dos demais apóstolos: “antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1Co 15:10).
Somos constrangidos a depender totalmente da guia do Espírito Santo, para que sejamos “herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo” (v.17). E venha o que vier, tribulações, sofrimentos, privações, “não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (v.18). Vivemos em um mundo que geme pelos resultados do pecado, “toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (v.22). “E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (v.23). “Porque, na esperança, fomos salvos” (v.24).
O que tem passado em seu íntimo nos últimos instantes deste planeta caído? O Espírito Santo está terminando a derradeira obra de selamento dos filhos de Deus. E estes são os “que suspiram e gemem por causa das abominações que se cometem” na Terra (Ez 9:4). Tenho repetido muito isso ultimamente. Mas porque esta é uma mensagem urgente e denominada de alto clamor. Amados, a Bíblia declara que nem orar como convém nós sabemos! Nem as nossas mais fervorosas orações seriam ouvidas não fosse a intensa e constante intercessão do Espírito Santo com Seus “gemidos inexprimíveis” (v.26). Mas um detalhe que faz toda a diferença está no verso seguinte: “porque segundo a vontade de Deus é que Ele intercede pelos santos”. A Sua intercessão é dirigida a um grupo específico, assim como os anjos de Deus são “enviados para serviço a favor dos que hão de herdar a salvação” (Hb 1:14).
Mas, quem são estes santos que hão de herdar a salvação? Os “que amam a Deus” e que “são chamados segundo o Seu propósito” (v.28). E quem são os que amam a Deus? “Se Me amais, guardareis os Meus mandamentos” (Jo 14:15). E quem são os que guardam os mandamentos de Deus? “Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12). Percebem que se trata de um só povo? Um exército que marcha sob a bandeira ensanguentada do Príncipe da Paz na certeza de que, por Ele, foi justificado. Fazemos parte de um exército vitorioso, pois “somos mais que vencedores, por meio dAquele que nos amou” (v.37). E absolutamente nada poderá nos “separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (v.39).
Portanto, há um povo espalhado entre as nações cuja cidadania não pertence a este mundo. Filhos que sofrem no seu íntimo pelo desejo de estar para sempre com o seu Pai e que são o objeto do Seu mais terno amor. A estes é dirigida a seguinte mensagem:
“Orai para que as poderosas energias do Espírito Santo, com todo o Seu poder vivificador, restaurador e transformador, possam atuar como uma corrente elétrica sobre a alma atacada de paralisia, fazendo com que cada nervo estremeça com nova vida, restaurando o homem todo, de seu estado terreno, morto e sensual, para o de perfeita saúde espiritual. Tornar-vos-eis assim participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência; e em vossa alma se refletirá a imagem dAquele por cujas feridas fostes curados” (EGW, Testemunhos Seletos, vol 2, p. 100).
Bom dia, filhos de Deus!
Rosana Garcia Barros
Áudio: https://youtu.be/soVJC065mo8
#PrimeiroDeus #Romanos8 #RPSP
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“Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço” (v.19).
Fazendo uma analogia com o casamento, Paulo procurou atrair a atenção dos romanos à aliança renovada através de Cristo. Ainda escravos das tradições e do regime da lei, os novos conversos precisavam compreender a verdadeira função da lei. Empenhados em segui-la com zelo, ergueram-na em um pedestal sobre o qual não convinha estar. A lei que deveria ser um instrumento de justiça, tornou-se-lhes uma pedra de tropeço pela sua observância com a intenção de obter a salvação. A obediência à lei de Deus tornou-se um fardo, não um prazer.
De fato, a lei aponta para a inevitável verdade de que somos pecadores e, por isso, condenados à morte; que ninguém, por mais que se esforce, pode alcançar mérito algum por intermédio da lei. Quando Jesus ampliou a extensão dos mandamentos no sermão do monte, atingiu em cheio o coração de Seus ouvintes no sentido de que a simples intenção de adulterar, por exemplo, diante de Deus, já qualifica o pecador como adúltero e, portanto, morto pela quebra do sétimo mandamento do Decálogo. As nossas iniquidades, porém, não descaracterizam em nada o caráter da lei do Senhor, pois “a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (v.12).
