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EZEQUIEL 4 – Ezequiel foi chamado para ser profeta e mensageiro de Deus em sua primeira visão, iniciada no capítulo 1 (ver Ezequiel 2:1-9). Ao compreendê-la hoje, precisamos estar dispostos a também responder ao chamado de Deus, prontos para sermos enviados onde Ele nos conduzir, como fez Ezequiel no capítulo 3. Para tanto, devemos buscar um entendimento mais profundo da santidade divina e viver em conformidade com Seus padrões de vida (Ezequiel 2:8; 3:7-11).
A submissão a Deus leva-nos a tomarmos parte de Sua mensagem aos impenitentes pecadores. Quem não ouve a Palavra de Deus, precisa vê-la; para isso Deus utiliza-Se de encenações:
• Em visão, o profeta deveria comer o rolo do livro (Ezequiel 3:1-3). Isso significa absorção e internalização da mensagem divina por parte do profeta, que então deve proclamá-la ao povo rebelde.
• Encarceramento e mudez (Ezequiel 3:25-27). Deus falou ao profeta para encerrar-se em casa, onde seria amarrado e ficaria mudo impossibilitado de repreender aos rebeldes, simbolizando a dureza do coração e a recusa do povo em ouvir a mensagem de Deus, bem como o tempo de silêncio divino em resposta à rebelião deles.
• Desenhos em tijolos (Ezequiel 4:1-3). Ezequiel deveria desenhar num tablete de argila uma representação de Jerusalém e então simular um cerco contra ela, como aviso do julgamento divino por causa do pecado do povo.
• Deitar-se do lado esquerdo e depois direito (Ezequiel 4:4-8). Os dias para cada lado seriam determinados pelos anos de história de pecado do povo de Deus.
• Comer pão assado em fezes (Ezequiel 4:9-17). Durante o tempo que ficaria deitado o profeta deveria comer pão assado em fezes. Era para ser fezes humana, mas ao argumentar com Deus, foi-lhe permitido utilizar fezes bovinas, encenando profeticamente o racionamento de alimento e água dos israelitas.
Além de encenações, Ezequiel 4:5-7 contém a base para a interpretação de profecias apocalípticas tratando de períodos “de tempo” especificados nas visões. Em certas profecias, onde um determinado período é mencionado simbolicamente, um dia na profecia representa um ano literal. Isso é conhecido como o “princípio do dia/ano”. Por exemplo, em Daniel 9:24-27 as 70 semanas (490 dias) equivalem a um período de 490 anos.
Acima de tudo, o importante é entender que nossa vida é a Bíblia que muitos lerão! Então, reavivemo-nos! – Heber Toth Armí
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Texto bíblico: EZEQUIEL 3 – Primeiro leia a Bíblia
EZEQUIEL 3 – COMENTÁRIOS SELECIONADOS
COM. TEXTO – ROSANA GARCIA BARROS
COM. TEXTO – PR HEBER TOTH ARMÍ
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1450 palavras
1-3 Se você “digerir” a Palavra de Deus, você verá que isto não apenas fortalecerá sua fé, mas sua sabedoria também adoçará sua vida. Você precisa se alimentar espiritualmente do mesmo modo como o faz fisicamente. Isto significa mais do que simplesmente dar uma olhada casual. Você deve fazer da digestão da Palavra de Deus uma parte constante na sua vida. Life Application Study Bible Kingsway.
1 Come este rolo. Não cabia ao profeta escolher sua própria mensagem. A comida dele devia constituir em fazer a vontade daquele que o enviara e proclamar a mensagem (ver Jo 4:34). A inspiração é mais do que uma purificação e estimulação das faculdades mentais. Há uma comunicação de fatos externa e objetiva. A lição é também para o leitor da Palavra. Ele precisa receber a Bíblia como tendo sido enviada a ele. O ser humano não consegue criar a verdade divina; ela é descoberta a partir da Bíblia. A mensagem precisa ser assimilada de forma pessoal, consumida internamente; as verdades precisam se tornar parte da vida e do caráter. Esse é o meio pelo qual os seres humanos se tornam, em todo sentido, novas criaturas. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 4, p. 637, 638.
3 Em minha boca era doce como mel. O que Jeremias experimentou emocionalmente (Jr 15.16) foi experimentado por Ezequiel de modo mais sensório: as palavras da parte de Deus são doces ao paladar (v. Sl 19.10; 119.103) – mesmo quando seu conteúdo é amargo (v. Ap 10.9, 10). Bíblia de Estudo NVI Vida.
5 De estranho falar. A implicação é que, externamente, a tarefa seria mais fácil do que se o profeta fosse enviado aos pagãos, cuja língua ele não entendia e para os quais o idioma dele também seria estranho. A comissão era primeiro para as ovelhas perdidas da casa de Israel”(ver Mt 15:24); não porque as outras nações estivessem fora da salvação, mas porque o propósito de Deus era tornar Israel um núcleo espiritual e uma força evangelizadora. Por meio do povo escolhido, Deus pretendia preservar entre os homens o conhecimento de Sua lei e expandir Seu reino espiritual.Os profetas reconheceram esse propósito. CBASD, vol. 4, p. 638.
6 Dariam ouvidos. Em todas as épocas tem sido o propósito de Deus salvar o maior número possível de pessoas. “Tão certo como Eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso”(Ez 33:11). Deus não queer “que nenhum pereça”(2Pe 3:9). CBASD, vol. 4, p. 638.
7 Não Me que dar ouvido a Mim. Quem rejeita o verdadeiro mensageiro de Deus, rejeita a Deus (1 Sm 8.7; Lc 10.10-12). Bíblia Shedd.
Aquele que trabalha em prol dos semelhantes sente a recusa de forma dolorosa. Deve, por isso, se lembrar do desapontamento mais severo sofrido por seu Senhor, que na verdade é o verdadeiro rejeitado na pessoa de Seus servos. CBASD, vol. 4, p. 638.
Toda a casa de Israel. … “os israelitas em geral”. CBASD, vol. 4, p. 639.
8 Eis que fiz duro o teu rosto. Aqui está a promessa de que, por mais duros que fossem os israelitas, o profeta seria ainda mais forte e prevaleceria contra eles. Esta promessa não implica qualquer coerção para assegurar a aceitação da mensagem. Sob o governo de Deus, a aceitação é sempre um ato voluntário. CBASD, vol. 4, p. 639.
