Reavivados por Sua Palavra


GÊNESIS 27 – COMENTÁRIOS SELECIONADOS by Jeferson Quimelli
9 de fevereiro de 2022, 0:50
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2296 palavras

1-46 Uma das palavras chave para a história cheia de suspense é “abençoar”, que aparece mais de 20 vezes. A história de bênção é, contudo, uma parte do esquema maior de controle, fraude e mal orientado amor paterno. É também uma reflexão da reduzida comunicação entre Isaque e Rebeca, que pareciam seguir suas próprias prioridades (Andrews Study Bible).

Esse capítulo narra um triste episódio na história da família escolhida. Esaú é o único caráter que provoca a simpatia geral. Isaque parece ter-se afundado numa senilidade precoce. Chega a ser difícil acreditar que aquele que carregou a lenha para o holocausto no monte Moriá, e se havia submetido de forma tão absoluta à vontade divina, viesse a tornar-se tão forte sensualista. Para ele só importava a satisfação dos sentidos. Talvez isso fosse devido à sua prosperidade e à vida tranquila que levava. Afinal de contas, é melhor ter uma vida intensa, com sua difícil escalada, do que descansar na indolência do vale. O direito de primogenitura já havia sido prometido a Jacó, e ele não precisaria buscá-la por meio de fraude. E Rebeca também agiu erradamente ao enganar o marido, mostrar parcialidade em relação aos filhos e agir indignamente. Quem poderia esperar que de uma família assim Deus iria levantar os líderes religiosos do mundo! (Comentário Bíblico Devocional – Velho Testamento).

O tema do conflito familiar entre os pais e entre os gêmeos agora se manifesta cabalmente na busca de bênção do patriarca. Isaque depende mais de seus sentidos falíveis do que da orientação divina (27.4; cf 25.23) e Rebeca usa de engano (27.6-17). Esaú quebrou o seu juramento (27.5) e Jacó mentiu abertamente (27.19-20). Embora a bênção seja passada de acordo com a vontade de Deus, o veredicto divino sobre suas ações é pronunciado nas consequências desastrosas: A resolução de Esaú em matar a Jacó (27.41; cf 4.8) e a fuga de Jacó da terra. Rebeca morreu sem um memorial (35.8) e Isaque vive, a partir de então, sem grande significado (35.28). Está aqui implícito um contraste entre Abraão, que em fé olhava para o futuro de Isaque de acordo com o propósito eletivo de Deus (cap. 24), e Isaque, que parece não ter feito nenhuma tentativa de encontrar esposas apropriadas para seus filhos (cf. 24-2-4) e que tentou opor-se à eleição divina (27.1-4; cf 25.23) (Bíblia de Genebra).

1 Isaque contava já com 137 anos de idade e deve ter admitido que a morte lhe estava próxima, embora, na realidade, tivesse vivido até os cento e oitenta anos (Bíblia Shedd).

Uma vez que seu meio-irmão Ismael, 14 anos mais velho (Gn 16:16; 21:5), havia morrido com 137 anos (Gn 25:17), as debilidades da idade avançada podem  ter sugerido a ideia de que sua própria morte estava próxima. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 1, p. 386.

4 comida saborosa, como eu aprecio. Esta propensão de Isaque para as coisas materiais estava na raiz deste conflito (VS 18-27; 25.27-28)(Bíblia de Genebra).

5 Rebeca estava escutando. Achando que Deus precisava urgentemente de seu auxílio, Rebeca tomou o assunto nas próprias mãos. CBASD, vol. 1, p. 387.

11-12 Jacó não tinha dúvidas sobre a moralidade do plano, mas apenas sobre sua possibilidade (Bíblia de Genebra).

12 Trarei sobre mim maldição. Rebeca silenciou o medo de Jacó de que a maldição do pai pudesse ser pronunciada sobre ele caso seu engano fosse descoberto; ela tomaria a maldição sobre si mesma. Ela estava tão decidida a alcançar seu objetivo quanto Isaque a alcançar o dele. Determinada a conseguir o que parecia de supremo valor e que estava a ponto de lhe escapar das mãos, ela calcularia o custo depois – não naquela hora. No momento, só uma coisa importava. Estava tão segura do sucesso de seu estratagema que não temia a possibilidade de uma maldição. CBASD, vol. 1, p. 387.

