Reavivados por Sua Palavra


Jó 24 – comentários by Jeferson Quimelli
20 de julho de 2013, 5:00
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2 os limites. Ou, “os marcos de divisa” (NTLH). […] Nos lugares onde propriedades vizinhas não eram divididas por cercas de qualquer tipo, como no antigo Oriente em geral, a única forma de distinguir entre a terra de um homem e de outro era por meio de pequenas pedras colocadas a intervalos da linha de divisa. Uma forma fácil de roubo era deslocar esses marcos, colocando-os mais para dentro da terra do vizinho (CBASD, vol. 3, p. 632).

3 órfão. Ver 1Sm 12:3. Deus deu regulamentos destinados a reprimir a tendência natural dos egoístas de não tratar com bondade os órfãos e as viúvas (ver Êx 22:22; Dt 24:17; 27:19; Sl 94:6; Is 1:23; 10:2; Jr 5:28; Zc 7:10). O jumento do órfão e o boi da viúva estavam entre as mais valiosas posses desses desafortunados (CBASD, vol. 3, p. 632, 633).

5 como asnos monteses no deserto. Oprimidos e necessitados que eram banidos da sociedade e obrigados a procurar substitstência precária como a do jumento selvagem no deserto (CBASD, vol. 3, p. 633).

6 rabiscam. Rebuscam as últimas uvas, apesar de a Lei exigir que os restos da vindima sejam deixados para os pobres (Bíblia Shedd).

9 orfãozinhos são arrancados. Esta é uma referência ao costume cruel de tomar crianças como escravas a fim de saldar a dívida do pai (ver Ne 5:5; cf 2Rs 4:7) (CBASD, vol. 3, p. 632).

Das viúvas roubam-se até as criancinhas para serem vendidas e entregues à escravidão e, como escravas, trabalham com os gêneros alimentícios dos opressores, sem, entretanto, ter o direito de prová-los, 10, 11 (Bíblia Shedd).

12 desde as cidades. O clamor dos oprimidos emerge não só dos desertos e das fazendas, mas também das cidades. O objeto de Jó era mostrar, em oposição à crença errônea de seus amigos, que Deus não pune imediatamente todo ato mau nem recompensa toda boa obra. Muitas vezes, há um longo tempo até que o vício seja punido e a virtude, recompensada. Portanto, o caráter de alguém não pode ser julgado por sua prosperidade ou adversidade. Aqui se encontrava a falha básica na filosofia dos supostos amigos de Jó (CBASD, vol. 3, p. 633).

13 inimigos da luz. Este versículo inicia uma nova seção, que abrange os v. 13 a 17 e trata de assassinos, adúlteros e ladrões. Esse tipo de iniquidade floresce na escuridão. Seus adeptos são “inimigos da luz” – não só a luz do dia, mas também a luz da razão, da consciência e da lei. Não possuem qualquer restrição moral (CBASD, vol. 3, p. 633).

16 minam as casas. Antigamente o roubo das casas era feito desta forma. As janelas eram poucas e ficavam muito altas na parede. As portas eram fortemente trancadas com ferrolhos e barras, mas as paredes, por serem feitas de barro, entulho ou tijolos secos ao sol, eram fracas e podiam ser facilmente rompidas (ver Ez 12:5, 12) (CBASD, vol. 3, p. 633).

17 sombra da morte. Ou, “profunda escuridão”. Quando a profunda escuridão da noite se inicia, essas pessoas começam seu trabalho. A chegada da noite é para elas o que o amanhecer é para outros (CBASD, vol. 3, p. 634).

18 maldita é a porção. Isto é, seu modo de vida, seu modo de ganhar a vida, é abominável (CBASD, vol. 3, p. 634).

Já não andam pelo caminho das vinhas. Suas vinhas não produzirão. Eles tem vivido da pilhagem e não merecem ganhar sua subsistência por meio das vinhas(CBASD, vol. 3, p. 634).

20 A estéril. A opressão de uma estéril indicava extrema crueldade. A mulher estéril era especialmente vítima indefesa da pressão porque não tinha filho para defender seus direitos. A esterilidade era considerada como resultado de algum pecado e do desprazer divino(CBASD, vol. 3, p. 634).

