Reavivados por Sua Palavra


Gênesis 4 – Comentários Selecionados by Jeferson Quimelli
20 de abril de 2025, 0:50
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1 Adquiri um varão. O hebraico diz, literalmente: “Adquiri um varão, o SENHOR”. Quando Eva segurou seu primogênito nos braços, provavelmente se lembrou da promessa divina (Gn 3: 15) e, acariciando a esperança de que ele fosse o Libertador prometido, deu-lhe o nome de Qayin, “adquirido” (DTN, 31). Pobre esperança! Seu ávido anseio pelo rápido cumprimento da promessa do evangelho estava destinado a doloroso desapontamento. Mal sabia ela que aquela criança se tornaria o primeiro assassino do mundo. CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo dia, vol. 1, p. 223.

3-5 Hb 11:4 destaca a importância da motivação ao dar a Deus: Abel ofertou pela fé. Autores bíblicos posteriores desenvolveram mais o tema de Deus olhar o motivo do doador (1Sm 16:7; Os 6:6; Mt 5:24). Bíblia de Estudo Andrews.

Uma oferta ao Senhor. “Oferta”, minhah. […] Caim sabia estar procedendo de forma errada ao levar o tipo de oferta oferecida a Deus. Ele fora ensinado de que o sangue do Filho de Deus expiaria seus pecados. Seguindo  a regra divinamente instituída de que o sangue do Filho de Deus expiaria seus pecados, ele mostraria lealdade a Deus, que havia ordenado o sistema sacrifical, e expressaria fé no plano da redenção (Hb 11:4). […] O que tornou a oferta de Caim inaceitável a Deus? A contragosto, Caim reconhecia parcialmente as reivindicações de Deus sobre ele. Mas um espírito secreto de ressentimento e rebelião o levou a cumprir os reclamos divinos da forma que ele mesmo escolheu, em vez de segui precisamente o plano estabelecido por Deus. Aparentemente ele obedeceu, mas a maneira em que o fez revelava um espírito desafiador. Caim pretendia se justificar por suas próprias obras, ganhar a salvação por seus méritos. Ele se recusou a reconhecer que era pecador e que precisava de um Salvador. Apresentou uma oferta que não expressava nenhum arrependimento pelo pecado – uma oferta sem sangue. E “sem derramamento de sangue não há remissão”, pois “”é o sangue que fará expiação pela alma” (Hb 9:22; Lv 17:11, ARC; PP, 71, 72). Caim reconhecia a existência de Deus e Seu poder para dar ou reter bênçãos terrestres. Achando vantajoso estar bem com a Divindade, Caim julgou conveniente aplacar e desviar a ira divina por meio de uma oferta, embora ela fosse feita a contragosto Ele não compreendeu que a atenção parcial e formal das exigências explícitas de Deus não podia obter Seu favor e substituir a verdadeira obediência e contrição do coração. Examinar bem o coração pode evitar que, como Caim, ofereçamos a Deus bons inúteis e inaceitáveis. CBASD, vol. 1, p. 224, 225.

4, 5 Deparamos na vida de Caim: 1) O pensamento humano em oposição à revelação divina; 2) A vontade humana em oposição à vontade divina; 3) O orgulho em oposição à humildade que Deus requer; 4) O ódio humano em oposição ao amor divino; 5) A hostilidade humana em oposição à comunhão divina (cf v 16). Bíblia Shedd.

Agradou-se. Sha’ah, “considerar favoravelmente”. Embora não seja revelada a maneira como Deus aceitou a oferta de Abel, ela consistiu na aparição de um fogo celestial para consumir o sacrifício, como aconteceu muitas vezes em épocas posteriores (ver Lv 9:24; Jz 6:211Rs 18:38; 1Cr 21:26; 2Cr 7:1; PP, 71). A aceitação do sacrifício de Abel por parte de Deus indicava a aceitação de sua pessoa. De fato, na narrativa, a menção de que Abel foi aceito precede a menção de que sua oferta foi aceita. Isso é uma indicação de que Deus não está tanto interessado no sacrifício quanto na pessoa que o apresenta. CBASD, vol. 1, p. 225.

