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JÓ 4 – Nossa concepção é limitada, não enxergamos a realidade espiritual – a não ser que dependamos da revelação de Deus. Nossas limitações levam-nos a agir geralmente de forma imprudente com quem precisa ser compreendido, amado e ouvido. Precisamos aprender a reagir corretamente ao sofrimento alheio.
Elifaz retrucou a Jó. Sua base foi sua teologia. Ele respondeu veementemente às expressões desesperadas de seu amigo que enfrentava angústia nas provações.
Elifaz começou aparentemente de forma compassiva, porém, logo partiu para um ataque acusatório com conselhos imprudentes. A abordagem teológica de Elifaz tem apoio bíblico aparente (Salmo 94:12-13; Provérbios 1:7; 3:11-12), porém sua interpretação da revelação, tanto quanto da condição de Jó, foram extremamente simplistas.
Devido a uma compreensão superficial da religião, Elifaz agiu de forma equivocada ao acusar a Jó de ser culpado por seus próprios sofrimentos. O não considerar a possibilidade de Jó ser inocente e que suas aflições pudessem ter uma explicação diferente do que simplesmente uma punição divina por pecados específicos, resultaram de aplicar conceitos espirituais corretos no contexto errado. Tal interpretação simplista e imprecisa coloca em xeque a compaixão e a empatia que deveriam ser demonstradas a quem passa por uma tremenda crise, como a de Jó.
A preocupação em defender uma visão de Deus como Juiz que pune o mal atrapalha as pessoas de demonstrar empatia e compaixão a quem sofre. Elifaz apresenta uma visão teológica rigorosa e fria, seu objetivo visava impor uma solução aos problemas de Jó. Tal atitude resultou em falta de amor, acusação e condenação.
Se Jó já tinha grandes motivos de sobra para sofrer, quanto mais ao ser falsamente acusado em nome da sã teologia? A acusação dói, ainda mais quando ela é inadequada! O caso de Jó só piorava com o discurso de Elifaz criticando o inocente.
Leia atentamente Jó 4:1-21 e depois considere com oração:
• Não atribua o sofrimento da pessoa a pecados específicos.
• Não faça suposições ou julgamentos precipitados.
• Não seja ignorante ou insensível às emoções de quem sofre.
• Não deixe de demonstrar amor ao preocupar-se em dar soluções fáceis para situações complexas.
• Não culpe qualquer vítima assolada pela dor.
Geralmente, achar-se sábio significa ser tolo. Mais que oferecer respostas, ofereça compaixão a quem muito precisa.
Vamos reavivar o amor para oferecê-lo a quem tem dor! – Heber Toth Armí.
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Texto bíblico: JÓ 3 – Primeiro leia a Bíblia
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COM. TEXTO ROSANA GARCIA BARROS
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Texto bíblico: JÓ 3
O que você pode dizer a alguém cujo sofrimento é tão intenso?
Elifaz não sabia. Nem Bildade, nem Zofar. Eles apenas ficaram sentados, atordoados e em silêncio.
Finalmente Jó começa a falar. O que ele está dizendo?
Eu gostaria de nunca ter nascido.
Eu gostaria que aquela noite tivesse sido árida e nenhum grito de alegria tivesse sido ouvido nela!
Eu gostaria que nunca tivesse visto a luz do amanhecer!
Ou por que não nasci morto, ou por que não morri ao sair do útero?
Por que havia joelhos para me receber e seios para me nutrir?
Se ao menos eu pudesse ter morrido antes de crescer!
Então eu certamente estaria agora deitado em paz, dormindo, descansando no mesmo lugar que os reis e conselheiros da terra – ou com os príncipes que tinham ouro e enchiam suas casas de prata.
Grandes e pequenos estão lá, onde os ímpios não causam mais problemas.
Lá, o cansado pode descansar e os cativos ficam tranquilos, e o escravo fica livre de seu senhor.
Mas por que é dada luz a quem está sobrecarregado de tristeza, e vida àqueles cuja existência é amarga,
Que esperam pela morte, felizes quando chegam ao túmulo?