Por meio da lei, ou seja, “por meio de uma coisa boa”, conseguimos enxergar a verdadeira face do pecado, que é “sobremaneira maligno” (v.13). Através de um instrumento espiritual, a nossa carnalidade é evidenciada e percebemos o quanto o pecado nos escraviza (v.14). Inicia-se, então, um grande conflito entre o bem e o mal. Porque quanto mais nos aproximamos de Deus, quanto mais buscamos a Sua presença e o Seu conhecimento, mais evidente se torna a nossa débil condição. Por diversas vezes, Paulo expõe a sua luta interior pelas seguintes confissões: “o pecado que habita em mim” (v.17); “na minha carne, não habita bem nenhum” (v.18); “o mal que não quero, esse faço” (v.19); “o pecado que habita em mim” (v.20); “prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros” (v.23); “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (v.24).
Se naquela época houvesse a tecnologia que temos hoje, imagino o quanto seria viralizada nas redes sociais a “publicação” de Paulo. Um homem que abriu mão de tudo para pregar o evangelho; que por tantas vezes correu risco de morte; um homem cujas mãos eram instrumentos de cura; que não dava um passo sequer sem a permissão do Espírito Santo. Agora, expondo a sua fragilidade, de um ser humano passível de erros como qualquer outro, que apesar de desejar com todas as forças fazer apenas a vontade de Deus, acaba fazendo o mal que sua consciência condena. Paulo simplesmente indicou, através de sua experiência, o endereço do pecado: “o mal reside em mim” (v.21).
Um dos maiores enganos de Satanás é o de nos fazer pensar que já fomos derrotados e que não temos mais jeito. Que acreditemos no ditado de que ‘pau que nasce torto, morre torto’, aprisionando-nos à “lei do pecado” (v.23). Cuidado com a aplicação desta expressão, pois ela não tem nada a ver com a lei dos mandamentos. Paulo usa a expressão “lei” referindo-se, em diferentes casos, à lei dos mandamentos, à lei das ordenanças (ou lei cerimonial) e à lei do pecado. Mas o que seria um discurso desprovido de esperança e totalmente desanimador, termina com a bendita esperança: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.25).
O supremo amor de Deus pela raça caída rompe as barreiras do pecado que reside em nós, através da graça de Cristo, e nos transforma em “santuário do Espírito Santo” (1Co 6:19). Eis um mistério inexplicável. É por isso que “esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5:4). Que, pela fé, nos apeguemos à maravilhosa promessa da salvação em Cristo Jesus e que a nossa obediência seja tão-somente o resultado de nossa entrega.
Bom dia, vitoriosos pela fé em Cristo Jesus!
Rosana Garcia Barros
#PrimeiroDeus #Romanos7 #RPSP
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“Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (v.22).
— Não importa o que eu faço, sou salvo pela graça.
— Deus só quer o meu coração.
— Jesus já cumpriu a lei por mim.
Estas são frases que ouvimos constantemente no meio cristão. São respostas prontas para mascarar uma consciência que, no fundo, sabe estar errada. A graça tem sido confundida com permissividade, causando uma divisão entre os crentes: de um lado o mundanismo, do outro o fanatismo. A graça, no entanto, não é manifestada em nenhum destes extremos, e nenhum deles pode torná-la mais, ou menos, abundante. O dom gracioso de Deus é manifestado na pessoa de Jesus Cristo, através de Sua perfeita obra de resgate do pecador. Dom que é para a salvação, e não para desculpar a permanência no pecado.
Aqui, Paulo compara o batismo como um símbolo da morte e ressurreição de Cristo. Quando descemos às águas, somos “sepultados com Ele na morte pelo batismo”. Para que, ao sairmos das águas do batismo, “como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (v.4). Isto é, a aceitação da salvação pela graça de Jesus, a decisão de segui-Lo e o santo batismo, devem preceder uma vida renovada. Deve haver uma mudança, a transformação do velho homem em uma nova criatura, para que não mais “sirvamos o pecado como escravos” (v.6).
Ora, morrer para o eu não é um processo fácil. Requer diligente perseverança e constante vigilância. Ou seja, dá trabalho. Não foi sem razão que Cristo afirmou: “porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que ACERTAM com ela” (Mt 7:14). Notem que Jesus deixou bem claro o grau de dificuldade do caminho que conduz à vida eterna e que a sua entrada é estreita, ou de difícil acesso. Contudo, Ele não quis dizer com isso que Deus dificulta o encontro entre Ele e o pecador, mas que as nossas escolhas tendencialmente pendem para o lado mais fácil.
