Reavivados por Sua Palavra


Sermão – Noite de Luta (Gên.32) by jquimelli
14 de junho de 2012, 4:44
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De todas as histórias de Gênesis, eu achei que uma, em especial, ocupa um lugar central. 
Quais são as principais histórias de Gênesis? Adão e Eva, Caim e Abel/Seth, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José. Qual você acha que é?
Ao ler o livro de Gênesis dentro do plano de leitura mundial de um capítulo por dia, junto com comentários de Bíblias de estudo e o Comentário Bíblico Adventista, tem-se uma nova visão, mais viva, mais detalhada e abrangente das histórias narradas e a compreensão da mensagem deixada por Deus é, em muito, ampliada.
Eu considero que as histórias do Gênesis se sucedem num crescendo até a história de Jacó. Desde a promessa a Adão e Abraão à formação do povo de Deus, Israel, que receberá, posteriormente, de maneira formal, escrita, tanto a Lei Moral (os Dez Mandamentos) quanto a lei cerimonial nos livros restantes do Pentateuco. 
Este povo teria a dupla missão de, primeiro, refletir ao mundo o caráter de Deus ao colocar em prática estas leis, mostrando aos povos um novo e abençoado estilo de vida e, segundo, ser o povo que proveria ao mundo a bênção maior, a linhagem para o aparecimento do Messias, a verdadeira expressão e cumprimento destas leis. Pense bem: a maior bênção do povo israelita era a sua missão… Desta vieram as outras.
Você também pensa assim? Já pensou que a missão de pregar o Evangelho Eterno às vésperas da Segunda Vinda de Cristo é a sua maior bênção?

E o evento mais importante da vida de Jacó foi a sua noite de luta com Deus, na passagem do Rio Jaboque, ao retornar ele de Padã-Harã, casa de seu tio Labão, para Canaã, mais ao sul, obedecendo a um chamado de Deus.
 
Leia, neste momento, Gênesis 32.
 
Se você observar bem, no Gênesis Deus mostra a cada um dos patriarcas o que ele deve desenvolver em sua vida para poder receber as bênçãos da promessa. São todas elas características que precisamos desenvolver em nossas vidas.
Adão precisou aprender a amar a Deus acima de todas as coisas, inclusive de Eva (e teve mais de 900 anos para aprender isso…). Abraão teve de aprender a exercer fé completa e total, paciência para esperar em Deus e reconhecer a Sua voz (certeza de que era Deus pedindo o sacrifício de Isaque, p. ex.). Isaque teve de aceitar a vontade de Deus contra a sua (ao despedir Jacó com a bênção ele finalmente se submeteu à vontade de Deus). E Jacó teve que aprender a se quebrar, se humilhar perante Deus, para que Deus pudesse mudar  o seu caráter – mudança refletida em seu novo nome. De Jacó, o “enganador”, para Israel, “Aquele que lutou com Deus e venceu“.
O que você precisa mudar em sua vida para que Deus possa te abençoar sem limites?
 
