Reavivados por Sua Palavra


João 21 by jquimelli
29 de janeiro de 2015, 0:30
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Comentário devocional:

Este capítulo parece um final extra deste Evangelho, tendo em vista o encerramento que João fez no último capítulo (20:31). Ele agora deixa claro o mandato missionário do Senhor ressuscitado para o mundo. 

Jesus encontra Seus discípulos junto ao mar de Tiberíades, o nome romano para o Mar da Galileia. Eles então pegam 153 peixes. O pai da igreja Jerônimo sugeriu que esta é uma pesca perfeita tendo em vista que na época havia apenas 153 diferentes variedades de peixes conhecidas. Para ele, isso significava a missão mundial que Jesus dera aos Seus discípulos. Eles deveriam buscar pessoas em todas as nações.

“Vou pescar”, diz Pedro, e seis outros discípulos se juntam a ele. É um retorno ao que estão familiarizados, porque Jesus já não está entre eles. Mas eles não pescam nenhum peixe. Jesus então aparece na praia e diz: “Lançai a rede do lado direito.” É uma pesca milagrosa sem que a rede se rasgasse. Depois de 3 anos e meio, eles já estão acostumados a milagres. Na primeira pesca milagrosa a rede se rasgou e Pedro declarou: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!”(Lucas 5:8 NVI).

Jesus os havia chamado para serem pescadores de homens e agora Ele vem para renovar essa vocação e para restaurar o chamado de Pedro para segui-Lo. Jesus se dirige a Simão Pedro utilizando o seu nome completo, o que indica a seriedade das perguntas. “Você me ama?”, três vezes Jesus pergunta a Pedro. Três vezes Pedro diz: “Sim”, mas na terceira vez ele se sente envergonhado e ferido e responde simplesmente: ” “Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo”. (v.17 NVI). Jesus responde: “Cuide dos meus cordeiros … Pastoreie as minhas ovelhas … Cuide das minhas ovelhas” (vv 17, 18 NVI).

Sim, Jesus sabe que Pedro O ama, mas será que este amor será forte o suficiente a ponto dele obedecer a missão confiada aos discípulos? Há a necessidade de pescar peixes, mas também de discipular e alimentar os cordeiros e ovelhas. Os convertidos devem ser cuidados. Os crentes devem ser discipulados. Jesus deixa claro aqui que alimentar os novos convertidos era tão importante quanto adquirir novos conversos.

Jesus, então, prediz a morte “com a qual Pedro iria glorificar a Deus”, e lhe diz: “Siga-me!” (v 19 NVI). A oferta de Pedro de dar a sua vida se cumpriria (João 13:37). Pedro, impulsivo como sempre, quer saber o que vai acontecer com João. Jesus diz a ele que isso não lhe importa, que apenas O siga, e não se preocupe com os outros.

As coisas não mudaram. Nós continuamos muito propensos a olhar para a vida dos outros e corrigirmos suas vidas, até nos detalhes. Mas Jesus simplesmente nos chama: “Siga-me!”

João termina o seu evangelho; o seu testemunho chega ao final. É claro que João não registrou tudo o que Jesus fez, mas que o que ele registrou é tudo que precisamos para nos conduzir à fé e à vida em Jesus.

Christopher Bullock
Pastor em Atlanta, Georgia
Estados Unidos da América

 
Texto original: http://revivedbyhisword.org/en/bible/jhn/21/
Traduzido por JAQ/JDS
Texto bíblico: João 21 
Comentário em áudio 



João 21 – Comentários selecionados by jquimelli
29 de janeiro de 2015, 0:00
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1-25 O cap. 21 é evidentemente um pós-escrito. Pelo estilo podemos estar seguros que o autor foi João, o autor do evangelho. Bíblia Shedd.

O epílogo do Evangelho, tendo em vista que vem após o que parece uma conclusão (20:30-31). Andrews Study Bible.

1 Depois disto. Isto é, entre a segunda manifestação no cenáculo e a manifestação em uma montanha na Galileia (Mt 28:16-20). CBASD-Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, p. 1191.

3 Vou pescar. A pesca tinha sido o ofício de Pedro antes de se converter em discípulo de Jesus. Tiago e João também eram pescadores. O objetivo da sugestão foi, sem dúvida, para reabastecer seus escassos recursos. Os discípulos não estavam abandonando sua vocação mais elevada. Eles tinham ido para a Galileia para se encontrar com o Mestre (Mt 28:16). CBASD, vol. 5, p. 1192.

Esta narrativa ilustra a ineficácia de pescar homens (Mt 4.19) sem o Cristo ressuscitado estar presente (15.5). Logo que Ele veio e os discípulos obedeceram às Suas ordens, o sucesso foi imediato e tremendo (6). Bíblia Shedd.

Naquela noite. Por causa das águas claras, a noite era o momento apropriado para a pesca no lago. CBASD, vol. 5, p. 1192.

e, naquela noite, nada apanharam. Pescar à noite não era incomum. As circunstâncias são uma reminiscência da pesca maravilhosa registrada em Lc 5.4-11 e associada com a chamada de Pedro e outros discípulos. Bíblia de Genebra.