Mas não consigo relaxar ou ficar quieto; não tenho descanso, apenas problemas.
Temos aqui, então, um bom material que merece reflexão, resposta, até mesmo discussão…
Virgínia Davidson
Artista – projetista e construtora de vitrais
Igreja Adventista do Sétimo Dia de Spokane Valley, Estado de Washington, EUA
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/bible/job/3
Tradução: Jeferson Quimelli/Gisele Quimelli
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552 palavras
Nessa reflexão pessoal, Jó abriu seu coração para seus amigos (e para os leitores), compartilhando conosco a intensidade de sua dor física e emocional. Ele ansiava pelo esquecimento (v. 1-10) e via a morte como melhor do que seus sofrimentos atuais (v. 11-26). Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 98.
Jó rompe o silêncio com uma lamentação fortemente emocional. Ele expressa o mesmo tipo de depressão que tomou conta do salmista (Sl 88) e também de Jeremias (Jr 20.14-15), cujos amargos lamentos foram, quanto à linguagem, semelhantes aos de Jó. Bíblia de Genebra.
1-9 O grito que escutamos provém de uma alma torturada. Os sete dias de silêncio acumularam uma angústia que se transborda em uma torrente de rebelião contra o dia de seu nascimento, 3.3. […] Jó deseja que o dia do seu nascimento e a noite da sua concepção sejam apagados da história. Bíblia Shedd.
8 monstro marinho (ARA; NVI: “Leviatã”). Jó, empregando linguagem vívida e figurada, desejou que “os que amaldiçoam os dias” atiçassem Leviatã, o monstro marinho […], a engolir o dia-noite de seu nascimento. Bíblia de Estudo NVI Vida.
10-12 Já que não há possibilidade de remover-se aquele dia do calendário, Jó desejou que Deus não tivesse permitido seu nascimento e sobrevivência. Bíblia Shedd.
11-26 Enquanto os vs. 3-10 tem a forma de maldições, estes dezesseis versículos são perguntas retóricas. Jó dá vazão à sua frustração, perguntando porque não tinha sido um natimorto (vs. 11-26). Visto que isso não aconteceu, ele prossegue perguntando retoricamente por que não teria experimentado morte prematura (vs. 20, 23). Bíblia de Genebra.
Jó lamentou o fato de não ter nascido morto (v. 11-12) e cobiçou a serenidade da morte. Ele sabia que ela é um esquecimento em que não há níveis diferentes de status humano: os justos, os ímpios, os escravos, os livres, os governantes ricos e os trabalhadores cansados são todos iguais. Em contraste com a paz da morte, a vida em meio ao sofrimento é inexorável e um fardo (v. 20-26). Embora Jó tivesse aceitado a morte, não há indicação de que ele tenha pensado em acabar com a vida por suas próprias mãos. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 99.
13-26 Aqui, Jó contrasta entre as tribulações da vida e o plácido sono da morte. Jó antevê a paz só no túmulo, e esta é a única esperança que lhe resta agora. Em Jó vemos o homem para quem a morte já perdeu o seu terror e ainda se tornou no mais alto e cobiçado tesouro. Jó diz que os seus lamentos são como gritos de quem sofre em alívio, Sl 22.1; 32.4. Bíblia Shedd.
14 Jó acha que a morte o teria colocado em pé de igualdade com os próprios faraós que, apesar de suas pirâmides e os tesouros que cada faraó mandava enterrar consigo (v.15), não passavam agora de simples defuntos. Bíblia Shedd.
16 Como, na realidade, seu nascimento já ocorrera, ainda sobraria (segundo o desejo dele) a possibilidade de ter sido natimorto. […] Tal situação seria muito melhor que a condição intolerável de estão, na qual não consegue paz nem descanso. Bíblia de Estudo NVI Vida.
21, 22 Para Jó, a morte tornou-se desejável. Bíblia de Estudo NVI Vida.
