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Texto bíblico à Juízes 19
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Esta narrativa representa o capítulo mais negro na história de Israel durante o período dos juízes. De todas as atrocidades morais cometidas pelos israelitas até agora no livro, esta é, de longe, a mais terrível. As semelhanças entre esta história e a narrativa de depravação de Sodoma (Gn 19) são muitas para ser apenas coincidência. O escritor deliberadamente enfoca essa história para comparar a depravação moral de Israel com aquela do povo de Sodoma. As seguintes palavras resumem a história: “Nunca se viu nem se fez uma coisa dessas desde o dia em que os israelitas saíram do Egito” (Jz. 19:30 NVI) .
É importante destacar que o narrador não julga as ações dos personagens. Não devemos assumir que hospedeiro do levita estava correto ao preferir estupro heterossexual em vez de estupro homossexual. Ele fez isso porque lhe pareceu bem aos seus próprios olhos. Da mesma forma, a falta de hospitalidade não é o verdadeiro problema aqui, como alguns comentaristas têm sugerido. A violência cometida por esses homens não decorre de falta de espírito hospitaleiro, mas, sim, é proveniente de corações maus e depravados. A narrativa deixa claro que o crime aqui é estupro e assassinato, perpetrado pelos homens de Gibeá.
Tão horrível quanto esses atos tenham sido, a pior e mais chocante parte é que foram filhos de Israel quem os cometeram. Estupro e assassinato não eram menos comuns no antigo Oriente Próximo do que são hoje. Mas se pudessem ocorrer em outras nações, tais atrocidades não poderiam ter ocorrido entre o povo escolhido de Deus. Mesmo em uma época em que “não havia rei em Israel”, eles deveriam ter um padrão de viver mais elevado do que as nações vizinhas. A insistência do levita para ir a uma cidade israelita em vez de uma cidade estrangeira (19:12) só enfatiza este ponto: os israelitas deveriam ser pessoas melhores.
A decadência moral da sociedade israelita foi o resultado de viver como se não houvesse rei e como se Deus não estivesse por perto. Vivemos precisamente nesse tipo de mundo hoje. O temor de Deus parece algo antiquado e estranho para a maioria das pessoas em nossa sociedade. Os seguidores de Jesus, o povo escolhido de Deus, devem ser uma exceção, uma luz que brilha na escuridão.
A maioria de nós provavelmente nunca se envolverá em algo tão horrível como os eventos descritos aqui (Louvado seja o Senhor!). Mas sempre que assumimos uma postura de indiferença egoísta em relação ao pecado, fazemos exatamente como o anfitrião do levita. O filósofo irlandês Edmund Burke escreveu, “tudo o que é necessário para que o mal triunfe é que os homens bons não façam nada.” Se esperarmos conveniência e comodidade para decidirmos quando nos levantar em favor do bem, perderemos muitas oportunidades para ajudar aqueles que têm sido feridos pelo pecado.
Justo E. Morales
Southern Adventist University
Trad JAQ-Rev GASQ/JDS
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Texto bíblico à Juízes 18
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Lemos no primeiro capítulo de Juízes que a conquista da terra de Canaã foi incompleta (1:27-26). Esta seção narra como a tribo de Dã chegou a possuir a sua herança no norte de Canaã. No entanto, o foco da narrativa não é a conquista da cidade de Laís (mais tarde chamada Dã). A história é incluída aqui para explicar como a tribo de Dã veio a se estabelecer no norte de Israel e foi quem mais contribuiu para a ampla disseminação de uma falsa religião israelita. As tribos do norte, mais tarde, foram levadas em cativeiro pela Assíria exatamente por conta deste culto idólatra.