9 Diamante. Do heb. Shamir, “uma pedra de grande dureza”. CBASD, vol. 4, p. 639.
11 Aos do cativeiro. Na época do chamado, 593/592 a.C. (ver com. [CBASD] de Ez 1.2), e por vários anos depois disso, os cativos eram apenas uma pequena parte da nação judaica. Depois da queda de Jerusalém, em 586 a.C., os cativos passaram a representar a grande massa do povo. A mensagem de Ezequiel era para os cativos, a de Jeremias, para os que restaram em Judá, e a de Daniel, para a corte de Babilônia, com exceção da parte do livro que estaria selada até o tempo do fim (Dn 12:4; GC, 356). Assim, embora os três fossem contemporâneos, havia uma divisão em suas esferas de responsabilidade. CBASD, vol. 4, p. 639.
12 Levantou-me. A fase inicial da consagração de Ezequiel para o oficio profético termina aqui. Em espírito, ele é tirado da cena do trono, dos seres viventes e das rodas. Ao sair, ele ouve atrás de si o som de um grande “estrondo” (LXX, “Terremoto”). O som é inteligível: é um tributo de louvor. CBASD, vol. 4, p. 639.
14, 15 À medida em que crescemos, teremos momentos de grande alegria quando nos sentirmos próximos de Deus e momentos em que o pecado, as lutas ou as tarefas diárias nos sobrecarreguem. Como Ezequiel, devemos obedecer a Deus mesmo quando não temos vontade. Não deixe que os sentimentos atrapalhem sua obediência. Life Application Study Bible Kingsway.
15 Tel-Abibe.Do heb. Tel’aviv, “monte das espigas verdes de cereal”. CBASD, vol. 4, p. 639.
Única menção do lugar específico em que os exilados moravam. Em babilônico [Til abûbi], o nome significava “cômoro da inundação [i.e., destruição”, sendo a referência aparentemente à condição arruinada do local. Na variante Tev-Avive, atual cidade israelense o nome … é entendido no sentido de “cômoro do cereal” [cômoro: outeiro, elevação não muito alta]. Bíblia de Estudo NVI Vida.
18-21 Todas as pessoas são individualmente responsáveis perante Deus, mas os crentes têm uma responsabilidade especial de advertir os incrédulos sobre as consequências de rejeitar a Deus. Se não fizermos isso, Deus nos responsabilizará pelo que acontecer a eles. Isso deve nos motivar a começar a compartilhar nossa fé com os outros – tanto por palavras como por atos – e evitar nos tornarmos insensíveis ou indiferentes em nossas atitudes. Life Application Study Bible Kingsway.
18 Não o avisares. Quando visse os ímpios caminhando diretamente para a perdição, Ezequiel devia lhes falar, advertindo-os dos resultados que certamente adviriam dessa conduta. Em sua aplicação mais ampla, estas palavras devem se referir não só ao perigo e à morte física, mas ao perigo espiritual que poderia produzir um veredito e morte eterna diante do tribunal de Deus. … Deus trabalha para a salvação dos seres humanos de forma consistente com Seu caráter e em harmonia com as questões envolvidas no grande conflito. Ele não usa coerção. Isso coloca limites no que Ele pode fazer diretamente pela salvação de alguém. Contudo, quando outros cooperam com Deus em Seu esforço para salvar uma pessoa, há um aumento de influências que atuam sobre a mesma e uma probabilidade maior de que ela aceite o plano divino. Esta consideração jaz na base dos esforços missionários em favor de outros povos. CBASD, vol. 4, p. 640.
20 Um tropeço. Não que Deus tente um homem a pecar, mas, para um homem pecaminoso, que já pecou no seu íntimo, Deus pode aplicar um teste final. É isto que acontece com Faraó (Êx 8.32 e 9.12). É isto que acontece quando se prega o evangelho de Cristo com poder e autoridade. Bíblia Shedd.
O propósito da pedra de tropeço é deter o pecador em seu caminho descendente e despertar nele um senso de perigo. CBASD, vol. 4, p. 641.
Suas justiças. Isto é, seus atos justos. Não há respaldo aqui para a crença popular de que a pessoa verdadeiramente justa não pode cair nem se perder no final. Só os que perseverarem até o fim serão salvos. CBASD, vol. 4, p. 641.
Não serão lembradas. No plano de Deus, as recompensas não são calculadas com base na soma dos atos justos menos os pecados, ou vice-versa. No caso do justo que persevera até o fim, todo o registro da culpa é apagado, e sua recompensa é determinada com base em seus bons atos; o pecador, por outro lado, verifica que nenhum de seus atos justos é levado em consideração quando sua punição é determinada (ver Ez 18). Isto explica por que, quando os pecados são perdoados, não são imediatamente apagados. É conservado um registro até o tempo do julgamento, porque se o justo cair e se perder, todas as suas iniquidades, quer tenham ou não sido perdoadas em algum momento, são levadas em algum momento, são levadas em conta no cálculo de sua retribuição final (ver PJ, 251). CBASD, vol. 4, p. 641.
26 ficarás mudo. A duração e a natureza da mudez de Ezequiel é uma das questões mais debatidas do livro. Quando quer Quando quer que tenha começado, durou até chegar aos exilados a notícia que a cidade de Jerusalém foi destruída (24.27; 33.22; cf. 29.21). O profeta não ficou completamente mudo, mas falava somente quando recebia alguma revelação da parte de Deus. Ezequiel pronunciou muitos oráculos aos exilados nos seis anos entre o seu chamado e a destruição de Jerusalém. Bíblia de Genebra.
27 Quem ouvir ouça, e quem deixar de ouvir deixe. Ver Mt 11:15; 13:9. A LXX traduz a segunda frase da seguinte forma: “Quem for desobediente, seja desobediente”, o que encontra eco em Apocalipse 22:11. CBASD, vol. 4, p. 641, 642.
Casa rebelde. Anteriormente, Deus havia se referido a Israel como “povo de dura cerviz” (Êx 32:9) [ARA; NVI: “povo obstinado”]. O mesmo espírito que os levou aos 40 anos de vagueação no deserto tornou então o cativeiro inevitável. CBASD, vol. 4, p. 642.