13 Parece que Rebeca depositava tanta confiança na palavra da promessa (25.23) que nem temia a eventualidade da maldição, nem admitia como ação repreensível, o emprego do engano com propósito de desviar para Jacó a bênção de Isaque. Impulsionada por sua parcialidade para com Jacó, ela não descansara na providência divina (Bíblia Shedd).

14 Ele foi. Jacó comcordou com o plano da mãe e foi buscar os cabritos. Estes não eram da variedade europeia comum, cuja pele seria totalmente inadequada para tal tipo de engano. Eram cabritos orientais, cujo pelo negro e sedoso era às vezes usado como substituto para o cabelo humano. A objeção de Jacó deixa claro que ele não estava tão preocupado com o fato de ser errado, mas com o risco de ser descoberto. A natureza humana degenerada se preocupa menos com o pecado do que com seus resultados. Somente o Espírito de Cristo pode comunicar ao ser humano um coração contrito, arrependido e intrépido para fazer o que é certo e disposto a confiar em Deus quanto aos resultados desse modo de agir (ver 2Co 7:10; Mq 6:8). … Durante anos Jacó havia planejado como obter a cobiçada bênção, e agora ela estava para lhe escapar das mãos, mas bastou um pouco de persuasão por parte de Rebeca para transformar sua hesitação em ativa cooperação. Seus próprios desejos não santificados o tornaram uma v;itima fácil das ciladas do tentador. CBASD, vol. 1, p. 387.

15 Jacó foi mais tarde enganado por roupas (37.31-33) (Bíblia de Genebra).

18-27a O diálogo entre pai e filho é uma cena dramática de meias verdades e mentiras completas. O beijo antes do recebimento da bênção (VS 26-27) era uma parte comum da cerimônia de despedida (48:10; 50:1) e é uma outra chance para que Isaque descubra o esquema mentiroso. O leitor é lembrado de outro famoso beijo de traição (Lucas 22:47-48) (Andrews Study Bible).

19 Foi necessária uma mentira após a outra para a realização de seu objetivo. CBASD, vol. 1, p. 387.

20 Notemos como uma mentira conduz a outra! São muito poucos os que se enveredam pelo caminho da fraude e que ficam só na primeira mentira; e como é terrível acrescentar à mentira uma blasfêmia, como quando ele disse que Deus mandara a caça ao seu encontro. Lutero se admira de que Jacó tenha tido o descaramento de fazer aquilo, acrescentando: “É muito provável que eu saísse correndo apavorado e deixasse o prato cair” (Comentário Bíblico Devocional – Velho Testamento).

22 Um dia, Faraó iria desejar ser abençoado por aquelas mãos fraudulentas (Comentário Bíblico Devocional – Velho Testamento).

24 És meu filho Esaú mesmo? O sentido de tato de Isaque devia estar seriamente afetado por sua debilidade ou pela idade. Por outro lado, sua audição eera mais aguçada, e o fez suspeitar da voz de Jacó. Mas o cheiro do campo e da floresta que estava nas vestes de Esaú (v. 15) parecia confirmar o toque das mãos cabeludas do filho. Finalmente, o flagrante aroma da “saborosa comida”(v. 9) despertou seu apetite, e ele varreu da mente os receios. Não enxergava; mas deixou que o toque, o paladar e o olfato prevalecessem sobre a audição. O erro original que havia conduzido a este engano era do próprio Isaque. Além disso, ele deliberadamente havia levado avante seu plano de investir Esaú do direito de primogenitura em face de uma ordem divina em contrário; e, portanto, Deus permitiu que ele fosse enganado (ver 1Sm 28:6; 1Rs 14:1-6; At 5:1-11). CBASD, vol. 1, p. 387, 388.

27b-29 A bênção é pronunciada de forma poética e contém imagens referenciando as preferências de ambos os filhos (campos abertos e fazendas) (Andrews Study Bible).