4 Não reconheceram que era Ele. Talvez os olhos deles estivessem “fechados” como os dos discípulos no caminho de Emaús (Lc 24:16). É provável que houvesse pouca luz. Maria também, não tinha reconhecido Jesus quando Ele Se manifestou pela primeira vez. CBASD, vol. 5, p. 1192.

5 Alguma coisa de comer. Do gr. prosphagion, o que se come além de pão, como carne, peixe, ovos, legumes. O pão era o principal artigo de alimentação do judeu. Como a pergunta é dirigida a pescadores, é bem provável que prosphagion se refira a pescado. A forma da pergunta em grego indica que se espera uma resposta negativa. CBASD, vol. 5, p. 1192.

6 A ordem de Jesus ia contra as melhores práticas de pesca [A pesca por redes é melhor feita à noite, quando a visão dos peixes é limitada]. Andrews Study Bible.

Grande … quantidade de peixes. Este milagre faria os discípulos recordar do milagre anterior, quando deixaram tudo para seguir o Mestre (Lc 5:11). CBASD, vol. 5, p. 1192.

7 Aquele discípulo a quem Jesus amava. João foi o primeiro a reconhecer o Mestre, bem como o primeiro a acreditar na ressurreição (Jo 20:8). CBASD, vol. 5, p. 1192.

Simão Pedrodespido (ARA). Trajava apenas as vestes de baixo. Bíblia Shedd.

Vestiu a capa, pois a havia tirado (NVI). É curioso que vestisse [tornasse a vestir] essa peça de roupa … como preparativo para pular na água. Os judeus, no entanto, consideravam a saudação ato sagrado que somente podia ser realizado entre pessoas plenamente vestidas. Pedro talvez estivesse se preparando para cumprimentar o Senhor. Bíblia de Estúdio NVI Vida.

O Pedro impulsivo, fervoroso e afetuoso respondeu da sua forma característica. CBASD, vol. 5, p. 1192.

Lançou-se ao mar. A água não devia ser profunda. O registro nada menciona acerca de caminhar sobre a água. CBASD, vol. 5, p. 1192.

8 duzentos côvados eram cerca de 96m. Bíblia Shedd

10 Trazei alguns dos peixes. Para complementar o alimento que estava sobre as brasas. CBASD, vol. 5, p. 1193.

11 Simão Pedro entrou no barco. Pedro respondeu com sua impulsividade característica. CBASD, vol. 5, p. 1193.

Pedro arrastou a rede para a praia. Por certo, significa que Pedro comandou o esforço, visto que, anteriormente, o grupo inteiro não tinha conseguido recolher a rede (v. 6). Bíblia de Estúdio NVI Vida.

Cento e cinquenta e três. O número indica que os peixes foram realmente contados. Alguns sugerem interpretações místicas e fantasiosas quanto a este número. Por exemplo, que o “três” representa a Trindade. Essas interpretações são irrelevantes. CBASD, vol. 5, p. 1193.

12 Nenhum ousava perguntar-Lhe. Os discípulos comeram em silêncio e reverência. Muitos pensamentos passaram pela mente deles, mas não ousavam se expressar. CBASD, vol. 5, p. 1193. 

14 a terceira vez. Não o terceiro aparecimento absolutamente, mas a terceira a um grupo de apóstolos. Bíblia de Genebra.

15-17 Os versos 15-17 tem lugar na presença dos outros discípulos. Pedro precisava reconquistar a confiança dos demais após sua traição (18:15-18, 25-27. Em 21:20, Jesus e Pedro estão caminhando na praia, longe dos outros. Andrews Study Bible.

15 Amas-Me. Do gr. agapaõ. Em sua resposta a Jesus, Pedro usa outro verbo para “amar”, phileõ. Estas duas palavras, às vezes, têm significados distintos. Agapaõ se refere a uma forma mais elevada de amor, um amor regido por princípios e não por emoções phileõ está relacionado ao amor espontâneo, emocional. … Jesus usou a palavra agapaõ nas duas primeiras perguntas, e Pedro respondeu com phileõ. Na terceira vez, Jesus usou phileõ, e Pedro respondeu, como  anteriormente, com phileõ. … As três perguntas de Jesus, possivelmente, estavam relacionadas às três negações de Pedro. Três vezes o apóstolo tinha negado ao Senhor. Assim, lhe foi dada a oportunidade confessá-Lo três vezes. CBASD, vol. 5, p. 1193.

Tu sabes. A resposta de Pedro é humilde. Toda a sua arrogância tinha desaparecido. CBASD, vol. 5, p. 1193.

Apascenta os meus cordeiros. “Apascenta” ou “alimenta”. “Minhas ovelhas” e “meus cordeiros” correspondem a “minha igreja” (10.14, 26-27; Mt 18.18). Quando Pedro escreve a seus companheiros presbíteros (1Pe 5.1-2), ele os incita a “pastorear o rebanho de Deus, que está entre vós”, aparentemente tendo levado a sério as palavras de Jesus. Bíblia de Genebra.