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EZEQUIEL 3 – Enquanto a Palavra de Deus é poderosa e eficaz em cumprir seus sublimas propósitos, pode haver momentos em que os ouvintes escolhem rejeitá-la, resultando numa aparente falta de resposta. Isso, contudo, não diminui em nada à Palavra do Senhor, mas reflete a liberdade de escolha e responsabilidade das pessoas em aceitar ou rejeitar a mensagem divina.
A falta de conversão após pregações poderosas não significa que a Palavra de Deus voltou vazia (Isaías 55:11), pois ela sempre realiza o que Deus deseja através dela e alcança sim Seus soberanos propósitos. Compreender corretamente isso nos fará perceber melhor a confiabilidade e o poder da Palavra de Deus em realizar Sua vontade entre os pecadores.
Mesmo quando a Palavra de Deus é fielmente proclamada, não há garantia absoluta de que os ouvintes a aceitará e a obedecerá. Jesus estava ciente disso quando proferiu sua conhecidíssima parábola do semeador e os diferentes solos que recebiam as sementes (Marcos 4:1-20). A Bíblia não ignora que a resistência humana e a dureza do coração impedem as pessoas de aceitar sua mensagem, como Deus alertou Ezequiel (Ezequiel 2:3-8).
Em sua primeira visão, Ezequiel viu uma mão estendida segurando o rolo de um livro, o qual continha palavras de “lamento, pranto e ais” (Ezequiel 2:9-10), indicando mensagens de julgamento e advertência aos rebeldes judeus exilados na Babilônia.
Em Ezequiel 3, Deus constituiu Seu servo como atalaia para Seu povo, mesmo enfrentando resistência e oposição. A Palavra de Deus cumpriria Seu propósito: Alertaria o povo sobre o perigo de seu pecado e de sua desobediência à Palavra de Deus.
O rolo/livro da visão deveria ser comido/digerido pelo profeta. No paladar, o livro seria doce a Ezequiel; mas ao ser levado pelo Espírito a pregar, ele estava “cheio de amargura e de ira e com a forte mão do Senhor sobre” ele; e testemunha: “Fui aos exilados que moravam em Tel-Abibe, perto do rio Quebar. Sete dias fiquei lá entre eles – atônito!” (Ezequiel 3:1-15).
A intenção é que nem o profeta nem Deus deveria ser o responsável pelas consequências da desobediência (Ezequiel 3:16-27). O mesmo acontece em Apocalipse 10 ao João representar o remanescente que proclamaria o juízo divino diante da rebelião promovida pela Babilônia apocalíptica (Apocalipse 14:6-12; 18:1-4).
Portanto, reavivemo-nos! – Heber Toth Armí.
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Texto bíblico: EZEQUIEL 2 – Primeiro leia a Bíblia
EZEQUIEL 2 – COMENTÁRIOS SELECIONADOS
COM. TEXTO – ROSANA GARCIA BARROS
COM. TEXTO – PR HEBER TOTH ARMÍ
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1872 palavras
Continuação audível da primeira visão. O cap. 1 descreve o que Ezequiel viu, e o cap. 2 transmite, de modo especial, o que o profeta ouviu. Bíblia de Estudo Andrews.
1 Filho do homem. Do heb. ben-adham. Esta é forma costumeira de Deus dirigir-Se a Ezequiel. A forma ocorre 93 vezes ao longo do livro. Daniel é o único profeta a também ser chamado desta forma, mas o título ocorre em seu livro só uma vez. O hebraico tem várias palavras para designar “homem”, como: (1) ‘Ish, no que se refere a um homem como indivíduo do sexo masculino ou como marido de uma mulher. (2) ‘Enosh, que é um termo mais geral, raramente usado no no singular, e que, na maioria das vezes, é aplicado coletivamente para toda raça humana. Parece referir-se ao homem em sua condição frágil, enferma e mortal. Jesus, que tomou sobre Si não a natureza dos anjos, mas a da raça humana após 4 mil anos de pecado terem deixado suas marcas de degeneração, é profeticamente designado como “Filho do homem [‘enash]” (Dn 7:13); ‘enash é a forma aramaica de ‘enosh) (3) ‘Adham, que descreve o homem no sentido geral. Deus disse: “Façamos o homem [‘adham] à nossa imagem” (Gn 1:26). A expressão “ser humano”, em muitos casos, traduz adequadamente a palavra ‘adham. (4) Geber, que descreve o homem no vigor de sua juventude.
Ezequiel, ao ser chamado de “filho do homem” (ben-adham), é lembrado de que é membro da raça humana. Foi por meio de canais humanos que Deus Se propôs a transmitir Sua mensagem de salvação para as pessoas a perecer. Ele podia ter empregado outros meios: anjos poderiam ter sido designados como Seus embaixadores; ou uma voz audível vinda do Céu poderia proclamar o evangelho. No entanto, Deus desejou que o ser humano partilhasse das alegrias de um ministério abnegado em favor de outros e, assim, lhe confiou “a palavra da reconciliação”(2Co 5:19). Nenhum “filho do homem”pode se esquivar a essa tarefa: pessoas são salvas ou perdidas segundo a maneira com que o profeta encara sua responsabilidade. Assim, ser chamado de “filho do homem” é ser indicado para um ministério pessoal ou público baseado em profunda paixão pelo próximo. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 4, p. 633, 634.
Põe-te em pé. A visão da glória de Deus deixou Ezequiel prostrado. … No chamado para o serviço divino, esses profetas foram primeiramente levados a sentir a própria fraqueza; depois o poder divino os reanimou, restaurando-lhes a força física e os capacitando a receber a comunicação celestial. CBASD, vol. 4, p. 634.
2 Quando o Espírito de Deus e Sua palavra se unem, forma-se vida, como na criação (ver Gn 1:1-3). Bíblia de Estudo Andrews.
Entrou em mim. A profecia é um dos dons do Espírito (1Co 12:28). O chamado para o ofício profético não ocorre por escolha pessoal, mas por nomeação divina (ver Nm 12:6; 1Co 12:28). A recepção do Espírito Santo, que comunica a capacidade profética, é a evidência do chamado genuíno. Qualquer pretensão ao dom sem este pré-requisito essencial é falsa. CBASD, vol. 4, p. 634.