Ao passo que de Caim e de sua oferta […] Irou-se, pois, sobremaneira, Caim. Caim notou a ausência de qualquer sinal visível do agrado de Deus e a aceitação da oferta. O resultado foi uma ira ardente e profunda. A frase hebraica usada aqui pode ser traduzida literalmente como: “Isso ardeu em Caim sobremaneira.” Ele foi tomado por um intenso ressentimento contra seu irmão e contra Deus. Aparentemente não houve nenhuma tristeza pelo pecado, nenhuma oração por luz e perdão. O comportamento de Caim é típico de um pecador obstinado e impenitente cujo coração não se comove diante da correção e da reprovação, mas se torna ainda mais duro e rebelde. Caim não fez nenhuma tentativa de esconder sentimentos de desapontamento, insatisfação e ira. Sua face demonstrava seu ressentimento. CBASD, vol. 1, p. 225.

Por que andas irado? Fica aqui evidente, como nos v. 14 e 16, que Deus não deixou de ter contato pessoal com o ser humano quando o expulsou do jardim. A rejeição da oferta de Caim não significava necessariamente a rejeição do próprio Caim. Em misericórdia e paciência, Deus estava pronto a lhe dar outra chance. Embora tivesse manifestado claramente Seu desprazer ao rejeitar a oferta, Deus apareceu ao pecador e arrazoou com ele, na tentativa de persuadi-lo de que sua conduta estava errada e de que sua ira era injusta. CBASD, vol. 1, p. 225.

7 Se procederes bem. Deus desejava que Caim compreendesse que, se ele se corrigisse e passasse a viver de acordo com os preceitos divinos, não haveria mais razão para o Senhor mostrar desprazer nem para Caim manter o semblante desapontado e irado. Contudo, se Caim não mudasse, o pecado o dominaria. A frase “o pecado jaz à porta” (como um animal selvagem) é provavelmente um provérbio (ver 1Pe 5:8). CBASD, vol. 1, p. 226.

o pecado jaz à porta. Uso de um termo hebraico que se refere a um demônio mitológico que vigia as portas. Portanto, o pecado fica à espreita como um demônio, pronto para atacar aqueles que lhe abrem a porta. Bíblia de Estudo Andrews.

8 Entrada da morte na sociedade humana. Aquilo que ficara implícito na maldição de Deus se tornou explícito em ações humanas. Bíblia de Estudo Andrews.

Vamos ao campo. Indica que o assassínio foi premeditado. Bíblia Shedd.

Estando eles no campo. O crime de Caim revelou a verdadeira natureza de Satanás como “homicida desde o princípio” (Jo 8:44). Ali já havia brotado o contraste de suas “descendências” distintas dentro da raça humana, um contraste que tem se estendido ao longo de toda a história da humanidade. CBASD, vol. 1, p. 226.

Onde está Abel, teu irmão? Assim como ocorreu com Adão e Eva, Deus, então, foi atrás de Caim para pôr a transgressão na devida luz, a fim de despertar arrependimento em sua consciência culpada e criar nele um novo coração. Como Deus havia se dirigido aos pais de Caim com uma pergunta, fez o mesmo com ele. Os resultados, contudo, foram bem diferentes: Caim ousadamente negou a sua culpa. A desobediência havia levado ao homicídio ao qual ele acrescentava a mentira e o desafio, pensando cegamente que poderia ocultar de Deus o seu crime. CBASD, vol. 1, p. 227.

10 A voz do sangue de teu irmão clama. É uma expressão figurada, demonstrando tremenda culpabilidade do criminoso (cf Ap 6.9, 10). Bíblia Shedd.

O trêmulo homicida percebeu que o Deus que tudo vê e tudo sabe via sua alma desnuda. […] Contra toda a desumanidade do homem para com o homem, em todas as eras, o clamor de Abel ascende a Deus (Hb 11:4). Abel encontrou a morte na mão de um parente chegado. Da mesma forma, Jesus, vindo à Terra como parente chegado da raça humana, foi rejeitado e entregue à morte por Seus irmãos. CBASD, vol. 1, p. 227.