Os cordeiros representavam os novos na fé. Mais tarde, Pedro comparou os anciãos da igreja a pastores e aqueles sob sua responsabilidade a um rebanho que eles deveriam alimentar (IPe 5:1-4). Ministros de Deus são pastores que servem sob a liderança do supremo Pastor. CBASD, vol. 5, p. 1194.

16 Pela segunda vez. A pergunta se repete, mas sem a adição de “mais do que estes” (ver v. 15). O amor de Pedro é diretamente desafiado. Ele dá a mesma resposta humilde. CBASD, vol. 5, p. 1194.

17 Pela terceira vez. Na terceira pergunta, ao referir-Se ao verbo “amar”, Jesus usou uma palavra diferente da que empregou nas duas primeiras. Não se pode afirmar que havia a intenção de fazer distinção de significado (ver com. do v. 15). CBASD, vol. 5, p. 1194.            

Me amas (gr phileo, “ser amigo”). Após usar agapaõ “amar desinteressadamente”, duas vezes, Jesus passa a usar a palavra que Pedro usou três vezes. Bíblia Shedd.

pela terceira vez. Pedro ficou triste, não por causa da mudança de palavras nesta última pergunta, mas porque Jesus repetiu a mesma pergunta três vezes. Talvez Pedro se tivesse das três vezes em que negou a Cristo (13.38; 18.27). … Ele estava dando a Pedro uma oportunidade de confessar o seu amor e reafirmar sua vocação para seguir a Cristo. Com este conhecimento, Pedro chama a Jesus de “Supremo Pastor” (1Pe 5.4). Bíblia de Genebra.

Pedro entristeceu-se. Ver com. do v. 15. Pedro sabia que dera motivos para os outros duvidarem de seu amor pelo Mestre. As repetidas perguntas lhe recordaram vividamente as vezes em que negou ao Mestre; por isso, ele se entristeceu. CBASD, vol. 5, p. 1194.

Senhor, Tu sabes todas as coisas. As respostas de Pedro ressaltam o conhecimento por parte de Cristo, não o domínio que Pedro tinha da situação. Bíblia de Estúdio NVI Vida.

Na terceira vez, Pedro omitiu o “sim” (ver v. 15, 16). Recorreu ao olho que tudo vê e que lia os segredos mais íntimos de sua vida. CBASD, vol. 5, p. 1194.

Apascenta as Minhas ovelhas. Jesus repete a ordem (cf. v. 15, 16). Pedro havia demonstrado que estava de fato arrependido. Seu coração enternecido estava pleno de amor. Então o rebanho poderia ser confiado a ele. CBASD, vol. 5, p. 1194.

18, 19 eras mais moço. I.e., quando o discípulo pensava apenas em sua própria vontade. Velho, seria quando Deus dirigiria a vida até a morte. 

Estenderás as mãos. Jesus profetizou a morte de Pedro pela crucificação; o que aconteceu entre 64-67 d.C. por ordem de Nero. Bíblia Shedd.

Segundo a tradição, que deve ser verdadeira, Pedro morreu crucificado, de cabeça para baixo, pois considerou honra imerecida para quem tinha negado o Senhor o ser crucificado da mesma forma,(ver AA, 537, 538).  CBASD, vol. 5, p. 1194.

19 Glorificar a Deus. Isto é, ao morrer como mártir, testificaria do poder do cristianismo (cf. IPe 4:16). CBASD, vol. 5, p. 1194.

Segue-Me. …como a chamada original feita por Jesus a Seus apóstolos (Mt 4.19; Lc 5.27; cf. Jo 21.22). Todo este incidente restaura Pedro ao seu lugar como um apóstolo, lugar que a sua negação ameaçou tirar dele. Bíblia de Genebra.

A tarefa final na vida de Pedro: fazer o que Jesus fez. Andrews Study Bible.

20 Voltando-se. Este versículo sugere que Jesus havia chamado Pedro à parte e falara com ele em  particular sobre a natureza de sua morte, talvez enquanto caminhavam ao longo da margem do lago. João provavelmente os seguia a certa distância. CBASD, vol. 5, p. 1194.

Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amava os seguia. Esta adicional referência, combinada com 13.23-25, deixa pouca dúvida de que este discípulo era João, filho de Zebedeu. Bíblia de Genebra.

Os seguia. [João] estava fazendo o que Pedro duas vezes recebera ordens de fazer [“siga-me!”] (v. 19, 22). Bíblia de Estúdio NVI Vida.

21 E quanto a este? Pedro havia recebido uma revelação notável a respeito de seu próprio futuro.e devia ter ficado satisfeito com o que o Senhor considerou conveniente revelar-lhe. Mas o apóstolo estava curioso para saber o que o futuro reservava a João. Jesus aproveitou a oportunidade para impressionar a Pedro com a lição de colocar em primeiro lugar o que é mais importante. CBASD, vol. 5, p. 1194.

