Reavivados por Sua Palavra


João 1 – Comentários selecionados by Jeferson Quimelli

1-18 Prólogo do Evangelho de João. Resume os principais temas do Evangelho. Mostra Jesus, que andou nesta terra, a partir da perspectiva da eternidade [o Verbo/a Palavra]. Andrews Study Bible.

1 No princípio. Antes da criação (cf Gn 1.1). Bíblia Shedd.

“No princípio” (uma clara referência às palavras de abertura da Bíblia), o Logos já existia, e esta é uma maneira de afirmar a eternidade que só Deus possui. Bíblia de Genebra.

Verbo. O termo “verbo” (grego logos) designa Deus, o Filho, referindo-Se à Sua divindade; “Jesus” e “Cristo” referem-se à Sua encarnação e obra salvífica. … Na filosofia neoplatônica e na heresia gnóstica (séculos II e III), o Logos era visto como um dos muitos poderes intermediários entre Deus e o mundo. Tais noções estão bem longe da simplicidade do Evangelho de João. Bíblia de Genebra

Os gregos usavam o termo [logos] não apenas no tocante à palavra falada, mas também em referência à palavra ainda na mente, sem ter sido proferida – a razão. Quando a aplicavam ao universo, referiam-se ao princípio racional que governa todas as coisas. Os judeus, por outro lado, usavam-na como meio de se referir a Deus. João, portanto, empregou um termo significativo tanto para judeus quanto para gentios. Bíblia de Estudo NVI Vida.

[Termo] usado para denominar um mediador divino na filosofia grega, isto apelaria aos leitores gregos. João é o único escritor bíblico a usar explicitamente este título para Cristo (p.e., 1 Jo 1:1; Ap 19:13). Andrews Study Bible.

com Deus. A Palavra era distinta do Pai. Bíblia de Estudo NVI Vida.

A expressão o verbo estava com Deus indica uma distinção de Pessoas, dentro da unidade da Trindade. Pai, Filho e Espírito Santo não são formas sucessivas de aparecimento de uma Pessoa, mas são Pessoas eternas presentes desde “o princípio” (v. 2). A preposição “com” sugere uma relação de estreita intimidade pessoal. Bíblia de Genebra.

O Verbo era Deus. Jesus era Deus no sentido mais pleno (v. nota em Rm 9.5). O prólogo (v. 1-18) inicia-se e termina com uma afirmação altissonante da Sua divindade. Bíblia de Estudo NVI Vida.

Como Deus, Jesus era Um igual ao Pai. A divindade de Jesus … é especialmente enfatizada por João. Andrews Study Bible.

3 Todas as coisas foram feitas por meio dEle. Este versículo também dá ênfase à divindade do Verbo, uma vez que a criação é obra só de Deus. Bíblia de Genebra.

Foram feitas. Traduz uma palavra grega usada na tradução Septuaginta (LXX) de Gn 1. Andrews Study Bible.

A atuação de Cristo na criação também se encontra em Cl 1.16 17. Bíblia Shedd.

4 vida. Um dos grandes conceitos desse evangelho. O termo acha-se 36 vezes em João, ao passo que nenhum outro livro do NT o usa mais de 17 vezes. A vida é dádiva de Cristo (10.28), e ele é, na realidade, “a vida” (14.6). Bíblia de Estudo NVI Vida.

5 luz. É identificada com a vida que Deus compartilha: é o contrário das trevas, existência sem Deus que equivale à morte eterna. A luz não pode ser vencida pelo mal, absolutamente (1 Jo 2.8). Bíblia Shedd.

e as trevas não prevaleceram contra ela. O enredo deste Evangelho pode ser visto em termos de uma luta entre as forças da fé e as da descrença. Bíblia de Genebra.

O forte contraste entre a luz e as trevas é tema de destaque nesse evangelho. Bíblia de Estudo NVI Vida.

9 a verdadeira luz. Cristo, e só Ele, vindo ao mundo ilumina a todo homem. Não há salvação das trevas á parte dEle (At. 4.12). Bíblia Shedd.

11 Veio para o que era seu e os seus não o receberam. “Seu”, no grego, significa “sua casa”; “Seus”significa Seu povo. mesmo rejeitado pela maioria de Israel, Cristo Se oferece a todos, entre os quais alguns O recebem. Bíblia Shedd.

