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Na sua defesa, Jó, sendo cada vez mais encorajado, aponta sem hesitação as falácias da posição dos seus amigos. Os caminhos de Deus são inescrutáveis para Jó, e devem ser também para seus amigos, pois a teoria de punições e galardões imediatos na terra é uma maneira simplista de se reduzir a providência divina a um mecanismo (Bíblia Shedd).
1. Respondeu, porém, Jó. Aqui tem início o terceiro ciclo de discursos (Jó 21-31), composto por três de Jó, um de Elifaz e um de Bildade. Zofar não participa deste ciclo (CBASD, vol. 3, p. 622).
2 consolação. Jó aqui busca consolação no privilégio de ser ouvido. Frequentemente a pessoa ferida é mais beneficiada quando alguém a ouve do que quando alguém lhe fala (CBASD, vol. 3, p. 622).
3 tolerai-me. Isto é, “permitam-me falar” (CBASD, vol. 3, p. 622).
4 é do homem que eu me queixo? Jó deixa implícito que se queixa de algo cuja causa é sobrenatural (CBASD, vol. 3, p. 622).
5 pasmai. Jó está prestes a defender a ideia de que os ímpios têm vida longa, tranquila e próspera. Sabendo que essa ideia revolucionária despertará horror e indignação em seus ouvintes, ele os prepara para o choque (CBASD, vol. 3, p. 622).
7 como é […]? O verso anterior revela que Jó não faz a pergunta meramente a título de argumentação. Ele está genuinamente preocupado. Já observou o sucesso e a prosperidade dos ímpios. Diferentemente de seus amigos, está disposto a admitir este estranho fenômeno. Mas, embora o reconheça, acha difícil aceitá-lo. Jó não é a única pessoa que buscou respostas para esta intrigante pergunta (CBASD, vol. 3, p. 622).
envelhecem. Zofar afirmou que o triunfo dos ímpios era curto (Jó 20:5). Com mais discernimento, Jó vê que a prosperidade dos ímpios pode continuar ao longo de toda a vida deles (CBASD, vol. 3, p. 622).
7-13 Em palavras duras, Jó descreve a duradoura prosperidade do lar dos ímpios, da sua família, dos seus campos e dos seus rebanhos; e no fim dos seus dias descem tranquilamente à sepultura (Bíblia Shedd).
8 seus filhos se estabelecem. Os amigos de Jó afirmaram que os filhos dos ímpios não sobreviveriam (Jó 18:19). Jó questiona essa posição (CBASD, vol. 3, p. 622).
9 Jó, a esta altura, nega aquilo que lhe foi ensinado por Elifaz (15.28), Zofar (20.28) e Bildade (18.14). Assim faz, não para obter um triunfo de dialética na argumentação, mas porque está sinceramente procurando uma solução para um problema moral que o angustia, cf v 6 (Bíblia Shedd).
11 seus filhos saltam de alegria. Um quadro de despreocupada felicidade e prosperidade (CBASD, vol. 3, p. 623).
12 tamboril […] harpa […] flauta. Estes parecem representar os três tipos de instrumentos musicais: de percussão, cordas e sopro (CBASD, vol. 3, p. 623).
13 em paz. Os ímpios têm vida próspera e livre de cuidados e morrem sem sofrimento e sem doença prolongada. Não se deve entender que Jó estivesse afirmando ser sempre esta a experiência dos ímpios, mas ele havia observado o suficiente na vida para saber que isto ocorria com frequência. Esta imagem da vida está em completo desacordo com a dos amigos, que apresentavam os ímpios como pessoas invariavelmente atormentadas por sua consciência (Jó 15:20), que ficavam sem filhos (18:19) e sofriam morte trágica (20:24) (CBASD, vol. 3, p. 623).
14 retira-Te de nós. Estas declarações expressam a filosofia dos infiéis ao longo de todos os séculos. Os autossuficientes não sentem necessidade de Deus, não desejam conhecer os caminhos de Deus e não reconhecem a autoridade do Todo-Poderoso. Não estão interessados em nada que não prometa benefício imediato para si mesmos (CBASD, vol. 3, p. 623).
16 longe de mim o conselho dos perversos. Jó não quer que sua descrição atraente, sobre a sorte dos ímpios na terra, seja considerada como um desejo de tomar seu partido. Jó está no firme propósito de seguir o caminho da retidão, sem a necessidade de edificar-se com doutrinas de galardões materiais, cf 17.9 (Bíblia Shedd).
17 Jó solicita as provas que sustentem a doutrina de Bildade, “a luz dos perversos se apagará” (18.5), e de Zofar (20.23) (Bíblia Shedd).
19 é a ele que Deus deveria dar o pago. Jó deseja que os próprios pecadores, e não seus filhos, sintam o impacto de seus atos ímpios (CBASD, vol. 3, p. 623).
20 seus próprios olhos. Este verso dá sequência ao pensamento do anterior. Jó observou que os pecadores morrem na prosperidade e em aparente bem-estar, mas ele gostaria que não fosse assim. Ele desejaria que seus amigos estivessem certos em sua insistência de que o ímpio recebe a recompensa nesta vida, mas a experiência lhe ensinou que eles não estão corertos em seu ponto de vista (CBASD, vol. 3, p. 623).