22, 23 Uma das razões principais pelo acréscimo deste pós-escrito era para desmentir este mal entendido. Bíblia Shedd.

22 Se Eu quero. Jesus simplesmente disse: “Suponhamos que Eu queira que ele permaneça; isso não deveria ser um motivo de preocupação para você, Pedro.” A resposta foi uma reprovação. Ele não deveria se preocupar acerca do futuro dos colegas. Devia seguir ao Senhor e manter os olhos em Jesus. A preocupação demasiada com os outros poderia induzir o apóstolo a cair. CBASD, vol. 5, p. 1194.

até que Eu volte. Nítida declaração da segunda vinda. Bíblia de Estúdio NVI Vida.

23 Jesus não disse. Nenhuma declaração humana, nem mesmo do próprio Jesus, é totalmente imune a interpretações erradas. Andrews Study Bible.

23 Aquele discípulo não morreria. Muitos consideraram como uma profecia o que Jesus usou apenas como uma suposição. CBASD, vol. 5, p. 1195.

24 O discípulo. O “discípulo a quem Jesus amava” (Jo 21:20) se identifica como o autor do evangelho (ver p. 983). Os v. 2 4 e 25 formam o clímax apropriado para todo o evangelho (ver com. de Jo 20:30). CBASD, vol. 5, p. 1195.

Este é o discípulo que dá testemunho de todas as coisas. Agora fica revelado que o discípulo amado foi a testemunha por trás da narrativa. Que as registrou. O discípulo amado não era somente a testemunha, mas também o próprio autor. Bíblia de Estúdio NVI Vida.

Sabemos. Não se sabe a quem esta forma plural do verbo se refere. Provavelmente os anciãos de Éfeso (ver p. 983, 9 8 4 ) quisessem afirmar que o que tinha sido escrito era, de fato, a verdade. Circulavam narrativas espúrias e obras de autores inescrupulosos, e João desejava que se conhecesse a verdade acerca dos fatos. CBASD, vol. 5, p. 1195.

25 nem no mundo inteiro caberiam. O autor usa hipérbole (exagero) para acentuar o fato de que os escritores dos Evangelhos tinham de ser seletivos em relação aos fatos e detalhes incluídos em suas narrativas. Bíblia de Genebra.

O Evangelho de João é verdadeiro, mas está longe de conter toda a história. Andrews Study Bible.

25 Muitas outras coisas. Neste último versículo, João prorrompe em uma declaração emocionada acerca das muitas coisas notáveis que o Mestre tinha dito e feito. Ele escreveu seu evangelho com certos propósitos espirituais, relatou os acontecimentos e registrou as coisas que contribuíram para esses propósitos (ver p. 983, 984). Os escritores dos outros evangelhos fizeram o mesmo. Consequentemente, muitas ações e realizações de Jesus ficaram sem registro. CBASD, vol. 5, p. 1195.

Nem no mundo inteiro caberiam. Esta linguagem é hiperbólica, mas serve para enfatizar a imensa quantidade de palavras e obras de Jesus. Uma hipérbole semelhante, da mesma época cm que João escreveu, é proveniente do rabi Jochanan ben Zakkai. Registra-se que ele teria dito: “Se o céu inteiro fosse pergaminho e todas as árvores canas de escrever, e tinta todo o mar, isso não seria suficiente para consignar por escrito a sabedoria que eu aprendi com meus mestres” (ver Strack e Billerbeck, Kommentar zum Neuen Testament, vol. 2, p. 587). Essa figura literária judaica, desde então, tem sido popularizada no hino “Sublime amor”, de Frederick Martin Lehman (Hinário Adventista, n° 31). CBASD, vol. 5, p. 1195.

Ao comentar estas palavras finais de João, João Calvino observa: “Se o evangelista, ao contemplar a grandeza da majestade de Cristo, exclama com espanto, que nem mesmo o mundo inteiro poderia conter um relato completo dele, deveríamos assombrar-nos por isso?” CBASD, vol. 5, p. 1195.



João 1 – Comentários selecionados by jquimelli

1-18 Prólogo do Evangelho de João. Resume os principais temas do Evangelho. Mostra Jesus, que andou nesta terra, a partir da perspectiva da eternidade [o Verbo/a Palavra]. Andrews Study Bible.

1 No princípio. Antes da criação (cf Gn 1.1). Bíblia Shedd.

“No princípio” (uma clara referência às palavras de abertura da Bíblia), o Logos já existia, e esta é uma maneira de afirmar a eternidade que só Deus possui. Bíblia de Genebra.

