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Juízes 11 – O voto precipitado de Jefté by Jeferson Quimelli
24 de novembro de 2012, 8:00
Filed under: Estudo devocional da Bíblia

Se você se sente incomodado ao ler Juízes 11, talvez se sinta um pouco melhor em saber que este trecho da Bíblia tem incomodado também a muitos por muitos séculos. Entretanto esta passagem pede uma melhor compreensão dos fatos e traz tantos conselhos e advertências importantes, como anotadas em comentários bíblicos, que não poderíamos deixar de registrá-los:

30 fez Jefté um voto ao Senhor A ignorância da Lei de Deus por parte de Jefté era muito grande, tendo-se em vista passagens como Lv 18.21; 20.2-5; Dt 12.31; 18.10. Se de fato ofereceu sua única filha em holocausto (oferta queimada), como o sentido literal do texto indica, pode-se afirmar, com certeza, que não agradara a Deus. O sacrifício humano, que se encontra em passagens como 2 Rs 3.27; 16.3; 17.17; 2 Cr 33.6; Jr 7.31; 32.35, revela que tal costume pagão não era desconhecido entre os hebreus. Louvamos o zelo de Jefté; condenamos seu voto temerário. Desde a Idade Média há intérpretes que argumentam que Jefté jamais teria sacrificado sua filha única, mas que somente a consagrara à virgindade perpétua. As frases “esse será do Senhor” e “jamais foi possuída por varão” (39) são as mais proferidas em prol dessa opinião (Bíblia Shedd).

O registro do voto precipitado de Jefté é uma das mais difíceis passagens das Escrituras. O relato é muito breve para permitir conclusões definitivas sobre o que aconteceu. … Aqui, como em outros lugares, deve-se verificar o que diz a Bíblia e evitar a tentativa de harmonizar as afirmações com o conceito pessoal sobre a história. Deve-se tomar a Bíblia como se lê. Sempre que possível deve-se conceder o benefício da dúvida às pessoas e não julgá-las sem justa causa (CBASD – Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, Vol. 2, p. 388, 389).

Voto O voto de Jefté foi feito sob a pressão das circunstâncias, estando ele no limiar de um empreendimento perigoso. Infelizmente, era em tempos de perigo ou crise que votos como esse eram feitos, quando o estresse emocional contribui para o perigo de fazer promessas precipitadas (CBASD, Vol. 2, p. 389).

31 O Espírito de Deus veio sobre Jefté para que Israel fosse salvo da destruição. Entretanto, a presença do Espírito não garante infalibilidade ou onisciência. Aquele que recebe o Espírito permanece um agente moral livre, e espera-se que faça o devido progresso no conhecimento e crescimento espiritual. Jefté, ignorando o que era correto, precipitadamente votou uma coisa errada. … O único julgamento possível no caso de Jefté é o de condenação (CBASD, Vol. 2, p. 389).

34 A tragédia daquele voto precipitado aprofunda-se ao verificarmos que a linhagem de Jefté ficou cortada, provocando o fim da família, o que é considerado uma das mais funestas maldições entre os hebreus(Bíblia Shedd).

35 prostras por completo Quando Jefté viu sua filha, o pleno significado de seu voto precipitado o prostrou (CBASD, Vol. 2, p. 390).

39 lhe fez segundo o voto por ele proferido Este é um dos mais perturbadores versos na Escritura. Jefté claramente ofereceu sua filha como holocausto, sacrifício completamente queimado (não queimado até a morte, Lev. 1). … ele não previu a consequência de seu voto. Por causa de tal limitação humana, Jesus mais tarde advertiu contra fazer votos (Mat. 5:33-37). Mesmo que sua filha atendesse às especificações de seu voto, Jefté não devia sacrificá-la. Um animal deveria substituir um ser humano (Gên. 22:13; Êx. 13:13,15), que não era uma vítima apropriada para um sacrifício queimado (Deut. 12:31). Mas Jefté aparentemente supôs que seu caso era excepcional e que Deus mesmo havia escolhido a vítima. Ele foi motivado por uma piedade equivocada em vez de rebelião contra Deus. Alguns intérpretes argumentam que Jefté não poderia sacrificar sua filha porque a Bíblia não o condena (comparar com 2 Rs 16:3; 21:6) e porque ele aparece na lista do NT dos heróis da fé (Heb 11:32). Eles dizem que ele deve tê-la dedicado a Deus para que servisse no santuário, como Ana dedicou Samuel (1 Sam. 1:22). Mas a dedicação de vivos não explica a tristeza de Jefté (contrastar com a alegria de Ana; 1 Sam. 2:1), a virgindade da filha (Samuel teve filhos; 1 Sam. 8:1-5), ou o registro explícito de que ele fez como havia votado. A Bíblia não precisa condená-lo porque sua condenação é óbvia: ele literalmente cortou completamente sua linha potencial de descendentes com sua própria mão. Como outros heróis em Heb. 11 (incluindo Gideão e Sansão), ele foi usado por Deus para fazer algo grande através da fé mesmo sendo defeituoso (Andrews Study Bible).

