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4:1 – 5:27 A abertura de Elifaz foi cautelosa, mas acusadora. Ele parecia em conflito: aparentemente sensível à angústia de Jó, mas desconfortável com o que ele chamou de impaciência de Jó. Sendo que Jó havia ajudado outras pessoas em momentos como esse, ele deveria ter sido capaz de lidar com a crise. Os versículos 6-11 já revelam seu espírito crítico (Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 99).
1. Elifaz. Suas declarações são mais profundas que as de seus companheiros. […] Ele resume, com grande clareza, a atitude geral que prevalecia em seus dias acerca da relação entre sofrimento e pecado. Há certa dose de verdade no discurso de Elifaz. Ele revela um discernimento perspicaz, mas lhe falta calor humano e simpatia, e erra completamente ao avaliar a situação de Jó. Elifaz é um exemplo de como pessoas sinceras, que deixam de compreender a Deus e Sua atitude para com o ser humano, podem lidar de maneira ineficiente com verdades profundas (CBASD, vol. 3, p. 567).
Elifaz afirmava que recebera conhecimento secreto através de uma revelação especial de Deus (v.12-16) e que ele tinha aprendido muito de sua experiência pessoal (v.8). Ele argumentou que o sofrimento é resultado direto do pecado e que, portanto, se Jó confessasse seu pecado seu sofrimento teria fim. Elifaz via o sofrimento como punição de Deus, que devia ser bem recebido a fim de trazer de volta a pessoa a Deus. Em alguns casos, certamente, isto é verdade (Gál. 6:7,8), mas este não era o caso de Jó. Embora Elifaz fizesse comentários bons e verdadeiros, ele fez três suposições equivocadas: (1) uma pessoa boa e inocente nunca sofre; (2) aqueles que sofrem estão sendo punido por seus pecados; e (3) Jó, por estar sofrendo, havia feito algo de errado aos olhos de Deus (Life Application Study Bible).
Elifaz […] e os outros dois acreditavam que aquele excessivo sofrimento era uma consequência do seu [de Jó] pecado e evidência dele. […] De acordo com essa filosofia, bastava que ele confessasse o seu pecado, e tudo voltaria ao normal e o sol tornaria a brilhar no seu caminho (Comentário Devocional VT – FBMeyer).
O problema dos amigos não se achava tanto no que sabiam, mas, sim, no que não sabiam (Bíblia de Estudo NVI Vida).
Temã era uma cidade comercial, conhecida como um lugar de sabedoria (ver Jer 49:7) (Life Application Study Bible).
2 Elifaz supõe que sua palestra vá ofender a Jó, e, portanto, pede desculpas de antemão (Bíblia Shedd).
5 Elifaz acha que Jó não tinha gabarito de viver à altura das lições que havia dado a outras pessoas que tinham caído na desgraça (Bíblia Shedd).
4:7 – 5:1 Os versículos que servem de moldura para a fantástica revelação de Elifaz (4:7; 5:1) incluem, cada um deles, um imperativo e uma pergunta retórica cuja resposta implícita é “ninguém”. (Jó 5:1) registra um imperativo destinado a apontar a necessidade desesperada de arrependimento por parte de Jó; mas, pelo menos inicialmente, era uma ordem um tanto severa (Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 101).
7,8 O que Elifaz disse era em parte verdadeiro e em parte falso. É verdadeiro que aqueles que promovem pecado e confusão eventualmente serão punidos; é falso que qualquer um que for bom e inocente nunca irá sofrer. Todo o material registrado e citado na Bíblia está ali por escolha de Deus. Parte dele é registro do que as pessoas disseram e fizeram mas não é um exemplo a se seguir. Os pecados, os defeitos, os maus pensamentos e concepções errôneas acerca de Deus são parte da Palavra inspirada de Deus, mas não devemos seguir estes exemplos errôneos somente porque estão na Bíblia. A Bíblia nos traz ensinamentos e exemplos que deveremos fazer assim como aquilo que não deveremos fazer. Os comentários de Elifaz são um exemplo do que devemos evitar – fazer suposições falsas sobre outros baseado em nossa própria experiência (Life Application Study Bible).
12,13 Apesar de Elifaz declarar que sua visão tinha inspiração divina, é questionável se ela realmente viera de Deus porque mais tarde Deus mesmo criticou Elifaz por representá-Lo erradamente (42.7). Seja qual for a origem da visão, ela é resumida em 4:17. Aparentemente, a declaração é completamente verdadeira – um mero mortal não pode tentar questionar os motivos e atos de Deus. Elifaz, contudo, tomou este pensamento e o expandiu, expressando suas próprias opiniões. Sua conclusão (5:8) revela seu entendimento superficial de Jó e de seu sofrimento. É facil que professores, conselheiros e amigos bem intencionados comecem com uma porção da verdade de Deus e, então, errem o alvo [NT: no original, go off on a tangent). Não limite Deus à sua perspectiva e entendimento finito da vida (Life Application Study Bible).
12-21 Aqui, notamos que Elifaz é um místico. No seu debate, depende muito da sua experiência pessoal; fala do que aprendeu em visões e sonhos (Bíblia Shedd).
15-21 A identidade do espírito. […] sugerimos que Elifaz está ecoando a voz do adversário do prólogo. Primeiro, enquanto Satanás afirmou que era impossível para um ser humano ser justo perante o Senhor, a não ser por motivos egoístas (1:9), Deus identificou um ser humano que era íntegro, reto e que O temia: Jó (v.8). O espírito que falou om Elifaz estava contradizendo o que Deus revelou ao leitor no prólogo do livro sobre Jó. Em segundo lugar, ele também contradizia Deus ao argumentar que os seres humanos sofrem por desígnio divino. O prólogo demonstra que o sofrimento tem sua origem não no Criador, mas no adversário (Satanás). Em terceiro lugar, fia claro que a mensagem do espírito projeta uma visão inferior da humanidade perante Deus, o que contrasta com outras mensagens bíblicas da humanidade criada à imagem de Deus para dominar toda a criação (Gn 1:26-29), uma visão que ainda é altamente estimada mesmo após a queda moral do Éden (So 8). Em bora Elifaz não tenha dito nada sobre a natureza do espírito que falou com ele, agora podemos dizer, sem dúvida, que se tratava de um mensageiro do adversário (Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 100).
18, 19 Os anjos realmente cometem erros? Lembre-se de que foi Elifaz quem disse isso e não Deus. Portanto deveríamos ser cuidadosos em construir conhecimento a respeito do mundo espiritual a partir das opiniões de Elifaz (Life Application Study Bible Kingsway).[NT: Note que o comentarista não está afirmando nem que a frase é correta nem que não é. Apenas que a palavra de Elifaz não é suficiente para construirmos teologias sobre ela].
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