3-5 O mundo dos negócios define sucesso como dar aos consumidores o que eles querem. Ezequiel, contudo, foi chamado a dar a mensagem de Deus ao povo, indiferente se ouvissem ou não. A medida do sucesso de Ezequiel não era quão bem o povo respondesse, mas o quanto Ezequiel obedecesse a Deus e portanto atingisse o propósito de Deus para ele. Isaías e Jeremias também profetizaram com pouca resposta positiva (ver Is 6:9-12; Jr 1:17-19). A verdade de Deus não depender de como o povo responda. Deus não nos julgará baseado em como os outros respondam à nossa fé, mas o quão fiel nós temos sido. Deus sempre nos dá a força para atingir o que Ele nos pede para fazer. Life Application Study Bible Kingsway.
3 Eu te envio aos filhos de Israel [descendência de Jacó/Israel]. Aqui se inicia a comissão de Ezequiel. Basicamente, sua mensagem era para os exilados de Judá; contudo, em seu escopo mais amplo, abrangia as dez tribos que, mais de 100 anos antes, haviam sido levadas em cativeiro pelos assírios. As mudanças em curso deram a Babilônia e à Média os territórios da Assíria , de forma que, quando o cativeiro babilônico englobou o remanescente de Judá, as 12 tribos foram, em certo sentido, novamente reunidas, estando então todas sob jugo estrangeiro (ver Jr 50:17, 18, 33). CBASD, vol. 4, p. 634.
Às nações rebeldes … eles e seus pais prevaricaram. A palavra traduzida como “nações” é a que se emprega geralmente para designar os pagãos. Israel descera tão baixo em sua deliberada separação de Deus que, embora devesse ter sido um reino de sacerdotes e uma nação santa (ver Êx 19:6), é designado como uma nação pagã e recebe o epíteto adicional de rebelde. O profeta é ainda lembrado de que a apostasia de Israel já vinha de longa data. CBASD, vol. 4, p. 634.
4 De duro semblante. O significado da expressão é: “obstinados”, “teimosos”e o termo “obstinados de coração”, que segue, enfatiza ainda mais essa ideia. O Senhor estava pintando um quadro da depravação de Israel. O quadro não era exagerado, como o profeta logo descobriria. CBASD, vol. 4, p. 634.
Assim diz o SENHOR DEUS. O encargo dado a Ezequiel é a comissão que Deus atribui a todo ensinador da Palavra, a todo expositor da verdade sagrada. A Palavra de Deus não deve ser misturada com opiniões humanas. Teorias particulares são falíveis. No que respeita aos assuntos divinos, somente as coisas que Deus revela podem ser definitivamente conhecidas como fatos; tudo o mais é mera opinião humana. Sendo que sopra todo vento de doutrina, e que circula toda espécie de interpretação, os seres humanos precisam da certeza de uma mensagem respaldada por um “Assim diz o SENHOR”. Essa declaração é a voz da autoridade. Ezequiel precisava dessa garantia. A ruína de Judá era iminente, e sua mensagem trazia as credenciais da mais alta autoridade. CBASD, vol. 4, p. 634, 635.
5 Deixem de ouvir. O deixar de ouvir não deve ser atribuído a um ato de predestinação. O plano salvífico de Deus abrange a todos: “Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”(Tt 2:11); Deus não quer que ninguém pereça (2Pe 3:9). A todos é dada oportunidade adequada para a salvação. Jesus é a luz que “ilumina a todo homem”(Jo 1:9). Todas as influências possíveis coerentes com o livre-arbítrio e com as questões relacionadas com o grande conflito são disponibilizadas aos seres humanos para levá-los a aceitar a salvação. Mas cabe a eles o decidir se a aceitam ou não. Os desobedientes ficam sem desculpa. Deus poderá dizer a toda pessoa que porventura venha a se perder: “Que mais se podia fazer ainda … que Eu lhe não tenha feito?”(Is 5:4). Assim, os homens se destroem por sua recusa de aceitar a salvação de Cristo (ver T5, 120). No final do grande conflito, a história do mundo será retratada em visão panorâmica, revelando a cada pessoa sua relação para com as questões relativas a essa grande luta. Como resultado disso, todos reconhecerão a justiça de Deus e a amplitude da graça que lhes foi oferecida (Rm 14:10, 11; Ap 15:3; cf. GC, 666-671). CBASD, vol. 4, p. 635.
Hão de saber. A evidência máxima de que o profeta traz as credenciais divinas é o cumprimento de sua palavra. Contudo, quando ele apresenta sua mensagem, o Espírito Santo testifica aos corações endurecidos que essa mensagem dada pelo porta-voz de Deus vem do Céu. Aos rebeldes cativos, o Espírito Santo daria a convicção de que sua conduta de obstinada iniquidade era injustificada. eles poderiam zombar abertamente do mensageiro divino, mas, por trás das expressões de desprezo, estaria o medo profundo de que a voz rejeitada era de fato a de Deus. As mensagens de Ezequiel seriam ou de “cheiro de morte para a morte” ou “de vida para a vida”. CBASD, vol. 4, p. 635.
profeta. Do heb. nabi, um porta-voz de Deus (33:33), chamado por ele para transmitir Sua mensagem ao povo. Bíblia de Estudo Andrews.
6-10 Por três vezes Deus disse a Ezequiel para não temer. Quando o Espírito está em nos, podemos deixar de lado os nossos medos de rejeição ou ridículo. A força de Deus é poderosa o suficiente para nos ajudar a viver mesmo sob a mais pesada crítica. Life Application Study Bible Kingsway.
6 Não os temas. Sua tarefa seria difícil, pois enfrentaria muita oposição. Bíblia de Estudo Andrews.
A oposição a Ezequiel viria de governantes, sacerdotes e supostos profetas. Eles iriam ridicularizar, caluniar, acusar e ameaçar o profeta; mas, em meio a tudo isso, ele não devia ceder às tentativas de intimidação, nem aos temores despertados por todos os lados que poderiam levá-lo ao desânimo. CBASD, vol. 4, p. 635.