Se lermos o verso anterior do texto de Mateus, perceberemos uma diferença que faz todo o sentido. Cristo disse que “larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que ENTRAM por ela” (Mt 7:13). O destaque está nos verbos entrar e acertar. Há um abismo de diferença entre eles. Qualquer um pode entrar em um lugar espaçoso e largo, porque é o caminho das facilidades. É onde o “corpo mortal” exibe as “suas paixões” (v.12) “como instrumentos de iniquidade” (v.13). Onde não há diferença entre o santo e o profano, e a escravidão do pecado é brindada como apogeu da liberdade. Por outro lado, o acerto requer conhecimento. Para acertar com a porta estreita, primeiro, precisamos conhecê-la (Jo 17:3). Jesus disse: “Eu sou a Porta” (Jo 10:9).
Apesar de não estarmos “debaixo da lei, e sim da graça” (v.14), isto não justifica uma vida condescendente com a iniquidade. A lei de Deus revela a malignidade do pecado e a sua remuneração, “porque o salário do pecado é a morte” (v.23). Ela abre os nossos olhos para enxergar que a porta pode ser estreita e o caminho pode ser apertado, mas é somente por ali que encontro “o dom gratuito de Deus”, “a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (v.23). Conhecer a Jesus e nEle permanecer é a grande chave mestra. A este conhecimento a Bíblia denomina de santificação (v.19 e 22), “sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12:14). E faz parte do processo de santificação o abdicar do próprio eu, abrir mão dos gostos e vontades pessoais se estes não estão em harmonia com a vontade de Deus. Por isso que não é um caminho fácil. Exige decisões diárias e constante exame do coração.
A dificuldade, então, não está em Jesus, que é a Porta e o Caminho, mas na nossa natureza tão dissonante do que é santo e agradável a Deus. “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às vossas paixões” (v.12). Mas oferecei-vos a Cristo “como servos para obediência” (v.16), obedecendo-Lhe “de coração à forma de doutrina a que fostes entregues” (v.17), tendo “o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (v.22).
Bom dia, servos de Cristo!
Rosana Garcia Barros
Áudio: https://youtu.be/6PaaGxaQNHg
#PrimeiroDeus #Romanos6 #RPSP
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“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (v.1).
A obra de justificação redunda em benefícios cujo objetivo é sempre o mesmo: salvar o pecador. Através dela obtemos a paz e a graça sob as quais estamos seguros. De forma que até mesmo as tribulações são consideradas oportunidades de crescimento e amadurecimento espiritual, “sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (v.3 e 4). A palavra perseverança nos indica que a vida cristã não se trata de uma fase apenas, mas de um processo de constante esforço que não pode paralisar. Precisamos avançar constantemente no sentido de alcançarmos a experiência pessoal com Deus, a intimidade que resulta em uma esperança que “não confunde”, pela obra diária realizada “em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (v.5).
O amor, que não nos é implícito, é derramado em nosso coração. Não o amor que o mundo julga ter, e sim o maior dos dons, “o amor de Deus” (v.5); aquele que foi confirmado e provado “pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (v.8). Quando o Inocente morreu pelo culpado, o amor de Deus foi manifestado em seu sentido mais completo e perfeito. Justificados pelo sangue de Cristo, “seremos por Ele salvos da ira” (v.9), “seremos salvos pela Sua vida” (v.10). O plano da redenção nos outorgou o mais sublime privilégio e inestimável presente: “a reconciliação” (v.11).
Através de Cristo Jesus, fomos reconciliados com Deus. A separação causada pelo pecado foi rompida pelo sacrifício que nos uniu novamente ao Senhor. Sobre todo pecador arrependido, Jesus lança a Sua veste de justiça, e do Céu, Deus não mais contempla o pecador, mas o redimido por causa da manifestação do Seu amor. Pai, Filho e Espírito Santo trabalham em perfeita união nesta obra de salvação, confirmando uma esperança inconfundível que é regida e mantida pelo incomparável amor ágape.
Adão representa o fracasso humano, a derrota “pelo pecado” que nos trouxe a morte e a inevitável consequência da morte “a todos os homens, porque todos pecaram” (v.12). Como uma doença terminal, o pecado foi transmitido de geração em geração, até que viesse Aquele que venceria o pecado e pagaria o preço, o salário do pecado, que é a morte. O reino da morte que herdamos “por meio de um só”, Adão, foi vencido pelo reino da vida, “por meio de um só, a saber, Jesus Cristo” (v.17). Pela desobediência de um veio o pecado que nos condenou à morte, e pela obediência de Cristo, a graça e a justiça que nos conduz para a vida eterna.