24 São exaltados por breve tempo. Esta é a conclusão de Jó com respeito à maneira como Deus trata os ímpios. Seus amigos afirmam que estes são punidos nesta vida por seus pecados e que grandes crimes logo atrairiam grandes calamidades. Jó nega isso e diz que o fato é que os perversos são exaltados. Contudo, ele sabe que chegará o tempo em que eles receberão a recompensa de seus maus atos. Jó afirma, porém, que a morte deles pode ser tranquila e fácil e que talvez nenhuma prova extraordinária do desprazer divino acompanhe sua partida (CBASD, vol. 3, p. 634).

25 Jó termina seu discurso apelando para seus amigos provarem o contrário daquilo que dissera; não está interessado em ganhar o debate; só quer descobrir a verdade sobre os problemas que o afligem (Bíblia Shedd).



Jó 24 by Jeferson Quimelli
20 de julho de 2013, 0:00
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Comentário devocional:

Jó deseja levar seus três amigos ao cerne da questão: este mundo e seus eventos não durarão para sempre; os maus serão destruídos nos últimos dias; não importa o sucesso que possam alcançar na vida. Resumidamente, este é o tema do capítulo.

Jó começa o capítulo perguntando porque Deus não estabelece períodos de julgamento e retribuição. Por que aqueles que conhecem e amam a Deus não poderiam ver esses julgamentos em seus próprios dias? Por que eles devem ver todo o sofrimento? (v. 1).

Então Jó identifica o ímpio, numa lista extensa e bem detalhada: São eles quem removem fronteiras [grileiros] (v. 2); roubam os rebanhos e os tomam para si (v. 2), levam o jumento do órfão (v. 3), tomam o único boi da viúva em penhor (v. 3), fazem com que os pobres tenham de sair da estrada e se esconder em busca de segurança (v. 4).

Jó, a seguir, descreve os efeitos da opressão realizada pelos ímpios, através da geografia do sofrimento dos necessitados e oprimidos: Nos lugares ermos como asnos selvagens à procura de pão (v. 5), no campo, tentando, em vão, achar algo deixado quando da colheita nos campos e vinhas do ímpio (v. 6); sem roupa e sem cobertores, sofrem pelo frio, não tendo onde se abrigar (v. 7-8), tendo os seus próprios filhos arrancados de seu peito como penhor (v. 9), e, para sobreviverem e por conta de suas dívidas com o perverso, são forçados a, vestidos de andrajos, trabalhar pesado, carregando feixes de cereais (v. 10), espremendo azeite e uvas, mas sofrendo de fome e sede (v 10, 11).

Jó se revolta com esta condição social de exploração e sofrimento, relatando os gemidos e clamor dos feridos e oprimidos, desejando que Deus interrompa logo esta situação, dando aos ímpios a sua paga (v. 12).

Moisés, o escritor, podia bem identificar-se com esta acusação de Jó contra os ímpios e o sofrimento dos oprimidos, especialmente quando ele, enquanto relata a história de Jó, se lembra de seus parentes, amigos e demais hebreus tão oprimidos após a morte de José.

As más ações dos ímpios nos dias de sofrimento dos hebreus no Egito eram as mesmas que aconteciam nos dias de Jó.

A vida dos ímpios não possui dimensão espiritual. Eles “são inimigos da luz” e não reconhecem os caminhos de Deus (v. 13). Eles roubam, assassinam em plena luz do dia, e matam os pobres (v. 14). O adúltero usa o crepúsculo da noite para cobrir seus pecados (v. 15). Eles invadem casas (v. 16), e se escondem de dia porque nada tem a ver com a luz (v. 17).

Após descrever a atuação dos perversos (v 13-17), Jó relembra a teoria do castigo imediato sustentada pelos seus amigos (v 18-21), e diz que (v. 22-24), na realidade, as coisas não ocorrem desta maneira, pois Deus permite que eles sejam “exaltados por breve tempo”, mas serão, ao final, colhidos, como todos, pela morte, como são cortadas as pontas das espigas (v. 24)

Jó descreve a atuação dos ímpios, mas destaca que o poder deles é passageiro, restritos a uma vida, deixando implícita a idéia de julgamento e retribuição divinas posteriores. Ele termina sua exposição desafiando seus amigos a desmenti-lo ou a mostrar a invalidade de seus argumentos; se alguém acha que ele é um mentiroso, que prove que ele está errado (v. 25).

Querido Deus,
Nós também vivemos nesse ambiente hostil cercado por todos os tipos de maldade. Proteja-nos neste dia com a Sua graça sustentadora. Amém.

Koot van Wyk
Kyungpook National University
Sangju, Coreia do Sul

Trad/Adap GASQ/JAQ/JDS

 

Texto bíblico: Jó 24