8 Não te insurjas. Havia o perigo de que, com uma perspectiva tão ameaçadora, Ezequiel fugisse à sua responsabilidade. Ao fazê-lo, ele se identificaria com a própria rebelião que fora enviado a reprovar. Havia o perigo de ele se influenciar pelo ambiente de apostasia generalizada e perder o senso da malignidade do pecado. Há um veneno sutil na atmosfera de uma sociedade má. É difícil uma pessoa ter fé quando está rodeada dos que não têm fé, especialmente se professam ter as mesmas esperanças e aspirações que ela. É por isso que o maior perigo da igreja vem de dentro, não de fora. … A história da apostasia de Israel revela o resultado destrutivo que ocorre quando as pessoas olham para o semelhante e confiam em líderes que praticam o mal. CBASD, vol. 4, p. 635.
Qualquer servo de Deus que, conhecendo a vontade divina revelada no Seu livro (9-10) e, vendo que as atividades da sociedade na qual vive não estão à altura da mensagem do Livro, recusa-se a pregar contra tais atividades está pecando da mesma forma que os próprios pagãos. Bíblia Shedd.
Como o que Eu te dou. Esta é uma profecia simbólica, e o profeta comeu o rolo do livro em visão, não a realidade … A figura é cheia de significado. A fim de comunicar a mensagem aos outros, o ensinador precisa primeiramente recebê-la de Deus. Depois, assim como a nutrição física introduzida no corpo se torna carne, sangue e ossos, a mensagem precisa ser assimilada e se tornar parte do mensageiro. O ensinador não pode ser capacitado para o serviço por um conhecimento superficial e incerto da mensagem. A mensagem precisa chegar ao mais íntimo de sua natureza, penetrar em sua mente e ser introduzida em todas as funções de sua vida espiritual; tem de se tornar parte do pensamento e da vida. CBASD, vol. 4, p. 635, 636.
10 Escrito por dentro e por fora. Os livros antigamente eram escritos em pele ou papiro e eram emendados uns aos outros, formando longas tiras que eram então enroladas. Normalmente esses rolos eram escritos apenas de um lado. O que foi entregue a Ezequiel estava escrito em ambos os lados, para indicar abundância de assunto. … a revelação da calamidade foi o meio que Deus usou para despertar corações endurecidos pelo pecado a fim de que pudesse curá-los com o bálsamo do evangelho. À medida que se desenvolvia seu ministério, muitas vezes, foi privilégio de Ezequiel temperar seus discursos de reprovação com apelos para a aceitação da misericórdia disponível. CBASD, vol. 4, p. 635.
lamento, pranto e ais. Embora Ezequiel depois recebesse ordens de pregar a esperança (v. nota em 33.1), sua comissão inicial (até a queda de Jerusalém) era declarar o desagrado de Deus e a inevitabilidade de seu juízo contra Jerusalém e todo Judá. Bíblia de Estudo NVI Vida.
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EZEQUIEL 2 – O importante Livro de Ezequiel foi escrito por um importante servo de Deus.
Ezequiel, nascido na Babilônia, era sacerdote fiel, filho do sacerdote Buzi, da terra de Israel (Ezequiel 1:1-3). Seu ministério profético teve início enquanto estava exilado entre os judeus levados ao cativeiro babilônico, no trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês. Sua primeira visão foi da glória de Deus, os Céus se abriram quando estava junto ao Rio Quebar (Ezequiel 1:4-27). Após a visão, o sacerdote profeta caiu com o rosto em terra e ouviu uma voz que falava com ele (Ezequiel 1:28).
Aquela voz o instruiu a levantar-se, pois o Senhor lhe falaria. Na verdade, ele foi colocado em pé quando o Espírito entrou nele; a partir daí Ezequiel passou a ouvir a voz que lhe disse para ir até os filhos de Israel para falar-lhes as palavras que Deus lhe daria para falar (Ezequiel 2:1-9).
O mensageiro deveria transmitir fielmente as palavras de advertência do Senhor ao povo de Israel, mesmo que este fosse rebelde e teimoso (Ezequiel 2:3-7). Ezequiel foi alertado de que o povo seria resistente à sua mensagem, mas ele deveria proclamá-la mesmo assim, sem temer suas línguas obstinadas; pois, o próprio Deus o fortaleceria e o capacitaria para cumprir essa dura e desafiante missão. O profeta deveria apenas ser submisso e obediente a Deus (Ezequiel 2:8) sem preocupar-se com os resultados.
Há uma aparente contradição nessa missão dada por Deus a Ezequiel em relação à missão da Palavra de Deus em Isaías 55:11 – ela não voltará vazia, pois fará o que Deus deseja através de Sua Palavra e atingirá o propósito pela qual a enviar.
• Ao refletir mais profundamente, é nítido que não existe contradição no texto, apenas numa compreensão meramente superficial. Observe Deus não disse que todos aceitariam miraculosamente Sua Palavra através de Ezequiel. O propósito de Deus é que as pessoas soubessem que Ele enviou Seu profeta para estar entre elas (Ezequiel 2:5).
• E, se Deus sabe que não vai ter adeptos, por que envia mesmo assim Sua Palavra? Primeiro, porque Ele não quer perder ninguém – oferece oportunidade a todos; mas, Ele também não quer que ninguém tenha desculpas por sua perdição.
Evangelizar implica mais que conversão, significa oportunizar a salvação! – Heber Toth Armí.
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Texto bíblico: EZEQUIEL 1 – Primeiro leia a Bíblia
EZEQUIEL 1 – COMENTÁRIOS SELECIONADOS
COM. TEXTO – ROSANA GARCIA BARROS
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2490 palavras
O ministério profético de Ezequiel tem inicio com uma visão da glória de Deus: o Senhor vem em carruagem celestial de nuvens …, acompanhado de quatro querubins. À medida que a nuvem se aproxima, Ezequiel discerne mais detalhes dos querubins e das rodas da carruagem, ouve o barulho ensurdecedor das asas dos querubins e, por fim, vê o trono de safira ocupado por uma magnífica figura semelhante a um ser humano. Bíblia de Estudo Andrews.
