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“Levantou-se ela e se foi; tirou de sobre si o véu e tornou às vestes da sua viuvez” (v.19).
A probabilidade de Judá ter se separado “de seus irmãos” (v.1), por causa da consequência trágica de seu plano é muito grande. Foi dele a sugestão de vender José “aos ismaelitas” (Gn.37:27); e a tristeza que consumia Jacó era tão grande que temia vê-lo morrer. Para onde foi, Judá se casou com uma cananeia e teve três filhos: Er, Onã e Selá. Apesar da separação de sua família, parece que Judá tentou de alguma forma imitar seus antepassados ao escolher uma esposa para seu primogênito. A Bíblia não fala sobre a origem de Tamar, mas é bem provável que fosse uma cananeia e alguém que Judá julgou que seria uma boa esposa para seu filho.
Pelo desenrolar da história, parece que Judá ficou um bom tempo longe da casa de seu pai. Pois casou o seu primogênito, “que era perverso perante o Senhor, pelo que o Senhor o fez morrer” (v.7). Logo depois, seguindo o costume do levirato, Judá casou Tamar com Onã, mas o que ele fazia para não dar descendência a seu irmão mais velho, “era mau perante o Senhor, pelo que também a este fez morrer” (v.10). Então, Judá pensou: “Já perdi dois filhos. Eu é que não vou permitir que o filho que me restou case com essa mulher”. Era como se Tamar agora tivesse a fama de “viúva negra”. Judá não considerou a maldade de seus filhos, colocando a culpa na mulher que muito provavelmente era vítima da maldade deles.
Vendo, porém, Tamar “que Selá já era homem, e ela não lhe fora dada por mulher” (v.14), teve uma ideia. Nesse tempo, Judá também havia ficado viúvo e subiu “a Timna, para tosquiar as ovelhas” (v.13). Tamar “se disfarçou”, “cobrindo-se com um véu” (v.14) e esperou que Judá passasse pelo caminho onde estava. Sendo confundida com uma prostituta, Judá deitou-se com ela, mas não sem antes deixar nas mãos daquela desconhecida o penhor do qual ela precisava: o seu selo, o seu cordão e o seu cajado. Era como se Tamar tivesse garantias da identidade e da promessa de Judá. Quando sua gravidez foi anunciada como um crime passível de morte, aquele penhor lhe garantiu não somente a vida, mas o respeito de Judá, que reconheceu: “Mais justa é ela do que eu, porquanto não a dei a Selá, meu filho. E nunca mais a possuiu” (v.26).
Às vezes eu penso que Deus poderia ter ocultado de Sua Palavra alguns detalhes sórdidos que aconteceram no meio do Seu povo. Mas que esperança haveria para nós, ou para todo aquele que acha que foi longe demais para que Deus possa alcançá-lo e perdoá-lo? Porque foi desse encontro estranho e escuso que foi dada continuidade à genealogia do próprio Messias! Pois “Judá gerou de Tamar a Perez e a Zera” (Mt.1:3), e, a partir de Perez, aos demais na árvore genealógica de Jesus. Vocês percebem, amados? Tamar foi a primeira mulher estrangeira a participar da linhagem de Jesus Cristo. Isso não significa que o que ela fez ou o que Judá fez, foi certo aos olhos de Deus, mas que Deus tem o poder de transformar um aparente fracasso em vitória.
Essa pausa na história de José é o relato de como o pecado não confessado pode causar muitos estragos. A consciência culpada de Judá o afastou de sua família, onde de alguma forma ainda havia o temor de Deus. A Palavra do Senhor nos diz: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade?” (2Co.6:14). Judá experimentou as consequências de sua transgressão, mas, apesar disso, o Senhor ainda tinha planos especiais para ele e sua descendência. Se você não consegue ver a misericórdia de Deus nessa história, eu aconselho que a releia com a visão do futuro que Judá não teve o privilégio de conhecer. Mas você e eu conhecemos a continuidade e a consumação dessa história que, em Cristo, ganhou uma nova perspectiva.
Uma família disfuncional, um pecado escondido, lembranças de um passado tenebroso, angústias que nos consomem a alma, tudo isso pode ser lançado aos pés de Jesus Cristo, hoje, agora. O que começou errado pode, de fato, ter um final feliz, se você permitir que Cristo conduza a história da sua vida. Ele nos prometeu isso e a cruz e a sepultura vazia são o penhor da nossa vitória, a garantia de que não morreremos, mas nEle viveremos, pois “tendo-Se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação” (Hb.9:28). Você crê? Então, ore comigo:
Nosso amado Pai Celestial, porque o Senhor permitiu tantas situações complicadas e aturou tantos erros no percurso do Teu povo, não o sabemos. Mas isso por um lado nos consola, pois também somos pecadores e muitas vezes até exageramos nisso. E aí podemos ver o quão misericordioso e quão paciente Tu és! Ó, Senhor, nos perdoa e transforma os nossos fracassos em uma vida vitoriosa em Cristo! Livra-nos das lembranças amargas de um passado que gostaríamos de esquecer! E nos faz confiar que todos eles foram lançados por Ti nas profundezas do mar! Em nome de Cristo Jesus, Amém!
Vigiemos e oremos!
Feliz sábado, renovados em Cristo!
Rosana Garcia Barros
#Gênesis38 #RPSP
Comentário em áudio: youtube.com/user/nanayuri100
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