A narrativa de Mica e a tribo de Dã também enfatiza os temas centrais do livro de Juízes: “não havia rei em Israel” e “todo mundo fazia o que era reto aos seus próprios olhos.” O Senhor – Yahweh – deveria ser o seu Rei , mas os israelitas ignoraram, corromperam ou esqueceram de cada preceito de Sua lei com consequências devastadoras. Embora os danitas tenham sido bem sucedidos em tomar posse do novo território, não devemos confundir sucesso com a aprovação de Deus. Ambos, Mica e a tribo de Dã, sentiram que poderiam se apropriar da bênção de Deus através da criação de seu próprio centro de adoração, em oposição ao oficial, em Siló. Jônatas, o levita, justamente a pessoa nesta história que deveria ter maior conhecimento não se sente em nada incomodado com a idolatria e se mostra feliz por ter a oportunidade de ser o sumo sacerdote da religião falsa (18:20,30).
A narrativa de Mica e Dã começa com roubo e idolatria e acaba com roubo, morte e idolatria. Assim como na história de Sansão, um pecado leva a outro e as consequências morais desse círculo vicioso de pecado pioram com o tempo. Pecado gera pecado e recompensa do pecado é sempre morte.
Ao refletir sobre essa história, oremos a Deus para que nos ajude a quebrar o círculo vicioso do pecado em nossas vidas. Lembremos de que há um rei em Israel, e este rei é Cristo. Permitamos que Ele reine soberano e o pecado não encontrará lugar em nossa vida.
Justo E. Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – Rev JDS
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Texto bíblico à Juízes 17
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Nas narrativas anteriores nos foi dito repetidamente que “os filhos de Israel fizeram o que era mau diante do Senhor”. Jz. 17:6 e 21:25 descrevem a que ponto chegou a situação: “cada qual fazia o que achava mais reto.” Foram tão longe na sua rebeldia que não diferenciavam mais o que era certo e o que era errado. Os últimos capítulos de Juízes apresentam um exemplo de como isso ocorreu e quais as consequências morais (e não apenas políticas) para a nação de Israel.
A maioria das traduções da Bíblia dão a este capítulo o título: “A idolatria de Mica.” Nós já sabemos a partir de narrativas anteriores que a idolatria era prática generalizada em Israel durante o período dos juízes. O que é notável nessa história é o modo absurdo como os personagens acham que não estão fazendo nada de errado. O ídolo, no centro desta falsa adoração (17:3-4) é dedicado ao Senhor! E mais, o santuário do culto ilegítimo que Mica estabelece está localizado na região montanhosa de Efraim, a mesma região em que o santuário legítimo em Siló está localizado (Jos. 18). Até mesmo o levita na história parece não saber (ou se importar) que a criação de um centro ilegítimo de adoração com imagens de escultura é um problema e ele está muito feliz em ir em frente com isso (17:11). Ao empregar um verdadeiro levita, Mica considera que seu santuário não é apenas legítimo, mas agradável ao Senhor: “Sei, agora, que o Senhor me fará bem, porquanto tenho um levita como sacerdote!” (17:13).
As ações equivocadas de Mica trarão terão sérias consequências para a nação de Israel nas gerações seguintes. E o mais trágico é que ele não tem consciência disso. O Senhor diz: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de Mim; visto que esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”(Oséias 4:6).
Isso, certamente, é uma lição para nós, que somos uma geração escolhida. Deus nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz para ser um sacerdócio real para Ele, uma nação santa, o povo adquirido, para fazer o que é certo e defender a sua Lei (1 Ped. 2:9 e Ap 14:12).
Justo E. Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – Rev JDS
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Texto bíblico à Juízes 16
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Mais uma vez Sansão não mostra qualquer consideração por sua vocação divina e põe em perigo a sua vida e missão. A última vez que ele cobiçou uma mulher filistéia as consequências foram desastrosas (Jz. 14:2 e subsequentes). Apesar disso e sabendo que ninguém se atreveria a detê-lo, ele descaradamente vai para o coração do país filisteu para satisfazer seu desejo sexual e se coloca em apuros. Tal como antes, apesar de sua rebelião, o Senhor lhe dá o poder para salvar a si mesmo. Porém esse é o problema com Sansão: ele usa o poder de Deus apenas para si. De todos os seus grandes feitos de força, nenhum deles teve como objetivo salvar um único israelita da opressão.