Verbo. O termo “verbo” (grego logos) designa Deus, o Filho, referindo-Se à Sua divindade; “Jesus” e “Cristo” referem-se à Sua encarnação e obra salvífica. … Na filosofia neoplatônica e na heresia gnóstica (séculos II e III), o Logos era visto como um dos muitos poderes intermediários entre Deus e o mundo. Tais noções estão bem longe da simplicidade do Evangelho de João. Bíblia de Genebra

Os gregos usavam o termo [logos] não apenas no tocante à palavra falada, mas também em referência à palavra ainda na mente, sem ter sido proferida – a razão. Quando a aplicavam ao universo, referiam-se ao princípio racional que governa todas as coisas. Os judeus, por outro lado, usavam-na como meio de se referir a Deus. João, portanto, empregou um termo significativo tanto para judeus quanto para gentios. Bíblia de Estudo NVI Vida.

[Termo] usado para denominar um mediador divino na filosofia grega, isto apelaria aos leitores gregos. João é o único escritor bíblico a usar explicitamente este título para Cristo (p.e., 1 Jo 1:1; Ap 19:13). Andrews Study Bible.

com Deus. A Palavra era distinta do Pai. Bíblia de Estudo NVI Vida.

A expressão o verbo estava com Deus indica uma distinção de Pessoas, dentro da unidade da Trindade. Pai, Filho e Espírito Santo não são formas sucessivas de aparecimento de uma Pessoa, mas são Pessoas eternas presentes desde “o princípio” (v. 2). A preposição “com” sugere uma relação de estreita intimidade pessoal. Bíblia de Genebra.

O Verbo era Deus. Jesus era Deus no sentido mais pleno (v. nota em Rm 9.5). O prólogo (v. 1-18) inicia-se e termina com uma afirmação altissonante da Sua divindade. Bíblia de Estudo NVI Vida.

Como Deus, Jesus era Um igual ao Pai. A divindade de Jesus … é especialmente enfatizada por João. Andrews Study Bible.

3 Todas as coisas foram feitas por meio dEle. Este versículo também dá ênfase à divindade do Verbo, uma vez que a criação é obra só de Deus. Bíblia de Genebra.

Foram feitas. Traduz uma palavra grega usada na tradução Septuaginta (LXX) de Gn 1. Andrews Study Bible.

A atuação de Cristo na criação também se encontra em Cl 1.16 17. Bíblia Shedd.

4 vida. Um dos grandes conceitos desse evangelho. O termo acha-se 36 vezes em João, ao passo que nenhum outro livro do NT o usa mais de 17 vezes. A vida é dádiva de Cristo (10.28), e ele é, na realidade, “a vida” (14.6). Bíblia de Estudo NVI Vida.

5 luz. É identificada com a vida que Deus compartilha: é o contrário das trevas, existência sem Deus que equivale à morte eterna. A luz não pode ser vencida pelo mal, absolutamente (1 Jo 2.8). Bíblia Shedd.

e as trevas não prevaleceram contra ela. O enredo deste Evangelho pode ser visto em termos de uma luta entre as forças da fé e as da descrença. Bíblia de Genebra.

O forte contraste entre a luz e as trevas é tema de destaque nesse evangelho. Bíblia de Estudo NVI Vida.

9 a verdadeira luz. Cristo, e só Ele, vindo ao mundo ilumina a todo homem. Não há salvação das trevas á parte dEle (At. 4.12). Bíblia Shedd.

11 Veio para o que era seu e os seus não o receberam. “Seu”, no grego, significa “sua casa”; “Seus”significa Seu povo. mesmo rejeitado pela maioria de Israel, Cristo Se oferece a todos, entre os quais alguns O recebem. Bíblia Shedd.

12 o poder (“autoridade”) de serem feitos filhos de Deus (ARA). O seres humanos decaídos não são filhos de Deus por natureza; este é um privilégio só daqueles que têm fé, uma fé gerada neles pela soberana ação de Deus (v. 13). Bíblia de Genebra.

deu-lhes o direito (NVI). Ser membro da família de Deus só se dá por meio da graça – dom de Deus (v. Ef 2.8, 9). Nunca é uma realização humana, conforme frisa o v. 13; mesmo assim, a dádiva depende da aceitação do homem, como deixam claro as palavras “receberam” e “creram”. Bíblia de Estudo NVI Vida.

aos que creem. O verbo aqui quer dizer: “aqueles que continuamente creem”. Isto indica constante ação ao longo do tempo, e não um evento único num momento particular. Andrews Study Bible.

13 os quais não nasceram. …o verbo “nasceram”, no plural, mostra que este versículo se refere ao novo nascimento dos crentes cristãos (cf 3.3, 5, 7, 8). Bíblia de Genebra.

14 O Verbo Se fez carne. Nesta afirmação o Prólogo [vv 1-18] atinge o seu clímax. Para alguns contemporâneos de João, o espírito e o divino eram totalmente opostos á matéria e à carne. Outros pensavam que os deuses visitavam a terra disfarçados de seres humanos (At 14.11). Mas aqui um abismo é transposto: o Verbo Eterno de Deus não só parece um ser humano, mas realmente tornou-Se carne. Tomou sobre Si a plena e genuína natureza humana. Bíblia de Genebra.

carne. Palavra forte, quase grosseira, que ressalta a realidade da condição humana de Cristo. Bíblia de Estudo NVI Vida.

