Reavivados por Sua Palavra


LUCAS 24 – Comentado por Rosana Barros by Ivan Barros
5 de julho de 2021, 0:45
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“E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras” (v.27).

Findo o descanso sabático, aquelas que acompanharam Jesus e O serviram em Seu ministério foram as primeiras a ir ao túmulo, “no primeiro dia da semana, alta madrugada, […] levando os aromas que haviam preparado” (v.1). Mas a pedra estava removida e o corpo de Jesus não estava no sepulcro. Consoladas por anjos que afirmaram ter Jesus ressuscitado como Ele mesmo havia predito, elas “se lembraram das Suas palavras” (v.8) e correram a fim de anunciar as boas-novas aos discípulos. A notícia, porém, soou ao grupo entristecido como um delírio, de forma que “não acreditaram nelas” (v.11). Mas aquele cujo coração sangrava, por três vezes ter negado o seu Senhor, “correu ao sepulcro” (v.12). O túmulo vazio foi para Pedro o símbolo de uma segunda chance, de modo que “retirou-se para casa, maravilhado do que havia acontecido” (v.12).

Jesus, porém, que havia aparecido a Maria Madalena, da qual havia expelido sete demônios, tinha um plano sequencial antes de Sua ascensão. Como Aquele que toma tempo para dar atenção a um pequenino que seja, Seu coração amoroso também foi atraído a dois discípulos anônimos que viajavam de Jerusalém à aldeia de Emaús. Entristecidos com tudo o que havia acontecido, parecia que simplesmente estavam voltando para casa a fim de reassumirem suas antigas ocupações. Como um viajante comum, Jesus Se aproximou deles como quem não soubesse dos últimos acontecimentos. Então, um deles, “chamado Cleopas” (v.18) interrogou aquele estranho que parecia ser o único a desconhecer o que havia acontecido em Jerusalém.

Aqueles homens não tinham ideia de que estavam fazendo a viagem mais privilegiada de suas vidas. Em todo o Seu ministério, Jesus estava acompanhado de pelo menos doze pessoas. E até mesmo o Seu círculo mais íntimo era composto de três discípulos. Cleopas e seu amigo andaram com Jesus por aproximadamente onze quilômetros, o que equivale a quase três horas de caminhada. Mas não uma caminhada qualquer. Imaginem dar um estudo bíblico enquanto caminha. Foi isso o que Jesus fez. O que é mais impressionante é o fato de que os olhos dos discípulos “estavam como que impedidos de O reconhecer” (v.16) e Jesus “começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a Seu respeito constava em todas as Escrituras” (v.27).

Percebam que não apenas os olhos deles estavam turvos, como também o seu entendimento acerca de quem era Jesus, já que O apresentaram como “varão profeta” (v.19), e não como o Cristo. A morte ignominiosa de Jesus havia apagado a sua crença de que “fosse Ele quem havia de redimir a Israel” (v.21). E nem o relato das mulheres e a confirmação de que o sepulcro estava vazio (v.22-24) foram provas suficientes de que Jesus era verdadeiramente o Filho de Deus. Uma incredulidade que Jesus tratou de repreender: “Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na Sua glória?” (v.25-26). Jesus simplesmente disse que a Sua vida foi o perfeito cumprimento de toda a Escritura; que “todos os Profetas” (v.27) falam a Seu respeito.

Amados, estamos vivendo nos dias mais perigosos, espiritualmente falando. Se aqueles que viram Jesus face a face e andaram com Ele lado a lado tiveram o seu coração tomado pela incredulidade, quanto mais nós corremos o sério risco de permitir que o desânimo prejudique a nossa visão espiritual e nos impeça de enxergar o que está escrito. Lembrem de Noé. Jesus não se referiu aos dias deste justo apenas com relação à corrupção dos antediluvianos, mas também, e principalmente, à questão da ignorância quanto ao tempo e à verdade presente. Jesus disse “que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos” (Mt.24:38, 39). E o Espírito Santo, hoje, está realizando a mesma obra de Jesus no caminho de Emaús com todos os que estão dispostos a ouvi-Lo, a fim de que não sejamos levados “por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef.4:14).

Precisamos, como aqueles dois privilegiados discípulos, sentir o nosso coração arder (v.32) ao estudarmos as Escrituras sob a direção do Espírito Santo. Não podemos separar o Antigo do Novo Testamento. Não podemos amputar tudo aquilo que compõe o que a respeito do nosso Redentor está escrito. O próprio João compreendeu esta verdade e não poderia tê-la resumido tão bem, ao declarar: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo.1:29). O Cordeiro sem mácula e sem defeito deu a Sua vida pelo mundo inteiro; uma verdade que Israel não entendeu e nem aceitou, mas que é estendida até nós; a oportunidade de trocar o nosso passado por um presente restaurado e um futuro glorioso. Pelo sacrifício do imaculado Cordeiro de Deus, todo pecador arrependido é revestido pela justiça, santidade e pureza de Cristo. Uma troca que nossas obras jamais poderiam realizar.

Há tanto nas Escrituras que ainda não compreendemos em sua essência! Não que a Bíblia seja misteriosa, e sim porque ela é a Palavra de Deus. E há tanta luz e tanta glória nela, comparada à nossa mente limitada! Em Sua infinita sabedoria e misericórdia, Deus sabe exatamente o momento em que estamos prontos para ter o nosso entendimento aberto para compreender as Escrituras (v.45). Ele não concede toda a luz de uma só vez. Foi assim com os discípulos. Foi assim com os reformadores protestantes. Foi assim com os pioneiros adventistas. E, como a geração que mais luz possui a respeito das Escrituras, qual tem sido a nossa reação? Os discípulos foram “tomados de grande júbilo; e estavam sempre no templo, louvando a Deus” (v.52, 53). A despeito do desprezo e da descrença dos líderes judeus e do povo, eles permaneceram indo à igreja e fortalecendo-se uns aos outros.

Se tudo o que está escrito de Jesus se cumpriu como está “na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (v.44), é certo que logo veremos o cumprimento da derradeira promessa: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, até quantos O traspassaram. E todas as tribos da Terra se lamentarão sobre Ele. Certamente. Amém!” (Ap.1:7). Logo, todo aquele que rejeitou o convite da graça, com terrível tremor e temor, terá de contemplar o retorno do “Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap.19:16). Com horror, cairão em si tarde demais, assim como o foi no tempo do dilúvio. Como foi nos dias de Noé, a suposta demora do advento já está a levantar muitos escarnecedores a questionar: “Onde está a promessa da Sua vinda?” (2Pe.3:4). Mas todos nós que conhecemos o tempo, precisamos estar apercebidos de que a nossa salvação está mais próxima “do que quando no princípio cremos” (Rm.13:11).

Alimentemo-nos do “Assim está escrito” (v.46), até que do alto sejamos “revestidos de poder” (v.49), da chuva serôdia que nos habilitará “para o Senhor como um povo preparado” (Lc.1:17). Vigiemos e oremos!

Bom dia, santificados pela Palavra!

Rosana Garcia Barros

#PrimeiroDeus #Lucas24 #RPSP

Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100


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