A derrota de Sansão não aconteceu porque ele confiou na mulher errada. Ele não foi enganado quando contou o segredo de sua força. Ele fez isso consciente de que, provavelmente, esta informação seria usada contra ele. Ele tinha vivido em rebeldia por tanto tempo e violado seu voto de nazireu tantas vezes que já não percebia as consequências do seu pecado. Como inúmeras vezes antes, ele pensou que Deus iria livrá-lo de seus inimigos. Mas com esse ato final da rebelião, ele desperdiçou a bênção de Deus pela última vez.
Não havia virtude em seu longo cabelo, mas este era um sinal de que ele pertencia a Deus. Quando o símbolo foi sacrificado na satisfação da paixão, as bênçãos das quais o cabelo comprido era um símbolo também foram levadas (ver PP566).
Sansão tinha o maior potencial de todos os juízes e os heróis da Bíblia. Se ele tivesse sido fiel à sua vocação divina, o propósito de Deus poderia ter sido realizado para a exaltação de Deus e para a honra de Sansão. Mas Sansão cedeu à tentação e provou ser indigno à confiança de Deus, e sua missão terminou em derrota, escravidão e morte (ver PP567). A história da vida de Sansão é que apesar dele o Senhor realizou seu propósito.
Como será nossa história de vida? Deus realizará o Seu propósito através de nossos esforços ou apesar deles?
Justo E. Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – Rev GASQ
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Texto bíblico à Juízes 15
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Enquanto o capítulo anterior expõe o fracasso de Sansão como homem de Deus, este capítulo destaca seu fracasso como líder. Seu confronto com os filisteus não foi motivado por um desejo de acabar com o domínio deles sobre os israelitas, mas por seu desejo egoísta de mostrar-lhes o quão forte ele era. Mesmo para os padrões da época, as ações de Sansão foram excessivas e injustificadas. Em contraste com os juízes anteriores que foram para a batalha em nome do Senhor, nem por uma vez Sansão invoca o nome de Deus, mesmo quando o Espírito de Deus o capacita a derrotar seus inimigos (15:14). Ele se gaba de sua vitória, sem dar crédito a Deus (15:16). Somente quando ele precisa da ajuda de Deus é que ele O invoca. E faz isso reclamando ao invés de implorar (15:18). Este comportamento aparentemente não o preocupa, porque o Senhor continua a abençoá-lo, apesar de sua rebelião. Mas enquanto a sua vida é poupada, sua missão de libertar o povo de Deus é prejudicada por sua atitude egoísta e imatura: “Fiz a eles apenas o que me fizeram” (15:11 NVI).
Ao invés de unir forças com Sansão para derrubar o jugo do domínio filisteu, os homens de Judá se acovardam diante da ameaça e lhes entregam Sansão, um dos seus, sem o menor escrúpulo (15:9-13). Sansão até mesmo receia que eles possam fazer-lhe mal e que ele tenha de matar seu próprio povo.
O libertador escolhido tem a força para matar mil homens, mas não tem força moral para merecer o respeito e a confiança de um israelita que seja. Guiado pelo seu próprio senso de justiça, ele não é diferente dos filisteus contra quem está lutando.
Muitos de nós vivemos como Sansão viveu. Recebemos o chamado para sermos líderes entre o povo de Deus. Fomos abençoados com as habilidades ou os meios para realizar grandes feitos para o Senhor. Mas de modo semelhante a Sansão nos tornamos auto-suficientes, confiando em nossas próprias habilidades ou posição para realizar as obras de Deus. Em nosso sucesso, podemos não perceber o quanto queremos estar no controle em vez de permitir que Deus assuma a liderança.
Não se esqueça de orar hoje para que Jesus esteja no controle de sua vida e que o Espírito do Senhor venha poderosamente sobre você.
Justo E. Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – rev JDS
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Texto bíblicoà Juízes 14
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Este capítulo revela o caráter de Sansão e prepara o palco para o resto da narrativa de sua vida. Sansão é um homem controlado por impulsos, fisicamente forte, mas fraco de espírito. Seu desejo de casar com uma mulher filistéia vai contra a vontade de seus pais, a lei bíblica e seu status consagrado como um nazireu. Mas nenhuma dessas bênçãos importa a Sansão que está apenas interessado no que bem lhe agrada (14:3).