O eterno Filho, o Verbo de Deus, se encarnou como homem (cf Rm 8.3). Esta verdade essencial nega terminantemente a heresia gnóstica que afirmava que a encarnação não foi real (cf 1 Jo 4.2, 3). Bíblia Shedd.

e habitou entre nós. “Habitou” significa “armou sua tenda”. isto não só indica a natureza temporária da existência terrena de Jesus, mas o faz de um modo que recorda o antigo tabernáculo de Israel, onde Deus podia ser encontrado (Êx 40.34-35).Bíblia de Genebra.

Lembra o santuário do AT, através do qual Deus providenciou um meio para habitar com Seu povo. Andrews Study Bible.

Habitou, gr skenoo “tabernaculou”. Em Cristo vemos a realidade da glória divina, o zelo de Deus em Se aproximar dos homens mesmo sendo pecadores. Bíblia Shedd.

graça. Favor de Deus não merecido. verdade. A fidelidade de Deus. Bíblia Shedd.

graça e verdade. Ver Jo 1:14. Ideias abstratas no AT, são personificadas na pessoa de Jesus. Andrews Study Bible.

glória. Do gr. doxa, aqui equivalente ao heb. kabod, que é usado no AT para significar a “glória” da permanente presença do Senhor, o shekinah (ver com. de Gn 3:24; Êx 13:21; cf com. de 1Sm 4:22). … Aqui João, sem dúvida, está pensando particularmente em experiências como a transfiguração, em que a divindade por um momento irradiou por meio da humanidade. Pedro, de maneira semelhante, fala sobre ser “testemunhas” da “majestade” e da “glória excelsa” de Cristo na transfiguração (2Pe 1:16-18). Essa glória, acrescenta Pedro, acompanhou a declaração: “Este é o Meu Filho amado”. Em várias ocasiões, a glória do Céu iluminou o semblante de Jesus (ver com. de Lc 2:48). Em João 17:5, Jesus ora ao Pai: “Glorifica-Me, ó Pai, contigo mesmo, coma  glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo.” CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, p. 994, 995.

como do unigênito. Essa expressão traduz uma única palavra grega [monogenes] e refere-se explicitamente à geração eterna do Filho na Trindade. É também possível traduzir a palavra por “Filho único”, sem a ideia de geração, mas referindo-se à singularidade do Filho. Bíblia de Genebra.

15 exclama. O uso do tempo presente para o verbo revela que a pregação de João Batista ainda soava nos ouvidos das pessoas, embora tivesse sido morto muito antes de esse evangelho ser escrito. Bíblia de Estudo NVI Vida

18 Deus unigênito. Esta é uma declaração clara da deidade de Jesus Cristo. Bíblia Shedd.

no seio. Modo hebraico de indicar proximidade de amigos (13.23, 25). Bíblia Shedd.

Em contraste com Moisés, Jesus tem relacionamento face-a-face com Deus. A mesma frase descreve o relacionamento entre o discípulo amado e Jesus (13:23). Andrews Study Bible.

19 os judeus. Usado frequententemente neste Evangelho para os líderes religiosos que se opunham a Jesus. Andrews Study Bible.

Aqui, refere-se à delegação enviada pelo Sinédrio para fiscalizar as atividades de um mestre sem autorização. Bíblia de Estudo NVI Vida.

23 Eu sou a voz que clama no deserto. Os homens de Qumran (comunidade que produziu os manuscritos do mar Morto…) aplicavam a si as mesmas palavras, mas se prepararam para a vinda do Senhor isolando-se do mundo para obter salvação deles próprios. Bíblia de Estudo NVI Vida.

25 O profeta. A comissão indaga se João seria o cumprimento de Dt 18.18. Bíblia Shedd.

27 não sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias. Tarefa própria de escravo. Os discípulos realizavam muitas tarefas para seus rabinos (mestres), mas desamarrar as sandálias não era uma delas. Bíblia de Estudo NVI Vida.

28 Betânia. A Betânia mencionada em outros trechos dos evangelhos situava-se a apenas 4 km de Jerusalém. A localização dessa Betânia especificamente é desconhecida – só se sabe que ficava a leste do Jordão. Bíblia de Estudo NVI Vida.

29 Cordeiro de Deus. Providenciado por Deus (cf Gn 22.8; Rm 8.32). Bíblia Shedd.

30 antes de mim. João declara a preexistência de Jesus Cristo. Bíblia Shedd.

31 eu mesmo não O conhecia. Ainda que João Batista possa ter tido contato pessoal anterior com Jesus (cf. Lc 1.39-45), ele não sabia quem era Jesus (o Cordeiro e o Filho de Deus), até que o Espírito O identificou (v. 32). Bíblia de Genebra.

a fim de que ele fosse manifestado a Israel. A missão divina do Batista era identificar o Messias. É através do batismo que alguém é identificado como cristão. Andrews Study Bible.

A finalidade do batismo era de preparar um povo submisso ao vindouro Rei messiânico. Bíblia Shedd.