23 A vida perdera o valor para Jó, privado de bens, família, saúde e amigos. Só depois de muito debater consigo mesmo é que chegará a vislumbrar a vida eterna, onde desfrutará da comunhão com Deus como seu eterno quinhão. Bíblia Shedd.
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“Porque já agora repousaria tranquilo; dormiria, e, então, haveria para mim descanso” (v.13).
Findos os sete dias, Jó resolveu quebrar o silêncio e se manifestar. Suas palavras, porém, não pareciam ser dirigidas a seus amigos, mas a Deus. Expressando toda a sua angústia e agonia, Jó “amaldiçoou o seu dia natalício” (v.1). Em nenhum momento ele amaldiçoou a Deus ou a Ele atribuiu a culpa por seu sofrimento. Mas, em uma atitude de desespero, questionou a sua existência e, ao mesmo tempo, revelou o seu conhecimento libertador sobre o estado do homem na morte.
Mesmo sem entender o porquê de tanto sofrimento, Jó mantinha firme a sua fé. Isso não o impedia de colocar diante de Deus os seus questionamentos e de abrir-Lhe o coração. Muitos há que pensam ser ofensivo a Deus questioná-Lo ou levar a Ele as suas aflições. No entanto, os ouvidos do Senhor não estão fechados para ouvir as lamentações dos Seus filhos. Pelo contrário, Ele nos convida: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mt.11:28). Tão somente não podemos permitir que o lamento nos torne pessoas amargas e descrentes.
Enquanto estivermos neste mundo hostil, a tristeza terá o seu lugar e muitas situações ficarão sem resposta; mas, se o nosso amor por Deus for devidamente alimentado através de uma vida diária de comunhão com Ele, como Paulo, diremos: “como se estivéssemos morrendo e, contudo, eis que vivemos; como castigados, porém não mortos; entristecidos, mas sempre alegres” (2Co.6:9 e 10). Jó podia não compreender o motivo do seu infortúnio, mas tinha a certeza de que nem a morte poderia separá-lo do amor de Deus; para ele, a morte era somente um descanso até que seu Redentor viesse para despertá-lo (Leia Jó 19:25).
As Escrituras revelam de forma muito clara a verdade sobre a morte. Em toda a Bíblia, a morte é comparada ao sono. As palavras de Jó: “repousaria tranquilo”, “dormiria”, “haveria para mim descanso”, “ali, repousam os cansados”, “os presos juntamente repousam”, confirmam essa verdade. Salomão escreveu: “mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, porque a sua memória jaz no esquecimento” (Ec.9:5). Com relação à morte de Lázaro, Jesus declarou: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo” (Jo.11:11).
A esperança de Jó era a de descer ao pó na certeza do futuro reencontro com Deus. Isso prova que as verdades da Palavra de Deus sempre existiram no coração dos fiéis adoradores, e que os princípios da Bíblia sempre existiram e são imutáveis. Pois “seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a Palavra de nosso Deus permanece eternamente” (Is.40:8). Foi confiante nisso que Jó não temeu a morte, e Paulo assegurou a nossa grande esperança: “nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1Co.15:51 e 52).
“Aflições, cruzes, tentações, adversidades e nossas várias provações são os agentes divinos para nos purificar, santificar e nos preparar para o celeiro celestial”, escreveu Ellen White (Testemunhos Para a Igreja, v.3, CPB, p.99). A sua vida está atribulada? Não tenha medo de abrir o seu coração a Deus. Jesus está preparando na Casa do Pai uma morada especial para você. Ele prometeu (Leia Jo.14:1-3)! O Senhor, que não mente, voltará e nos levará para morar com Ele, porque Ele venceu a morte e, dentro em breve, “a [nossa] tristeza se converterá em alegria” (Jo.16:20).
