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“E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição” (v.9).
A diferença entre o puro e o imundo e entre o santo e o profano havia sido transformada em um conjunto de regras e tradições que eram manipuladas pelos líderes judeus como um meio de expor sua religiosidade. Ao contrário de Jesus, que buscava a discrição (v.36), aqueles homens faziam de tudo para serem notados e aclamados como exímios observadores da Lei. Julgando estar fazendo a vontade de Deus, “jeitosamente” (v.9) rejeitavam o “assim diz o Senhor” para guardar suas próprias tradições. Seus corações ocultavam sua malícia, mas Jesus podia os ler e enxergar o que de fato os movia.
Jesus não condenou as leis de higiene e nem as leis de saúde, e sim a maneira como elas eram observadas. Na verdade, as regras, cuja observância exigiam os fariseus, não fazem parte do corpo de leis dadas por Deus a Moisés, mas faziam parte da “tradição dos anciãos” (v.3). Enquanto lavavam as mãos várias vezes, seus corações estavam cheios de impurezas. E por mais que Jesus os advertisse, a dura cerviz os impedia de entender o que realmente importa aos olhos do Senhor. Considerando “puros todos os alimentos” (v.19), Jesus não autorizou a ingestão da carne de animais imundos, pois estes a Bíblia nem considera como alimento (Veja Lv.11). A lição que Ele deixou neste episódio não tem a ver com comida, amados, mas com pureza de coração. Seu objetivo era que o povo entendesse algo muito maior.
“Ouvi-Me, todos, e entendei” (v.14), foi o apelo de Cristo para que toda a multidão compreendesse o real significado de Suas palavras. Pois longe de estar fazendo o mesmo que fizeram os escribas e fariseus para com os discípulos, Jesus não os estava criticando, mas admoestando quanto ao uso do rigor das tradições em detrimento da Lei de Deus. Se observarmos com atenção a lista dos “maus desígnios” (v.21) que procedem do coração humano, perceberemos que todos eles estão relacionados com a quebra dos dez mandamentos. A Lei de Deus, portanto, funciona como um espelho, para que possamos reconhecer a nossa natureza pecaminosa e a nossa necessidade de um Salvador, e não para contemplarmos a nossa própria imagem com o orgulho de um legalista.
Ser um observador da Lei está muito acima de ser um crítico praticante de rituais. A verdadeira obediência envolve, em primeiro lugar, o que Cristo mesmo elencou como a primeira bem-aventurança: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt.5:3). Felizes os que confessam diante de Deus a sua necessidade de um Salvador pessoal. Felizes os que assumem que, diante de sua condição pecaminosa e de seu coração “desesperadamente corrupto” (Jr.17:9), não conseguem fazer nada sem Jesus. Felizes aqueles que, à semelhança da mulher siro-fenícia, perseveram em humilhar-se perante o Senhor do Universo, porque, no final de suas súplicas, vem a vitória. Felizes os que têm um encontro com Jesus “à parte” (v.33), e permitem que Ele os cure de sua surdez espiritual e de sua língua impedida de louvá-Lo.
Não fomos chamados por Deus para sermos juízes de nossos irmãos, e sim para sermos servos uns dos outros. Deus conhece o nosso coração e sabe exatamente o que somos na essência. E todo aquele que O ama e O busca não sentirá orgulho próprio, mas em sua vergonha por sua condição tão dessemelhante de Cristo, não encontram posição mais confortável a não ser prostrar-se diante do Único capaz de salvá-lo. A bênção do Senhor e a Sua aprovação não depende do que fazemos ou deixamos de fazer, mas do que permitimos que o Espírito Santo realize em nós e através de nós. Toda a súplica que ascende aos Céus com humildade promove o maior dos milagres, que é a transformação das “obras da carne” (Gl.5:19) em “fruto do Espírito” (Gl.5:22).
“Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb.4:16).
Nosso Pai Celestial, como o antigo Israel estamos sujeitos a cair no mesmo engano. Vivemos no tempo de Laodiceia, e podemos estar contando vantagem de uma rica e confortável situação, enquanto não passamos de miseráveis e infelizes com os olhos vendados para enxergar nossa nudez espiritual. Oh, Senhor, tem misericórdia de nós! Tem misericórdia, Pai! Faz-nos ouvir Tuas batidas nos convidando a abrir a porta do nosso coração, para que possas entrar e nos oferecer o único alimento que nutre a alma. Unge os nossos olhos, abre os nossos ouvidos, veste-nos com a justiça de Cristo e concede-nos o ouro refinado para que sejamos ricos de Tua graça e amor. Em nome de Jesus, Amém!
Vigiemos e oremos!
Bom dia, humildes de espírito!
Rosana Garcia Barros
#Marcos7 #RPSP
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
1 Comentário so far
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Amém 🙏
Comentário por Alda Casanova 3 de setembro de 2024 @ 6:51