Após milênios de pecado, a graça de Jesus continua à disposição do homem. A longanimidade de Deus se estende, “não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3:9). Mas esta graça, que é ilimitada, está prestes a ser interrompida pela dureza do coração humano. E diante da iminência do fim da oportunidade de aceitá-la, a atenção do Pai está voltada para os considerados mais indignos de recebê-la, pois “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (v.20). Pessoas que dantes eram presas do inimigo, tornam-se as mais fervorosas testemunhas de Cristo. A derradeira obra aponta para o seu limiar pelo último chamado do Dono da vinha. O mais minucioso labor do Espírito Santo é dedicado à humanidade. E o lugar Santíssimo do santuário celeste torna-se o odre das últimas lágrimas do Salvador derramadas em favor do homem caído.
Qual tem sido a sua resposta a tão sublime amor? Decida hoje segurar firme na esperança adventista e, pela fé, avançar com perseverança “para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.21).
Feliz semana, justos pelos méritos de Cristo!
Rosana Garcia Barros
#PrimeiroDeus #Romanos5 #RPSP
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“Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé” (v.13).
Em um tempo em que a idolatria prevalecia e os homens haviam esquecido do Senhor, Deus chamou a Abraão. Por meio dele seriam “benditas todas as famílias da terra” (Gn 12:3). Abraão obedeceu à ordem divina e iniciou sua peregrinação à terra prometida. Mas ele tinha um desejo, um sonho: ter um filho. E diante de um céu que revelava o brilho das incontáveis estrelas do céu, “Ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça” (Gn 15:6). O patriarca simplesmente acreditou na promessa divina, mesmo sem nenhuma perspectiva de quando ou de como seria realizada. Porque “a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11:1). Isaque foi a recompensa de sua fé e a prova da fidelidade do Senhor.
A origem natalícia dos judeus não era um carimbo no passaporte para o Céu. Assim como o título de cristão ou uma vida de caridade não salva ninguém. Se analisarmos a vida de Abraão, perceberemos que, apesar de seu título de “pai da fé”, por duas vezes ele mentiu sobre seu parentesco com Sara e, atendendo aos apelos de sua mulher, resolveu dar uma “ajudinha” a Deus, coabitando com Hagar. Portanto, se dependesse das obras de Abraão, a promessa não teria sido cumprida. Mas Deus firmou com a humanidade um contrato de adesão. Independente de nossa natureza corrupta, Ele é fiel. Ele sempre vai manter Sua aliança, que é eterna e não pode ser mudada. A nossa parte neste acordo? Tão-somente crer.
Abraão, Paulo, os discípulos, dentre tantos homens de Deus, não foram fiéis guardadores da lei para complementar o plano da salvação; não andaram com Deus a fim de mostrar serviço. Antes, por compreenderem o perfeito e suficiente plano salvífico, entregaram-se aos cuidados de Deus para viverem para a Sua glória. Como Abraão que, “pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus” (v.20). Por isso que é verdadeiramente feliz “o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras” (v.6). Porque as obras nada mais são do que os resultados da salvação em Cristo Jesus, “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (v.25). A morte de Cristo foi a maior prova de que nossas obras são insuficientes, e a Sua ressurreição a comprovação de Sua fidelidade e amor.
O fato é: “o pecado é a transgressão da lei” (1Jo 3:4) e “o salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). É por essa razão que a promessa do Senhor “provém da fé, para que seja segundo a graça” (v.16). A lei, portanto, tem por objetivo nos apontar a nossa condição de completa dependência de Deus. Funciona como um espelho, mostrando nossas faltas e imperfeições, para que então, pela fé, nos apeguemos ao Único que pode nos perdoar e cobrir nossos pecados. O perigo de desconsiderar a lei, amados, está justamente no fato de ela apontar a nossa culpa. Ao afirmar que a lei já passou e não preciso mais observá-la, estou dizendo com isso que não tenho pecado e que não preciso das “placas” de Deus para me orientar no caminho em que devo andar. E se não tenho pecado, se considero minha justiça própria suficiente para me salvar, para que serve a graça e o perdão divinos?