Nosso amado Deus, podemos não estar experimentando ou ter sofrido males tão grandes quanto os de Jó, mas todos nós passamos por sofrimentos e angústias na medida em que possamos suportar com o Teu auxílio. Por isso, Pai, clamamos a Ti por uma fé que não desfaleça, ainda que só nos restem palavras de lamentação e angústia! Clamamos por um coração firme em Ti, confiante na fidelidade da Tua Palavra e cheio do Teu amor! Que o Teu Espírito conduza as nossas orações para que sejam acima de tudo honestas, mas também reverentes e feitas por fé. Entregamos a nossa vida, as nossas necessidades e as nossas angústias diante do Teu trono de graça, Pai de amor. E o fazemos nos méritos e no nome de Jesus, Amém!
Vigiemos e oremos!
Bom dia, fiéis adoradores do Deus vivo!
Rosana Garcia Barros
#JÓ3 #RPSP
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
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JÓ 3 – O sofrimento intenso pode levar alguém a olhar o dia de seu aniversário como sombrio. A dor que envolveu a Jó, o levou até amaldiçoar o dia de seu nascimento.
Este homem de Deus sofria de verdade, intensamente, ininterruptamente. Suas palavras, inspiradas pelo Espírito Santo, devem penetrar profundamente nosso âmago, objetivando inspirar-nos fortemente em meio aos terríveis sofrimentos da vida.
Em Jó 3, após um significativo período de silêncio, o sofredor expressa a sua dor em palavras. Ele abre a boca para expelir a angústia e aflição que lhe arrebatara as boas emoções. Ele sofria perdas, frustrações, inquietações, aflições, etc. Jó lamentou profundamente não ter morrido no parto para não ter que passar por todo sofrimento que o estava esmagando, e torturando-o.
Esse lamento inspirado em Jó 3 implica que, certas situações da vida não se resolvem com tentativas de controlar o que nos acontece, nem dá para resolver problemas simplesmente utilizando os métodos do pensamento positivo. Em ocasiões como as de Jó, tais tentativas não servem nem como paliativos!
Sofrendo fortemente a dor do luto, tristeza profunda, desamparo, desespero, Jó desejou a morte antes que a vida. Ao refletir na morte, Jó sugere-a como alívio daquele sofrimento intenso. Este homem profundamente religioso poderia ser diagnosticado com sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).
Após considerar estas informações, reflita nos princípios extraídos do discurso de Jó:
• Não é errado o fiel ter sentimentos de tristeza quando enfrenta dias tenebrosos (Jó 3:1-10).
• Não é pecado expressar emoções negativas (Jó 3:11-19).
• Há liberdade para questionamentos na religião bíblica (Jó 3:20-26).
Um aspecto positivo neste contexto negativo é o fato de ser possível refletir numa busca por compreensão do propósito de Deus em meio ao sofrimento profundo, a amargura indescritível, e a dor intensa. O segredo no lidar com a angústia não está em aprofundar no problema, mas aprofundar-se na compreensão dos propósitos divinos, em mergulhar fundo numa reflexão buscando explicação, solução e satisfação.
É preciso considerar que Deus tem um propósito maior que a morte; por isso, não vale a pena extirpar a vida, pois o suicídio significa abortar importantes planos divinos para nós.
A fé em Deus sustenta o fiel em meio à intensa dor cruel. Para tanto, tenhamos sempre nossa fé reavivada! – Heber Toth Armí.
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Texto bíblico: JÓ 2 – Primeiro leia a Bíblia
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COM. TEXTO ROSANA GARCIA BARROS
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Texto bíblico: JÓ 2
Novamente os filhos de Deus se apresentaram perante o Senhor, e Satanás estava com eles — mais uma vez reivindicando a posse da terra e de todos os que viviam nela.
Novamente Deus o desafiou: “Observaste o Meu servo Jó? Ninguém mais na terra é como ele. Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.”
“Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
Estende, porém, a mão, toca-lhe nos ossos e na carne e verás se não blasfema contra ti na tua face.”
“Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida.”
O que se segue é terrível. Sua esposa – que perdeu todos os filhos – não suporta assistir ao sofrimento dele. Ela também perdeu a fé em Deus? Ou ela acha que amaldiçoar a Deus abreviaria ou colocaria um fim à dor de Jó?