Jacó tinha acabado de se despedir de seu tio Labão, nas montanhas de Gileade (posteriormente, “Monte da Testemunha” – do pacto de não agressão entre os dois), de um encontro que seria de desgraça, se não fosse o sonho em que Deus falou na noite anterior a Labão para não fazer mal algum a Jacó. A caminho, agora, para Canaã, ele vê dois grupos de anjos, um à frente e outro atrás, sinal de Deus de que Ele estava cuidando Jacó tantos dos perigos à frente (o maior era Esaú) quanto dos perigos atrás  (o maior era Labão), curiosamente, neste caso, justo seus parentes [Jacó, sim, poderia falar que “parente” rima com “serpente”Estes dois grupos cuidando da frente e de trás simbolizavam, também, que, Deus, do mesmo modo como guardara no passado (atrás), também o guardaria no futuro (frente). Então Jacó deu àquele lugar o nome de “Dois Acampamentos”. Ou, em hebraico, Mahanaim.
Esta também é a mensagem pra você: Do mesmo jeito que Deus guardou o teu passado, Ele guardará o teu futuro.
E este encontro que ele tinha com Esaú, logo mais não era, realmente, nada fácil. Era o acerto de contas com o irmão caçador, forte e violento, de quem ele roubara tudo. Roubara dele tanto a primogenitura, com o direito da liderança familiar, escolha das terras e o direito ao dobro da herança, quanto as bênçãos da promessa, de ser o povo escolhido de Deus e linhagem do Messias. A isto se acrescia o pecado da mentira contra seu pai, agravada por nela alegar bênção do próprio Deus, para justificar ter achado “tão rápidamente a caça”. Vejam: Jacó é, assim, um modelo daqueles que querem conseguir a bênção pelos seus próprios métodos, pelos seus próprios esforços. Ou seja, a humanidade inteira…
Deus já havia mostrado no sonho a Rebeca grávida que o mais novo, Jacó, seria o herdeiro da promessa, mas sua mãe e ele resolveram “dar uma ajuda” a Deus. Falta de fé que Deus iria cumprir a promessa, ao Seu bom tempo. Nisto ele refletiu defeitos de caráter de seus pais, Abraão e Isaque, que talvez por serem homens práticos, tinham que tomar decisões imediatas para a liderança das pessoas e cuidado dos rebanhos e posses e não descansaram na confiança que Deus iria cumprir Suas promessas no tempo certo. [Pessoas práticas têm dificuldade de esperar… ]
Fico imaginando comigo: “Como será que Deus iria intervir para passar a bênção para Jacó? Talvez como Balaão, ao intentar amaldiçoar o povo de Deus só conseguiu dizer bênçãos em intervenção direta do Espírito Santo? Jamais saberemos aqui, nesta existência. Somente na eternidade…
Abraão concordou com o plano de Sara em “dar uma ajuda a Deus”, provendo outro útero para a continuidade da linhagem de Abraão, fato que trouxe muita amargura a ambos. As mentiras quanto a serem Sara e Rebeca irmãs de Abraão e Isaque, certamente deixaram a impressão em Jacó da importância “relativa” da verdade. Que “a mentira às vezes é aceitável, talvez desejável, quiçá necessária”.
[Nisto vemos como se comporta a mentira. Como Eva, a se afastar de sua proteção imediata, Adão, pelo nosso afastamento da comunhão com Deus, vamos aceitando e achando razoável, cada vez mais, o erro.]
Este é o trabalho do inimigo: ele insinua que o pecado, o engano, não é tão ruim, tão danoso assim, que não vai nos trazer grandes consequências [“veja como é agradável…”], que a recompensa é muito boa para se perder com formalidades religiosas, com “fanatismo”, “extremismos”. 
Mas, depois que fazemos algo que sabemos que não é a vontade de Deus, ele mostra a realidade, nossa indignidade e nossa incapacidade de se manter no bem e integridade, procurando nos fazer esconder com vergonha de Deus, justamento o único que nos pode restaurar.
Some-se, ainda, a vergonha de ter usado o nome de Deus para justificar a rapidez com que tinha localizado e abatido a caça, quando Isaque se admirou da rapidez que a comida lhe foi entregue. Esta culpa era ainda, muito pesada no coração de Jacó. A distância e a culpa não diminuem a culpa. Apenas a aumentam.
Você também sente vergonha de coisas que fez há pouco ou muito tempo? Bem vindo ao grupo. Você faz parte da humanidade…
 
Neste quadro de angústia quanto ao futuro encontro com seu irmão, aquele que vinha ao seu encontro, sem sinalização nenhuma de amizade (muito pelo contrário…), que tinha muito a perder com a vinda do irmão (a herança), fora a mágoa do engano, Jacó, ao cair da noite, se retirou para orar, reclamando as bênçãos e proteção da promessa, que agora pareciam tão incertas…
Porém Jacó tinha um inimigo maior ainda a vencer.
Neste momento de angústia, de profunda ansiedade e inquietude, de medo pela perda iminente de tudo o que tinha de mais valor, Raquel, seus filhos, a sua própria vida,uma mão forte lhe toca o ombro, de modo que lhe pareceu nada amistoso.
 