1, 2 trigésimo ano. A provável idade de Ezequiel quando chamado para o ministério profético (com essa idade os sacerdotes começavam a ministrar no santuário; Nm 4:3). Bíblia de Estudo Andrews.
quinto dia do quarto mês. 21 de julho de 592 a.C., cinco anos depois de Ezequiel ir para o exílio com o rei Joaquim em 597 a.C. Bíblia de Estudo Andrews.
1 No meio dos exilados. Isto é, Ezequiel estava na região onde os exilados se estabeleceram. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 4, p. 626.
Quebar. Este rio foi identificado, pela maioria dos comentaristas mais antigos, com Habor, o moderno Nahr el-Kabur, que fica ao norte da Mesopotâmia. … escavações feitas em Nippur, na Babilônia propriamente dita, revelaram evidências da existência de uma colônia judaica nessa área por volta do 7º ao 5º século a.C. CBASD, vol. 4, p. 626.
Visões de Deus. Estas não foram apenas visões dadas por Deus, mas manifestações da glória divina diante dos olhos do profeta. Tais revelações são chamadas de teofanias. Elas frequentemente acompanham o chamado de um profeta … Qual era o propósito dessas visões de Deus? Elas podem ser consideradas como grandiosas iniciações pelas quais Deus introduz um profeta num novo âmbito de conhecimento e percepção, numa etapa inédita de experiências e de responsabilidades. … Ezequiel ficou tão impressionado com a visão da glória divina que anotou a data exata: era o quinto dia, do quarto mês, do quinto ano do cativeiro de Joaquim (v. 2). Os servos de Deus fazem bem em anotar e recordar com frequência as intervenções divinas e as revelações incomuns dadas por Deus. CBASD, vol. 4, p. 627.
2 Quinto ano. Esta data é facilmente sincronizada com a história secular, pois o aprisionamento de Joaquim é o evento bíblico datado com maior precisão. Esse aprisionamento já foi localizado em 597 a.C. por seu sincronismo com um ano de Nabucodonosor (ver com. [CBASD] de 2Rs 24:12), cujo reinado é astronomicamente fixado (ver vol. 2 [CBASD], p. 136). CBASD, vol. 4, p. 627.
3 ali esteve sobre ele a mão do SENHOR. A expressão, que ocorre sete vezes no livro, destaca o controle soberano de Deus sobre a vida de Ezequiel. Bíblia de Estudo Andrews.
4 Olhei. Aqui começa a descrição do que ocorreu diante dos olhos atônitos do profeta. A visão sobre os quatro seres viventes, as quatro rodas, o firmamento e o trono tem sido considerada a mais enigmática de todas as visões do AT. É verdade que certas características parecem notavelmente incomuns, mas isso não deve nos impedir de procurar compreender o que Deus achou por bem apresentar e, depois, fazer com que fosse registrado e preservado em Sua Palavra. Daquilo que Deus pretendia ensinar por essa visão, muita coisa pode ser entendida, talvez quase tudo. CBASD, vol. 4, p. 627.
Do norte. A direção da qual costumava vir o juízo sobre Israel (ez, Jr 1:14). Bíblia de Estudo Andrews.
O norte era a direção da qual os conquistadores assírios e caldeus costumavam descer para Jerusalém (ver com. [CBASD] de Jr. 1:14). Tem-se sugerido que talvez seja esse o motivo porque se apresenta como procedente desta direção o vento tempestuoso que levou consigo a nuvem que ocultava a presença divina e o arco-íris da promessa. Acima dos cruéis monarcas da Assíria e Babilônia, estava entronizado o Deus de misericórdia e de verdade (T5, 752). Ezequiel estava cheio de presságios com respeito à assolação de sua terra e precisava ser tranquilizado. CBASD, vol. 4, p. 627, 628.
Com fogo a revolver-se. A forma do verbo hebraico sugere um fogo que se elevava devido ao surgimento constante de novas chamas. CBASD, vol. 4, p. 628.
5 Semelhança. São mostrados ao profeta seres que ele não contemplara antes, e com os quais seus ouvintes e leitores não eram familiarizados. Ele precisa descrevê-los em termos compreensíveis. Seus sentimentos de inadequação são indicados pelo uso do termo que, neste versículo, é traduzido como “semelhança” (no original, a palavra ocorre dez vezes no cap. 1, mas é traduzida de formas diversas no cap. 1). CBASD, vol. 4, p. 628.
quatro seres viventes. Chamados de querubins no cap. 10; anjos que servem junto ao trono (ver Gn 3:24; Êx 25-26; 36-37; 1Rs 6-8; 1Cr 28:18; 2Cr 3; Sl 18:10; Hb 9:5; Ap 4:7). Bíblia de Estudo Andrews.
De homem. Com toda a estranha variedade de detalhes que ainda precisavam ser descritos, a principal impressão era que os seres vivente tinham forma humana. CBASD, vol. 4, p. 628.
6 Quatro rostos. Os quatro seres viventes tinham aparência idêntica. Cada um deles tinha quatro rostos diferentes: de homem, de leão, de boi e de águia (v. 10) [comp. Ap 4:7]. CBASD, vol. 4, p. 628.
7 Suas pernas. A estrutura devia tornar as criaturas igualmente aptas para a locomoção em todas as direções, sem a necessidade de se virar, como a visão o indica posteriormente (ver Ez 1:17). CBASD, vol. 4, p. 628.
9 Não se viravam. Não haviam necessidade de se virar, pois, uma vez que os rostos olhavam em todas as direções, o deslocamento para qualquer direção constituía um movimento para a frente. CBASD, vol. 4, p. 628.
10 Seus rostos.Já foram dadas várias sugestões para o significado desses rostos …, mas elas não passam de especulação. Essa aparência pode simplesmente simbolizar a plenitude de natureza, funções e propósito desses seres para realizar o plano de Deus. Bíblia de Estudo Andrews.
