Reavivados por Sua Palavra


Juízes 11 – Comentado por Rosana Barros by Ivan Barros
23 de agosto de 2022, 0:45
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“E ela disse: Pai meu, fizeste voto ao Senhor; faze, pois, de mim segundo o teu voto; pois o Senhor te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom” (v.36).

Após o genuíno arrependimento dos filhos de Israel, Deus suscitou um homem para livrá-los dos filhos de Amom. Jefté era filho de Gileade com uma prostituta. E devido à sua linhagem bastarda, ele foi rejeitado e provavelmente ameaçado por seus irmãos, já que teve de fugir. Andando com “homens levianos” (v.3), certamente recebeu influências negativas que o afastaram do Senhor. Porém, o mesmo título dado a Gideão também lhe foi atribuído: “homem valente” (v.1). Isso levou os anciãos de Gileade a buscá-lo de volta para que liderasse Israel contra os filhos de Amom.

Jefté tornou-se o cabeça de todo o Israel e a Bíblia diz que o Espírito do Senhor veio sobre ele. Mas já no verso seguinte, vimos que Jefté fez um voto equivocado ao Senhor. Ele não fez simplesmente um voto, mas tentou barganhar com Deus. Percebendo, porém, a tragédia que sua promessa insensata lhe causaria, “rasgou as suas vestes e disse: Ah! Filha minha, tu me prostras por completo; tu passaste a ser a causa da minha calamidade, porquanto fiz voto ao Senhor e não tornarei atrás” (v.35).

Alguns estudiosos afirmam que Jefté, ao proferir o voto, não especificou se referir a sacrifício humano, mas de um animal, já que os animais, naquela época, ficavam à porta das casas e que, de modo algum os sacerdotes aceitariam sacrificar uma pessoa; outros dizem que ele realmente se referiu a sacrificar uma pessoa, já que o sacrifício humano era um costume pagão e Israel já havia adquirido muitos destes costumes, mesmo sabendo que Deus não aprovava (Lv.18:21; Dt.18:10). Interessante que ele observou a lei dada a Moisés para ser fiel ao voto feito ao Senhor (Lv.19:12), em detrimento de outra ainda mais importante, pois preservava a vida.

A fim de evitar as consequências desastrosas de juramentos humanos insensatos, Jesus condenou os juramentos: “de modo algum jureis […] Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” (Mt.5:34 e 37). Não era desígnio de Deus que Jefté sacrificasse a própria filha e nem ser humano algum, muito menos que a entregasse ao celibato. Mas a atitude da filha, cujo nome a Bíblia não revela, manifesta a mesma rendição que encontramos em Isaque, ao aceitar que seu velho pai o sacrificasse (Gn.22:9); e a mesma disposição de Cristo quando declarou: “Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres” (Mt.26:39).

Quando a filha de Jefté disse: “Pai meu, fizeste voto ao Senhor”, vejo ali uma expressão de profunda entrega. Porém, observem as suas primeiras palavras: “Pai meu”. Assim como Cristo apelou “Meu Pai”, esta filha apelou ao seu pai. Era como se ela dissesse: “O senhor é o meu pai, aquele que me ama mais do que tudo, e se achas por bem cumprir o teu voto, eis-me aqui, não questionarei e nem frustrarei os planos daquele que mais me ama!”. Uma coisa é certa, amados: aos pais foi confiado o mais caro dever de zelar pela herança do Senhor (Sl.128:3) e pela negligência ou imprudência podem expor os filhos a circunstâncias ruins que poderiam ser evitadas.

Naquela época, uma moça solteira era sinônimo de desgraça e, o fato de ser a única filha de Jefté, significava que o nome de seu pai seria esquecido sem uma descendência. Mas a sua atitude submissa lhe rendeu uma posição de honra na história de Israel, como bem pontua Warren Wiersbe: “Ela merece ser colocada ao lado de Isaque como filha fiel, disposta a obedecer tanto ao pai quanto a Deus a qualquer preço” (Comentário Bíblico Expositivo, v.2, p.141). Jefté foi infeliz em seu voto, mas sua filha lhe deu um “banho” de fidelidade. E quantos, pelas efêmeras coisas deste mundo, têm trocado a direção do Espírito Santo pela perigosa voz do próprio coração enganoso. Sobre isso, Ellen White escreveu: “Deixaram seu verdadeiro e amoroso Amigo, para seguirem o caminho da conveniência e dos prazeres mundanos. […] Os divertimentos frívolos, o orgulho no vestir, a satisfação do apetite, lhes endureceram o coração e embotaram a consciência, de maneira que não ouviram a voz da verdade” (Patriarcas e Profetas, CPB, p.558).

E a questionável história de uma simples virgem, nos lembra a inquestionável história do Filho do Homem. Ela foi o cumprimento de um voto falível e transitório. Jesus, o cumprimento de um voto infalível e eterno. O maior “sacrifício” que Deus aceita é a entrega completa do coração a Ele. Não precisamos fazer juramentos para garantir que Deus nos abençoe. Basta atendermos ao que está escrito: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm.12:1). Vigiemos e oremos!

Bom dia, filhos do Pai de amor!

Rosana Garcia Barros

#Juízes11 #RPSP

Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100


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