27 A bênção se distingue da primogenitura por ser mais espiritual. Era a invocação paterna do favor divino sobre o filho. Neste caso, a súplica de Isaque no sentido de que Jacó recebesse a promessa que Deus fizera mediante Abraão e o próprio Isaque, de que seria uma bênção e portador de bênçãos para o mundo, era algo de caráter espiritual, para o que Esaú jamais estaria capacitado, e mesmo Jacó teria de passar pela disciplina especial de Deus (Bíblia Shedd).

28 Nesta parte do mundo, onde são escassas as chuvas, o orvalho é de extrema importância para propiciar o crescimento da vegetação e a fertilidade da terra, sendo, por consequência, objeto de muitas referências a ele como se fosse uma prova de bênção (cf Deut 23.123-18; Os 14.5 e Zc 8.12) (Bíblia Shedd).

29 Sirvam-te povos. Jacó devia ser preeminente, não apenas sobre seus irmãos (no sentido mais amplo de todos os seus parentes), mas também sobre povos estrangeiros. Esta bênção abrange o conceito do domínio universal, que de fato era o plano origina lde Deus para Israel (ver Dt 4:6; 28:10; 2Cr 9:22, 23; Sl 126:3; Zc 2:11; 8:22, 23; 14:16; PJ, 289, 290). CBASD, vol. 1, p. 388.

33 estremeceu… de violenta comoção. O verbo geralmente expressa medo intenso (42:28; Êx. 19:16) mas é usado aqui numa estrutura gramatical e expressa maior intensificação. Isaque está em pânico (Andrews Study Bible).

e ele será abençoado. As bênçãos (como as maldições), uma vez pronunciadas, são eficazes e irrevogáveis (Bíblia de Jerusalém).

34-38 As lágrimas de Esaú são devidas a sua frustração e sua imensa raiva (Andrews Study Bible).

35 A bênção era uma maneira pela qual se expressava a última vontade, considerada de obrigação permanente, embora apenas proferida oralmente (Bíblia Shedd).

36 Não é com razão que se chama ele Jacó? Quanto ao significado do nome de Jacó, ver com. de Gênesis 25:26. CBASD, vol. 1, p. 388.

Jacó, “aquele que segura o calcanhar”, portanto, “Suplantador”, o que tira vantagem sobre outros pela astúcia (Bíblia Shedd, sobre Gn 25:26).

A reclamação de Esaú é marcada pelo uso de duas palavras de sons parecidos: bekorah “direito de primogenitura” e berakah “bênção” – e ambas foram roubadas por Jacó (ver 25:26) (Andrews Study Bible).

37 que me será dado fazer-te agora, meu filho. Embora Isaque soubesse que Deus havia escolhido a Jacó, ele tinha pretendido dar tudo a Esaú (Bíblia de Genebra).

38 Levantando Esaú a voz, chorou. Em resposta à súplica adicional de Esaú: “Não reservaste, pois, bênção nenhuma para mim?” Isaque repetiu, em essência, a bênção pronunciada sobre Jacó e disse a Esaú que não podia fazer nada mais por ele. Quanto até seu pai, seu melhor amigo, pareceu se voltar contra ele, Esaú finalmente acordou para a terrível percepção de que Deus o havia rejeitado completamente. Suas lágrimas expressavam tristeza pela perda, mas não pela conduta que havia tornado essa perda inevitável. Suas lágrimas eram ineficazes porque ele já não era mais capaz de arrepender-se verdadeiramente (ver Hb 12:17). Como um abismo intransponível, seu caráter imperfeito se colocava entre ele e a percepção daquilo que agora lhe parecia ser de incomparável valor (ver Jr 8:20; Lc 16:26; PJ, 271). CBASD, vol. 1, p. 388, 389.

39-40 A bênção de Isaque para Esaú não é muito encorajadora (Andrews Study Bible).