35, 37 Os dois discípulos,seguiram Jesus. Um era André (v. 40). O outro, segundo opinião corrente, teria sido o autor deste evangelho. Bíblia Shedd.

Tradicionalmente, os alunos de um rabino judeu andavam atrás dele. Os discípulos de Jesus O seguiram fisicamente, mas não se trata só disso. “Seguiram a Jesus” adquire níveis mais profundos de significado ao longo deste Evangelho. Bíblia de Genebra.

38 Rabi. Ao designar Jesus como “meu mestre” os discípulos se oferecem como discípulos. Bíblia Shedd.

42 Pedro. Pedro era tudo, menos pedra; era impulsivo e instável. Em Atos, passou a ser coluna da igreja primitiva. Jesus deu-lhe esse nome, não pelo que era, mas pelo que viria a ser pela graça de Deus. Bíblia de Estudo NVI Vida.

43-53 Como testemunhar: 1) Dar a maior importância à pessoa de Cristo (36); 2) apelar aos amigos (41; 45); 3) convidar outros após sentir a emoção da descoberta pessoal (45); 4) não debater apenas com argumentos mas com desafio à investigação (46); 5) não perder tempo. Bíblia Shedd.

45 Filho de José. …uma referência que identifica Jesus por sua cidade e família. Bíblia de Genebra.

Era uma designação pública e oficial. Bíblia Shedd.

46 Nazaré. Cidade em que Jesus morou quando criança. Natanael era de Caná (21:2), uma aldeia vizinha, que parecia ter uma rivalidade local contra Nazaré. Andrews Study Bible.

48 figueira. Sua sombra era muito apreciada para o estudo e a oração em momentos de sol. Bíblia de Estudo NVI Vida.

51 vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo. Este versículo alude à visão de Jacó de uma escada, cujo topo atingia o céu e por onde os anjos subiam e desciam (Gn 28.12). Jesus Se apresenta como a realidade para a qual a escada apontava. Jacó viu num sonho a reunião do ceú e da terra e Cristo transformou-o em realidade. Bíblia de Genebra.

Filho do Homem. Jesus aplica este nome frequentemente a Si mesmo. Ele dá ênfase à Sua natureza humana, que O capacita a morrer por Seu povo. Refere-se também á figura messiânica celestial conhecida em Daniel (7.13; ver Mt 8.10, nota). Bíblia de Genebra.



O Evangelho de João – objetivos e características by jquimelli
8 de janeiro de 2015, 17:52
Filed under: Bíblia, Estudo devocional da Bíblia, Evangelho, Jesus, milagres | Tags: ,

Caríssimos,

Embora um tanto extenso, compartilho aqui parte do excelente material apresentado no Comentário Bíblico Adventista sobre o Evangelho de João, no qual se expõem 1) o objetivo do livro, 2) principais diferenças entre João e os outros evangelhos; 3) a palavra-chave do livro (Logos) e 4) correlação com o AT.

Após sua leitura, você terá uma outra visão sobre o Evangelho de João. Um excelente e abençoado estudo nos próximos 21 dias!

Pela Equipe Reavivados.

***

Quando o evangelho de João foi escrito, próximo ao fim do primeiro século, três principais perigos ameaçavam a vida e a pureza da igreja cristã. O mais sério deles era a decadência da piedade; além disso, havia perseguição e heresias, particularmente o gnosticismo, que negava a encarnação e fomentava a libertinagem.

Depois de cerca de 30 anos desde que os sinóticos foram escritos (ver p. 163-167), o idoso João era o único sobrevivente dos doze discípulos (AA, 542). Então, foi impressionado pelo Espírito a apresentar novamente a vida de Cristo, de maneira a enfrentar as tendências que ameaçavam a igreja. Os crentes precisavam de um quadro vívido do Salvador que lhes fortalecesse a fé nas grandes verdades do evangelho: encarnação, divindade, humanidade, vida perfeita, morte expiatória, a gloriosa ressurreição e o prometido retorno de Jesus. E João pregava que “a si mesmo se purifica todo o que nEle tem esta esperança, assim como Ele [Cristo] é puro” (1Jo 3:3). Somente quando a vida e a missão do Salvador são preservadas como uma realidade viva na mente e
no coração é que o poder transformador de Sua graça se torna eficaz na vida. Em harmonia com isso, João anuncia que seu relato foi escrito “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome” (Jo 20:31). Ele admite que poderia ter registrado muito mais (v. 30), mas que relatou apenas os incidentes que considerou mais necessários para confirmar as verdades fundamentais do evangelho. Agiu segundo a convicção de que o que lhe convencera também convenceria a outros (cf. 1Jo 1:1-3).
 
… O pensamento cristão gnóstico girava em torno do conceito de que, em essência, o bem e o mal devem ser identificados com o espírito e a matéria, respectivamente. Ensinava que aqueles em quem residia uma centelha da luz celestial eram prisioneiros neste mundo material. A salvação
consistiria no conhecimento de como escapar da esfera material para a espiritual. O gnosticismo negava a encarnação de Cristo ao afirmar que a forma humana vista pelos olhos físicos era apenas uma aparência. Supunha que o Cristo divino havia entrado no Jesus humano, em Seu batismo e havia partido antes da morte na cruz.
 