12 o poder (“autoridade”) de serem feitos filhos de Deus (ARA). O seres humanos decaídos não são filhos de Deus por natureza; este é um privilégio só daqueles que têm fé, uma fé gerada neles pela soberana ação de Deus (v. 13). Bíblia de Genebra.

deu-lhes o direito (NVI). Ser membro da família de Deus só se dá por meio da graça – dom de Deus (v. Ef 2.8, 9). Nunca é uma realização humana, conforme frisa o v. 13; mesmo assim, a dádiva depende da aceitação do homem, como deixam claro as palavras “receberam” e “creram”. Bíblia de Estudo NVI Vida.

aos que creem. O verbo aqui quer dizer: “aqueles que continuamente creem”. Isto indica constante ação ao longo do tempo, e não um evento único num momento particular. Andrews Study Bible.

13 os quais não nasceram. …o verbo “nasceram”, no plural, mostra que este versículo se refere ao novo nascimento dos crentes cristãos (cf 3.3, 5, 7, 8). Bíblia de Genebra.

14 O Verbo Se fez carne. Nesta afirmação o Prólogo [vv 1-18] atinge o seu clímax. Para alguns contemporâneos de João, o espírito e o divino eram totalmente opostos á matéria e à carne. Outros pensavam que os deuses visitavam a terra disfarçados de seres humanos (At 14.11). Mas aqui um abismo é transposto: o Verbo Eterno de Deus não só parece um ser humano, mas realmente tornou-Se carne. Tomou sobre Si a plena e genuína natureza humana. Bíblia de Genebra.

carne. Palavra forte, quase grosseira, que ressalta a realidade da condição humana de Cristo. Bíblia de Estudo NVI Vida.

O eterno Filho, o Verbo de Deus, se encarnou como homem (cf Rm 8.3). Esta verdade essencial nega terminantemente a heresia gnóstica que afirmava que a encarnação não foi real (cf 1 Jo 4.2, 3). Bíblia Shedd.

e habitou entre nós. “Habitou” significa “armou sua tenda”. isto não só indica a natureza temporária da existência terrena de Jesus, mas o faz de um modo que recorda o antigo tabernáculo de Israel, onde Deus podia ser encontrado (Êx 40.34-35).Bíblia de Genebra.

Lembra o santuário do AT, através do qual Deus providenciou um meio para habitar com Seu povo. Andrews Study Bible.

Habitou, gr skenoo “tabernaculou”. Em Cristo vemos a realidade da glória divina, o zelo de Deus em Se aproximar dos homens mesmo sendo pecadores. Bíblia Shedd.

graça. Favor de Deus não merecido. verdade. A fidelidade de Deus. Bíblia Shedd.

graça e verdade. Ver Jo 1:14. Ideias abstratas no AT, são personificadas na pessoa de Jesus. Andrews Study Bible.

glória. Do gr. doxa, aqui equivalente ao heb. kabod, que é usado no AT para significar a “glória” da permanente presença do Senhor, o shekinah (ver com. de Gn 3:24; Êx 13:21; cf com. de 1Sm 4:22). … Aqui João, sem dúvida, está pensando particularmente em experiências como a transfiguração, em que a divindade por um momento irradiou por meio da humanidade. Pedro, de maneira semelhante, fala sobre ser “testemunhas” da “majestade” e da “glória excelsa” de Cristo na transfiguração (2Pe 1:16-18). Essa glória, acrescenta Pedro, acompanhou a declaração: “Este é o Meu Filho amado”. Em várias ocasiões, a glória do Céu iluminou o semblante de Jesus (ver com. de Lc 2:48). Em João 17:5, Jesus ora ao Pai: “Glorifica-Me, ó Pai, contigo mesmo, coma  glória que Eu tive junto de Ti, antes que houvesse mundo.” CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, p. 994, 995.

como do unigênito. Essa expressão traduz uma única palavra grega [monogenes] e refere-se explicitamente à geração eterna do Filho na Trindade. É também possível traduzir a palavra por “Filho único”, sem a ideia de geração, mas referindo-se à singularidade do Filho. Bíblia de Genebra.

