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JÓ 11 – COMENTÁRIOS SELECIONADOS by Jeferson Quimelli
7 de julho de 2026, 0:50
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1442 palavras

1-20 Assim como Elifaz (v. 4.7-11) e Bildade (v. 8.3-6), Zofar declara que os pecados de Jó foram a causa das aflições (Bíblia de Estudo NVI Vida).

Zofar era o menos sensível e o menos respeitoso dos amigos em relação a Jó. Ele lançou um ataque brutal contra Jó (v. 16) e voltou à pergunta de 4:17 e 9:2: Pode um ser humano ser justo? Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 105.

Zofar foi o terceiro dos amigos a falar, e o menos cortês. Cheio de ódio, ele ataca Jó, dizendo que Jó merece mais punição e não menos. Zofar assumiu a mesma posição de Elifaz (cap. 4,5) e Bildade (cap.8) de que Jó estava sofrendo por causa de pecado, mas seu discurso foi, de longe, o mais arrogante (Life Application Study Bíble Kingsway NIV).

2-3 As palavras de Zofar são mais duras que as de Bildade (8:2) (Andrews Study Bible).

Zofar revela falta de compaixão ao deixar de se colocar no lugar de Jó antes de condená-lo. Além disso, Zofar não está inteiramente certo na condenação: Jó foi sincero em questionar ações de Deus que lhe pareciam injustas (v. 9.14-24), mas não zombou de Deus (é Zofar quem o acusa de ter feito isso) (Bíblia de Estudo NVI Vida).

Naamatita. Não se sabe qual a tribo ou qual a cidade que deu origem a este nome; talvez Zofar veio da mesma região dos demais amigos de Jó, das nações semíticas aparentadas com os israelitas, entre o Jordão e o norte do deserto da Arábia. Bíblia Shedd.

palavrório. Zofar parece irritado com o tamanho do discurso de Jó. Os orientais consideravam a brevidade no falar como uma virtude distintiva (ver Pv 10:19; Ec 5:2)(CBASD, vol. 3, p. 591).

parolas. Do heb. badem, “fala vazia” (ver Is 16:6; Jr 48:30; 50:36)(CBASD, vol. 3, p. 591).

Pois dizes […] sou limpo aos Teus olhos. Jó nunca disse isto (Andrews Study Bible).

Zofar […] deixa subentendido que Jó estava reivindicando ter pureza absoluta (perfeição impecável), mas Jó em nenhuma ocasião aplica esses termos a si (Bíblia de Estudo NVI Vida).

O livro de Jó também não apoia a acusação de Zofar de que Jó havia afirmado que seu ensino era puro. Parece improvável que Jó havia feito tal afirmação. Parece mais provável uma atribuição errônea da parte de Zofar, pois alguém havia falado, hipoteticamente, que Jó era puro (Bildade, em 8:6). Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 106.

Este verso reitera o ponto central de desacordo entre Jó e seus amigos. Jó aceitava o testemunho de sua consciência, enquanto seus amigos interpretavam mal o testemunho de seu sofrimento(CBASD, vol. 3, p. 591).

Essa não é uma citação correta das palavras de Jó, que nunca se declarou impecável. Jó apenas afirmou não levar o tipo de vida pecaminosa que pudesse merecer tão severos castigos. Ele já havia admitido que nenhum mortal poderia ser justo diante de Deus (9.2) (Bíblia de Genebra).

É inteiramente verdadeiro que muitos de nós estamos dominados pela autocomplacência, porque julgamos o que há de melhor em nós pelo que há de pior nos outros. Pode acontecer, também, que tenhamos uma inadequada concepção do que Deus é, e do que ele requer de nós. Será melhor batermos no peito como o publicano e nos confessarmos o pior dos pecadores (Comentário Bíblico VT – FBMeyer).

6 Zofar diz que Jó merece punição adicional – ele é o mais cruel dos amigos (Andrews Study Bible).

7-12 Zofar deseja que Jó se submeta ao processo pelo qual a divina sabedoria deseja fazê-lo passar, para então haver esperança de um fiel a todos aqueles sofrimentos. Bíblia Shedd.

desvendarás […]? A frase diz, literalmente: “Você poderá descobrir as coisas a serem exploradas sobre Deus?” (CBASD, vol. 3, p. 591).

como as alturas dos céus. Paulo usa as mesmas quatro dimensões para descrever o amor de Deus em Cristo (Ef 3.18) (CBASD, vol. 3, p. 591).

mais profunda é ela do que o abismo. NVI: mais profundos que as profundezas. NKJV: Mais profundo que o sheol (original hebraico). […] nome dado ao lugar dos mortos [segundo o pensamento corrente da época]. É usado quase 500 vezes na Bíblia, 7 delas em Jó (CBASD, vol. 3, p. 591).

arcanos de Deus. NVI: “os mistérios de Deus”. NKJV: “as coisas profundas de Deus” [deep things of God].

9 Para Zofar, Deus só pode condenar os seres humanos, como argumentava o espírito referido por Elifaz. Zofar insistiu que a conversa vazia não justificaria ninguém. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 106.

