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“O rei e todo o povo que ia com ele chegaram exaustos ao Jordão e ali descansaram” (v.14).
É de se admirar a atitude de Davi em relação ao que lhe disse Ziba. Com presentes que, naquele momento, atendiam às necessidades prementes do rei e de seus homens, Ziba encontrou a oportunidade perfeita para usurpar o que pertencia a Mefibosete. Mesmo sem buscar a verdade dos fatos, Davi consentiu com a ambição daquele homem, ferindo a aliança que estabelecera com Jônatas. Veremos adiante, no capítulo 19, que a decisão de Davi para com Mefibosete foi precipitada e injusta.
Aquele ato de injustiça foi sucedido por uma jornada difícil e extremamente fatigante. Eis que “um homem da família da casa de Saul, cujo nome era Simei” (v.5), atirando pedras, ia “caminhando e amaldiçoando” (v.13) a Davi. Novamente, o rei demonstrou uma reação imprevisível. Diante de um trajeto marcado por insultos e pedradas que ameaçavam sua integridade física, Davi prosseguia como se nada estivesse acontecendo, impedindo, inclusive, que seus valentes revidassem contra aquele homem.
Sua perspectiva quanto à atuação divina levava-o a crer que até mesmo aquela maldição poderia ser um instrumento de Deus para discipliná-lo. Davi estava disposto não apenas a receber as bênçãos do Senhor, mas também a aceitar Sua correção. Embora Deus não fosse o mentor daquela perseguição cruel, Davi tinha consciência de que a misericórdia divina transcende qualquer maldição, pois “os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre” (Sl.125:1). Davi não se deixou abalar pela prova; permaneceu firme porque sua âncora estava no Senhor.
Deus não foi o autor da rebelião de Absalão, nem da abominação cometida por ele com as concubinas de seu pai. No entanto, Ele permite que o pecado revele seus efeitos mais nefastos. A profecia de Natã sobre a vergonha pública de Davi foi a revelação do desdobramento natural de suas escolhas anteriores (2Sm.12:11). Davi, em sua contrição, aceitava a humilhação como parte de um processo de justiça do qual se sentia merecedor. Sua chegada ao Jordão concedeu-lhe, finalmente, o almejado descanso físico e emocional.
Suspeitas infundadas e fofocas podem nos levar à quebra do nono mandamento: “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx.20:16). Ouvir apenas um lado da história nos torna passíveis de cometer graves injustiças. Davi errou ao aceitar os subornos de Ziba, mas ofereceu uma lição magistral de humildade e domínio próprio ao ignorar as ofensas de Simei. Embora tenha demonstrado certo desconhecimento ao atribuir a Deus a maldição proferida por Simei, revelou uma confiança inabalável na bondade do Senhor.
Muitos depositam sua confiança em seres humanos tão falíveis quanto eles próprios. Contudo, ao perceberem a primeira falha, a decepção torna-se maior do que a admiração anterior. Davi foi um homem segundo o coração de Deus, mas o Senhor não ocultou suas quedas. Saber que um homem que falhou gravemente encontrou o perdão divino nos assegura que Deus está sempre pronto a perdoar quem se aproxima dEle com sinceridade. Sigamos a Jesus, nosso Modelo perfeito, confiantes de que, muito em breve, pela graça e misericórdia do Senhor, nossas aflições darão lugar ao descanso eterno.
Pai de amor eterno, nós Te agradecemos por Tua maravilhosa graça! Quando olhamos para a vida de Davi, seus altos e baixos, mas ao mesmo tempo a sua perseverança e confiança em Ti, percebemos que ele compreendeu a salvação pela graça. Nós desejamos, Senhor, acertar mais e errar menos, mas sabemos que a nossa natureza é pecaminosa e dependemos completamente da Tua graça mediante a justiça do nosso Redentor. Mas ajuda-nos, Senhor, a entender que a Tua graça não é uma desculpa para pecar, muito pelo contrário, ela nos confere poder para vivermos uma vida santa e irrepreensível ao Teu lado. Concede-nos a perseverança para andarmos com o Senhor até o fim. Em nome de Jesus, Amém!
Vigiemos e oremos!
Feliz sábado, perseverantes de Deus!
Rosana Garcia Barros
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
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