Sem dúvida, João enfrentou esses falsos conceitos de pecado e salvação, em parte, com seu relato da vida de Jesus. Mais ou menos 30 anos antes, Paulo havia escrito à igreja de Colossos acerca dos perigos ocultos naquilo que, na época, era uma nova e intrigante crença: o gnosticismo (Cl 2:8;
cf. At 20:29, 30). Então, o apóstolo João combateu a mesma filosofia, já vigorosa e mais popular e que ameaçava à própria vida da igreja.
 
Com bom senso inspirado, João evita atacar diretamente o gnosticismo e se atém a uma declaração positiva da verdade. É digno de nota que, aparentemente de maneira deliberada, ele evita o uso de certos termos gregos como gnosis, pistis e sophia (“conhecimento”, “fé” e “sabedoria”), que eram palavras-chave no vocabulário gnóstico. Ele começa declarando em linguagem inequívoca a verdadeira divindade de Cristo e a realidade de Sua encarnação. Parece que sua seleção de incidentes foi guiada pelo desejo de apresentar os aspectos da vida e do ministério de Cristo que mais claramente revelam essas verdades fundamentais.
 
Com poucas exceções dignas de nota, como as bodas de Caná, a visita a Sicar, a cura do filho do oficial do rei, a alimentação dos 5 mil e o sermão sobre o Pão da Vida, João trata exclusivamente e, muitas vezes de maneira detalhada, de incidentes que ocorreram na Judeia e envolveram líderes da nação judaica. Nesse aspecto, seu evangelho complementa os sinóticos, que tratam  extensivamente do ministério na Galileia e passam por alto, em relativo silêncio, a maioria dos incidentes ocorridos na Judeia.
 
João também difere dos sinóticos de outras maneiras. Extensas seções de seu evangelho consistem de longos e controversos discursos proferidos no templo em Jerusalém. Além disso, vários capítulos são devotados a conselhos comunicados aos discípulos na noite da crucifixão. Por outro lado, João não diz nada sobre incidentes importantes como o batismo, a transfiguração
e a experiência no Getsêmani, e também não relata nenhum caso de cura de endemoniados. Os milagres que relata são especificamente apresentados como evidências do poder divino e contribuem para seu assumido propósito de provar que Jesus é o Filho de Deus. Não relata nenhuma das parábolas dos sinóticos. Seu objetivo é mais teológico do que biográfico ou histórico, mesmo assim ele emprega bastante material biográfico e histórico. Ao passo que os sinóticos
apresentam a messianidade de Jesus de maneira indutiva, João a anuncia ousadamente já no primeiro capítulo e, depois, passa a apresentar evidências para comprová-la. Outras diferenças significativas se encontram na cronologia joanina da vida de Cristo, em comparação com a sinótica. Se tivéssemos só as narrativas dos sinóticos, provavelmente concluiríamos que o ministério de
Cristo se estendeu por um período de pouco mais de um ano, enquanto que João requer pelo menos dois anos e meio e sugere um período de três anos e meio. João e os sinóticos também diferem em sua correlação da última Páscoa com a crucifixão (ver Nota Adicional 1 a Mateus 26).
 
A palavra-chave deste evangelho é “Verbo”, do gr. logos (Jo 1:1), que, contudo, é usado em seu sentido técnico apenas no capítulo introdutório. Logos, como termo técnico, parece ter-se
originado com os [filósofos] 
estoicos, que o usavam para denotar a sabedoria divina como a força integradora do universo. O filósofo judeu Filo usa logos 1.300 vezes em sua exposição do AT. Alguns afirmam que João usa o termo logos nesse sentido filosófico, mas o Logos de João é
estritamente cristão. Ele apresenta Jesus como a expressão encarnada da sabedoria divina que tornou possível a salvação, como a expressão encarnada da vontade e do caráter divinos, bem como do poder divino que atua na transformação da vida humana. João se refere vez após vez ao fato de que Jesus veio ao mundo como a expressão viva da mente, da vontade e do caráter do Pai. Isso pode ser visto nas 26 vezes em que ele diz que Cristo Se referia ao Pai através da expressão
“Aquele que Me enviou” ou outra equivalente, ou quando ele usa um verbo sinônimo para se referir à missão que Cristo recebera do Pai.
João apresenta o Salvador da humanidade como o Criador de todas as coisas, a Fonte da luz e da vida. Enfatiza também a importância de se crer na verdade sobre Jesus, usando a palavra “crer” ou seu equivalente mais de 100 vezes. Embora o evangelho segundo João seja novo e distintamente cristão em seus conceitos, estima-se que 427 de seus 879 reflitam o AT, quer por citação direta quer por alusão.
Fonte: CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. vol. 5, p. 984-986.



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