Três de seus amigos ouviram a notícia e vieram consolá-lo. Durante sete dias, sentaram-se com ele no monte de cinzas, observando-o raspar as bolhas para liberar o pus… e não disseram uma palavra.
Mas as palavras de Jó para sua esposa eram o peso de sua alma: “temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?”
Sim, Deus abençoa os Seus… mas há um quadro maior e também um inimigo.
Virgínia Davidson
Artista – projetista e construtora de vitrais
Igreja Adventista do Sétimo Dia de Spokane Valley, Estado de Washington, EUA
Texto original: https://www.revivalandreformation.org/bhp/en/bible/job/2
Tradução: Jeferson Quimelli/Luís Uehara
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1102 palavras
Observando Jó, os principados e potestades nas regiões celestes constataram que Deus pode levar um homem a amá-lo, não por suas dádivas, mas por Ele mesmo – Deus – (Ef 3.10). […] A história é muito confortadora, porque verificamos que não somos um joguete do acaso, mas em cada detalhe da vida a mão do nosso Pai está promovendo nosso desenvolvimento espiritual. Nossos amigos mais queridos podem aconselhar-nos a renunciar a Deus e morrer, mas no Getsêmane o Senhor nos ensinou a aceitar a vontade do Pai seja qual for o preço – mesmo que isso possa significar a morte – certos de que ele não nos deixará na sepultura (Sl 16.10). Comentário Bíblico Devocional – Velho Testamento. F. B. Meyer.
3 Dessa vez, o Senhor repreendeu Satanás (v. 1-3), cuja acusação era infundada. Diante disso, Satanás relançou seu desafio (v. 4-5), desejando agora danificar o corpo de Jó (“pele por pele”). As pessoas darão tudo para permanecer vivas. Satanás tentou argumentar que doença grave, talvez percebida como uma ameaça mortal, seria suficiente para expor a insinceridade de Jó e separá-lo de seu Deus. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 97.
4 pele por pele. Satanás estava sugerindo que até a declaração de fé feita por Jó em 1.21 não passava de fingimento, e que ele sacrificaria qualquer coisa para salvar a própria vida. Se Deus estendesse a sua mão e fustigasse o corpo de Jó, então este amaldiçoaria a Deus em Seu rosto. Bíblia de Genebra.
O dito, evidentemente proverbial, talvez tenha tido origem na linguagem de barganha ou troca, significando que um homem renunciaria a uma coisa por outra ou a uma propriedade de menor valor para salvar outra de maior valor. […] Satanás está tentando mostrar que ainda não havia imposto a Jó um teste suficientemente severo para revelar seu verdadeiro caráter. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 3, p. 560.
7 tumores. Do heb sechin, de uma raiz que significa “estar quente”, “estar inflamado”. … É precário tentar diagnosticar a doença de alguém que viveu há 3.500 anos, quando a única informação consiste de umas poucas observações não técnicas registradas num livro que é em grande parte poético. […] É suficiente ver Jó como um grande sofredor, sem tentar diagnosticar sua enfermidade específica. CBASD, vol. 3, p. 560.
8 cinzas. Símbolo de luto (v. 42.6; Et 4.3). Bíblia de Estudo NVI Vida.
9 Amaldiçoe a Deus. Em hebraico, a expressão, aqui e em 1.5 emprega um eufemismo (lit, “Bendiga a Deus”). Satanás está lançando mão da esposa de Jó para tentá-lo assim como levou Eva a tentar Adão. Bíblia de Estudo NVI Vida.
Heb bãrekh, “abençoar”. A língua hebraica nunca poderia ser empregada … para dizer “amaldiçoe a Deus”; o contexto da passagem, porém, revela qual a tradução certa. Bíblia Shedd.