22 De súbito, Jó acusa os amigos de presunção, ao elaborarem teorias simplistas acerca do governo de Deus. Ao fazê-lo, estão praticamente ensinando a Deus como deveria governar os homens, em vez de encararem os fatos como se apresentam em toda a sua realidade (Bíblia Shedd).
23 um morre. Novamente Jó enfatiza que não há norma confiável pela qual explicar o sofrimento ou a ausência dele na vida de alguém (CBASD, vol. 3, p. 624).
24-34 Jó não achou sabedoria nem consolo nos conselhos dos seus amigos, pois falaram em generalidades e, por conveniência, ignoram os exemplos que desmentem suas teorias (v 29 – 30) (Bíblia Shedd).
25 na amargura. Em contraste com a prosperidade de alguns, outros morrem em amargura após uma vida de miséria. Jó não tenta explicar esta anomalia da vida (CBASD, vol. 3, p. 624).
26 juntamente. Nota-se que Jó não quer inverter o argumento dos amigos e dizer que somente o ímpio obtém vantagens materiais; (Bíblia Shedd).
27 conheço os […] injustos desígnios. Jó tem consciência de que seus amigos o consideram muito ímpio. Ele sabe que não tem a compaixão deles (CBASD, vol. 3, p. 624).
29 os que viajam. Jó pede aos amigos que perguntem aos viajantes, que já observaram pessoas em diferentes países, se eles não concordam com ele. Jó estava certo de que a observação desses homens revelaria que muitas pessoas boas sofrem e que pessoas ímpias prosperam (CBASD, vol. 3, p. 624).
30 é poupado no dia da calamidade. A frase diz, literalmente, “para o dia da ira”.
É poupado. A frase aqui parece significar que os ímpios são poupados das angústias da vida presente em vista do juízo vindouro, quando receberão seu castigo. Esta observação está em harmonia com a declaração de Pedro (2Pe 2:9) (CBASD, vol. 3, p. 624).
31 quem lhe lançará em rosto […]? Enquanto o ímpio tem poder, ninguém ousa condená-lo abertamente ou puni-lo por sua impiedade (CBASD, vol. 3, p. 624).
32 finalmente é levado. A palavra traduzida como “levado” significa “conduzir”, “carregar” em cortejo. A ideia parece ser de que os ímpio morre em plena honra e é levado em cortejo para sua sepultura (CBASD, vol. 3, p. 624).
33 torrões do vale. “Torrões” representam a terra jogada sobre o caixão. Figura de linguagem poética para uma morte tranquila.
34 Como, pois, me consolais em vão? “A filosofia de vocês está errada”, diz Jó a seus amigos. “A ideia de vocês sobre a retribuição divina nesta vida não é comprovada pelos fatos da experiência humana. Não há consolo no que vocês dizem, porque não falam a verdade.” Este capítulo pode ser chamado de o triunfo de Jó sobre seus oponentes. Ele não está irritado como a princípio. Suas declarações são menos pessoais e mais profundas. Este discurso é marcado pelo fervor, pela confiança e pela reverência (CBASD, vol. 3, p. 624, 625).
Comentário devocional:
Jó responde a Zofar, da mesma maneira que respondera a Bildade. Em sua enfermidade, ele se pergunta por que os maus prosperam enquando os fiéis sofrem? “Por que vivem os ímpios? Por que chegam à velhice e aumentam seu poder?” (V. 7, NVI). Então Jó lista todas as histórias de sucesso relacionadas aos ricos: “Eles veem os seus filhos estabelecidos ao seu redor” (v. 8); suas casas estão livres do medo (v. 9), a vara de Deus não está sobre eles (v. 9), seus touros e suas vacas são sempre férteis ( v. 10), eles possuem muitos filhos que se divertem (v. 11), eles cantam alegres ao som da flauta, do tamborim e da harpa (v. 12).
Os ímpios pedem que Deus os deixe em paz e não querem saber dos Seus caminhos (v. 14). Eles não vêem necessidade de adorar o Todo-Poderoso e a oração para eles não é de nenhum proveito (v. 15).
Jó tem dificuldade de entender a justiça divina. Uma pessoa morre em plena força, tranquilo e bem alimentados (v. 23). Outra pessoa “morre tendo a alma amargurada”, sem ter desfrutado de comidas gostosas (v. 25). E no entanto repousam um ao lado do outro no pó da terra, “ambos cobertos de vermes.” (v. 26).
No versículo 27 Jó se queixa dos seus amigos porque estes o consideram uma pessoa má como resultado de raciocínios equivocados. Ele termina dizendo-lhes: “como podem vocês consolar-me com esses absurdos? O que sobra das suas respostas é pura falsidade!” (v. 32).
Querido Deus,
Correr atrás dos nossos sonhos pode significar apenas ser enterrado perto do que acumulamos na vida. Não vale a pena viver como rico, mas perder a vida eterna. Ajuda-nos a mantermos o foco em Ti, querido Senhor. Amém.
Koot van Wyk
Kyungpook National University
Sangju, Coreia do Sul
Trad JDS
Texto bíblico: Jó 21