Desde o nascimento Deus havia estabelecido uma regra de vida para Sansão que lhe ensinaria disciplina e auto-controle. Para um homem com a força física para rasgar uma fera com as próprias mãos (14:6), temperança e auto-controle era lições que Sansão não podia se dar ao luxo de perder. Mais importante ainda, como um juiz e libertador de Israel, Sansão era o líder espiritual de seu povo. Enquanto cada homem estava fazendo o que era reto aos seus próprios olhos, Sansão deveria fazer o que era certo aos olhos de Deus e trazer Israel para o Senhor. Infelizmente, foi com os olhos (“Eu vi uma mulher”), que ele primeiro falhou em viver à altura da sua elevada vocação.
O Senhor realizou o seu propósito através de Sansão, apesar de seu caráter fraco. Por duas vezes, o Espírito do Senhor vem sobre ele com o poder de realizar feitos maravilhosos. Este confronto inicial entre Sansão e os filisteus prenuncia os acontecimentos através dos quais o Senhor proverá livramento para o seu povo. No entanto, a infeliz proximidade de Sansão com os filisteus acabou provando ser sua ruína.
Deus tem um propósito para nossas vidas. Sansão sabia para o que havia sido chamado, mas este conhecimento não influenciou suficientemente o modo como ele viveu a sua vida.
Deus poderia ter realizado muito mais através de Sansão se ele tivesse escolhido render sua vontade a Deus! A mesma escolha está diante de nós, hoje: sermos escravos de nossas paixões ou permitirmos que Deus nos molde como vasos sagrados.
Permitamos ao Espírito Santo moldar-nos segundo o Seu querer.
Justo E. Moralis
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – Rev JDS
Comentário bíblico selecionado:
Caso Sansão tivesse aproveitado essa experiência e permitido que o vazio e o desapontamento causados pelo pecado o guiassem a buscar um caminho melhor, Deus o aceitaria e permitiria que liderasse Israel em completo triunfo contra os filisteus. No entanto, Deus continuou a trabalhar por meio de Sansão na medida em que ele permitia.
A experiência de Sansão indica que Deus não abandona imediatamente os Seus servos quando eles caem em pecado. Ele pode continuar a abençoar os esforços deles apesar de conscientemente desrespeitarem algumas exigências divinas. Como não existe nenhuma pessoa perfeita, Deus não poderia utilizar instrumentalidades humana se abençoasse somente os esforços dos puros. Sendo assim, ninguém deve interpretar que as bênçãos do Céu demonstram que Deus aprova todas as obras de Seus servos (CBASD, vol.2, p. 407).
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Texto bíblico à Juízes 13
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Não houve nenhum juiz igual a Sansão, e seu chamado também foi incomum. Na verdade, seu chamado veio através de seus pais, antes de ser concebido. Outras mulheres estéreis da Bíblia foram abençoadas com um filho da promessa (Sara e Isaque, Ana e Samuel, Isabel e João), porém a mãe de Sansão foi a única estéril a receber uma visita pessoal do Anjo do Senhor. Deus enviou Seu Anjo ainda uma segunda vez, desta vez para fortalecer a fé do pai de Sansão, Manoá.
Embora a esposa de Manoá lhe houvesse retransmitido a mensagem do Anjo completa e precisamente, Manoá ainda duvidava. Não se tratava aqui de acreditar ou não em sua esposa, mas como Gideão, em ter certeza de que ele estava preparado para a tarefa diante dele. Manoá esperava mais instruções do que as concedidas. Para ele certamente deveria haver mais coisas a saber para criar este menino do que a obediência às simples ordens de Deus. Manoá precisava de um sinal e o Senhor o deu de uma forma surpreendente (vs. 19-20), mostrando a ele que ali estivera um enviado do Céu e não um simples profeta, como ele supusera. Faltou a Manoá o discernimento espiritual para reconhecer a Deus quando Ele apareceu diante de si. Mas desde o começo ele sabia o suficiente para orar por orientação e o Senhor respondeu a sua oração.
