Filed under: Sem categoria
“Então, disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás o povo; porque é povo abençoado” (v.12).
As constantes vitórias sobre os seus inimigos, o milagroso livramento do Mar Vermelho e os prodígios de Deus em favor de Israel no Egito fizeram deste povo o mais temido entre as nações. Além de ser muito numeroso, o santuário móvel revelava a presença de um Deus Todo-Poderoso e intimidava todo aquele que o avistava. Diante de tão poderosa ameaça, Balaque, rei dos moabitas, temeu por seu reino. Ele sabia, porém, que não se tratava apenas de evitar uma guerra com lanças e espadas, mas de um conflito que envolvia forças espirituais.
Julgando haver na Terra alguém capaz de interromper a bênção divina, Balaque mandou chamar um conhecido adivinho cujos encantamentos eram famosos por seus resultados. A Bíblia não menciona a origem de Balaão, mas diz que ele tinha conhecimento do Deus verdadeiro. Persuadido pelos “anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas” (v.7), Balaão lhes ofereceu pousada e pediu que aguardassem a resposta do Senhor quanto ao seu pedido. A primeira fala do Senhor ao pretenso profeta veio em forma de pergunta: “Quem são estes homens contigo?” (v.9). Ora, Deus sabia quem eles eram. A pergunta era na verdade uma reprovação à atitude de Balaão, que deveria tê-los mandado embora assim que tivesse ouvido a proposta, mas, no íntimo, ele desejava as recompensas oferecidas.
Em resposta à ordem divina, logo pela manhã ele dispensou os “príncipes de Balaque” (v.13) para que retornassem à sua terra. O medo do rei pelo confronto com o povo de Deus, no entanto, fez Balaque insistir com Balaão, enviando-lhe príncipes “mais honrados do que os primeiros” (v.15) com promessas superiores. Acredito que a atitude de Balaão diante da primeira comitiva também foi um incentivo ao rei para insistir em seu intento. A primeira experiência não havia sido suficiente para que Balaão dispensasse a segunda comitiva. Ele esperava que, de algum modo, pudesse ser recompensado. Pela segunda vez, submeteu-se aos encantos da cobiça. O Senhor já havia lhe dado resposta, mas ele insistiu em obter a resposta que pudesse favorecê-lo.
E partindo para uma missão fadada ao fracasso, seguiu a passos pesados ao encontro de seu benfeitor. Sua consciência não o deixava em paz e, nesta viagem maldita, aliviava suas tensões espancando o animal que parecia estar tão nervoso quanto o dono. Por três vezes o Anjo do Senhor Se pôs no caminho de Balaão a fim de tirar-lhe a vida, e por três vezes a jumenta que o carregava o livrou da morte. “Então, o Senhor fez falar a jumenta” (v.28), que iniciou o diálogo mais estranho e bizarro da Bíblia. Balaão estava tão desorientado que não se deu conta de estar conversando com um animal, até que Deus abriu os seus olhos e “ele viu o Anjo do Senhor, que estava no caminho, com a sua espada desembainhada na mão” (v.31).
Prostrado com o rosto em terra, Balaão recebeu as últimas orientações acerca do que fazer e, ao chegar diante do monarca de Moabe, deixou claro que seus encantamentos não poderiam prevalecer diante da vontade de Deus: “A palavra que Deus puser na minha boca, essa falarei” (v.38). Levado para lugares cada vez mais altos, “Balaão viu dali a parte mais próxima do povo” (v.41). Olhando de cima, Balaque considerava lançar sobre Israel a maldição que os destruiria, ignorando que do mais alto lugar, há um Deus que cuida do Seu povo.
A atitude de Balaão frente às ofertas de Balaque representa a atitude de muitos frente às ofertas de Satanás. Mesmo reconhecendo a reprovação divina quanto ao mal que os assedia, até resistem por um tempo, mas retornando o inimigo com mais tentadoras sugestões, sem resistência moral e espiritual, ignorando o poder que lhes foi dado para resistir à primeira oferta, são deixados a seguir pelo caminho que escolheram. E mesmo que usem o nome do Senhor para justificar suas escolhas, em seu íntimo há um conflito gerado pela conscienciosa certeza de que estão partindo para um caminho contrário à vontade de Deus.
Faz parte integrante da fé cristã acreditar em relatos como o dilúvio, o grande peixe que engoliu o profeta Jonas e a conversa entre Balaão e a sua jumenta. Os atos sobrenaturais de Deus simbolizam o Seu grande zelo em fazer com que o homem caminhe na direção correta. A jumenta simboliza o incomparável amor de Deus em nos salvar de nós mesmos. Como Balaão, muitos vagueiam pelas estradas da vida em busca de honras desta Terra. A justiça de Deus arde como espada flamejante diante de nossos pecados, mas as Suas misericórdias nos desviam do castigo merecido. Convencidos de que estamos seguindo na direção certa, somos comprimidos pelas circunstâncias e a dor e o sofrimento tornam-se instrumentos da graça para nos despertar de nossa letargia. Então, desviados e feridos, nos sentimos desamparados, e é aí que Deus pode abrir os nossos olhos para a realidade do grande conflito que envolve o nosso destino eterno.
Tudo isso, no entanto, se não reconhecido como atos de Deus para nos salvar, provoca no homem o desejo de vingança e olhamos para as nossas frustrações com a mesma ira de Balaão por seu animal de carga. O mesmo Deus que converteu a língua de uma jumenta em língua de erudito, é Aquele que age em defesa de Seu povo hoje. Inimigos podem até nos olhar de cima e assumirem posições mais elevadas, mas a nossa confiança deve estar em Deus: “Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl.121:1-2).
Nada neste mundo é mais amado por Deus do que o Seu povo. Somos alvos das bênçãos e das misericórdias divinas. Não incorramos no erro da igreja de Pérgamo, que sustentava “a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição” (Ap.2:14). Segundo a Bíblia, Balaão prosseguiu em auxiliar o rei de Moabe em suas investidas contra Israel. Isso nos mostra que precisamos ter muito cuidado quanto àqueles que afirmam ser profetas de Deus, mas cujos corações são contaminados pela cobiça.
Avancemos em oração para as cenas seguintes desta história repleta de ricos ensinamentos e sérias advertências.
Senhor, nosso Deus, como Teu povo somos chamados à missão de pregar o evangelho eterno. Mas, antes, precisamos Te conhecer e sermos submissos à Tua vontade, Pai. Precisamos do poder do Espírito Santo. Não entendemos como alguém pode ouvir a Tua voz, como Balaão ouviu, ter aquela experiência no caminho, e ainda assim permanecer com o coração endurecido! Ó, Senhor, não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal! Livra-nos da avareza e dos ídolos deste mundo! E que o Anjo do Senhor esteja em nosso caminho não com a espada da vingança, mas com a espada da proteção. Sejamos, ó Pai, o Teu povo abençoado! Em nome de Jesus, Amém!
Vigiemos e oremos!
Bom dia, povo abençoado do Deus Todo-Poderoso!
Rosana Garcia Barros
#Números22 #RPSP
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
Deixe um comentário so far
Deixe um comentário