Você já viram como fica uma pessoa que está inquieta, com muito medo de alguma coisa, apreensiva com alguma desgraça? Como ela se assusta até com a sombra? Ainda mais à noite, quando nem sombras existem, só vultos ameaçadores?
Uma noite, quando voltei do RJ a Ponta Grossa, há 27 anos atrás, estava muito ansioso por conta de um projeto que estava muito atrasado e que o cliente estava me pressionando muito e com razão. Fui deitar no meu colchão (só pude comprar minha cama um ano depois…), naquela casa de madeira, cheia de frestas, onde em baixo tinha visto algumas aranhas peludas, enormes, e puxei meu coberto azul, com suas franjas. Um pouco mais, naquele momento de sono leve e intranquilo, senti algo a me roçar o pescoço… Creio que foi o maior pulo que eu já dei na minha vida!… Pra mim, era a nítida impressão de uma aranha a roçar o meu pescoço… Acho que eu devo ter ficado um bom tempo a bater no meu pescoço e tentar tirar o que quer que estivesse ali… Até que, ao ligar a luz e fazer minuciosa inspeção visual à procura do famigerado artrópode aracnídeo, não achei nada. A não ser a constatação de que a terrível, mal intencionada e sanguinária aranha não era nada mais do que as franjas do cobertor a roçar no meu pescoço, irritado pela barba muito rente que havia feito de manhã…
É… o medo faz a gente ver coisas incríveis. Talvez venha daí o pavor e inimizade mortal recíproca que meu filho Giovani tenha por aranhas…
O meu pai me contou uma vez de uma estória de pescaria (vejam, pode até, então, ser verdade…), quando deu um susto num amigo que morria de medo de cobras. Na beira do rio, à noite, alguém – talvez meu pai mesmo – teve a infeliz ideia de cortar num galho seco duas pontas bem afiadas e cutucar com elas o calcanhar do seu amigo. Precisaram segura-lo para não saísse desembestado pelo rio… E quase que ele morre em consequência da sua crença no veneno. E tiveram o maior trabalho para convencê-lo de que não tinha sido picada de cobra…
Nesta situação de medo paralisante e ansiedade profunda estava Jacó.
Aquela visita que lhe pareceu, a aranha no seu pescoço, a cobra de seu calcanhar, o tubarão para o náufrago, a “personificação da morte”, ao seu ver, o que pareceu a Jacó? Qual o seu maior medo? Ele entendeu que ali estava um espião, um enviado de seu irmão para matá-lo. E lutou corporalmente pela sua vida, de-ses-pe-ra-da-men-te. Apesar de Jacó ser um homem muito forte (havia movido sozinho a pedra que fechava o poço, para Raquel), seu inimigo mortal o sobrepujava e Jacó sentiu o gosto da morte durante toda uma noite. Ô noitezinha terrível!
O sofrimento só acabou logo antes do nascer do sol quando seu oponente, ao ver que Jacó não desistiria, tocou o nervo da articulação do quadril (os judeus crêem que seja o nervo esquiático) e Jacó acabou manco. Só aí ele viu que estivera a lutar contra um enviado de Deus. Na verdade, era contra “O” Enviado de Deus, o próprio Jesus (como certifica o PP) quem estivera lutando com ele e exercera somente a força necessária para manter Jacó subjugado. Agora, pensem: se uma luta de poucos minutos deixa uma pessoa extenuada, imagine lutar a noite toda pela vida…
Quando seu agora “antigo oponente” disse que precisaria ir (para o próprio bem de Jacó, pois este morreria se visse a face de Deus), Jacó se agarrou a ele, reconhecendo nEle o Deus da promessa que lhe havia aparecido em Betel, na sua fuga, e em Harã, ao chamá-lo ao retorno a Canaã, como havia se manifestado a seu avô e a seu pai. E disse que só o soltaria se o abençoasse. Essa insistência desesperada, mas humilde, na ânsia por receber a confirmação da aceitação e perdão de Deus pelos seus pecados, dos quais o engano era sua fraqueza mais terrível, ele recebeu a bênção de Deus. E a paz.
 