É reconfortante saber que Deus está disposto a trabalhar conosco, mesmo quando duvidamos de Suas palavras. Quer nos sintamos inadequados ou simplesmente inseguros a respeito de Sua vontade, o Senhor encontrará uma meio de nos fornecer a tranquilidade e a orientação de que precisamos.
Justo E. Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – Rev GASQ/JDS
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Texto bíblico à Juízes 12
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Em vez de agradecer a Jefté por derrotar os opressores de Israel, os efraimitas ficaram com inveja do sucesso que Jefté obteve sem eles. Previamente, aprendemos que os efraimitas tinham um senso exagerado de auto-valorização (Jz. 8:1) e desta vez seu orgulho ferido os levou a um confronto desnecessário.
Jefté afirmou corretamente que a tribo de Efraim não tinha o direito de ficar chateada com ele, pois não o haviam ajudado quando pediu apoio em sua contenda anterior com os amonitas. Jefté apresentou uma defesa razoável e justa por suas ações. Mas ele não apelou para que Deus fosse juiz entre Gileade e Efraim como fez com os amonitas (v. 3).
Não sabemos qual foi a resposta dada por Efraim. Sabemos apenas que Jefté ajuntou o exército gileadita e foi à guerra contra Efraim.
Enquanto Gideão havia aplacado os efraimitas com palavras (Jz 8:2-3), Jefté escolheu punir seus irmãos israelitas por sua arrogância. Os efraimitas não foram apenas derrotados na batalha, eles foram abatidos aos milhares a sangue frio (vs. 5-6).
É tentador pensar que os efraimitas receberam o que mereciam. A questão, entretanto, não é o que mereciam, mas se era vontade de Deus que eles fossem punidos. Como Jefté, muitas vezes somos rápidos em condenar nossos irmãos quando eles nos prejudicam. Com facilidade deixamos Deus lidar com os “amonitas” em nossas vidas, porem queremos nós mesmos rapidamente acertar as contas com o nosso irmão ou irmã que nos ofendeu.
Quando seguidores de Cristo brigam, Satanás ganha. Quando permitimos que o orgulho governe nossos corações, não importa quão certo pensemos estar, somos um tropeço para o testemunho de Jesus. Nossa entrega pessoal diária do eu não só protege nossos corações do pecado, mas também nos impede de nos tornarmos uma arma que Satanás possa usar para atacar a nossos irmãos e irmãs.
Justo E. Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ – rev GASQ/JDS
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Se você se sente incomodado ao ler Juízes 11, talvez se sinta um pouco melhor em saber que este trecho da Bíblia tem incomodado também a muitos por muitos séculos. Entretanto esta passagem pede uma melhor compreensão dos fatos e traz tantos conselhos e advertências importantes, como anotadas em comentários bíblicos, que não poderíamos deixar de registrá-los:
30 fez Jefté um voto ao Senhor A ignorância da Lei de Deus por parte de Jefté era muito grande, tendo-se em vista passagens como Lv 18.21; 20.2-5; Dt 12.31; 18.10. Se de fato ofereceu sua única filha em holocausto (oferta queimada), como o sentido literal do texto indica, pode-se afirmar, com certeza, que não agradara a Deus. O sacrifício humano, que se encontra em passagens como 2 Rs 3.27; 16.3; 17.17; 2 Cr 33.6; Jr 7.31; 32.35, revela que tal costume pagão não era desconhecido entre os hebreus. Louvamos o zelo de Jefté; condenamos seu voto temerário. Desde a Idade Média há intérpretes que argumentam que Jefté jamais teria sacrificado sua filha única, mas que somente a consagrara à virgindade perpétua. As frases “esse será do Senhor” e “jamais foi possuída por varão” (39) são as mais proferidas em prol dessa opinião (Bíblia Shedd).