Uma vez que o profeta não interpreta os símbolos da visão, e sendo que as Escrituras em nenhum outro lugar declaram o significado desses rostos, os comentaristas têm sugerido várias ideias … [1. o Eterno/soberania/soberania/poder real; 2. os quatro evangelistas, cf. Irineu; 3. tribos de Rúben, Judá, Efraim e Dã (Nm 2:2)]. … Quando se procura interpretar os quatro seres viventes, é bom ter em mente que, na profecia simbólica, o profeta vê representações da realidade, e não a realidade em si. Essas representações podem ser como a realidade, mas com frequência não o são. Muitas vezes, num drama profético, os personagens têm aparência bem diferente dos seres ou dos movimentos que representam. Assim, anjos podem representar papéis que, mais tarde, serão desempenhados por seres humanos. Um anjo desempenhou o papel do povo do advento numa visão sobre o grande desapontamento de 1844 (Ap 10:1-11; cf. Ap 14:6-12). …
Na interpretação da profecia simbólica é importante permitir que o mesmo Espírito que deu a visão identifique seus símbolos. Quando essa identificação não é fornecida, o intérprete precisa conjecturar quanto à aplicação; portanto, o dogmatismo deve ser evitado. … Uma parábola não precisa ser explicada em todos os detalhes. O mesmo ocorre com a profecia simbólica. Não se deve dar importância igual a todos os detalhes de um quadro profético. É possível que algumas características sejam introduzidas apenas para complementar a apresentação, ou para fornecer um pano de fundo consistente. Como no caso das parábolas, é preciso descobrir o objetivo geral da visão e as características da apresentação ilustrativa que têm a finalidade de transmitir uma verdade divina (ver vol. 3 [CBASD], p. 1257; ver também PJ, 244.
Deus não nos deixa no escuro quando ao ensino objetivo da visão de Ezequiel sobre os seres vivente (ver PR, 535, 536; T5, 751-754; Ed, 177, 178. As citações aqui mencionadas apresentam primeiramente o pano de fundo da visão. A apresentação profética tinha o objetivo de encorajar os judeus num momento em que grande parte de seu país jazia em ruínas devido a invasões sucessivas, e muitos dos habitantes estavam cativos numa terra estrangeira. Para esses oprimidos, parecia que Deus não estava mais no controle. A pilhagem, feita a bel-prazer por nações pagãs, era interpretada por muitos como indicativo de que Deus não mais Se importava. O povo deixava de ver a mão de Deus no curso da história. Eles não estavam cientes de que um propósito divino soberano estava atuando nos acontecimentos , da mesma forma que sempre estivera. A visão foi dada para mostrar que um poder supremo controlava os negócios dos governantes terrenos, e que Deus estava no comando. Este era o objetivo geral da visão. Assim, qualquer interpretação que se tente dar deve ser consistente com esse objetivo.
Os seres viventes representam seres celestiais (ver T5, 751). Como já foi dito, não é necessário imaginar que, a serviço de Deus, haja seres de quatro cabeças e de quatro asas. O relato não exige tal conclusão. As formas escolhidas tinham, sem dúvida, o objetivo de simbolizar mensageiros celestiais na plenitude de sua função, capacidade e adaptabilidade. CBASD, vol. 4, p. 629, 630.
14 Relâmpagos. Com esta figura é representada a ligeireza dessas criaturas ao partirem velozes para suas missões e delas voltarem. “A brilhante luz que resplandece por entre as criaturas viventes, com a velocidade do relâmpago, representa a rapidez com que obra de Deus há de por fim ser consumada”(T5, 754). Para os seres humanos, muitas vezes, parece que os propósitos divinos tardam demasiado a cumprir-se. É verdade que tem havido demora, mas “não retarda o Senhor a Sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”(2Pe 3:9). Um dia, em breve, revestido de grande surpresa, o fim virá, mais rapidamente do que as pessoas imaginam. CBASD, vol. 4, p. 630.
15 Uma roda na terra. Essas rodas tocavam a terra, enquanto os querubins eram vistos numa nuvem (v. 4, 5). CBASD, vol. 4, p. 630.
16 Dentro. A estrutura e o arranjo singular das rodas apresentavam uma cena aparentemente confusa; contudo, os movimentos tinham perfeita harmonia. CBASD, vol. 4, p. 630.
17 Em quatro direções. Como no caso dos seres viventes, não havia nenhum movimento sobre um eixo, mas o deslocamento era possível e era executado em todas as direções. Além disso, não havia mudança na posição relativa dos seres viventes e das rodas em movimento. CBASD, vol. 4, p. 630, 631.
18 Cambotas. Isto é, os aros das rodas. CBASD, vol. 4, p. 631.
Cheias de olhos. Isto significa que a visão tinha a ver com instrumentalidades não meramente físicas, mas inteligentes. CBASD, vol. 4, p. 631.
19 Andavam as rodas ao lado deles. As rodas, tão complicadas em seu arranjo, representam os negócios humanos e os eventos da história em todas as suas marchas e contramarchas (ver PR, 535, 536; T5, 751-754). O que para o simples observador parece uma confusão irremediável, é aqui apresentado como um padrão harmonioso, planejado e guiado pela mão infinita, que marcha rumo a alvos predeterminados. CBASD, vol. 4, p. 631.
22 Firmamento. A referência é à expansão que estava acima dos seres viventes. CBASD, vol. 4, p. 631.
24 Tatalar. Do heb. qol, palavra comum no AT, traduzida como “som”ou “voz”. O contexto deve determinar o melhor significado para cada caso. … O som ouvido por Ezequiel, das asas em movimento, pareceu-lhe diferente dos sons que estava acostumado a ouvir. Ele procurou uma semelhança para descrever a melodia que lhe fez vibrar o coração. Encontrou um paralelo parcial no som de grandes águas, talvez de uma corrente forte ou catarata. Mas a comparação é inadequada. O som é complexo. Além da voz de Deus, Ezequiel também detecta a voz de uma grande multidão, como se inúmeros indivíduos estivessem envolvidos nos movimentos dos seres viventes e nos movimentos das rodas. CBASD, vol. 4, p. 631.
25 Abaixavam as asas. A repetição da ideia sugere um ato de reverência dirigido à Majestade, no alto. Quando a voz foi ouvida, os querubins pararam, os potentes sons de seu movimento cessaram, e suas asas se abaixaram e ficaram imóveis em atitude reverente. CBASD, vol. 4, p. 631.
26-28 trono. A carruagem se aproxima de Ezequiel o suficiente para ele ver o que os seres viventes e as rodas carregavam: um trono móvel (ver Dn 7:9). Bíblia de Estudo Andrews.