15 exclama. O uso do tempo presente para o verbo revela que a pregação de João Batista ainda soava nos ouvidos das pessoas, embora tivesse sido morto muito antes de esse evangelho ser escrito. Bíblia de Estudo NVI Vida

18 Deus unigênito. Esta é uma declaração clara da deidade de Jesus Cristo. Bíblia Shedd.

no seio. Modo hebraico de indicar proximidade de amigos (13.23, 25). Bíblia Shedd.

Em contraste com Moisés, Jesus tem relacionamento face-a-face com Deus. A mesma frase descreve o relacionamento entre o discípulo amado e Jesus (13:23). Andrews Study Bible.

19 os judeus. Usado frequententemente neste Evangelho para os líderes religiosos que se opunham a Jesus. Andrews Study Bible.

Aqui, refere-se à delegação enviada pelo Sinédrio para fiscalizar as atividades de um mestre sem autorização. Bíblia de Estudo NVI Vida.

23 Eu sou a voz que clama no deserto. Os homens de Qumran (comunidade que produziu os manuscritos do mar Morto…) aplicavam a si as mesmas palavras, mas se prepararam para a vinda do Senhor isolando-se do mundo para obter salvação deles próprios. Bíblia de Estudo NVI Vida.

25 O profeta. A comissão indaga se João seria o cumprimento de Dt 18.18. Bíblia Shedd.

27 não sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias. Tarefa própria de escravo. Os discípulos realizavam muitas tarefas para seus rabinos (mestres), mas desamarrar as sandálias não era uma delas. Bíblia de Estudo NVI Vida.

28 Betânia. A Betânia mencionada em outros trechos dos evangelhos situava-se a apenas 4 km de Jerusalém. A localização dessa Betânia especificamente é desconhecida – só se sabe que ficava a leste do Jordão. Bíblia de Estudo NVI Vida.

29 Cordeiro de Deus. Providenciado por Deus (cf Gn 22.8; Rm 8.32). Bíblia Shedd.

30 antes de mim. João declara a preexistência de Jesus Cristo. Bíblia Shedd.

31 eu mesmo não O conhecia. Ainda que João Batista possa ter tido contato pessoal anterior com Jesus (cf. Lc 1.39-45), ele não sabia quem era Jesus (o Cordeiro e o Filho de Deus), até que o Espírito O identificou (v. 32). Bíblia de Genebra.

a fim de que ele fosse manifestado a Israel. A missão divina do Batista era identificar o Messias. É através do batismo que alguém é identificado como cristão. Andrews Study Bible.

A finalidade do batismo era de preparar um povo submisso ao vindouro Rei messiânico. Bíblia Shedd.

35, 37 Os dois discípulos,seguiram Jesus. Um era André (v. 40). O outro, segundo opinião corrente, teria sido o autor deste evangelho. Bíblia Shedd.

Tradicionalmente, os alunos de um rabino judeu andavam atrás dele. Os discípulos de Jesus O seguiram fisicamente, mas não se trata só disso. “Seguiram a Jesus” adquire níveis mais profundos de significado ao longo deste Evangelho. Bíblia de Genebra.

38 Rabi. Ao designar Jesus como “meu mestre” os discípulos se oferecem como discípulos. Bíblia Shedd.

42 Pedro. Pedro era tudo, menos pedra; era impulsivo e instável. Em Atos, passou a ser coluna da igreja primitiva. Jesus deu-lhe esse nome, não pelo que era, mas pelo que viria a ser pela graça de Deus. Bíblia de Estudo NVI Vida.

43-53 Como testemunhar: 1) Dar a maior importância à pessoa de Cristo (36); 2) apelar aos amigos (41; 45); 3) convidar outros após sentir a emoção da descoberta pessoal (45); 4) não debater apenas com argumentos mas com desafio à investigação (46); 5) não perder tempo. Bíblia Shedd.

45 Filho de José. …uma referência que identifica Jesus por sua cidade e família. Bíblia de Genebra.

Era uma designação pública e oficial. Bíblia Shedd.

46 Nazaré. Cidade em que Jesus morou quando criança. Natanael era de Caná (21:2), uma aldeia vizinha, que parecia ter uma rivalidade local contra Nazaré. Andrews Study Bible.