11 Ao chamar Jó de “enganador” (NIV e NVI), Zofar estava acusando Jó de possuir falhas e pecados secretos. Apesar desta suposição de Zofar ser incorreta, sua explanação de que Deus sabe e vê tudo é acurada (Life Application Study Bíble Kingsway NIV).

12 quando a cria de um asno montês nascer homem. Nota textual NVI: “ou: ‘nascer domesticado’”. A nota textual NVI contrapõe duas espécies correlatas, porém totalmente diferentes, de animais bíblicos – o jumento selvagem e o domesticado (Bíblia de Estudo NVI Vida).

…isto é, um homem tão intratável, indomado e teimoso como um asno selvagem ainda pode se transformar num verdadeiro homem (CBASD, vol. 3, p. 592).

13-20 Zofar falou da esperança no arrependimento em seu segmento final (v. 13-20). Como Elifaz e Bildade, ele garantiu a Jó que o arrependimento lhe traria a liberação de seu sofrimento. Sua culpa lhe havia trazido a ira divina, mas seu caso não era sem esperança. Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 106.

Isso parece um bom conselho para um pecador devasso, mas não se aplica ao caso de Jó. Como Bildade, Zofar não abre espaço para a misericórdia. Jó teria que se tornar justo antes que Deus o aceitasse (Bíblia de Genebra).

Jó precisa entregar seu coração à direção divina (cf 1 Sm 7.3), limpando suas mãos (v 13), e lançando para longe suas iniquidades (v 14); então estaria em condições de entrar em comunhão com Deus, arrependido dos seus pecados, e esquecido de toda a angústia que sofrera no passado, por causa do brilho do raio da luz do presente (vv 16-17), conduzido agora à segurança e à esperança (18, 19). O ensinamento deste trecho é uma perfeita joia de inspiração, não obstante ser, para Jó, ofuscada pela amargura da pressuposição de que ele mesmo é um pecador que precisa de se arrepender. Bíblia Shedd.

Ideia popular, mas falsa: o bom prospera, o ímpio sofre [cf. tb Elifaz, 5:17-26, e Bildade, 8:5-7] (Andrews Study Bible).

13 estenderes as mãos. Zofar insta com Jó para que vá a Deus em atitude de súplica (CBASD, vol. 3, p. 592).

Estas atitudes são as da oração, tanto no íntimo do coração, como nos gestos exteriores. Bíblia Shedd.

A admoestação para que Jó estendesse as mãos para Deus descrevia um ato de adoração e súplica que é frequente no AT (cf Sl 44:20; 143:6).  Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 106.

Zofar toma por certo que os problemas de Jó estão arraigados no pecado; tudo o que Jó precisa fazer é arrepender-se, e a partir daí sua vida será bem-aventurada e feliz. Mas em nenhum lugar Deus garante uma vida “mais refulgente que o meio-dia” (v. 17) simplesmente por sermos seus filhos. Deus tem para nós um propósito mais sublime que nossa prosperidade, ou pessoas em busca do nosso favor (v. 19). A filosofia de Zofar conflita com o Sl 73 (Bíblia de Estudo NVI Vida).

14-15 É arrogância da parte de Zofar pensar saber porque Jó estava sofrendo (Bíblia de Genebra) (Andrews Study Bible).

14-16 Então, Zofar sugeriu que Jó poderia voltar à sua vida anterior se fosse humilde e se arrependesse (v. 14-15). Jó seria capaz de esquecer seus problemas; eles seriam como a água que passou (v. 16). Zofar procurou fazer uma aplicação positiva do símile pessimista de Jó sobre a água que desaparece (6:15-21). Comentário Bíblico Andrews – Jó a Malaquias, p. 106.

como de águas. Como uma pancada de chuva, uma poça d’água ou uma forte enxurrada que ameaça engolfar tudo, logo passa e é esquecida, assim a desgraça de Jó cairia na insignificância em vista do brilhante futuro (CBASD, vol. 3, p. 592).

20 perversos. Se Zofar tivesse terminado com o v. 19, Jó poderia ter extraído conforto de seu discurso, que apresentava a esperança de restauração ao favor de Deus e o retorno à felicidade. Mas, como se quisesse acentuar o conceito desfavorável que tem da conduta e do caráter de Jó, ele não termina com palavras encorajadoras, mas acrescenta um trecho que tem ares de condenação (CBASD, vol. 3, p. 592).

O tributo que Zofar prestou a Deus é magnífico. Sua sinceridade é óbvia. Mas ele, como os outros amigos de Jó, interpretou mal a providência de Deus. Ele é incapaz de ver o sofrimento como outra coisa a não ser uma punição direta pelo pecado. Ele exorta Jó a se arrepender, quando devia levar-lhe amor e conforto. Os discursos dos amigos de Jó foram comparados a rodas que giram sobre o mesmo eixo. Eles variam nos detalhes, mas concordam no ponto de vista básico (CBASD, vol. 3, p. 593).


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