O registro do voto precipitado de Jefté é uma das mais difíceis passagens das Escrituras. O relato é muito breve para permitir conclusões definitivas sobre o que aconteceu. … Aqui, como em outros lugares, deve-se verificar o que diz a Bíblia e evitar a tentativa de harmonizar as afirmações com o conceito pessoal sobre a história. Deve-se tomar a Bíblia como se lê. Sempre que possível deve-se conceder o benefício da dúvida às pessoas e não julgá-las sem justa causa (CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, Vol. 2, p. 388, 389).
Voto O voto de Jefté foi feito sob a pressão das circunstâncias, estando ele no limiar de um empreendimento perigoso. Infelizmente, era em tempos de perigo ou crise que votos como esse eram feitos, quando o estresse emocional contribui para o perigo de fazer promessas precipitadas (CBASD, Vol. 2, p. 389).
31 O Espírito de Deus veio sobre Jefté para que Israel fosse salvo da destruição. Entretanto, a presença do Espírito não garante infalibilidade ou onisciência. Aquele que recebe o Espírito permanece um agente moral livre, e espera-se que faça o devido progresso no conhecimento e crescimento espiritual. Jefté, ignorando o que era correto, precipitadamente votou uma coisa errada. … O único julgamento possível no caso de Jefté é o de condenação (CBASD, Vol. 2, p. 389).
34 A tragédia daquele voto precipitado aprofunda-se ao verificarmos que a linhagem de Jefté ficou cortada, provocando o fim da família, o que é considerado uma das mais funestas maldições entre os hebreus(Bíblia Shedd).
35 prostras por completo Quando Jefté viu sua filha, o pleno significado de seu voto precipitado o prostrou (CBASD, Vol. 2, p. 390).
39 lhe fez segundo o voto por ele proferido Este é um dos mais perturbadores versos na Escritura. Jefté claramente ofereceu sua filha como holocausto, sacrifício completamente queimado (não queimado até a morte, Lev. 1). … ele não previu a consequência de seu voto. Por causa de tal limitação humana, Jesus mais tarde advertiu contra fazer votos (Mat. 5:33-37). Mesmo que sua filha atendesse às especificações de seu voto, Jefté não devia sacrificá-la. Um animal deveria substituir um ser humano (Gên. 22:13; Êx. 13:13,15), que não era uma vítima apropriada para um sacrifício queimado (Deut. 12:31). Mas Jefté aparentemente supôs que seu caso era excepcional e que Deus mesmo havia escolhido a vítima. Ele foi motivado por uma piedade equivocada em vez de rebelião contra Deus. Alguns intérpretes argumentam que Jefté não poderia sacrificar sua filha porque a Bíblia não o condena (comparar com 2 Rs 16:3; 21:6) e porque ele aparece na lista do NT dos heróis da fé (Heb 11:32). Eles dizem que ele deve tê-la dedicado a Deus para que servisse no santuário, como Ana dedicou Samuel (1 Sam. 1:22). Mas a dedicação de vivos não explica a tristeza de Jefté (contrastar com a alegria de Ana; 1 Sam. 2:1), a virgindade da filha (Samuel teve filhos; 1 Sam. 8:1-5), ou o registro explícito de que ele fez como havia votado. A Bíblia não precisa condená-lo porque sua condenação é óbvia: ele literalmente cortou completamente sua linha potencial de descendentes com sua própria mão. Como outros heróis em Heb. 11 (incluindo Gideão e Sansão), ele foi usado por Deus para fazer algo grande através da fé mesmo sendo defeituoso (Andrews Study Bible).
Comentário adicional:
Por volta de 1.200 d.C., o Rabbi Kimchi, seguido por vários escritores, disseminou o ponto de vista de que Jefté não sacrificou a filha. Ele disse que as palavras “oferecerei em holocausto” (Jz 11:31) se aplicariam somente se quem encontrasse Jefté fosse um animal sacrifical. Ele interpreta o v. 39 como Jefté tendo construído uma casa para sua filha onde ela ficaria isolada dos homens o resto da vida, em celibato sagrado, para que todos os momentos fossem dedicados ao Senhor. As virgens de Israel a visitavam anualmente e lamentavam o ocorrido.