48 figueira. Sua sombra era muito apreciada para o estudo e a oração em momentos de sol. Bíblia de Estudo NVI Vida.

51 vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo. Este versículo alude à visão de Jacó de uma escada, cujo topo atingia o céu e por onde os anjos subiam e desciam (Gn 28.12). Jesus Se apresenta como a realidade para a qual a escada apontava. Jacó viu num sonho a reunião do ceú e da terra e Cristo transformou-o em realidade. Bíblia de Genebra.

Filho do Homem. Jesus aplica este nome frequentemente a Si mesmo. Ele dá ênfase à Sua natureza humana, que O capacita a morrer por Seu povo. Refere-se também á figura messiânica celestial conhecida em Daniel (7.13; ver Mt 8.10, nota). Bíblia de Genebra.



O Evangelho de João – objetivos e características by Jeferson Quimelli
8 de janeiro de 2015, 17:52
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Caríssimos,

Embora um tanto extenso, compartilho aqui parte do excelente material apresentado no Comentário Bíblico Adventista sobre o Evangelho de João, no qual se expõem 1) o objetivo do livro, 2) principais diferenças entre João e os outros evangelhos; 3) a palavra-chave do livro (Logos) e 4) correlação com o AT.

Após sua leitura, você terá uma outra visão sobre o Evangelho de João. Um excelente e abençoado estudo nos próximos 21 dias!

Pela Equipe Reavivados.

***

Quando o evangelho de João foi escrito, próximo ao fim do primeiro século, três principais perigos ameaçavam a vida e a pureza da igreja cristã. O mais sério deles era a decadência da piedade; além disso, havia perseguição e heresias, particularmente o gnosticismo, que negava a encarnação e fomentava a libertinagem.

Depois de cerca de 30 anos desde que os sinóticos foram escritos (ver p. 163-167), o idoso João era o único sobrevivente dos doze discípulos (AA, 542). Então, foi impressionado pelo Espírito a apresentar novamente a vida de Cristo, de maneira a enfrentar as tendências que ameaçavam a igreja. Os crentes precisavam de um quadro vívido do Salvador que lhes fortalecesse a fé nas grandes verdades do evangelho: encarnação, divindade, humanidade, vida perfeita, morte expiatória, a gloriosa ressurreição e o prometido retorno de Jesus. E João pregava que “a si mesmo se purifica todo o que nEle tem esta esperança, assim como Ele [Cristo] é puro” (1Jo 3:3). Somente quando a vida e a missão do Salvador são preservadas como uma realidade viva na mente e
no coração é que o poder transformador de Sua graça se torna eficaz na vida. Em harmonia com isso, João anuncia que seu relato foi escrito “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome” (Jo 20:31). Ele admite que poderia ter registrado muito mais (v. 30), mas que relatou apenas os incidentes que considerou mais necessários para confirmar as verdades fundamentais do evangelho. Agiu segundo a convicção de que o que lhe convencera também convenceria a outros (cf. 1Jo 1:1-3).
 
… O pensamento cristão gnóstico girava em torno do conceito de que, em essência, o bem e o mal devem ser identificados com o espírito e a matéria, respectivamente. Ensinava que aqueles em quem residia uma centelha da luz celestial eram prisioneiros neste mundo material. A salvação
consistiria no conhecimento de como escapar da esfera material para a espiritual. O gnosticismo negava a encarnação de Cristo ao afirmar que a forma humana vista pelos olhos físicos era apenas uma aparência. Supunha que o Cristo divino havia entrado no Jesus humano, em Seu batismo e havia partido antes da morte na cruz.
 
Sem dúvida, João enfrentou esses falsos conceitos de pecado e salvação, em parte, com seu relato da vida de Jesus. Mais ou menos 30 anos antes, Paulo havia escrito à igreja de Colossos acerca dos perigos ocultos naquilo que, na época, era uma nova e intrigante crença: o gnosticismo (Cl 2:8;
cf. At 20:29, 30). Então, o apóstolo João combateu a mesma filosofia, já vigorosa e mais popular e que ameaçava à própria vida da igreja.
 