26 Algo semelhante a um trono. Aqui está o grande clímax da visão. A parte mais gloriosa foi deixada para o final. Acima do firmamento cristalino surge o que a princípio pareceu ao profeta uma concentração do mais puro e profundo azul. … O hebraico diz: “como a aparência de uma pedra de safira, como a semelhança de um trono”. A semelhança de uma pedra de safira, sem dúvida, foi o que o impressionou primeiro. Então, à medida que os detalhes foram se tornando mais nítidos, o profeta notou a forma de um trono. CBASD, vol. 4, p. 632.
Uma figura semelhante a um homem. O ponto central da visão finalmente é alcançado: a magnífica figura semelhante a um homem no trono (identificada como o cristo pré-encarnado; ver um retrato semelhante de Cristo em Ap 1:13-16). Bíblia de Estudo Andrews.
Em visão, o profeta contemplou apenas uma representação do original (ver com. do v. 10). Ezequiel não viu o Ser divino em si, mas uma representação da Divindade. Ao descrever o Ser como um homem, o profeta empregou extrema cautela, usando uma combinação de termos que, numa tradução mais literal, seria: “uma semelhança como a aparência de um ser humano”. “Ninguém jamais viu a Deus”(Jo 1:18) e, assim, os seres humanos são incapazes de dar uma descrição acurada de sua verdadeira essência. Deus se revela em visão; ou, presencialmente, de várias formas: a Abraão, Cristo Se manifestou como um caminhante (Gn 18:1); a Jacó, como um assaltante (Gn 32:24); a Josué, como um guerreiro (Js 5:13). Ao profeta João, Ele se revelou em visão de várias formas, inclusive na de cordeiro (Ap 6:1; cf Ap 1:1-16; 14:1). As “visões de Deus” deram a Ezequiel a necessária certeza da genuinidade de seu chamado e acrescentaram à sua mensagem a autoridade de que ela precisava.
O Deus que governa desde o Céu não é um Senhor ausente. Ezequiel viu o firmamento e o trono diretamente acima da cabeça dos seres viventes. Estes, por sua vez, estavam ao lado de cada uma das rodas que, quando paradas, tocavam o solo. É confortante saber que Aquele que Se assenta acima dos querubins está no controle de tudo, que Ele guarda Seu povo, que todos os poderes terrenos que buscam se exaltar contra o Deus do Céu serão subjugados, e que Deus será tudo em todos. CBASD, vol. 4, p. 632.
28 arco. O arco-íris. Simboliza a misericórdia divina (Gn 9:13). Bíblia de Estudo Andrews.
Do arco … caí com o rosto em terra. Provavelmente Ezequiel tenha se lembrado da graciosa promessa de Gênesis 9:13. Por mais desanimadora que fosse a perspectiva nacional para o profeta, e por mais que ela pressagiasse o desastre, ele sabia que os pensamentos de Deus para com Seu povo eram de paz e não de mal. Assim, a majestosa apresentação da glória de Deus foi completada. Impactado pelo brilho celestial da cena, Ezequiel caiu com o rosto em terra, mas uma voz lhe ordenou que se levantasse e ouvisse a palavra do Senhor.
O arco-íris que fica ao redor do trono de Deus é a certeza do Seu eterno amor. “O trono circundado pelo arco-íris da promessa, [é] a justiça de Cristo. …O arco-íris que circunda o trono representa o poder combinado da misericórdia e da justiça”(Ellen G. White, RH, 13/12/1892). É um sinal da misericórdia de Deus para com o pecador arrependido” (PP, 107). CBASD, vol. 4, p. 632.
aparência da glória. Ezequiel faz apena um relato do que viu; as palavras não são suficientes para descrever a cena de maneira adequada. Bíblia de Estudo Andrews.
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EZEQUIEL 1 – A visão deste capítulo enfatiza o controle soberano de Deus sobre todo o Universo – Deus governa sobre tudo!
A imagem da Sua glória descrita na visão destaca Sua natureza transcendente e incomparável. A proposta Ezequiel 1 é levar-nos a cultivar uma compreensão da grandeza e majestade de Deus, que ultrapassa os limites de nossa compreensão.
A visão retrata seres viventes e rodas cheias de olhos que estão sob o comando de Deus. “As rodas eram tão complicadas em seu arranjo que à primeira vista pareciam estar em confusão: mas moviam-se em perfeita harmonia. Seres celestiais, sustidos e guiados pela mão que estava sob as asas dos querubins, impeliam aquelas rodas; acima delas, sobre o trono de safira, estava o Eterno; e em redor do trono um arco-íris, emblema da misericórdia divina”, explica Ellen White.
Diante disso, devemos reconhecer e aceitar a autoridade de Deus sobre nossa vida, confiando em Sua sabedoria e plano. Através da informação da providência divina descrita na visão, somos encorajados a confiar que Deus está cuidando de cada detalhe, mesmo quando as circunstâncias parecem desconcertantes (Ezequiel 1:1-27).
Ao contemplarmos a glória, majestade e soberania divina diante de uma visão espetacular dada a Ezequiel, somos lembrados de nossa pequenez, insignificância e limitação (Ezequiel 1:28). Portanto, é imprescindível que cultivemos uma atitude de humildade diante da grandiosidade de um Deus que interage conosco.
A visão dada a Ezequiel se deu enquanto ele estava entre os exilados na Babilônia. Ela abre as cortinas da realidade física, destacando a importância do discernimento espiritual para a compreensão da vida real, e então entender os propósitos e caminhos de Deus em nossa existência.
“Assim como aquela complicação de semelhanças de rodas se achava sob a direção da mão que havia sob as asas dos querubins, o complicado jogo dos acontecimentos humanos achava-se sob a direção divina. Por entre as contendas e tumultos das nações, Aquele que Se assenta acima dos querubins ainda dirige os negócios da Terra” (EGW).
A visão deste capítulo estabelece o tom para o restante do livro, transmitindo a grandeza e a majestade de Deus, bem como a autoridade e soberania divina sobre todas as nações, inclusive sobre o Império Babilônico no passado ou qualquer império opressor no presente. Portanto, reavivemo-nos! – Heber Toth Armí.