Há contra a interpretação de Kimchi o fato de que os costumes daquele tempo não incluíam o tratamento de mulheres como freiras. Virgindade perpétua e não ter filhos eram vistos como os maiores dos infortúnios. Não há lei nem costume em todo o Antigo Testamento que, pelo menos, sugira que uma mulher solteira fosse vista como mais santa, mais dos Senhor ou mais dedicada a Ele do que uma mulher casada. Isso não fazia parte da lei dos sacerdotes nem nazireus. Débora e Hulda, profetizas, são mencionadas como mulheres casadas. Além disso, se a filha fosse permanecer solteira em harmonia com um costume desconhecido, o caso não seria tão trágico como retratado aqui. E ela não precisaria de dois meses para chorara a virgindade porque teria o resto da vida para fazer isso. Todos os intérpretes judeus e cristãos até o tempo de Kimchi mantiveram a intenção natural da passagem, a saber, que Jefté sacrificou sua filha ao Senhor, uma coisa que Abraão quase fez com seu filho, sob circunstâncias diferentes.
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Texto bíblico à Juízes 11
Texto de hoje do blog da Bíblia:
Nossa primeira impressão de Jefté, o gileadita não é positiva. Ele é filho ilegítimo de uma prostituta, um proscrito com uma história familiar conturbada e o líder de uma gangue de “homens sem valor.” No entanto, este indivíduo aparentemente indigno tornou-se juiz de Israel por seis anos (12:7), mas antes ele precisaria aprender algumas lições difíceis ao longo do caminho.
Ao contrário de juízes anteriores, não houve uma chamada divina de Jefté à liderança. Seu domínio sobre os gileaditas veio como resultado da negociação junto aos anciãos de Gileade (11:8-10). Apesar disso, no entanto, não há dúvida de que Deus está guiando os eventos nos bastidores. O Senhor capacita Jefté para lutar contra os inimigos de Israel (11:29) e entrega os amonitas em suas mãos (11:32). As livramentos do Senhor favorecem Israel (11:27), mas não favorecem Jefté.
História de Jefté poderia muito bem ter terminado aqui, sem o infeliz voto que ele fez. Mesmo estando claro que Deus o havia ajudado a combater os amonitas, Jefté sentiu que poderia barganhar com Deus da mesma maneira que ele fez com os anciãos de Gileade. Imediatamente nós nos chocamos com a total falta de entendimento do sistema de sacrifício por parte de Jefté. A Lei de Moisés claramente especificava que tipos de ofertas eram aceitáveis. Jefté não tinha permissão para sacrificar a quem primeiro saísse das portas de sua casa (11:31). No entanto, ele acredita que Deus pode ser subornado por holocaustos. Este voto desnecessário traria muita tristeza a Jefté e a sua filha única.
A narrativa não é clara sobre o que aconteceu com a filha de Jefté. O voto está redigido de tal forma a dar a impressão de que Jefté se referia a um sacrifício físico. Mas a Bíblia não diz que ela foi sacrificada. Em vez disso, nos é dito simplesmente que ela cumpriu a promessa de seu pai e não conheceu homem (11:39). Ela lamenta a sua virgindade ao longo da vida (11:37), e está obviamente preocupada que seu pai a sacrificasse. Desde que sacrifícios humanos foram condenado pela Torá (Dt 18:10), a filha de Jefté deveria viver a vida solitária de um nazireu (Nm 6).
A experiência de Jefté é uma lição bíblica sobre como devemos ser cuidadosos com o que dizemos. É também um aviso sobre negociar com Deus, como se o Todo-Poderoso fosse uma divindade pagã, que pode ser manipulado. Muitas vezes nos encontramos dizendo: “Senhor, se você fizer isso por mim, então eu vou ser um cristão melhor.” Não há nada que o Senhor queira mais de nós do que a nossa entrega incondicional a Ele.
Deus anseia para regar as nossas vidas com bênçãos, mas devemos estar dispostos a submeter-nos à Sua vontade em vez de tentar manipulá-lo com a promessa de boas ações.
Justo Morales
Universidade Adventista do Sul
Trad JAQ