Com bom senso inspirado, João evita atacar diretamente o gnosticismo e se atém a uma declaração positiva da verdade. É digno de nota que, aparentemente de maneira deliberada, ele evita o uso de certos termos gregos como gnosis, pistis e sophia (“conhecimento”, “fé” e “sabedoria”), que eram palavras-chave no vocabulário gnóstico. Ele começa declarando em linguagem inequívoca a verdadeira divindade de Cristo e a realidade de Sua encarnação. Parece que sua seleção de incidentes foi guiada pelo desejo de apresentar os aspectos da vida e do ministério de Cristo que mais claramente revelam essas verdades fundamentais.
 
Com poucas exceções dignas de nota, como as bodas de Caná, a visita a Sicar, a cura do filho do oficial do rei, a alimentação dos 5 mil e o sermão sobre o Pão da Vida, João trata exclusivamente e, muitas vezes de maneira detalhada, de incidentes que ocorreram na Judeia e envolveram líderes da nação judaica. Nesse aspecto, seu evangelho complementa os sinóticos, que tratam  extensivamente do ministério na Galileia e passam por alto, em relativo silêncio, a maioria dos incidentes ocorridos na Judeia.
 
João também difere dos sinóticos de outras maneiras. Extensas seções de seu evangelho consistem de longos e controversos discursos proferidos no templo em Jerusalém. Além disso, vários capítulos são devotados a conselhos comunicados aos discípulos na noite da crucifixão. Por outro lado, João não diz nada sobre incidentes importantes como o batismo, a transfiguração
e a experiência no Getsêmani, e também não relata nenhum caso de cura de endemoniados. Os milagres que relata são especificamente apresentados como evidências do poder divino e contribuem para seu assumido propósito de provar que Jesus é o Filho de Deus. Não relata nenhuma das parábolas dos sinóticos. Seu objetivo é mais teológico do que biográfico ou histórico, mesmo assim ele emprega bastante material biográfico e histórico. Ao passo que os sinóticos
apresentam a messianidade de Jesus de maneira indutiva, João a anuncia ousadamente já no primeiro capítulo e, depois, passa a apresentar evidências para comprová-la. Outras diferenças significativas se encontram na cronologia joanina da vida de Cristo, em comparação com a sinótica. Se tivéssemos só as narrativas dos sinóticos, provavelmente concluiríamos que o ministério de
Cristo se estendeu por um período de pouco mais de um ano, enquanto que João requer pelo menos dois anos e meio e sugere um período de três anos e meio. João e os sinóticos também diferem em sua correlação da última Páscoa com a crucifixão (ver Nota Adicional 1 a Mateus 26).
 
A palavra-chave deste evangelho é “Verbo”, do gr. logos (Jo 1:1), que, contudo, é usado em seu sentido técnico apenas no capítulo introdutório. Logos, como termo técnico, parece ter-se
originado com os [filósofos] 
estoicos, que o usavam para denotar a sabedoria divina como a força integradora do universo. O filósofo judeu Filo usa logos 1.300 vezes em sua exposição do AT. Alguns afirmam que João usa o termo logos nesse sentido filosófico, mas o Logos de João é
estritamente cristão. Ele apresenta Jesus como a expressão encarnada da sabedoria divina que tornou possível a salvação, como a expressão encarnada da vontade e do caráter divinos, bem como do poder divino que atua na transformação da vida humana. João se refere vez após vez ao fato de que Jesus veio ao mundo como a expressão viva da mente, da vontade e do caráter do Pai. Isso pode ser visto nas 26 vezes em que ele diz que Cristo Se referia ao Pai através da expressão
“Aquele que Me enviou” ou outra equivalente, ou quando ele usa um verbo sinônimo para se referir à missão que Cristo recebera do Pai.
João apresenta o Salvador da humanidade como o Criador de todas as coisas, a Fonte da luz e da vida. Enfatiza também a importância de se crer na verdade sobre Jesus, usando a palavra “crer” ou seu equivalente mais de 100 vezes. Embora o evangelho segundo João seja novo e distintamente cristão em seus conceitos, estima-se que 427 de seus 879 reflitam o AT, quer por citação direta quer por alusão.
Fonte: CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. vol. 5, p. 984-986.