A graça e o perdão são presentes de Deus justamente para todo aquele que reconhece não merecê-los. Mais do que o “pai da fé”, sabem qual foi o título mais lindo dado a Abraão? O título que lhe foi dado pelo próprio Deus: “Abraão, Meu amigo” (Is 41:8). E como podemos ser amigos de Deus? Jesus mesmo nos dá esta resposta: “Vós sois Meus amigos, se fazeis o que Eu vos mando” (Jo 15:14). Deus não chamou Abraão e nem nos chamou com a finalidade de nos dar ordens, mas para através de Seu amor incondicional, nos presentear com a verdadeira felicidade, pois feliz é o homem que confia no Senhor e que se agrada em fazer a Sua vontade (Sl 40:4 e 8.). Quer ser amigo de Deus? Confie nEle e nos mandamentos que Ele estabeleceu para a nossa felicidade.
Feliz sábado, bem-aventurados!
Rosana Garcia Barros
Áudio: https://youtu.be/JFJXxJ0wFsc
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“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (v.31).
Numa espécie de monólogo de perguntas e respostas, Paulo dá início a um de seus mais enigmáticos discursos. Muitos têm usado estes e outros textos de Paulo a fim de sustentar teorias que descaracterizam a doutrina da justificação pela fé, tornando-a um pretexto para desconsiderar o que Deus prescreveu com o Seu próprio dedo (Êx 31:18). Pedro, divinamente instruído, nos advertiu sobre estes enganos: “como igualmente o nosso irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais já certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (2Pe 3:15-16).
É mister, portanto, que tenhamos muito cuidado e façamos uso de minucioso estudo das epístolas de Paulo, com toda a humildade, a fim de que o Espírito Santo seja a nossa única influência. Como doutor da lei e instruído na escola dos fariseus, Paulo possuía uma linguagem peculiar. Não que a finalidade fosse de que seus escritos se tornassem livros de difícil compreensão. Pelo contrário, creio que sua abordagem é um convite para que nos debrucemos em compreender “os oráculos de Deus” (v.2). Paulo lança ao leitor a perspectiva real sobre a diferença entre Deus e o homem. Entre a justiça de Deus e a injustiça humana.
O que o apóstolo quis afirmar no início, de forma retórica, é que a justiça divina e a aplicação de Sua ira estão diretamente ligadas à Sua fidelidade. Independente da descrença ou da injustiça humana, Deus é fiel. Sendo a lei uma descrição de Seu caráter, a quebra da lei pelo homem torna-se uma rebeldia contra o que Deus é. Apesar de não sermos salvos pelas obras da lei, ela nos aponta para a inevitável verdade de que precisamos de um Resgatador, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (v.23). E a todo pecador que se arrepende, o Senhor justifica “gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (v.24).
Há dois grupos rivais que surgem da disputa pela razão: aqueles que dizem que a lei de Deus não tem mais vigor e aqueles que a usam como uma escada para o Céu. Nenhum dos dois possui embasamento bíblico para fundamentar seus conceitos. Gosto muito da frase de uma canção, que diz: “A lei aponta o erro em nossa luta contra o mal”. Pronto. Eis a finalidade da lei. Os mandamentos de Deus são as placas do caminho estreito, a fim de nos proteger de acidentes fatais. Como disse um pregador: “Nós não guardamos os dez mandamentos, são os dez mandamentos que nos guardam”. Quando observamos a lei do Senhor porque O amamos, confirmamos a nossa fé de que o caminho pode ser estreito, mas é nele que escolhemos andar.
Todos nós estamos “debaixo do pecado” (v.9). Por mais que nos esforcemos no sentido de guardar a lei, ou a ignoremos (porque “não há justo” (v.10) na Terra mesmo, então de que adianta ser obediente?); o fato é que carecemos da glória que perdemos no Éden. Pois Aquele que nos criou para a Sua glória (Is 43:7), está prestes a devolvê-la àqueles que O glorificaram por meio das boas obras da fé (Mt 5:16). Em Jesus, encontramos a perfeita obediência e nEle somos salvos. Mas Ele também nos deixou exemplo para seguirmos os Seus passos (1Pe 2:21). Percebem que é uma consequência natural? Quando escolhemos uma profissão, primeiro decidimos segui-la, para depois sermos instruídos com a finalidade de praticá-la. Assim funciona na vida cristã. Primeiro aceitamos a Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas, depois, somos instruídos por Sua Palavra de como permanecer no caminho estreito.
“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independente das obras da lei” (v.28). Mas isso não significa anular a lei pela fé, mas confirmá-la através de uma vida entregue à vontade de Deus. Então, seremos “como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4:18).
Bom dia, justificados pela fé em Cristo Jesus!
Rosana Garcia Barros
#PrimeiroDeus #Romanos3 #RPSP