40 Viverás da tua espada. O modo de vida e a ocupação dos edomitas eram bem adaptados ao seu país. Esta predição encontrou cumprimento ns disposição feroz e guerreira dos edomitas, que ganhavam o sustento caçando e controlando pela força as rotas de comércio. CBASD, vol. 1, p. 389.

Servirás a teu irmão. A promessa a Esaú abrangia uma luta perpétua e não totalmente inútil para libertar-se de Jacó. Isso foi uma repetição da predição divina feita antes do nascimento deles (Gn 25:23). A história dos filhos de Edom, em grande parte, confirma a servidão deles a Israel, a revolta para se libertarem e a reconquista por parte de Israel. … Foi só no reino de Acaz que os edomitas sacudiram permanentemente o jugo dos reis de Judá (2Rs 16:6; 2Cr 28:16, 17). Por fim, contudo, foram completamente vencidos por João Hircano, em cerca de 126 a.C., compelidos a aceitar a  circuncisão e absorvidos pelo estado judeu (Josefo, Antiguidades, xiii.9.1; xv.7.9). … As predições de Isaque quanto a seus dois filhos cumpriram-se, assim, de maneira exata (Hb 11:20). A bênção sobre cada filho constituiu uma profecia. Embora Isaque estivesse sendo enganado quando falou sobre Jacó, o que ele disse não deixou de ser inspirado, e Jacó permaneceu abençoado (Gn 27:33). O fato de isso ter ocorrido não indica a aprovação divina sobre o ato de engano, pois Deus não depende de artifícios para realizar Sua vontade. Deus não ordenou o engano – agiu apesar dele. A bênção veio a Jacó, não por causa do engano, mas a despeito disso.  Tanto os pais como os filhos agiram errado, e cada um, a seu próprio modo, sofreu como resultado disso. … Por seu desprezo de Deus e das coisas religiosas, Esaú perdeu para sempre os privilégios da liderança da família, que cabiam ao primogênito. CBASD, vol. 1, p. 390.

41 Os dias de luto. O desespero de Esaú logo se transformou em ódio mortal contra o irmão. Mas, por respeito ao pai, decidiu poupá-lo da tristeza e da vergonha do fraticídio intencionado. Pensando que a doença do pai terminaria numa rápida morte, adiou o assassinato que havia planejado. É claro que ele não podia saber que o pai se recuperaria e viveria outros 43 anos. CBASD, vol. 1, p. 390.

Este capítulo ensina claramente que: 1) Não é da vontade de Deus que façamos o mal, esperando que disso advenha o bem (Rm 6.1,2); 2) Esteja-se certo de que o pecado acha o pecador (Nm 32.23), pois todos os envolvidos que pecaram sofreram amargamente; 3) Andemos na luz como Ele na luz está (1 Jo 1.7); 4) O Senhor reina (Is 40.25-28) (Bíblia Shedd).

43 Dotada sempre de surpreendentes recursos e determinação de ânimo, Rebeca arquitetou um plano para salvar a vida de Jacó, em face da ira mortal evidente em Esaú. Ela conseguiu convencer a Jacó de que um curto exílio em Harã seria suficiente para amainar o ódio de Esaú. Conseguiu, também, convencer a Isaque, lembrando-lhe que de Harã viera sua esposa e de quão grandes tristezas lhe tinham acarretado as mulheres de Esaú (46). Dificilmente poderia ocorrer a Rebeca a dura realidade de que aquela seria a última vez que ia ver seu filho predileto (Bíblia Shedd).

45 providenciarei e te farei regressar. Jacó ficaria ausente durante vinte anos (31.38); Rebeca nunca mais viu seu filho (Bíblia de Genebra).

Por que hei eu de perder os meus dois filhos num só dia. Ambos seriam perdidos se Jacó fosse morto por Esaú, e Esaú, por um vingador de sangue (9.6; Nm 35.19-21)(Bíblia de Genebra).

Se Esaú matasse Jacó, então o parente mais próximo deste estaria obrigado, pelo costume, a matar Esaú. Talvez Esaú arrazoasse que sua própria popularidade pessoal no acampamento o protegeria de tal eventualidade, particularmente após a morte do pai. CBASD, vol. 1, p. 390.


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