Irmãos, quando enfrentamos nossos profundos medos de consciência pesada, longe de Deus, só conseguimos ver escuridão, morte, perdas e destruição no futuro. Daí vem a ansiedade, que é a expectativa, reação e preparação para um confronto iminente pelas nossas vidas. Muita adrenalina e cortisona são jogadas na corrente sanguínea para nos habilitar a vencer nossos inimigos. Mas isto acaba nos enfraquecendo, porque esta expectativa de combate exaure as nossas forças. Mas quando nos agarramos a Deus e reclamamos, de consciência limpa, após a confissão de nossos pecados, a bênção que ele prometeu, “Ele é fiel” para conosco: confirma o perdão e as promessas.
O encontro no Jaboque foi crucial para Jacó e a formação de Israel. “Ele lutou com Deus e venceu”. Quando ele venceu? Não quando ele lutou, mas quando reconheceu sua insignificância e dependência de Deus e se agarrou a Ele para a confirmação do perdão e o cumprimento das Suas promessas, pedindo um verdadeiro quebrantamento de coração e conversão de desejos e propósitos.
Jacó não saiu dali perfeito. Ele ainda cometeu muitos outros erros. Ainda tinha muitas falhas de caráter a vencer, mas, a partir dali, ele não tinha mais que batalhar sozinho contra suas más tendências. Deus é quem batalhava por Ele.
Em Gên. 48-50 vemos um Jacó vencedor, maduro espiritualmente, um homem com dignidade e postura para abençoar o homem mais poderoso da época.
A maior batalha que temos é contra a nossa autosuficiência, nosso orgulho, nossa autojustificação. Deus só poderá trabalhar profundamente em nós se desistirmos de lutar contra Ele. Mesmo que Ele precise tocar em nossa coxa e nos fazer mancar pelo resto da vida, Ele fará tudo o que for necessário para a nossa salvação.
Quantos anos você tem estado a lutar com Deus?
 
Esta noite de luta de Jacó contra si mesmo é uma figura de outra luta, a chamada pela Bíblia de “Angústia de Jacó“, em Jr. 30:5-7Quando, nos últimos dias os justos estiverem sem a intercessão de Jesus no Santuário Celeste, o inimigo de nossas almas nos lembrará de todas as nossas quedas, principalmente aquelas que nos causam maior vergonha e, por isso mesmo, tentamos jogar num cantinho mais escuro de nossa mente, talvez em baixo do tapete. O problema é que na presença de Deus, todos os tapetes são removidos, todo canto escuro é iluminado. E procuramos nos esconder da justiça e pureza em pessoa, com vergonha e culpa.
Se Jacó não tivesse confessado antes o seu engano, pedindo perdão, não teria recebido a confirmação da bênção e do perdão.
Esta história desta noite terrível de Jacó é um solene aviso que Deus nos dá de que precisamos buscar desesperadamente a Sua presença, Sua paz, Seu conselho e Seu perdão enquanto podemos. E o momento é este. Agora é o único momento que nos pertence na eternidade. Nenhum outro momento está ao nosso alcance. Agora é a hora de buscar a paz, entregando-nos sem reserva a Deus. Não haverá jamais um momento como este na eternidade. Se o deixarmos passar, é como se Jacó deixasse o Enviado de Deus ir embora, sem a bênção. Restaria apenas alguém extenuado, manco, a lutar sozinho com seus medos.
Ficaríamos como em cada momento em que podemos buscar a comunhão com Deus e não o fazemos. Analise bem o retrospecto de sua vida. Você não vai conseguir a paz sozinho.
Como um bêbado que fala: “só mais um gole”, nós dizemos: “só mais um filme”, “só mais uma novela”, “só mais uma partida”, “só mais uma festa”, “só mais uma vez…”.
Neste tempo, o Céu está esperando para que você entre em comunhão com Ele. Mas não irá esperar para sempre.
E enquanto isso as oportunidades preciosas de nossa vida estão passando. Hoje é a mais importante delas. Você vai se retirar de Deus sem se agarrar a Ele e ter certeza de Sua bênção? Diga a ele que não há nada mais importante do que o relacionamento com Ele. E diga a si mesmo também. E saiba que ele já está preparando os Esaús e Labãos da tua vida para que não façam nenhum mal a você e não te impeçam de exercer os teus dons espirituais, os presentes que Deus te deu para a tua felicidade e das pessoas que precisam ouvir o evangelho eterno do amor redentor de Deus, personificado na vida e morte de Jesus Cristo.
Amém.
Jeferson Antonio Quimelli
IASD Central de Ponta Grossa, 13.06.2012

1 Comentário so far
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Amém!!
Palavras maravilhosas

Comentário por Isabel




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