Comentário adicional:

Por volta de 1.200 d.C., o Rabbi Kimchi, seguido por vários escritores, disseminou o ponto de vista de que Jefté não sacrificou a filha. Ele disse que as palavras “oferecerei em holocausto” (Jz 11:31) se aplicariam somente se quem encontrasse Jefté fosse um animal sacrifical. Ele interpreta o v. 39 como Jefté tendo construído uma casa para sua filha onde ela ficaria isolada dos homens o resto da vida, em celibato sagrado, para que todos os momentos fossem dedicados ao Senhor. As virgens de Israel a visitavam anualmente e lamentavam o ocorrido.

Há contra a interpretação de Kimchi o fato de que os costumes daquele tempo não incluíam o tratamento de mulheres como freiras. Virgindade perpétua e não ter filhos eram vistos como os maiores dos infortúnios. Não há lei nem costume em todo o Antigo Testamento que, pelo menos, sugira que uma mulher solteira fosse vista como mais santa, mais dos Senhor ou mais dedicada a Ele do que uma mulher casada. Isso não fazia parte da lei dos sacerdotes nem nazireus. Débora e Hulda, profetizas, são mencionadas como mulheres casadas. Além disso, se a filha fosse permanecer solteira em harmonia com um costume desconhecido, o caso não seria tão trágico como retratado aqui. E ela não precisaria de dois meses para chorara a virgindade porque teria o resto da vida para fazer isso. Todos os intérpretes judeus e cristãos até o tempo de Kimchi mantiveram a intenção natural da passagem, a saber, que Jefté sacrificou sua filha ao Senhor, uma coisa que Abraão quase fez com seu filho, sob circunstâncias diferentes.


2 Comentários so far
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Avatar de José Genival de Oliveira

Não sou eu o dono da verdade porém me atrevo a dizer que Jefté cumpriu o seu voto de forma literal. Não é de admirar por ser sua filha. Houve rei em Israel que fez passar seus filhos no fogo! O voto de Jefté valia pra qualquer que saísse da porta de sua casa retornando este da guerra. E se tivesse sido sua esposa e não sua filha? e se tivesse sido um animal? Deus concedeu Vitória a Israel não foi pelo voto que fez Jefté, mas porque era da sua vontade libertar o seu povo do jugo amonita.

Comentário por José Genival de Oliveira

Avatar de Jeferson Quimelli

Bom dia, José Genival! Existem algumas histórias na Bíblia que são realmente muito perturbadoras, autêntico “festival de horrores”, cujos detalhes não nos são totalmente revelados, mas que mostram o essencial: a triste situação humana, como a incorreta compreensão de Deus e seus propósitos pode levar a atos e consequências bizarros. Para mim, o maior ensinamento da experiência de Jefté é que não devemos agir impulsivamente em questões importantes, de forma que Deus não pediu, que possam nos levar a conflitos éticos.
Entre estas narrativas, temos também o sacrifício do filho do rei Mesa, que interrompeu um ataque israelita, a maldade de Manassés e dos reis que ofereceram seus próprios filhos a Moloque, a história da concubina do levita entregue covardemente aos depravados benjamitas, cujo corpo foi partido e enviado às tribos (explicando a quase extinção da tribo de Benjamim), entre outras.
O importante é entender que essas narrativas mostram aonde pode chegar a espécie humana quando separada de Deus. E só tem significado ao mostrar as consequências de nos afastarmos de Deus. Feita a advertência divina, e registrados os MILHÕES de mortes pela guerras, fomes e pestes dos últimos 100 anos (a morte é sempre a mais bizarra e violenta experiência do universo, não importa de quanta falsa “dignidade” ela possa se revestir), fica o alerta para que nosso foco deva ser nossa experiência em Deus, Seu amor e salvação expressos em Jesus Cristo, em elevar nosso caráter do egoísmo e violência hoje dominante no nosso triste planeta. Que a nossa experiência de vida surpreenda a todos pela fé e coerência, motivando outros a olhar e se submeter a Deus e Seu governo. Forte abraço.

Comentário por Jeferson Quimelli




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