A condição humilhante e dolorosa do patriarca é tal que provocou na esposa de Jó uma explosão (v. 9), uma frustração compreensível de alguém que, a essa altura, havia perdido tanto quanto seu marido e estava pronta para dar vazão a seus sentimentos, sem saber da importância cósmica de suas palavras. […] O fato de Jó ter se referido ao comentário dela como sendo o de uma mulher “insensata” (NVI), e não que ela fosse uma mulher insensata, implica que ela estava falando em desacordo com seu caráter. O silêncio dela sugere que recebeu bem a repreensão de Jó. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 97, 98.
não receberíamos também o mal? Jó estava disposto a administrar para o Senhor não apenas as coisas boas que Ele lhe dera, mas também a dor e o sofrimento que lhe sobrevieram. Seu relacionamento com o Senhor era alicerçado no amor desinteressado. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 98.
10 Doida. Heb nãbhãl. Estulta, na religião e na moralidade. Bíblia Shedd.
Não se refere a fraqueza mental, mas a insensibilidade religiosa e moral. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 3, p. 561.
Aceitaremos o bem dado por Deus, e não o mal? Tema principal do livro: a aflição e o sofrimento não são meramente castigos pelo pecado; para o povo de Deus, podem servir de provação (como aqui) ou como disciplina que culmina em lucros espirituais (v. 5.17; Dt 8.5; 2Sm 7.14; Sl 94.12; Pv 3.11, 12; 1Co 11:32; Hb 12.5-11). Bíblia de Estudo NVI Vida.
Muitas pessoas pensam que crer em Deus os protege de problemas. Então, quando as calamidades vem, eles questionam a bondade e a justiça de Deus. Mas a mensagem de Jó é que você não deve desistir de Deus porque Ele permite que você tenha más experiências. Fé em Deus não garante prosperidade pessoal e falta de fé não garante problemas em sua vida. Se fosse assim, as pessoas creriam em Deus simplesmente para ficarem ricas. Deus é capaz de nos resgatar do sofrimento, mas Ele pode permitir que os sofrimentos venham por razões que não podemos compreender. É estratégia de Satanás levar-nos a duvidar de Deus exatamente neste momento. Aqui Jó mostra uma perspectiva mais ampla do que buscar o seu próprio conforto pessoal. Se quisermos sempre saber o porquê de estarmos sofrendo, nossa fé não terá espaço para crescimento. Life Application Study Bible NVI Kingsway.
11 Elifaz, o principal dos três amigos de Jó, era de Temá, cidade famosa por seus sábios (Jr 49.7). Seu discurso demonstrou mais esclarecimento racional que o de seus dois amigos. […] Em 42.7-9, Deus se dirige a Elifaz (confirmando que ele era o líder entre os amigos de Jó) e lhe ordena que faça um sacrifício expiatório por haver acusado Jó injustamente. Bildade era, sem dúvida, descendente de Suá (Gn 25.2), um dos filhos de Abraão com Quetura, que mais tarde se tornou o patriarca de uma tribo árabe. Bildade pronunciou três discursos (Jó 8; 18; 25), e seu caráter “tradicionalista” pode ser visto de forma clara em 8.8-10. Zofar de Naamate, era, provavelmente, de Naamá, situada no norte da Arábia (2.11; 11.1; 20:1; 42.9). Bíblia de Estudo Arqueológica NVI.
combinaram. As circunstâncias aqui mencionadas sugerem o lapso de um tempo considerável desde que as calamidades haviam atingido Jó. […] Esse intervalo ajuda a explicar a mudança de atitude de Jó da calma resignação (Jó 2:10) para o profundo desânimo (cap. 3). CBASD, vol. 3, p. 561.
13 Por que os amigos chegaram e apenas ficaram quietos? De acordo com a tradição judaica, as pessoas que chegavam para consolar outras em sofrimento não deveriam falar até que o sofredor falasse. Muitas vezes, a melhor resposta ao sofrimento de outras pessoas é o silêncio. Os amigos de Jó perceberam que seu sofrimento era muito profundo para ser curado com meras palavras, então não disseram nada. (Ah, se eles ao menos tivessem continuado quietos!) Muitas vezes nós sentimos que devemos falar algo espiritual e oportuno a um amigo que sofre. Mas talvez o que ele ou ela precisa mais é de nossa presença, mostrando que nos importamos com ele/ela. Life Application Study Bible NVI Kingsway.