11 És agora, pois, maldito. Uma maldição divina já havia sido pronunciada sobre a serpente e a terra (3:14, 17); agora, pela primeira vez, ela cai sobre o homem. CBASD, vol. 1, p. 227.

12 Não te dará ele [o solo] a sua força. Caim estava condenado a vaguear perpetuamente a fim de conseguir alimento para si, para a família e os animais. Havendo sido compelida a beber sangue inocente, a terra se rebelou, por assim dizer, contra o assassino. E quando ele a lavrasse, ela não daria sua força. Caim teria pouca recompensa de seu trabalho. Da mesma forma, posteriormente, é dito que a terra de Canaã “vomitou” os cananitas por causa de suas abominações (Lv 18:28). CBASD, vol. 1, p. 227.

13 Já não posso suportá-lo. A sentença divina transformou a truculência de Caim em desespero. Embora Caim merecesse a pena de morte, um Deus misericordioso e paciente lhe deu mais uma oportunidade de arrependimento e conversão. Mas, em vez de se arrepender, Caim reclamou da punição como sendo mais severa do que merecia. Nenhuma palavra de tristeza saiu de seus lábios, nem mesmo um reconhecimento de culpa ou de vergonha; nada, a não ser a triste resignação de um criminoso que percebe ser impotente para escapar da penalidade que merece. CBASD, vol. 1, p. 227.

14 Eis que hoje me lanças. Caim sabia que estaria barrado, não só das bênçãos da terra, mas também, pela própria escolha, de todo contato com Deus. CBASD, vol. 1, p. 227.

Quem comigo se encontrar. Caim se viu sem esperança de continuar vivo, com medo de que a maldição de Deus implicasse a retirada da restrição divina de sobre aqueles que buscassem vingar o sangue de Abel. Uma consciência culpada o advertia de que ele merecia morrer e que, daí em diante, sua própria vida estava em perigo. Mas a pena de morte, que lhe cabia, foi trocada pelo exílio perpétuo. Em vez de ficar preso, ele devia ficar excluído de toda associação normal e feliz com outras pessoas, e, por sua própria escolha, excluído de Deus. Aquele que havia tirado a vida de seu irmão via nas outras pessoas seus executores em potencial. CBASD, vol. 1, p. 227, 228.

15 Sete vezes. Proteção especial lhe foi concedida, em harmonia com o princípio: “A Mim Me pertence a vingança; Eu é que retribuirei, diz o Senhor” (Rm 12:19). O joio precisa crescer junto com o trigo; é preciso permitir que os frutos do pecado alcancem a maturidade para que o caráter de sua semente possa ser manifesto. A vida de Caim e de seus descendentes devia ser uma demonstração do que o pecado faz nos seres racionais (PP, 78). CBASD, vol. 1, p. 228.

Um sinal. O que quer que seja, não era um sinal do perdão de Deus, mas apenas uma proteção temporal. CBASD, vol. 1, p. 228.

17-22 As genealogias têm propósitos diferentes na Bíblia: (1) mostrar a origem comum da humanidade; (2) servir para verificar o direito à propriedade da terra (Lv 25:23, 24), ligada ao senhorio geral de Deus sobre tudo; (3) mostrar a importância da continuidade das linhagens sacerdotal e real; (4) funcionar como ponte entre diferentes períodos nas Escrituras. Bíblia de Estudo Andrews.

17 E coabitou Caim com sua mulher. A repentina menção da mulher de Caim não deve criar problema. Gênesis 5:4 declara que Adão “teve filhos e filhas” além dos três filhos cujos nomes são mencionados. Os primeiros habitantes da Terra não tinham escolha exceto se casarem com seus irmãos e irmãs a fim de cumprirem a ordem divina: “Sede fecundos, multiplicai-vos” (ver At 17:26). O fato de que esse costume permaneceu por longo tempo é visto no casamento de Abraão com sua meia-irmã Sara. Tais casamentos foram mais tarde proibidos (Gn 1:28; ver Lv 18:6-17). CBASD, vol. 1, p. 228.