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“Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” (v.9).
Sem bens e sem filhos, a vida de Jó foi bruscamente afetada e se tornou alvo da curiosidade do antigo Oriente. Contudo, ele conservou “a sua integridade” (v.3), como observado pelo próprio Deus, fato este que despertou Satanás a prosseguir em seus planos de destruir o servo do Senhor: “Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida” (v.4). Ao perceber o fracasso de sua primeira tentativa, o inimigo das almas faria o que pudesse a fim de provar ao Universo que a integridade de Jó era condicional.
Completamente tomado de enfermidades físicas e emocionais, aquele que antes possuía um lugar de honra diante dos grandes da Terra, acabou “sentado em cinza” com um caco na mão “para com ele raspar-se” (v.8). Aquela cena era doída demais para a sua mulher, de modo que ela pensou ser a morte a única saída para uma situação tão degradante. É fácil julgar a atitude da mulher de Jó quando o relato não pode exprimir a dor de ver seu ente querido literalmente apodrecendo, perecendo aos pedaços.
Dia após dia, Satanás observava a ruína de Jó e, em cada gemido do humilde sofredor, esperava com ansiedade palavras de maldição. Mas a medida de suas lágrimas e de seu flagelo não podia superar a intensidade de seus clamores. Como quem aguarda a hora da morte, Jó não pedia pela própria vida nem ambicionava reaver o que havia perdido; mas, mesmo consternado em dor e agonia, seu coração pulsava no intenso desejo de permanecer na presença do Senhor e nEle encontrar alívio e algum tipo de resposta.
Como os amigos de Jó, existem muitos dentre o povo de Deus que ainda necessitam de genuína conversão. Não compreendem que quaisquer de suas boas ações ou intenções não podem ser motivadas apenas por esforço próprio, mas como dons de Deus, como resultado de uma íntima comunhão com Ele. E o precioso silêncio que, conforme o costume, deveria permanecer até que o pranteador se manifestasse, teria sido consolo suficiente não fosse seguido por palavras impensadas e cheias de falsa piedade, como veremos no decorrer do livro.
O problema do sofrimento humano não define em que lado nós estamos. Para os antigos, e para muitos ainda hoje, o sofrimento está diretamente relacionado à condição do homem perante Deus. Fazem da prosperidade um termômetro e esquecem que os grandes homens e mulheres de Deus do passado tiveram de passar por muitas tribulações, a despeito da própria vida. Querem desfrutar das bênçãos de Jesus, mas rejeitam a ideia de participar de Seus sofrimentos. E o único meio de escaparmos dessa condição de letargia é, como Jó, conservando a nossa integridade diante do Senhor. E isso só é possível mediante uma vida de íntima comunhão com Ele.
Uma vida de comunhão diária, de constante oração e de diligente estudo das Escrituras não nos livra de passarmos por aflições, mas, certamente, é a receita infalível para estarmos prontos para suportá-las e não sermos destruídos pelo inimigo. Jó andou “pelo vale da sombra da morte” (Sl.23:4), mas ao seu lado estava Deus. Se os amigos não conseguem lhe dar consolo na aflição, há um recado do Espírito Santo para você, hoje: “Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; Ele vem e vos salvará” (Is.35:4).
Pai querido, eu não sei se um dia Jó teve conhecimento do grande conflito do qual ele foi alvo. Mas uma coisa é certa: ele confiou em Ti em todo momento. Uma fé como essa só pode ser possível mediante uma vida cheia do Espírito Santo. Por isso, Pai, clamamos pelo Espírito Santo como agente transformador e consolador em nossa vida! E que sejamos abençoadores dos nossos irmãos, compartilhando esperança, conforto e uma mão amiga que ajuda a levantar. Por Jesus, nós oramos, Amém!
Vigiemos e oremos!
Feliz semana, consolados pelo Espírito Santo!
Rosana Garcia Barros
#JÓ02 #RPSP
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