Caim edificou uma cidade. É digno de nota que a primeira “cidade” do mundo tenha sido fundada pelo primeiro assassino, um indivíduo perversamente impenitente cuja vida, completa e irremediavelmente dedicada ao mal, foi vivida em desafio a Deus. Foi alterado, assim, o plano de Deus de que o homem vivesse em meio à natureza, contemplando nela o poder do Criador. Muitos males atuais são resultado direto do agrupamento antinatural de seres humanos em grandes cidades, onde os piores instintos predominam e vícios de todos os tipos florescem. CBASD, vol. 1, p. 228, 229.

18 A Enoque nasceu-lhe Irade. O caráter de Enoque, filho de Caim, está em contraste tão acentuado com o do Enoque da linhagem de Sete, que é impossível identificar os dois como uma só pessoa. CBASD, vol. 1, p. 229.

19 Lameque tomou para si duas esposas. Lameque foi o primeiro a perverter o casamento, tal como este fora estabelecido por Deus, transformando-o na concupiscência dos olhos e da carne, sem ter sequer o pretexto de que a primeira esposa não tivesse tido filhos. A poligamia foi um novo mal que ficou arraigado durante longos séculos. Os nomes das esposas de Lameque sugerem atração sensual: Ada significa “adorno” e Zilá significa “sombra” ou “tilintar”. CBASD, vol. 1, p. 228.

21 De todos os que tocam harpa e flauta. “Harpa”, kinnor [de onde Quinerete, o outro nome do mar da Galiléia/Tiberíades/Genezaré, em forma de lira]. Tendo sido o primeiro instrumento musical do mundo, a “harpa” é mencionada 47 vezes no AT (ver Sl 33:2; etc.). A palavra kinnor é traduzida na ARA e na ARC como “harpa”, embora na verdade seja uma lira. CBASD, vol. 1, p. 229.

22 Naamá. Não se sabe por que a irmã de Tubalcaim é especificamente mencionada. A tradição judaica a identifica como a esposa de Noé. Seu nome, que significa “a bela” ou “a agradável” reflete a mente mundana dos cainitas, que ohavam para a beleza, e não para o caráter, como o principal atrativo das mulheres. CBASD, vol. 1, p. 230.

23, 24 A canção de vanglória entoada por Lameque se contrapõe ao pedido de Caim por proteção divina (v. 13, 14) e ressalta a tendência de degradação da sociedade humana. Lameque queria ser a própria lei. O tema da vingança desempenha um papel importante. Bíblia de Estudo Andrews.

23 Matei um homem. […] esse “cântico” constitui a primeira composição poética do mundo. É difícil saber o significado exato de suas palavras um pouco enigmáticas. CBASD, vol. 1, p. 230.

25 Sete. Depois de relatar o desenvolvimento da ímpia família de Caim, o autor volta a Adão e Eva e repassa brevemente a história daqueles que foram leais a Deus. Pouco após a morte de Abel nasceu um terceiro filho, a quem sua mãe deu o nome de Sete. Sheth, o “nomeado”, a “compensação” ou o “substituto”, em lugar de Abel. Eva, tendo visto que seu filho piedoso estava morto e reconhecendo que as palavras de Deus com respeito ao descendente prometido não podiam encontrar cumprimento no amaldiçoado Caim, expressou sua fé de que o Libertador prometido viria através de Sete. Sua fé foi recompensada, pois os descendentes de Sete obedeceram ao Senhor CBASD, vol. 1, p. 230.

26 Enos. Em seu tempo, iniciou-se um culto mais formal. As pessoas, é claro, haviam invocado o Senhor antes do nascimento de Enos, mas à medida que o tempo passava surgiu uma distinção mais evidente entre aqueles que adoravam o Senhor e aqueles que O desafiavam. A expressão “invocar o nome do Senhor” é usada frequentemente no AT (Sl 79:6; 116:17; Jr 10:25; Sf 3:9) para indicar adoração pública, como ocorre aqui. CBASD, vol. 1, p. 230.


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